sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Que o calor e a luz sejam coisas que não faltem em 2012.
Um bom ano para todos os visitantes do Blogue.
Fotografia: Fogueia em Marzagão (31-12-2012)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Castanheiros (02)

Já há alguns anos que tenho por hábito passar (com frequência) por Mogo de Malta. Uma das razões são os soutos de castanheiros que me proporcionam algumas imagens de que gosto. Este ano não foi exceção.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Nossa Mãe

A nossa Mãe, - Mãe em tudo, -
De raiz e coração;
Ela é mãe, sobretudo,
Porque à dor não diz que não.
Mesmo quando o quer dizer,
Não o diz. E, humildemente,
Tudo nos faz compreender
No seu olhar, docemente!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: dois dedos de conversa e uma fotografia, em Castanheiro do Norte.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (3/3)

Continuação de: - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)
O café do senhor Gonçalves é um local de paragem obrigatória. Quer pelo espaço acolhedor, quer pela simpatia do dono, quer pela vista que daqui se tem, em direção à aldeia e à serra, a mesma que me escondia o Pinhal, quando eu era criança.
Com sorte, talvez se encontrem alguns residentes, com tempo de sobra e cheios de histórias para contar. As tradições são um bom assunto de conversa. Seria interessante saber que, por altura do entrudo, se faziam os “casamentos”, por um grupo colocado na Fraga e outro na Serrinha. Mas, pior do que ser “casado” com alguém de quem não se gostava, era receber de dote uma das partes do burro de quem nem o diabo se lembrava, como a pele dos testículos, ou algo do género. Esta tradição da “partilha do burro” também se realizava em Zedes e noutras aldeias do concelho. Também tradição no Pinhal do Norte era fazer um boneco de palha (de nome Entrudo), com um enorme nabo colocado cuidadosamente nas partes baixas, que era colocado durante a noite à porta das viúvas que se portavam mal. Se algumas tradições se perderam, como as cascatas nos Santos Populares (chegaram a fazer-se 3, uma no Robalde (Arrabaldo), outra na Portela e a terceira no Terreiro), a fogueira do Galo continua a fazer-se, bem como as bugalhadas (por altura da Quaresma).
Outros bons assuntos de conversa são as rochas com formas interessantes ou as fontes. Além da lenda do Penedo Furado há outras histórias menos conhecidas como o Meroiço da Ruiva (de onde atiravam as mulheres “pecadoras” acabando por matá-las à pedrada!), a Frada da Moira (onde desapareceram pessoas que vinham da feira de Carrazeda) ou outra rocha onde se ouvem os sinos de Braga (depois de os mais incrédulos lá terem batido com a cabeça) ou a Capela do Diabo. Quanto a fontes, também há bastante para saber: há uma fonte natural conhecida como Gricha da Burra (que me fez lembrar uma outra fonte que existe em Freixiel, conhecida como Crica da Vaca); junto ao rio Tua existe uma fonte conhecida como fonte Férrea, com água rica em ferro, muito procurada noutros tempos. Também existiu uma fonte no caminho para Areias, onde bebiam pessoas e animais, junto à capelinha de Nosso Senhor dos Aflitos, quando iam e vinham da feira.
Seguindo pela rua da Escola encontra-se, como é natural, a antiga escola primária. A erva cresce no recinto, à falta de pés para a pisarem.
O seguinte ponto de interesse é a Cruz. Misto de cruzeiro e de alminhas, faz com o cedro que cresce ao lado um conjunto interessante. Há alguns anos atrás estiveram aí umas alminhas feitas pelo sr. António Catarino, conhecido como o Santeiro do Pinhal. Essas alminhas foram roubadas e nunca mais aparecerem, mesmo com intervenção da judiciária.
Procurei a casa e a oficina onde trabalhou esse artesão, infelizmente já falecido. Não me foi possível encontrar nesses locais nenhum trabalho seu, mas há na aldeia várias pessoas que os têm, principalmente Cristos na cruz, que ele fazia com mais frequência.
O percurso continua pela rua do Outeiro. Para trás ficou mais um café, junto à estrada, onde se situam um conjunto de bonitas construções mais recentes. É também nessa zona da aldeia que se situa o polidesportivo e o cemitério.
Da rua do Outeiro tem-se uma nova vista sobre a rua de S. Bartolomeu e a rua do Castelo. Mas, se olhar a paisagem nos delicia, por vezes é sob os nossos pés que se escondem alguns segredos. Numa das ruas mais características do Pinhal, a rua do Arrabaldo, existiram duas fontes que perduram na memória de muitos. Uma seria uma fonte de mergulho, em arco, coberta a granito e com uma pedra de cantaria à entrada. Os miúdos metiam-se no seu interior e sentavam-se numa rocha que existia no extremo. Do lado direito havia algumas pedras (ainda visíveis) que auxiliavam as mulheres a colocar os cântaros à cabeça.
Um pouco mais abaixo, no lado oposto da rua, existia outra fonte, esta acima do solo. Esta construção cúbica tinha a abertura virada para o Terreiro, apresentando sobre ela duas taças e um cálice, tudo em granito. Ambas as fontes pereceram face à necessidade de alargamento e pavimentação da rua. Da primeira, a fonte do Canto, ainda subsistem algumas pedras e um pequeno depósito sob uma tampa de saneamento, que passa desapercebida; da segunda talvez ainda restem algumas pedras, guardadas nalgum quintal particular. Não muito longe, numa rua que sai de junto do fontanário do Terreiro existe uma antiga fonte de mergulho, com marcas evidentes do muito uso que lhe foi dado noutros tempos.
Chegados ao ponto de partida, talvez estejamos preparados para nos afastarmos um pouco das casas e procurar uma vista panorâmica da aldeia. Há um caminho que desce em direção ao vale seguindo para as duas capelas que existem fora do povoado: uma é a capelinha do Senhor dos Aflitos, a outra a capela de Santa Marinha.
 A capelinha do Senhor dos Aflitos é muito pequenina. Fica situada junto ao caminho que liga Pinhal do Norte a Areias, Amedo e Carrazeda de Ansiães (pelo cabeço Doudo). A localização junto ao caminho levou-me a pensar numas Alminhas. Aliás, há uma pedra junto à capelinha que tem o corte perfeito de um retábulo, podendo até imaginar-se o local do mealheiro. A imagem do Senhor crucificado é frequente nas Alminhas. Nenhuma das pessoas que questionei me deu a mais ligeira indicação da sua existência.
A capela de Santa Marinha fica mais distante da povoação, em pleno vale. Apesar de devota a Santa Marinha, esta capela está associada à festa de Santa Eufémia, realizada anualmente a 15 de Setembro. A imagem de Santa Eufémia sai em procissão da igreja matriz para a capela, onde se realiza uma missa campal. Findas as celebrações, a procissão faz o caminho de regresso à aldeia.
O lugar é calmo, fresco e na primavera cheira a violetas. Sentados em redor de uma mesa de pedra à sombra das acácias é o momento e o local para um balanço. Pinhal do Norte é uma aldeia que sofre do mesmo mal de praticamente todo o nordeste transmontano, a desertificação. O amanho da terra que deu sustento a muitas gerações é hoje uma atividade de risco e para uma franja muito pequena da população. A degradação de muitas habitações é notória, mas o carinho e gosto na recuperação também é visível. Cabe às instituições da freguesia lutarem pela preservação do património, incentivarem a manutenção das tradições e manterem um ambiente limpo e saudável para residentes e visitantes.
Foi um prazer descobrir Pinhal do Norte.

Artigo publicado no jornal O Pombal, em Outubro de 2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)

Continuação de: - À Descoberta de Pinhal do Norte (1/3)
Junto da capela de S. Bartolomeu existiu outrora um tronco para ferrar animais. Já não resta nada dele, mas no mesmo espaço existe um coberto onde o ferrador da terra, Francisco Cardoso, ainda exerce o seu ofício. Este ferrador, descendente de pai e avô também ferradores, por vezes ainda acende a sua forja onde os seus antepassados aqueceram o ferro para moldar ferraduras e canelos. Maneja o martelo com grande mestria e mostra um evidente orgulho na sua profissão.
A rua de S. Bartolomeu apresenta um aspeto já pouco usual nos dias de hoje. Está pavimentada com lajes de granito, o que lhe confere um aspeto rústico de calçada medieval. A igreja matriz está a poucos passos de distância.
Trata-se de uma construção do século XVIII (com o aspeto que tem hoje), mas deve ter existido uma anterior, uma vez que Pinhal do Norte se tornou uma paróquia autónoma no séc. XVI, depois de estar ligada durante pouco tempo a Pombal. No frontispício não há grandes elementos que chamem à atenção. Para além da torre sineira central, com dois sinos, há um bonito óculo em granito que se destaca. Na padieira da porta pode ler-se ANO DE 17. Penso que nada se apagou nesta inscrição, o que me leva a questionar o porquê de apenas constarem dois algarismos, que devem querer indicar 1700. Os pináculos são muito singelos e os elementos em granito mais trabalhados estão em ambos os lados do portão que dá acesso ao adro.
No lado direito da igreja, de orago de Nossa Senhora das Neves (tal como Belver), está a casa dos milagres com data de 1859. No seu interior há várias imagens de entre as quais destaco Nossa Senhora das Dores e o Senhor dos Passos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos tem dois pares de membros! Na procissão de sexta-feira Santa vai de joelhos e na de domingo vai de pé (depois de lhe serem trocados os braços e as pernas). Esta característica faz com que exista no Pinhal um dito bastante curioso “vai ao Sr. dos Passos que te empreste as pernas”.
Na parede deste espaço há três ex-votos, todos referentes a um milagre ocorrido no rio Tua, perto de Brunheda, em 1856.
Vale a pena entrar na igreja. O templo não é muito grande mas é de uma rusticidade e beleza impressionantes. As paredes são em granito rústico; o teto apresenta pinturas, grande parte dele com caixotões representando Santos; o chão está como há muitas décadas atrás; os altares são em talha dourada, belos e muito bem preservados. Acredito que manter a igreja assim não agrade a todos. Seria fácil aplicar azulejos e colocar um chão novo, mais vistoso, mas, sinceramente, acho que está melhor assim.
No exterior há dois túmulos em granito que se pensa serem de uma família de nome Martins.
Depois de uma visita à igreja é tempo de subir o que resta da rua de S. Bartolomeu. Um olhar à retaguarda permite uma das mais características vistas do Pinhal. Para a direita fica a rua da Travessa, onde podemos beber de uma fonte onde a água não tem “produto”, porque vem diretamente de uma fonte mais antiga situada alguns metros mais acima.
Continuando pela rua do Castelo (antiga rua Dr. Francisco Manuel) podem ser apreciadas algumas construções antigas, como uma adega, com lagar, que ostenta na padieira da porta a seguinte inscrição MDCCCVI. Se for tempo de vindima sentiremos o cheiro a mosto e assistiremos ao esmagar das uvas em grandes lagares.
Percorrer a rua até ao final conduziria ao extremo da aldeia, por isso o percurso deve fletir à direita, pela rua do Rossio. Não faltam exemplares das mais caraterísticas construções transmontanas, mas as ruínas da casa da sr. Ermelinda destacam-se pela altura das paredes em granito bem aparelhado, pelas mísulas nas janelas (ou no que delas resta). Há quem ainda se lembre de uma divisão da casa cheia de bichos-da-seda, quando a cultura destes insetos era uma prática corrente em quase todas as aldeias. Houve quem projetasse um lar de idosos para este espaço, mas tudo não passou de um sonho.
Continua em - À Descoberta de Pinhal do Norte (3/3)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Chafariz

Chafariz em ferro fundido, em Fontelonga.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Castanheiros

Há alguns dias atrás, em Fontelonga.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Presépio Vivo

O Curso de Técnico/a de Informação e Animação Turística, da Escola profissional de Ansiães, vai organizar a apresentação de um Presépio Vivo, dia 20 de Dezembro às 10 horas, na zona envolvente da feira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (1/3)

Desde criança que Pinhal do Norte é para mim uma aldeia distante e a descobrir. Hoje está muito próxima, mas, quando em criança olhava a partir de Zedes em direção ao Pinhal do Norte, erguia-se a meus olhos uma elevação gigantesca, onde por vezes conseguia ver um marco geodésico (a mais de 820 metros de altitude). Naquela serra, (onde poucas vezes me aventurei a ir) abundavam as formações graníticas ciclópicas e profundos poços, abertos em tempos idos, em busca dos minérios da terra. A aldeia seria lá ao fundo, por detrás da serra, bem mais longe do que o que me era permitido explorar.
Foi com muito entusiasmo que visitei Pinhal do Norte, várias vezes, recentemente. Percorrer as ruas da aldeia foi sentir não corpo e na alma um conjunto de sensações que me fizeram viajar no tempo e sentir a própria existência de uma forma mais real, longe da pressa, do barulho, do efémero ou do falso. Aqui tudo é autêntico, principalmente as pessoas que gostam de conversar, de contar com alegria e alguma vaidade as histórias da sua terra e da sua infância.
Hoje é muito fácil chegar a Pinhal do Norte. Situado a 12 quilómetros da sede de concelho, é servido pela não muito antiga estrada que parte de Carrazeda de Ansiães em direção a Amedo, importante saída do concelho pela ponte sobre o rio Tua, na Brunheda. O traçado do IC5, ainda em obras, vai também beneficiar este pequeno povoado, uma vez que para aqui está projetado um nó de ligação a esta novíssima via de comunicação que vai atravessar todo o sul do distrito de Bragança.
Terra de bom vinho, mas também excelente para a produção de azeite, cereal e amêndoa registou muito cedo a fixação de pessoas, facto comprovável pela existência de vestígios de muralhas e restos de alguns povoados.
Uma visita à aldeia de Pinhal do Norte deve começar obrigatoriamente no largo do Terreiro. Um enorme plátano fornece a sombra necessária para se passar algum tempo a ver e a sentir o coração da aldeia. Aqui confluem, e daqui partem, as principais ruas. No largo está situada a capela de S. Bartolomeu. De linhas singelas e sem sino na sua torre sineira central, encerra no interior um altar em talha dourada com alguma beleza.
 Situada neste lugar privilegiado da aldeia, presenciou e foi palco importante da sua história. Da pequena capela têm especial lembrança muitos que aqui aprenderam as primeiras letras, sob o olhar atento da D. Susana, natural da freguesia vizinha de Pombal. Não é frequente que uma capela seja usada como sala de aulas, mas aqui foi uma realidade.
Os que aqui aprenderam as letras, foram os mesmos que brincaram no Terreiro primitivo, onde a água corria e enlameava tudo, mas onde se brincava à bilharda, à roça, onde se conquistavam mundos imaginários com o perfurar certeiro de um espeto na terra lamacenta. Hoje o largo tem outro aspeto, melhor, muito melhor, mas já não se ouvem os risos das crianças.

 A presença do coreto mostra que também aqui que se fazem as tradicionais festas de verão.
No largo existem duas fontes: um fontanário normalíssimo rodeado de um tanque para os animais beberem e uma espécie de fonte de mergulho, sem na realidade o ser, uma vez que a água vem entubada de bastante longe para ali correr livremente, sem torneira. Por cima dela há um curioso painel de azulejos que diz o seguinte: “As pessoas sentem-se sós porque constroem muros em vez de pontes. Unidos no amor construiremos um Pinhal novo”. A pedra de cantaria onde foi aplicado o painel ocupou outrora outra posição, em frente da fonte. Era usado para pousar os cântaros e canecos quando aqui vinham buscar água. A fonte que existe no largo de Brunheda (freguesia de Pinhal do Norte), também tem estas características.

Continua em - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cruzeiro

Cruzeiro em Seixo de Ansiães, à saída para Beira Grande.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Entre duas Metas

Fui criança,
A tudo afeito;
Envolto na dança,
Saltava, brincava,
- Tudo a eito!
Livre como era,
Colorida Primavera.
- Cresci, fui gente, -
Envelheci.
E, de repente,
Olhei-me ao espelho,
- Nada do que vi, -
Antes um velho
Que não reconheci.
Meditei...
- Como quem vê o fim. -
Orei.
Braços cruzados, em mim,
Fiquei.. .
Ponto Final, - Sol posto, -
Profundos sulcos dourados,
Espinhos cravados no rosto;
Na alma, cilícios gravados.
Ponto final, - a Meta. -
No peito, o silêncio aperta!...
Agora, ó terra amada,
- Já meus anos volvidos, -
Rói meus ossos bem roídos!...
E, se um dia eu voltar,
De novo, à vida, ao nada;
Fecha-me a porta bem fechada!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Capela, em Felgueira, freguesia de Pinhal do Norte.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Detalhes em Ferro (4)

Mais um bonito pormenor de um portão em ferro forjado, desta vez em Ribalonga. Estes bonitos trabalhos aparecem, quase sempre, em casas em ruínas, ou abandonadas. É pena não se valorizem estes trabalhos quer em ferro, quer em granito e se construa cada vez mais de forma incarecterística, sem identidade e sem alma. Quem despreza o seu passado, não está preparado para o futuro (porque em breve também será passado!).

domingo, 27 de novembro de 2011

"Conversa" entre amigos

O cão não teve um dia fácil, embora se critique a vida de cão. Teve a tenção que merecia, como se fosse humano. Esta foi uma das cenas que presenciei em Misquel, quando visitei este povoada há alguns meses atrás.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Molhar da giesta

31 «Por muito anos e bôs» se cantam as janeiras pelas balcoadas e escaleiras, em cantares muito antigos e arrastados, pedindo à senhora da casa que do seu banco de cortiça lhes dê um salpicão ou uma chouriça. Esta usança teve origem nas festas saturnais celebradas pelos romanos em honra de Saturno.
No dia um de Novembro fumegam as castinceiras. É o tradicional dia dos magustos. A castanha, de cuja farinha os primeiros se alimentavam, salta das brasas, sofregamente disputada. O ingénuo e, geralmente, o mais novo, ia procurar, a mandado dos outros, uma giesta molhada para apagar a fogueira. Quando regressava, as castanhas já tinham sido devoradas. Era o «molhar da giesta».

Fonte do texto: Carrazeda de Ansiães e o seu termo; José Aguiar, 1980. Edição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Exposição Rostos Transmontanos

Desde o dia 11 e até ao dia 30 de Novembro pode ser admirada na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães a exposição de fotografia Rostos Transmontanos, de Paulo Patoleia.
Paulo Patoleia é natural de Açoreira, Torre de Moncorvo.
A exposição mostra rostos captados em feiras e mercados do Nordeste Transmontano, alguns do concelho de Carrazeda de Ansiães.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Há mais um monumento em Zedes

O dia de ontem, 13 de novembro de 2011 será um dia para recordar na freguesia de Zedes. O facto deve-se à inauguração e bênção de um monumento religioso constituído por três cruzes em granito, formando um Calvário. A origem designação de calvário perde-se na memória dos residentes, mas tem agora mais significado. Esta designação é dada a um local situado na estrada M628 (que se inicia no lugar da Sainça, perto de Carrazeda de Ansiães e deveria terminar no Pombal, passando por Areias) a algumas centenas de metros do povoado, antes do cruzamento com a estrada M630 que segue para Pereiros.
Este ponto elevado, onde a estrada inflete para começar a descer, sempre foi conhecido pelo nome de calvário. Eu associava a designação à subida íngreme, junto ao solar da família Barbosa, mas há a possibilidade apontada por alguns de que ali tenham existido em tempos remotos algumas cruzes, simbolizando o Calvário.

O desafio foi lançado informalmente, várias vezes, pelo sr. Padre Bernardo, natural de Zedes e recebeu eco na Comissão de Festas, em funções há vários anos.
A obra nasceu, foi inaugurada e benzida pouco depois das 17 horas com a presença do sr. Padre Bernardo e do sr. Padre Belmiro, em funções na paróquia. Esteve presente um grupo de paroquianos bem como um conjunto de lanternas e a Cruz, emprestando mais solenidade à cerimónia.
A localização do monumento e a orientação das três cruzes em granito erguidas no local, tiveram como referência fatores pouco conhecidos. A localização da cruz central respeita o cruzamento de duas linhas telúricas positivas estando as duas cruzes laterais no prolongamento de uma dessas linhas (Linhas de Ley). Este recursos a campos magnéticos terrestres não é muito utilizado apesar do seu uso ser conhecido há milhares de anos no Egito e na China. Esta utilização da radiação da terra é conhecida como radiestesia mas a designação antiga é rabdomancia. O uso de bastões para detetar linhas de água é conhecido e utilizado com frequência, mas essas práticas são (ou eram) frequentes na localização e orientação das igrejas, na posição dos altares, ou mesmo na localização de monumentos megalíticos, como a anta de Zedes, que nada tem a ver com a cristandade.
 As duas árvores colocadas lateralmente ao calvário também têm o seu simbolismo. À esquerda foi deixado um carvalho, representando uma cultura pré católica, com origem céltica; à direita foi plantada uma velha oliveira, esta representando a religião católica, referida no dilúvio e no jardim das oliveiras, quer no próprio azeite que alimentava a chama nas igrejas, simbolizando a Luz.
O monumento teve um custo em dinheiro a rondar os 4 mil euros, mas houve algumas contribuições em materiais e em mão de obra. Grande parte do financiamento resultou do saldo positivo da festa do verão passado, a que se juntaram alguns donativos pecuniários. Para completar a quantia necessária recorreu-se ao levantamento de uma pequena parcela depositada no banco, resultante do saldo de festas de S. Bárbara de anos anteriores a 2011. A obra resultou do trabalho de muitas pessoas mas é de realçar o empenho do Sr. Padre Bernardo, impulsionador e acompanhante do projeto, de Eurico Carvalho, que encabeça a Comissão de Festas há vários anos e que também disponibilizou o seu trabalho (tal como o pedreiro Manuel Felix, natural de Zedes). O terreno foi cedido pela família de Jerónimo Barbosa, benfeitor a quem a freguesia tem muito a agradecer, e que homenageia com um busto colocado na centro da aldeia.
Após a bênção do monumento a assembleia regressou em procissão à Igreja Matriz onde se realizou a missa dominical.
 Para terminar o dia realizou-se um magusto, com um lanche, na sede da Associação Cultural e Recreativa de Zedes. Anoiteceu cedo e fazia muito vento e frio, pelo que foram poucos os que ficaram à volta da fogueira a ver as bilhós a rebentarem com o calor. O convívio realizou-se mais no interior do edifício onde foi servida carne assada, presunto, pão e vinho a acompanhar as tradicionais castanhas assadas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Até ao lavar dos cestos...

Tal como em anos anteriores, este ano também participei na vindima na Casa Dona Urraca, em Vilarinho da Castanheira, no dia 8 de Outubro.
Mais do que trabalho, foi uma manhã bem passada, num ambiente familiar de boa disposição. A colheita não esteve ao nível de anos anteriores, mas dará, certamente, origem a um vinho de qualidade porque feito com carinho e dedicação.
O almoço, devido ao tempo fresco, foi servido no interior da casa.
A Casa Dona Urraca é um espaço preparado para o Agro-Turismo com excelentes condições de alojamento e integrada num espaço rural de rara beleza.
Na quinta envolvente, para além da vinha, há olival, amendoeiras, variadas árvores de fruto e horta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cada Lar um Sepulcro

É já Sol Posto no velho casario.!
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...

Linhares, Junho de 1994

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.

domingo, 9 de outubro de 2011

Exposição - A Música no Mundo

A Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães tem patente ao público desde o dia 30 de Setembro uma exposição temática denominada A Música no Mundo. A par com um vasto conjunto de instrumentos musicais com origem nas mais variadas partes da terra e alguns livros sobre música e instrumentos,  são também desenvolvidas diversas atividades destinadas a crianças, jovens e idosos. Foi o caso da animação musical que decorreu no dia 3 de Outubro, poucos dias depois de se comemorar o Dia Mundial da Música que teve lugar no dia 1 de Outubro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sesta-feira, no horário normal das instituições públicas e ao domingo das 14:30 às 18 horas, até ao dia 14 de Outubro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

1 dia por terras de Ansiães (05)

 Já tinha vontade de passar mais um dia À Descoberta de terras de Ansiães! Arranja-se a mochila com algumas sandes, fruta e água, prepara-se o material fotográfico, apronta-se o caderno de campo, estudam-se alguns dados sobre a freguesia a visitar e "ala... que se faz tarde" (como se diz no planalto Mirandês).
A segunda-feira passada começou bem cedo com uma visita à Biblioteca Municipal em Carrazeda de Ansiães. O objetivo era devolver alguns livros requisitados para as férias, de que dei conhecimento no blogue. Gostei bastante de ler "Como sombras no muro", romance de Gilberto Pinto e Fogo e Lágrimas, livro de poemas de Morais Fernandes. Já aqui tinha falado do livro Fogo e Lágrimas 2, do mesmo autor e senti-me com curiosidade de ler também o primeiro livro, o que aconteceu nas férias de Verão.
Quando cheguei à biblioteca foi surpreendido com muita música e animação. A biblioteca desenvolveu uma série de iniciativas relacionadas com o Dia Mundial da Música (1 de Outubro) e tinha um grupo de idosos do Centro Social e Paroquial de Mogos assistirem a um momento musical. Achei muito interessante a iniciativa e não pude deixar de ficar algum tempo a assistir ao fantástico desempenho musical do senhor Machado, do Castanheiro e de conversar um pouco com os idosos.
 O destino do dia era Pinhal do Norte.
Estes dias de final de verão e início de outono não proporcionam muitos motivos fotográficos mas um olhar atento consegue encontrar muitos momentos que vale a pena registar. O dia estava quente, diria mesmo muito quente. Enquanto descia em direção a Areias foi recordando alguns momentos passados no Amedo. Sou realmente um privilegiado.
As obras do IC5 estão adiantadas e, vistas as coisas de longe, parece estar quase pronta. Quer em Areias, quer junto ao Pinhal do Norte, o movimento era intenso.
Cheguei ao Pinhal pouco antes da hora do almoço. Contrariamente ao que é habitual encontrei bastantes pessoas que passavam ou que estavam sentadas à sombra junto das casas. Estive também nos dois cafés que existem na aldeia.
Como esta era a minha segunda visita, pretendia ver alguns locais específicos e, se possível, falar com algum membro da junta. Por norma faço uma volta completa às aldeias e raramente falo com as pessoas, que são poucas e por vezes desconfiadas. Não foi o que se passou no Pinhal. Conversei com muitas pessoas, principalmente com um grupo de idosos no café do sr. Gonçalves.
 Os lagares cheiravam a mosto e fazia-se a carreja das uvas. A chuva que não cai causa transtornos na agricultura e os campos estão secos. Os trabalhos nas hortas são mínimos e terminadas as vindimas são as chuvas que dão início a um novo ciclo, mas estas tardam em chegar.
Visitei a igreja, a Cruz, várias fontes e lagares. Quase sem dar pela conta adiantou-se a tarde, forçando o regresso a casa.
 Mais do que as fotografias tiradas, o que marcou o dia foram mesmo os momentos de conversa que tive com vários habitantes da aldeia. Foi muito interessante ouvi-los falar da aldeia da sua meninice, das tradições, das alegrias e das necessidades. São imensas e bonitas as histórias de vida que se escondem por detrás de muitos dos rostos que ainda povoam as nossas aldeias.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011