Mais um conjunto de fotografias da I Festa da Cereja realizada em Amedo no dia 10 de Junho de 2012.
Na primeira fotografia vemos uma panorâmica parcial da aldeia do Amedo. Ao centro um dos núcleos habitacionais principais uma vez que o povoamento está dividido em vários núcleos levando as pessoas a falarem "7 Amedos".
Na segunda fotografias vemos os cozinheiros a tratarem da saúde ao porco. A carne estava muito tenrinha e bem temperada. Penso que toda a gente adorou.
Houve também uma quermesse. Arrisquei algumas moedas e consegui ficar com alguns rebuçados no bolso e uma pequena recordação feota em croché. É um pequeno galo a envolver um copo plástico. Não percebi bem qual é a utilidade, mas é engraçado. Quase todos os objetos foram comprados. Não sei se foi da crise mas não vi muito entusiasmo na compra dos papelinhos enrolados.
O porco era bastante grande mas (da carne) nada sobrou. As pessoas eram muitas e ao longo da tarde foram-se comendo as pequenas lascas de carne acompanhada por salada.
Pareceu-me que faltou a fruta, pelo menos não a vi.
Foram bons momentos passados no Amedo.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
Associação do Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães
Gosto muito desta fotografia que tirei a dois elementos da Associação do Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães, em Beira Grande. Não conhecia este grupo, mas, em poucos dias assisti a duas duas atuações suas.
As suas musicas e danças transpiram alegria e o folclore é uma manifestação artística e cultural como qualquer outra. É importante acarinhar e incentivar estes grupos e este em especial porque integra um bom conjunto de crianças.
As duas fotografias anteriores foram tiradas na festa S. António, na Beira Grande, mas a seguinte foi no Amedo, durante a I Festa da Cereja de que também dei notícia neste blogue.
Mais fotografias do Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães:
As suas musicas e danças transpiram alegria e o folclore é uma manifestação artística e cultural como qualquer outra. É importante acarinhar e incentivar estes grupos e este em especial porque integra um bom conjunto de crianças.
As duas fotografias anteriores foram tiradas na festa S. António, na Beira Grande, mas a seguinte foi no Amedo, durante a I Festa da Cereja de que também dei notícia neste blogue.
Mais fotografias do Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães:
quarta-feira, 13 de junho de 2012
I Festa da Cereja - Amedo
No dia 10 de junho teve lugar em Amedo a I Festa da Cereja. Nesta aldeia existe uma quantidade apreciável destas árvores de fruto. Há árvores dispersas, mas também alguns pomares de dimensões consideráveis tendo em vista a comercialização.
Embora esta atividade não estivesse prevista, nestes moldes, no programa da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo para 2012, deve ter havia razões para o previsto Passeio Pedestre tenha sido subsistido por esta Festa, mais completa e arrojada. Os últimos meses têm sido férteis em caminhadas no concelho de Carrazeda de Ansiães e o fim de semana de 9 e 10 de junho calharam mesmo bem na época de comercialização da cereja.
A Missa Campal teve início às 8:30 sendo celebrada pelo Sr. Padre Bernardo. Participaram cerca de 60 pessoas, mesmo com condições atmosféricas pouco favoráveis, com ventos fortes e momentos de sol intenso que levaram o sr. Padre a lamentar-se com alguma ironia.
O recinto da escola foi adaptado para a Eucaristia e tudo estava muito bem preparado. O clima ninguém consegue controlar. O Sr. Padre apercebeu-se da chegada dos romeiros (como ele próprio disse) e acelerou as exéquias para não atrasar o programa.
Chegou o autocarro da câmara com um grupo de caminheiros vindos de Carrazeda.
O Percurso Pedestre teve o apoio da Câmara Municipal e com a presença a arqueóloga que enriqueceu o Passeio com os seus conhecimentos especializados. Penso que a autarquia também colaborou na seleção do traçado.
O grupo foi tomando forma e arrancou pouco depois das nove e meia em direção à capela de S. Martinho. Depois da uma curta paragem e ouvida a história da capela, o grupo dirigiu-se para o Campo de Futebol continuando depois em direção à Ponto do Torno, na Ribeira da Regada. Penso que não chegámos a alcançar a ponte, eu pelo menos não me apercebi dela. Foi pena, era um ponto muito interessante.
Iniciámos o regresso à aldeia. Pelo caminho passámos num grande pomar de cerejeiras do sr. Castro onde podemos saborear várias variedades, qual delas a mais saborosa. Houve pessoas que pouco ligaram às cerejas e obrigaram os restantes a seguir caminho, para não atrasarem a caminhada. Esta visita ao pomar foi um dos aspetos mais positivos deste percurso.
Pouco depois estávamos na Igreja Matriz, orago de S. Tiago e que dá gosto visitar. No teto, ao centro do corpo da igreja está pintada uma imagem de Nossa Senhora da Graça. Sempre esperei que a caminhada me levasse à capelinha desta Senhora, mas as opções foram outras. Como também há um nisso com uma imagem da Senhora da Graça, depreendi que tem muitos devotos na aldeia. No teto da capela mor está pintado S. Martinho.
A caminhada continuou pela rua da Oliveira, depois pela rua Camões e pelo Fundo do Povo, afastando-se depois em direção à serra da Reborosa. O sol escaldava mas a beleza da paisagem fazia esquecer qualquer cansaço. Os caminhos que percorrem a serra são de uma beleza rara, acrescida da exuberância de flores de muitas cores que formavam tufos, nas bermas do caminho. Eram muitas as espécies e muita a vontade de parar a fotografar cada uma delas. Só o carro vassoura não me deixava descansado.
O grande grupo foi-se separando em grupos mais pequenos. Só de onde em onde, quando se avistava um pouco mais de caminho, se viam outras pessoas. A árvore mais abundante é o castanheiro, para madeira, e não para a produção de castanha. Como árvores de cultivo havia muitas amendoeiras, oliveiras e cerejeiras que apareciam com muita frequência.
De alguns locais avistava-se bem a aldeia do Amedo e de outros uma grande vastidão de terra, estendendo-se desde Areias e Pombal até ao outro lado do Tua. O olhar perdia-se por aldeias e vales que não consegui identificar.
Pensei que viríamos sair às primeiras casas da aldeia, na Av. dos Maios, mas não. Uma mudança de direção fez-nos entrar na aldeia e chegar ao Gricho. Estávamos de novo no povoado, quase sem dar por isso, tão entusiasmados que seguíamos a olhar a paisagens e a apreciar as espécies vegetais e animais que encontrámos.
Chegámos ao recinto da escola perto do meio dia. Devo dizer que fui o último a chegar, mas não me arrependi do tempo que demorei.
As entradas estavam servidas e foram saboreadas com algum entusiasmo. Parecendo que não, foram cerca de 9 quilómetros de caminhada, o que abriu o apetite. Havia queijo, chouriço, presunto, pão, vinho, sumo e água. O porco, já no ponto, no espeto, não demorou a chegar às mesas, acompanhado por uma salada alface.
As pessoas estavam distribuídas em pequenos grupos, possivelmente familiares ou de amigos. No meu grupo predominavam "caminheiros" de anteriores passeios, vindos de Pombal, Castanheiro, Carrazeda, Linhares, Mogo, Vila Flor, etc.
Perto das duas da tarde fizeram-se ouvir as vozes. Desfilaram canções, a maior parte delas muito conhecidas, que me fizeram viajar no tempo. Muitas eram canções de toda a parte, outras tinham um cunho bem local.
Vai de roda, vai de roda,
Não te encostes à videira,
Ainda sou muito nova,
Para andar na brincadeira.
Ó meu rico S. Tiago,
Meu rico S. Tiaguinho,
No S. Tiago pinta o bago,
E do bago faz-se o vinho.
Ó meu rico S. Tiago,
És o nosso padroeiro,
E nas festas do concelho
Tu és sempre o primeiro.
Tu és sempre o primeiro,
Porque pertences ao Amedo
É uma aldeia bonita
Rodeada de arvoredo.
Além das muitas canções que cantaram descobri, mais tarde, que se recordavam de autênticas relíquias dos anos 50, como esta:
Aí vai Amedo
Meu amor que tanto brilha
A mocidade vai cheia de maravilha
Pela manhã quando sai o sol da aurora
Tua és a terra mais bonita e encantadora.
Aí vai Amedo
Botão de rosa
És a mais linda
E a mais formosa.
Durante a tarde houve tempo para jogos de cartas e de dominó. Jogou-se a malha e até se ensaiaram alguns passos de dança. Em exposição estavam bordados realizados num curso. O valor da venda revertia a favor da Associação. Também se realizou uma pequena quermesse, mas adesão não me pareceu grande.
Havia algumas cerejas à venda. Tratando-se de uma Festa da Cereja esperava mais destaque a esta fruta, por exemplo na sobremesa. Além de não haver muita à venda, pareceu-me que o preço não era muito convidativo, o que fez com que ainda sobrasse. Eu comprei e eram muito boas.
Já perto das seis da tarde chegou o Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães. Arranjou-se o terreiro para o baile. O grupo de bailadores integra bastantes crianças que já mostram muita desenvoltura nas danças de roda ou outra qualquer.
E foi ao som de folclore que dei por terminada a minha visita ao Amedo. O dia foi longo e cheio de motivos para Descobrir e fotografar. Como em todas as iniciativa, nem tudo foi perfeito, mas só quem nunca tentou organizar uma coisa semelhante é que pode dizer que é fácil.
Estão de parabéns os que se envolveram a organizar e a levar a cabo esta I Festa da Cereja.
Estou convencido que a segunda edição vai ser ainda melhor. Entretanto, já se falava da festa de julho e da realização de uma prova de carrinhos de rolamentos.
É assim que uma aldeia se quer, viva.
Percurso:
Embora esta atividade não estivesse prevista, nestes moldes, no programa da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo para 2012, deve ter havia razões para o previsto Passeio Pedestre tenha sido subsistido por esta Festa, mais completa e arrojada. Os últimos meses têm sido férteis em caminhadas no concelho de Carrazeda de Ansiães e o fim de semana de 9 e 10 de junho calharam mesmo bem na época de comercialização da cereja.
A Missa Campal teve início às 8:30 sendo celebrada pelo Sr. Padre Bernardo. Participaram cerca de 60 pessoas, mesmo com condições atmosféricas pouco favoráveis, com ventos fortes e momentos de sol intenso que levaram o sr. Padre a lamentar-se com alguma ironia.
O recinto da escola foi adaptado para a Eucaristia e tudo estava muito bem preparado. O clima ninguém consegue controlar. O Sr. Padre apercebeu-se da chegada dos romeiros (como ele próprio disse) e acelerou as exéquias para não atrasar o programa.
Chegou o autocarro da câmara com um grupo de caminheiros vindos de Carrazeda.
O Percurso Pedestre teve o apoio da Câmara Municipal e com a presença a arqueóloga que enriqueceu o Passeio com os seus conhecimentos especializados. Penso que a autarquia também colaborou na seleção do traçado.
O grupo foi tomando forma e arrancou pouco depois das nove e meia em direção à capela de S. Martinho. Depois da uma curta paragem e ouvida a história da capela, o grupo dirigiu-se para o Campo de Futebol continuando depois em direção à Ponto do Torno, na Ribeira da Regada. Penso que não chegámos a alcançar a ponte, eu pelo menos não me apercebi dela. Foi pena, era um ponto muito interessante.
Iniciámos o regresso à aldeia. Pelo caminho passámos num grande pomar de cerejeiras do sr. Castro onde podemos saborear várias variedades, qual delas a mais saborosa. Houve pessoas que pouco ligaram às cerejas e obrigaram os restantes a seguir caminho, para não atrasarem a caminhada. Esta visita ao pomar foi um dos aspetos mais positivos deste percurso.
Pouco depois estávamos na Igreja Matriz, orago de S. Tiago e que dá gosto visitar. No teto, ao centro do corpo da igreja está pintada uma imagem de Nossa Senhora da Graça. Sempre esperei que a caminhada me levasse à capelinha desta Senhora, mas as opções foram outras. Como também há um nisso com uma imagem da Senhora da Graça, depreendi que tem muitos devotos na aldeia. No teto da capela mor está pintado S. Martinho.
A caminhada continuou pela rua da Oliveira, depois pela rua Camões e pelo Fundo do Povo, afastando-se depois em direção à serra da Reborosa. O sol escaldava mas a beleza da paisagem fazia esquecer qualquer cansaço. Os caminhos que percorrem a serra são de uma beleza rara, acrescida da exuberância de flores de muitas cores que formavam tufos, nas bermas do caminho. Eram muitas as espécies e muita a vontade de parar a fotografar cada uma delas. Só o carro vassoura não me deixava descansado.
O grande grupo foi-se separando em grupos mais pequenos. Só de onde em onde, quando se avistava um pouco mais de caminho, se viam outras pessoas. A árvore mais abundante é o castanheiro, para madeira, e não para a produção de castanha. Como árvores de cultivo havia muitas amendoeiras, oliveiras e cerejeiras que apareciam com muita frequência.
De alguns locais avistava-se bem a aldeia do Amedo e de outros uma grande vastidão de terra, estendendo-se desde Areias e Pombal até ao outro lado do Tua. O olhar perdia-se por aldeias e vales que não consegui identificar.
Pensei que viríamos sair às primeiras casas da aldeia, na Av. dos Maios, mas não. Uma mudança de direção fez-nos entrar na aldeia e chegar ao Gricho. Estávamos de novo no povoado, quase sem dar por isso, tão entusiasmados que seguíamos a olhar a paisagens e a apreciar as espécies vegetais e animais que encontrámos.
Chegámos ao recinto da escola perto do meio dia. Devo dizer que fui o último a chegar, mas não me arrependi do tempo que demorei.
As entradas estavam servidas e foram saboreadas com algum entusiasmo. Parecendo que não, foram cerca de 9 quilómetros de caminhada, o que abriu o apetite. Havia queijo, chouriço, presunto, pão, vinho, sumo e água. O porco, já no ponto, no espeto, não demorou a chegar às mesas, acompanhado por uma salada alface.
As pessoas estavam distribuídas em pequenos grupos, possivelmente familiares ou de amigos. No meu grupo predominavam "caminheiros" de anteriores passeios, vindos de Pombal, Castanheiro, Carrazeda, Linhares, Mogo, Vila Flor, etc.
Perto das duas da tarde fizeram-se ouvir as vozes. Desfilaram canções, a maior parte delas muito conhecidas, que me fizeram viajar no tempo. Muitas eram canções de toda a parte, outras tinham um cunho bem local.
Vai de roda, vai de roda,
Não te encostes à videira,
Ainda sou muito nova,
Para andar na brincadeira.
Ó meu rico S. Tiago,
Meu rico S. Tiaguinho,
No S. Tiago pinta o bago,
E do bago faz-se o vinho.
Ó meu rico S. Tiago,
És o nosso padroeiro,
E nas festas do concelho
Tu és sempre o primeiro.
Tu és sempre o primeiro,
Porque pertences ao Amedo
É uma aldeia bonita
Rodeada de arvoredo.
Além das muitas canções que cantaram descobri, mais tarde, que se recordavam de autênticas relíquias dos anos 50, como esta:
Aí vai Amedo
Meu amor que tanto brilha
A mocidade vai cheia de maravilha
Pela manhã quando sai o sol da aurora
Tua és a terra mais bonita e encantadora.
Aí vai Amedo
Botão de rosa
És a mais linda
E a mais formosa.
Durante a tarde houve tempo para jogos de cartas e de dominó. Jogou-se a malha e até se ensaiaram alguns passos de dança. Em exposição estavam bordados realizados num curso. O valor da venda revertia a favor da Associação. Também se realizou uma pequena quermesse, mas adesão não me pareceu grande.
Havia algumas cerejas à venda. Tratando-se de uma Festa da Cereja esperava mais destaque a esta fruta, por exemplo na sobremesa. Além de não haver muita à venda, pareceu-me que o preço não era muito convidativo, o que fez com que ainda sobrasse. Eu comprei e eram muito boas.
Já perto das seis da tarde chegou o Rancho Folclórico de Carrazeda de Ansiães. Arranjou-se o terreiro para o baile. O grupo de bailadores integra bastantes crianças que já mostram muita desenvoltura nas danças de roda ou outra qualquer.
E foi ao som de folclore que dei por terminada a minha visita ao Amedo. O dia foi longo e cheio de motivos para Descobrir e fotografar. Como em todas as iniciativa, nem tudo foi perfeito, mas só quem nunca tentou organizar uma coisa semelhante é que pode dizer que é fácil.
Estão de parabéns os que se envolveram a organizar e a levar a cabo esta I Festa da Cereja.
Estou convencido que a segunda edição vai ser ainda melhor. Entretanto, já se falava da festa de julho e da realização de uma prova de carrinhos de rolamentos.
É assim que uma aldeia se quer, viva.
Percurso:
terça-feira, 17 de abril de 2012
Rota dos 7 Amedos - 6 de Maio
Prova de BTT levada a cabo pela Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo, no dia 6 de Maio de 2012.
Participa!
Participa!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Oração à Primavera
Chegou a Primavera, - a seiva, o fulgor,
A graça, o beijo do botão à flor;
Força a que mão divina imprimiu,
Suculenta seiva de onde emergiu,
Por vontade da vida, imperativo amor!
Primavera, a abelha em redor,
O néctar, o perfume,
O sonho que a vida ilude!
A graça, o berço, o ninho
Onde a vida despertou.
O caminho,
A delícia perfumada,
A alma a sorrir, sublimada!
O manto de noivado,
O sonho de esp'rança a florir;
E da criança a graça, em botão, a abrir!
A flor que do fruto foi manto,
A carícia, o beijo, o amor,
Asas de ninho, o encanto,
Esp'rança que em meus olhos veio pôr
A luz, a doce seiva do meu pranto!...
Linhares, Primavera de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
As fotografias foram ambas tiradas no Amedo.
A graça, o beijo do botão à flor;
Força a que mão divina imprimiu,
Suculenta seiva de onde emergiu,
Por vontade da vida, imperativo amor!
Primavera, a abelha em redor,
O néctar, o perfume,
O sonho que a vida ilude!
A graça, o berço, o ninho
Onde a vida despertou.
O caminho,
A delícia perfumada,
A alma a sorrir, sublimada!
O manto de noivado,
O sonho de esp'rança a florir;
E da criança a graça, em botão, a abrir!
A flor que do fruto foi manto,
A carícia, o beijo, o amor,
Asas de ninho, o encanto,
Esp'rança que em meus olhos veio pôr
A luz, a doce seiva do meu pranto!...
Linhares, Primavera de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
As fotografias foram ambas tiradas no Amedo.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
terça-feira, 9 de agosto de 2011
À Descoberta do Amedo (2/2)
Continuação de À Descoberta do Amedo (1/2)
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: “Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos”. É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: “Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos”. É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
sábado, 6 de agosto de 2011
À Descoberta do Amedo (1/2)
Escondida entre a serra da Reborosa e o Alto da Pranheira encontra-se a freguesia do Amedo, muito pouco conhecida, apesar de estar a uns escassos 5 km da sede de concelho. Se há terras bafejadas pela sorte no que toca à sua situação geográfica, o mesmo não se pode dizer do Amedo, voltada a norte, onde nos piores dias de inverno o sol mal aparece. Esta situação pouco privilegiada, não afastou as populações, que aqui se estabeleceram desde tempos remotos, como provam alguns vestígios arqueológicos que sobreviveram ao desgaste dos séculos. Há restos de um dólmen no seu termo.
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas “em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos”. Sempre achei piada à expressão “sete Amedos”, mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
Continua em À Descoberta do Amedo (2/2)
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas “em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos”. Sempre achei piada à expressão “sete Amedos”, mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
Continua em À Descoberta do Amedo (2/2)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Cerejas
Este ano está a ser um ano excecionalmente bom para a produção de cereja. Em todo o concelho, foi no Amedo onde fui encontrar mais e mais atraentes exemplares para fotografar( e não só).
domingo, 5 de junho de 2011
No Amedo (03)
Grupo de senhoras junto à capela de S. Martinho, no Amedo. A fotografia foi tirada no dia 03 de Junho, em mais uma visita que fiz à freguesia. Em breve colocarei mais fotografias,
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
1 dia por terras de Ansiães (02)
A oportunidade de passar mais um dia a passear pelo concelho é sempre aproveitada com grande entusiasmo.
O roteiro escolhido para o dia 15 de Outubro não deferiu muito do que segui uma semana antes. mas, mesmo quando se visita o mesmo lugar, há sempre novas coisas que nos chamam à atenção.
O primeiro ponto da viagem foi ao castelo de Ansiães. Não propriamente para visitar o castelo, que bem o merece, mas sim para tentar conseguir uma fotografia panorâmica da aldeia de Marzagão. A posição é boa, mas os resultados não me agradaram. O facto de colocar a objectiva a trabalhar no limite das suas capacidades e talvez devido à manhã algo cinzenta, desisti rapidamente.
A segunda abordagem à panorâmica da aldeia foi do lugar exactamente oposto. Dirigi-me para Marzagão, atravessei a aldeia e subi, a pé, por um caminho que conduz a um outeiro a poente da aldeia, quase junto do campo de futebol de onze. A partir deste ponto a dificuldade esteve em conseguir enquadrar a maior parte das casas, uma vez que algumas ficam completamente tapadas por outras que estão à sua frente. Mas, mesmo assim, o resultado agradou-me mais e andei pelo alto do morro admirando a paisagem. Até Carrazeda de Ansiães se avistava bastante bem!
Pelo caminho ainda tive tempo para saborear as primeiras castanhas e procurar alguns cogumelos à sombra dos castanheiros. Não tive muita sorte com os cocos mas algumas vaquinhas proporcionaram-me algumas fotografias. As vaquinhas (ou línguas de vaca) são cogumelos bastante saborosos que me habituei a comer desde criança. O seu nome científico é Fistulina hepática.
Já de novo na aldeia percorri as mais estritas ruas e ruelas. O que deve ter sido o núcleo mais antigo da aldeia está praticamente deserto e em ruínas. Não há placas a identificar as ruas, por isso tive alguma dificuldade em me situar.
Aproveitei para colocar a máquina fotografia em preto e branco e tentar uma abordagem mais artística dos locais. Gostava de ter encontrado alguém com quem conversar, mas isso não aconteceu.
No largo do Fundo do Povo dirigi-me mais uma vez à igreja, mas tal como no dia da primeira visita, esta encontrava-se encerrada.
Já depois do meio dia foi a altura de rumar em direcção a Zedes para um almoço em família. O tempo passado em Zedes foi pouco, mas ainda deu para fazer uma visita ao rancho de apanha de maçã. Tal como em Marzagão, em Zedes (e muitas outras freguesias do concelho) a produção de maçã é uma das mais importantes actividades económicas. É também uma actividade que dá alguns trabalho, mesmo que temporário.
Já pelo Barreiro, não resisti a mais um passeio por um souto. A senhora Nilza e o senhor Adelinho presentearam-me com todas as castanhas que já tinham apanhado até ao momento! São gestos como este que nos fazem sentir em casa.
Na continuidade do meu passeio pelo souto fui ainda presentiado com um conjunto de rocos e meia dúzia de vaquinhas nos troncos dos castanheiros. Um pouco mais acima, no picoto, o martelo rasgava o caminho para o IC5 que vai passar bastante próximo.
A paragem seguinte foi na Biblioteca Municipal, em Carrazeda de Ansiães. Desta vez nem cheguei a entrar. Pretendia unicamente ter acesso ao livro “Memórias de Ansiães”(MORAIS, João Pinto de e MAGALHÃES, António de Sousa Pinto de.), como fui informado que não existe na biblioteca, nem sequer entrei e decidi aproveitar o tempo, seguindo viagem.
A paragem seguinte foi no Amedo. A sorte esteve do meu lado e encontrei algumas pessoas que não só conversaram comigo sobre a aldeia assim como me proporcionaram uma visita à igreja matriz e à capela de S. Martinho. Apenas pretendia ocupar o resto da tarde, mas fiz um interessante passeio pelas ruas da aldeia e também fiz alguns interessantes registos fotográficos.
Ficou a promessa de uma visita mais demorada à aldeia.
O roteiro escolhido para o dia 15 de Outubro não deferiu muito do que segui uma semana antes. mas, mesmo quando se visita o mesmo lugar, há sempre novas coisas que nos chamam à atenção.
O primeiro ponto da viagem foi ao castelo de Ansiães. Não propriamente para visitar o castelo, que bem o merece, mas sim para tentar conseguir uma fotografia panorâmica da aldeia de Marzagão. A posição é boa, mas os resultados não me agradaram. O facto de colocar a objectiva a trabalhar no limite das suas capacidades e talvez devido à manhã algo cinzenta, desisti rapidamente.
A segunda abordagem à panorâmica da aldeia foi do lugar exactamente oposto. Dirigi-me para Marzagão, atravessei a aldeia e subi, a pé, por um caminho que conduz a um outeiro a poente da aldeia, quase junto do campo de futebol de onze. A partir deste ponto a dificuldade esteve em conseguir enquadrar a maior parte das casas, uma vez que algumas ficam completamente tapadas por outras que estão à sua frente. Mas, mesmo assim, o resultado agradou-me mais e andei pelo alto do morro admirando a paisagem. Até Carrazeda de Ansiães se avistava bastante bem!
Pelo caminho ainda tive tempo para saborear as primeiras castanhas e procurar alguns cogumelos à sombra dos castanheiros. Não tive muita sorte com os cocos mas algumas vaquinhas proporcionaram-me algumas fotografias. As vaquinhas (ou línguas de vaca) são cogumelos bastante saborosos que me habituei a comer desde criança. O seu nome científico é Fistulina hepática.
Já de novo na aldeia percorri as mais estritas ruas e ruelas. O que deve ter sido o núcleo mais antigo da aldeia está praticamente deserto e em ruínas. Não há placas a identificar as ruas, por isso tive alguma dificuldade em me situar.
Aproveitei para colocar a máquina fotografia em preto e branco e tentar uma abordagem mais artística dos locais. Gostava de ter encontrado alguém com quem conversar, mas isso não aconteceu.
No largo do Fundo do Povo dirigi-me mais uma vez à igreja, mas tal como no dia da primeira visita, esta encontrava-se encerrada.
Já depois do meio dia foi a altura de rumar em direcção a Zedes para um almoço em família. O tempo passado em Zedes foi pouco, mas ainda deu para fazer uma visita ao rancho de apanha de maçã. Tal como em Marzagão, em Zedes (e muitas outras freguesias do concelho) a produção de maçã é uma das mais importantes actividades económicas. É também uma actividade que dá alguns trabalho, mesmo que temporário.
Já pelo Barreiro, não resisti a mais um passeio por um souto. A senhora Nilza e o senhor Adelinho presentearam-me com todas as castanhas que já tinham apanhado até ao momento! São gestos como este que nos fazem sentir em casa.
Na continuidade do meu passeio pelo souto fui ainda presentiado com um conjunto de rocos e meia dúzia de vaquinhas nos troncos dos castanheiros. Um pouco mais acima, no picoto, o martelo rasgava o caminho para o IC5 que vai passar bastante próximo.
A paragem seguinte foi na Biblioteca Municipal, em Carrazeda de Ansiães. Desta vez nem cheguei a entrar. Pretendia unicamente ter acesso ao livro “Memórias de Ansiães”(MORAIS, João Pinto de e MAGALHÃES, António de Sousa Pinto de.), como fui informado que não existe na biblioteca, nem sequer entrei e decidi aproveitar o tempo, seguindo viagem.
A paragem seguinte foi no Amedo. A sorte esteve do meu lado e encontrei algumas pessoas que não só conversaram comigo sobre a aldeia assim como me proporcionaram uma visita à igreja matriz e à capela de S. Martinho. Apenas pretendia ocupar o resto da tarde, mas fiz um interessante passeio pelas ruas da aldeia e também fiz alguns interessantes registos fotográficos.
Ficou a promessa de uma visita mais demorada à aldeia.
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