sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Que o calor e a luz sejam coisas que não faltem em 2012.
Um bom ano para todos os visitantes do Blogue.
Fotografia: Fogueia em Marzagão (31-12-2012)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Castanheiros (02)

Já há alguns anos que tenho por hábito passar (com frequência) por Mogo de Malta. Uma das razões são os soutos de castanheiros que me proporcionam algumas imagens de que gosto. Este ano não foi exceção.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Nossa Mãe

A nossa Mãe, - Mãe em tudo, -
De raiz e coração;
Ela é mãe, sobretudo,
Porque à dor não diz que não.
Mesmo quando o quer dizer,
Não o diz. E, humildemente,
Tudo nos faz compreender
No seu olhar, docemente!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: dois dedos de conversa e uma fotografia, em Castanheiro do Norte.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (3/3)

Continuação de: - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)
O café do senhor Gonçalves é um local de paragem obrigatória. Quer pelo espaço acolhedor, quer pela simpatia do dono, quer pela vista que daqui se tem, em direção à aldeia e à serra, a mesma que me escondia o Pinhal, quando eu era criança.
Com sorte, talvez se encontrem alguns residentes, com tempo de sobra e cheios de histórias para contar. As tradições são um bom assunto de conversa. Seria interessante saber que, por altura do entrudo, se faziam os “casamentos”, por um grupo colocado na Fraga e outro na Serrinha. Mas, pior do que ser “casado” com alguém de quem não se gostava, era receber de dote uma das partes do burro de quem nem o diabo se lembrava, como a pele dos testículos, ou algo do género. Esta tradição da “partilha do burro” também se realizava em Zedes e noutras aldeias do concelho. Também tradição no Pinhal do Norte era fazer um boneco de palha (de nome Entrudo), com um enorme nabo colocado cuidadosamente nas partes baixas, que era colocado durante a noite à porta das viúvas que se portavam mal. Se algumas tradições se perderam, como as cascatas nos Santos Populares (chegaram a fazer-se 3, uma no Robalde (Arrabaldo), outra na Portela e a terceira no Terreiro), a fogueira do Galo continua a fazer-se, bem como as bugalhadas (por altura da Quaresma).
Outros bons assuntos de conversa são as rochas com formas interessantes ou as fontes. Além da lenda do Penedo Furado há outras histórias menos conhecidas como o Meroiço da Ruiva (de onde atiravam as mulheres “pecadoras” acabando por matá-las à pedrada!), a Frada da Moira (onde desapareceram pessoas que vinham da feira de Carrazeda) ou outra rocha onde se ouvem os sinos de Braga (depois de os mais incrédulos lá terem batido com a cabeça) ou a Capela do Diabo. Quanto a fontes, também há bastante para saber: há uma fonte natural conhecida como Gricha da Burra (que me fez lembrar uma outra fonte que existe em Freixiel, conhecida como Crica da Vaca); junto ao rio Tua existe uma fonte conhecida como fonte Férrea, com água rica em ferro, muito procurada noutros tempos. Também existiu uma fonte no caminho para Areias, onde bebiam pessoas e animais, junto à capelinha de Nosso Senhor dos Aflitos, quando iam e vinham da feira.
Seguindo pela rua da Escola encontra-se, como é natural, a antiga escola primária. A erva cresce no recinto, à falta de pés para a pisarem.
O seguinte ponto de interesse é a Cruz. Misto de cruzeiro e de alminhas, faz com o cedro que cresce ao lado um conjunto interessante. Há alguns anos atrás estiveram aí umas alminhas feitas pelo sr. António Catarino, conhecido como o Santeiro do Pinhal. Essas alminhas foram roubadas e nunca mais aparecerem, mesmo com intervenção da judiciária.
Procurei a casa e a oficina onde trabalhou esse artesão, infelizmente já falecido. Não me foi possível encontrar nesses locais nenhum trabalho seu, mas há na aldeia várias pessoas que os têm, principalmente Cristos na cruz, que ele fazia com mais frequência.
O percurso continua pela rua do Outeiro. Para trás ficou mais um café, junto à estrada, onde se situam um conjunto de bonitas construções mais recentes. É também nessa zona da aldeia que se situa o polidesportivo e o cemitério.
Da rua do Outeiro tem-se uma nova vista sobre a rua de S. Bartolomeu e a rua do Castelo. Mas, se olhar a paisagem nos delicia, por vezes é sob os nossos pés que se escondem alguns segredos. Numa das ruas mais características do Pinhal, a rua do Arrabaldo, existiram duas fontes que perduram na memória de muitos. Uma seria uma fonte de mergulho, em arco, coberta a granito e com uma pedra de cantaria à entrada. Os miúdos metiam-se no seu interior e sentavam-se numa rocha que existia no extremo. Do lado direito havia algumas pedras (ainda visíveis) que auxiliavam as mulheres a colocar os cântaros à cabeça.
Um pouco mais abaixo, no lado oposto da rua, existia outra fonte, esta acima do solo. Esta construção cúbica tinha a abertura virada para o Terreiro, apresentando sobre ela duas taças e um cálice, tudo em granito. Ambas as fontes pereceram face à necessidade de alargamento e pavimentação da rua. Da primeira, a fonte do Canto, ainda subsistem algumas pedras e um pequeno depósito sob uma tampa de saneamento, que passa desapercebida; da segunda talvez ainda restem algumas pedras, guardadas nalgum quintal particular. Não muito longe, numa rua que sai de junto do fontanário do Terreiro existe uma antiga fonte de mergulho, com marcas evidentes do muito uso que lhe foi dado noutros tempos.
Chegados ao ponto de partida, talvez estejamos preparados para nos afastarmos um pouco das casas e procurar uma vista panorâmica da aldeia. Há um caminho que desce em direção ao vale seguindo para as duas capelas que existem fora do povoado: uma é a capelinha do Senhor dos Aflitos, a outra a capela de Santa Marinha.
 A capelinha do Senhor dos Aflitos é muito pequenina. Fica situada junto ao caminho que liga Pinhal do Norte a Areias, Amedo e Carrazeda de Ansiães (pelo cabeço Doudo). A localização junto ao caminho levou-me a pensar numas Alminhas. Aliás, há uma pedra junto à capelinha que tem o corte perfeito de um retábulo, podendo até imaginar-se o local do mealheiro. A imagem do Senhor crucificado é frequente nas Alminhas. Nenhuma das pessoas que questionei me deu a mais ligeira indicação da sua existência.
A capela de Santa Marinha fica mais distante da povoação, em pleno vale. Apesar de devota a Santa Marinha, esta capela está associada à festa de Santa Eufémia, realizada anualmente a 15 de Setembro. A imagem de Santa Eufémia sai em procissão da igreja matriz para a capela, onde se realiza uma missa campal. Findas as celebrações, a procissão faz o caminho de regresso à aldeia.
O lugar é calmo, fresco e na primavera cheira a violetas. Sentados em redor de uma mesa de pedra à sombra das acácias é o momento e o local para um balanço. Pinhal do Norte é uma aldeia que sofre do mesmo mal de praticamente todo o nordeste transmontano, a desertificação. O amanho da terra que deu sustento a muitas gerações é hoje uma atividade de risco e para uma franja muito pequena da população. A degradação de muitas habitações é notória, mas o carinho e gosto na recuperação também é visível. Cabe às instituições da freguesia lutarem pela preservação do património, incentivarem a manutenção das tradições e manterem um ambiente limpo e saudável para residentes e visitantes.
Foi um prazer descobrir Pinhal do Norte.

Artigo publicado no jornal O Pombal, em Outubro de 2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)

Continuação de: - À Descoberta de Pinhal do Norte (1/3)
Junto da capela de S. Bartolomeu existiu outrora um tronco para ferrar animais. Já não resta nada dele, mas no mesmo espaço existe um coberto onde o ferrador da terra, Francisco Cardoso, ainda exerce o seu ofício. Este ferrador, descendente de pai e avô também ferradores, por vezes ainda acende a sua forja onde os seus antepassados aqueceram o ferro para moldar ferraduras e canelos. Maneja o martelo com grande mestria e mostra um evidente orgulho na sua profissão.
A rua de S. Bartolomeu apresenta um aspeto já pouco usual nos dias de hoje. Está pavimentada com lajes de granito, o que lhe confere um aspeto rústico de calçada medieval. A igreja matriz está a poucos passos de distância.
Trata-se de uma construção do século XVIII (com o aspeto que tem hoje), mas deve ter existido uma anterior, uma vez que Pinhal do Norte se tornou uma paróquia autónoma no séc. XVI, depois de estar ligada durante pouco tempo a Pombal. No frontispício não há grandes elementos que chamem à atenção. Para além da torre sineira central, com dois sinos, há um bonito óculo em granito que se destaca. Na padieira da porta pode ler-se ANO DE 17. Penso que nada se apagou nesta inscrição, o que me leva a questionar o porquê de apenas constarem dois algarismos, que devem querer indicar 1700. Os pináculos são muito singelos e os elementos em granito mais trabalhados estão em ambos os lados do portão que dá acesso ao adro.
No lado direito da igreja, de orago de Nossa Senhora das Neves (tal como Belver), está a casa dos milagres com data de 1859. No seu interior há várias imagens de entre as quais destaco Nossa Senhora das Dores e o Senhor dos Passos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos tem dois pares de membros! Na procissão de sexta-feira Santa vai de joelhos e na de domingo vai de pé (depois de lhe serem trocados os braços e as pernas). Esta característica faz com que exista no Pinhal um dito bastante curioso “vai ao Sr. dos Passos que te empreste as pernas”.
Na parede deste espaço há três ex-votos, todos referentes a um milagre ocorrido no rio Tua, perto de Brunheda, em 1856.
Vale a pena entrar na igreja. O templo não é muito grande mas é de uma rusticidade e beleza impressionantes. As paredes são em granito rústico; o teto apresenta pinturas, grande parte dele com caixotões representando Santos; o chão está como há muitas décadas atrás; os altares são em talha dourada, belos e muito bem preservados. Acredito que manter a igreja assim não agrade a todos. Seria fácil aplicar azulejos e colocar um chão novo, mais vistoso, mas, sinceramente, acho que está melhor assim.
No exterior há dois túmulos em granito que se pensa serem de uma família de nome Martins.
Depois de uma visita à igreja é tempo de subir o que resta da rua de S. Bartolomeu. Um olhar à retaguarda permite uma das mais características vistas do Pinhal. Para a direita fica a rua da Travessa, onde podemos beber de uma fonte onde a água não tem “produto”, porque vem diretamente de uma fonte mais antiga situada alguns metros mais acima.
Continuando pela rua do Castelo (antiga rua Dr. Francisco Manuel) podem ser apreciadas algumas construções antigas, como uma adega, com lagar, que ostenta na padieira da porta a seguinte inscrição MDCCCVI. Se for tempo de vindima sentiremos o cheiro a mosto e assistiremos ao esmagar das uvas em grandes lagares.
Percorrer a rua até ao final conduziria ao extremo da aldeia, por isso o percurso deve fletir à direita, pela rua do Rossio. Não faltam exemplares das mais caraterísticas construções transmontanas, mas as ruínas da casa da sr. Ermelinda destacam-se pela altura das paredes em granito bem aparelhado, pelas mísulas nas janelas (ou no que delas resta). Há quem ainda se lembre de uma divisão da casa cheia de bichos-da-seda, quando a cultura destes insetos era uma prática corrente em quase todas as aldeias. Houve quem projetasse um lar de idosos para este espaço, mas tudo não passou de um sonho.
Continua em - À Descoberta de Pinhal do Norte (3/3)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Chafariz

Chafariz em ferro fundido, em Fontelonga.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Castanheiros

Há alguns dias atrás, em Fontelonga.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Presépio Vivo

O Curso de Técnico/a de Informação e Animação Turística, da Escola profissional de Ansiães, vai organizar a apresentação de um Presépio Vivo, dia 20 de Dezembro às 10 horas, na zona envolvente da feira.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

À Descoberta de Pinhal do Norte (1/3)

Desde criança que Pinhal do Norte é para mim uma aldeia distante e a descobrir. Hoje está muito próxima, mas, quando em criança olhava a partir de Zedes em direção ao Pinhal do Norte, erguia-se a meus olhos uma elevação gigantesca, onde por vezes conseguia ver um marco geodésico (a mais de 820 metros de altitude). Naquela serra, (onde poucas vezes me aventurei a ir) abundavam as formações graníticas ciclópicas e profundos poços, abertos em tempos idos, em busca dos minérios da terra. A aldeia seria lá ao fundo, por detrás da serra, bem mais longe do que o que me era permitido explorar.
Foi com muito entusiasmo que visitei Pinhal do Norte, várias vezes, recentemente. Percorrer as ruas da aldeia foi sentir não corpo e na alma um conjunto de sensações que me fizeram viajar no tempo e sentir a própria existência de uma forma mais real, longe da pressa, do barulho, do efémero ou do falso. Aqui tudo é autêntico, principalmente as pessoas que gostam de conversar, de contar com alegria e alguma vaidade as histórias da sua terra e da sua infância.
Hoje é muito fácil chegar a Pinhal do Norte. Situado a 12 quilómetros da sede de concelho, é servido pela não muito antiga estrada que parte de Carrazeda de Ansiães em direção a Amedo, importante saída do concelho pela ponte sobre o rio Tua, na Brunheda. O traçado do IC5, ainda em obras, vai também beneficiar este pequeno povoado, uma vez que para aqui está projetado um nó de ligação a esta novíssima via de comunicação que vai atravessar todo o sul do distrito de Bragança.
Terra de bom vinho, mas também excelente para a produção de azeite, cereal e amêndoa registou muito cedo a fixação de pessoas, facto comprovável pela existência de vestígios de muralhas e restos de alguns povoados.
Uma visita à aldeia de Pinhal do Norte deve começar obrigatoriamente no largo do Terreiro. Um enorme plátano fornece a sombra necessária para se passar algum tempo a ver e a sentir o coração da aldeia. Aqui confluem, e daqui partem, as principais ruas. No largo está situada a capela de S. Bartolomeu. De linhas singelas e sem sino na sua torre sineira central, encerra no interior um altar em talha dourada com alguma beleza.
 Situada neste lugar privilegiado da aldeia, presenciou e foi palco importante da sua história. Da pequena capela têm especial lembrança muitos que aqui aprenderam as primeiras letras, sob o olhar atento da D. Susana, natural da freguesia vizinha de Pombal. Não é frequente que uma capela seja usada como sala de aulas, mas aqui foi uma realidade.
Os que aqui aprenderam as letras, foram os mesmos que brincaram no Terreiro primitivo, onde a água corria e enlameava tudo, mas onde se brincava à bilharda, à roça, onde se conquistavam mundos imaginários com o perfurar certeiro de um espeto na terra lamacenta. Hoje o largo tem outro aspeto, melhor, muito melhor, mas já não se ouvem os risos das crianças.

 A presença do coreto mostra que também aqui que se fazem as tradicionais festas de verão.
No largo existem duas fontes: um fontanário normalíssimo rodeado de um tanque para os animais beberem e uma espécie de fonte de mergulho, sem na realidade o ser, uma vez que a água vem entubada de bastante longe para ali correr livremente, sem torneira. Por cima dela há um curioso painel de azulejos que diz o seguinte: “As pessoas sentem-se sós porque constroem muros em vez de pontes. Unidos no amor construiremos um Pinhal novo”. A pedra de cantaria onde foi aplicado o painel ocupou outrora outra posição, em frente da fonte. Era usado para pousar os cântaros e canecos quando aqui vinham buscar água. A fonte que existe no largo de Brunheda (freguesia de Pinhal do Norte), também tem estas características.

Continua em - À Descoberta de Pinhal do Norte (2/3)