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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

À Descoberta de Lavandeira (3/3)

Antiga Escola Primária de Lavandeira
Continuação de: À Descoberta de Lavandeira (2/3) 
A escola de 1.ºCiclo está fechada. Longe vão os tempos em que a D. Margarida era a professora da aldeia! Natural de Selores, casou em Lavandeira e tinha a seu cargo uma catrefada de crianças. Chegou a haver mais de 60 crianças a frequentar a escola que funcionou ao lado da Casa dos Milagres.
Altar da capela-mor com Dívino Rei Salvador
Da escola pode fazer-se um percurso pela rua do Outão, rua do Jardim, rua Principal e rua do Adro, regressando à igreja.  Ao longo de todas estas ruas há pequenos espaços de autênticos jardins. Algumas casas foram recuperadas e outras esperam por melhores dias, é o caso de um antigo lagar de azeite que a Junta de Freguesia gostaria de restaurar, abrindo ali um espaço com múltiplas aplicações. Infelizmente os apoios não abundam.
Tampa de um sarcófago. Agora está junta à sede da Junta de Freguesia.
Em 2011 havia algumas tampas de sarcófagos junto ao cemitério, mas foram retiradas do local. O mesmo aconteceu a dois enormes cedros que se encontravam à frente da igreja matriz que foram cortados.
Chegados de novo ao largo e depois de percorrer grande parte da aldeia, ficou para o fim o património de maior destaque, a igreja de S. Salvador ou de Santa Eufémia. Esta designação leva a refletir na história do local e no porquê de não estar definida uma designação consensual.
Nicho no frontispício da igreja
Lavandeira foi  até ao Séc. XVII um mero lugar da freguesia de Ansiães, paróquia de S. Salvador. Com a decadência do castelo, Lavandeira foi crescendo. Os batizados continuaram a fazer-se na velha igreja românica até 1803, altura em que a paróquia se transferiu para a capela de Santa Eufémia, em Lavandeira. Esta mudança ditou a morte gradual da igreja de S. Salvador, intramuros e ao desenvolvimento da paróquia da Lavandeira, que conduziu à ampliação da pequena capela românica que deveria existir. O culto a Santa Eufémia já existia desde o séc. XVI, fomentado pela existência de algumas relíquias que mobilizavam romeiros, mesmo lugares longínquos.
Imagem de Santa Eufémia no andor, pronto para a grande festa
Por cima da porta lateral da igreja há um brasão em granito que deve ter sido arrancado da igreja de S. Salvador, no castelo, para depois ser ali aplicado, já numa fase posterior à construção da igreja. No alçado oposto há uma representação, penso que de um anjo, a que dão o nome de Lavandeira, personificando a aldeia.
O cabido exterior, com as suas belas colunas em granito começou a ser construído em 1773. No frontispício da igreja há um bonito nicho com motivos florais onde deveria estar a imagem de Santa Eufémia, mas, curiosamente, o espaço está preenchido com uma imagem de S. António.
Santa Eufémia ladeada pelas suas irmãs
Dada a importância do culto a Santa Eufémia a igreja manteve sempre a dupla designação, de Santa Eufémia e de S. Salvador, que recebeu por transferência da paróquia histórica do castelo de Ansiães.
Entrar na igreja é um privilégio. A beleza do seu interior pesou na escolha desta capela para rodar algumas cenas de da telenovela que passou na TVI, chamada “A Outra”.
Cabido exterior da igreja
Os elementos que se destacam em primeiro lugar são os altares com retábulo dourado apresentando parras, uvas e “putti” (crianças nuas, quase sempre do sexo masculino, frequentemente com asas).  No centro do altar da capela-mor está uma bonita imagem do Divino S. Salvador, o mesmo Deus Criador que está representado num fresco à entrada da igreja, na parede do lado direito, com o pé sobre uma esfera onde estão representados Adão e Eva.
Representação da "Lavandeira"
A imagem de Santa Eufémia ocupa uma posição lateral, num altar próprio e distinto dos restantes. Acompanham a imagem dois enormes leões, elemento identificativo de iconografia de Santa Eufémia que morreu mártir em Calcedónia, atual Croácia. Curiosamente nenhum dos ex-votos existentes na Casa dos Milagres apresenta este elemento. As imagens mais antigas da igreja representam Santa Eufémia (de Braga/Orense). Para adensar a dúvida Santa Eufémia está representada num dos caixotões do teto da igreja, em companhia das suas 8 irmãs, sendo Santa Marinha e Santa Quitéria as mais conhecidas. Ora, esta representação é da Santa Eufémia “portuguesa/espanhola” e não a da Calcedónia.
Árvore de Jessé, no teto da igreja.
 Há outra representação que valoriza esta igreja e que também se encontra nos caixotões do teto, mas da capela-mor: trata-se da representação da Árvore de Jessé, que representa a genealogia de Jesus. São muitos os motivos de interesse que existem na igreja, e também na sacristia, com imagens antigas e com a sua pintura rococó.
Pantocrator do Juízo Final na capela de S. Salvador, no castelo de Ansiães
Como a prosa já vai extensa, fica por fazer uma caminhada e uma visita ao castelo de Ansiães, onde a história está em cada pedra. Fica por contar a mistura do sagrado e do profano da festa de Santa Eufémia a 15 e 16 de setembro. Mas há coisas de não podem ser contadas, têm que ser vividas. Por isso, deixo o convite para nos encontrarmos na festa de Santa Eufémia, na Lavandeira, em Setembro próximo.
Aníbal Gonçalves
Artigo publicado no jornal O Pombal, em Março de 2012.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

À Descoberta de Lavandeira (2/3)

Nicho de S. Frutuoso
Continuação de: À Descoberta de Lavandeira (1/3)
Partindo pela rua do Arenal em direção a norte podem ver-se no início da Rua de S. Frutuoso, na padieira da porta de duas casas, alguma inscrições enigmáticas. Numa, a par de outros símbolos, pode ler-se 1749. Depois do Café Reixelo, único espaço comercial que ainda subsiste na aldeia, fica o Largo de S. Frutuoso. Em lugar de destaque encontra-se um nicho, em granito polido, com porta de alumínio e vidro, com a imagem do referido santo.
Pormenor de uma janela em Lavandeira
Dos lados há jardim, uma fonte, bancos e um mealheiro par arrecadar alguma possível esmola. Referi no início que não há capelas no interior da aldeia, mas a ter existido outra além da Santa Eufémia, terá sido a de S. Frutuoso, neste local. Este facto é relatado pelos habitantes da aldeia e, no jardim de uma casa próxima, é visível uma pedra trabalhada que pode ter sido um nicho ou ter feito parte do frontispício de uma capela.
A poucos metros daí é possível ver uma janela bastante interessante, numa casa praticamente em ruínas. Tem duas mísulas trabalhadas, desiguais, e apresenta em cada ombreira um elemento esculpido no granito. De um lado um cálice, do outro o que parece ser uma face humana. A aresta cortada a toda a volta da janela dá-lhe uma elegância de grande contraste com a rusticidade da construção.
Vista parcial da aldeia de Lavandeira
A paragem seguinte é na fonte dos Nabais. Trata-se de uma fonte de mergulho, escavada no granito, que ocupa uma posição bastante inferior ao nível do solo. O acesso é feito por umas escadas, depois de ultrapassada a porta em ferro forjado de que é também feita a proteção. Ao que me foi dito, a fonte foi outrora bem diferente. Encontrava-se ao nível do solo e tinha lajes de granito onde as mulheres lavavam a roupa. Quando o caminho foi composto, penso que a antiga fonte foi destruída, abrindo-se uma nova, escavando numa direção diferente.
Largo do Campo da Bola
O passeio continua em até ao largo do Campo da Bola, antiga Lameira da Choca, por um acesso recente. O caminho está calcetado e permite ver a aldeia de uma quota superior, com uma visão alargada, que se estende a Beira Grande e ao cume da Senhora da Costa, na freguesia de Seixo de Ansiães.
Do campo da bola já não há sinais. Ainda joguei aqui algumas vezes. O espaço ganhou nova utilidade. No topo norte situa-se a sede da Junta de Freguesia, um edifício vistoso e recente.  À sua frente toda a área do antigo campo de futebol foi calceta, iluminada e ocupada com mesas, bancos e assadores. Também tem algumas árvores, mas estas ainda não cresceram o suficiente para cumprirem a função para que foram plantadas.
Largo do Campo da Bola a 15 de Setembro
O espaço é muito agradável e ganha vida principalmente na noite de 15 para 16 de Setembro de cada ano. Grupos familiares ou de amigos montam aqui a sua farta mesa onde a marrã (carne de porco) é o elemento principal. Além dos assadores, já existem alguns no local, os diferentes grupos tratam da logística para que à noite não falte nada para a festa, comida e bebida. Muitas famílias cumprem um ritual semelhante junto as suas casas, nos quinteiros e átrios, fazendo do evento um grande momento de amizade e de confraternização. Estou em crer que este churrasco coletivo está a ganhar casa vez mais força, à medida que a venda de marrã no recinto da festa tende a diminuir.
Ruínas nas zonas mais antigas da aldeia
Há poucos dias foi transportado para perto do edifício da Junta de Freguesia um bloco de granito com uma figura antropomórfica escavada. Trata-se de uma sepultura que se encontrava algures no caminho entre a Lavandeira e o castelo de Ansiães, um pouco acima da chamada Fonte Nova. O local onde se encontrava não oferece muitas hipóteses de aí ter existido alguma necrópole. A sepultura podia estar a ser talhada nesse local para depois ser transportada para outro, acabando por ser abandonada. Os responsáveis pela freguesia acharam que no novo espaço está mais visível e protegida.
Vista parcial da aldeia de Lavandeira
O largo tem também um fontanário e um nicho com o Cristo Rei. Este último, que mostra indício de ali se encontrar há já algum tempo, não enriquece esteticamente o espaço e merecia um arranjo de forma a valoriza-lo e integrá-lo neste importante largo.
De volta ao centro da aldeia é fácil seguir por alguma ruela estreita que nos faz viajar no tempo.  Há algumas casas em granito com telha de canudo antiga, implantadas sobre as fragas de granito que afloram à superfície.
Nas proximidades destaca-se uma casa antiga, senhorial, quer pela dimensão, quer pela qualidade da construção, quer pelo terreno murado que tem adjacente, a casa dos Carvalhos. Do caminho que contorna esta propriedade tem-se uma vista bastante diferente da aldeia.
Pela rua Nova acede-se ao ponto de partida, o largo de Santa Eufémia, para a exploração de outra parte da aldeia.
Fonte do Gricho
Na rua da Escola fica a fonte do Gricho e a antiga escola. A fonte do Gricho também está a um nível inferior ao à estrada. A água ainda corre por um tubo metálico. Recordo-me de aqui ter vindo beber na minha meninice, quando ia às festas de Santa Eufémia. Antigamente a água jorrava em grande quantidade, sendo a passagem pedestre feita junto à parede, numa estreita passadeira. Mais abaixo havia lajes para lavar a roupa. Também havia uma pia com água para os animais beberem.

Continua:  À Descoberta de Lavandeira (3/3)

domingo, 5 de agosto de 2012

À Descoberta de Lavandeira (1/3)

Lavandeira é uma aldeia do concelho de Carrazeda de Ansiães, distando cerca de 7 km da sede. Muitos desconhecerão quase completo esta aldeia, recordando apenas o acontecimento de maior relevo que aí acontece todos os 15 e 16 de Setembro, as grandiosas festas em honra de Santa Eufémia. Outros farão a ligação da aldeia ao altaneiro e secular castelo de Ansiães, monumento ímpar no concelho, no distrito e mesmo na região, com uma história que se estende para lá da nacionalidade, podendo recuar mesmo à pré-história.
O visitante apressado, ou mesmo o romeiro dos dias de hoje, raramente tem tempo para saborear a beleza da paisagem, interpretar os sinais dos locais ou mesmo ter tempo para uma conversa sem hora marcada nem tema definido, apenas conversa, muitas vezes marcada pela recordação, pela saudade de pessoas, vivências e pelos espaços, que ainda existem mas que vão perdendo utilidade e significado. Por isso, pode ser interessante partir comigo numa "viagem",  À Descoberta de mais esta freguesia.
Lavandeira não é muito rica em determinado tipo de património, por exemplo capelas, basta compará-la com Selores, ali ao lado, mas, nem por isso os habitantes da aldeia deixam de ter orgulho em lá morar e em se empenharem em querer mantê-la limpa e florida, como poucas no concelho. Nas primeiras vezes que visitei a aldeia, e já lá vão algumas décadas, foram as flores espalhadas por cada rua, por cada beco, por cada entrada de casa, que me fizeram gostar do lugar. Não só pela beleza das flores, mas também porque a sua plantação e manutenção mostra sensibilidade e brio, que, infelizmente, não abunda em todos os locais que tenho visitado.
Mais recentemente visitei a aldeia por duas vezes, com espaço de um ano entre elas. Por coincidência ambas aconteceram em março, quando a natureza começa a despertar de um período de dormência, sendo esse despertar evidente nas hortas e quintais, cheios de nabiças e amendoeiras em flor. E são estas subtilezas que realçam a rusticidade com que eram construída as casas da aldeia, do mais puro e duro granito, tal como ainda é possível encontrar em muitas ruas.
Um passeio pela Lavandeira deve começar no seu centro, posso mesmo dizer pelo seu “coração”, o largo de Santa Eufémia. Em redor deste largo podem-se referenciar dois coretos (lembro-me de haver outro quase no centro), a Casa dos Milagres, o Centro de Dia e a Igreja Matriz.
 O Centro de Dia Santa Eufémia é uma IPSS que presta serviço a cerca de uma dezena de idosos. A sua ação alarga-se no apoio domiciliário a mais de duas dezenas de idosos espalhados por várias freguesias, algumas distantes, como o Castanheiro. O ambiente é calmo e luminoso com as vidraças viradas a poente, recebendo o sol quente do fim de tarde com a tranquilidade que só os idosos podem gozar. Às vezes cantam, outras rezam, mas a maior alegria é a companhia, que aqui se procuram.
 A Casa dos Milagres, agora ampla e remodelada, poderia contar histórias infindáveis de outros tempos, da grandeza das cerimónias que se desenvolviam em honra de Santa Eufémia. Já não há tulhas para guardar o cereal e outras dádivas trazidas pelos romeiros devotos que aqui se dirigiam, no entanto, ainda são visíveis alguns elementos que recordam o passado, como ex-votos, quadros pintados representando milagres e agradecimentos pela cura conseguida. Alguns estão datados do início do séc. XIX, mas a Casa dos Milagres tem na fachada o ano de 1929. Aqui se podem pagar promessas e comprar as mais variadas lembranças. Há desde uma simples vela (0,50€), ao corpo de uma pessoa em cera (250€).
 É também na Casa dos Milagres que está um surpreendente conjunto de cadernos com o nome dos irmãos da Confraria de Santa Eufémia. Esta confraria terá tido início no séc. XVI e conseguiu um considerável numero de irmãos (vários milhares) espalhados por vários concelhos. O Papa Pio XIV declarou-a como Irmandade Perpétua. A cobrança aos irmãos era feita em duas voltas (além-Tua e Vilariça) que abrangiam numerosos concelhos. As pessoas destacadas para a fazerem saíam no início de agosto e só regressavam em setembro. Durante esse tempo percorriam as aldeias, dormindo em casa de irmãos. Muitas aldeias tinham o seu próprio zelador, que se encarregava de fazer a recolha na sua aldeia. Devo dizer que sou irmão desta confraria desde que me lembro de ser gente!
Esta irmandade possuía um património em terras, que arrendava a bom dinheiro (noutros tempo). Além de mandar rezar uma missa por cada irmão que morria (com documento comprovativo que era enviado, penso que ainda é, para a morada do falecido), podia dar-se ao luxo de emprestar dinheiro.
Antes de uma visita à belíssima igreja matriz, talvez seja interessante fazer um percurso pela aldeia, conhecendo os seus espaços mais característicos.

Continua: À Descoberta de Lavandeira (2/3)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Trilho do Castelo - 13 de Maio (2.ªParte)

Vista parcial de Marzagão
Continuação de: Trilho do Castelo - 13 de Maio (1.ªParte)
Entusiasmado com o Castelo de Ansiães perdi-me do grupo! O percurso oficial do Trilho do Castelo foi alterado levando a caminhada a Marzagão. Não é coisa que me tenha incomodado, mas para não ser agradável anunciar um percurso de 5,3 km e alarga-lo mais de 10!
Interior da Igreja Matriz de Marzagão
Junto à Igreja de S. João Baptista o percurso deixou a estrada e meteu por um caminho que desce o vale em direção ao Douro. Há tempos que sonhava conhecer este vale, mas não me senti muito à vontade. O carro vassoura já tinha passado e foi recolhendo as marcações existente. Um companheiro da caminhada apercebeu-se da minha ausência e esperou por mim. Não sabíamos se estávamos no percurso certo e não conseguimos apreciar a paisagem como pretendíamos.
Apesar de toda a área ter ardido à poucos anos, há muita vegetação. Algumas manchas não arderam, outras recuperaram parte da vegetação. Havia muita erva e de vários locais corria água que se juntava no ribeiro da Ferradosa para se precipitar no Rio Douro.
Exterior da Igreja Matriz de Marzagão (e S. João Batista)
 Quando nos pareceu que podíamos inverter o sentido descendente e tentar alcançar Marzagão, fizémo-lo e foi a opção correta. Ficámos mais sossegados quando chegámos à Igreja Matriz, pouco depois de terminar a Eucaristia. A festa de Nossa Senhora do Rosário aconteceu dia 6 de Maio e a igreja ainda ostentava uma roupagem florida exuberante. Mas não precisava. A igreja de S. João Baptista da paróquia extra-muros do castelo de Ansiães foi transladada para aqui no ano de 1575. A ela estiveram ligadas mais de metade das atuais paroquias do concelho, tendo Marzagão um papel invejável na vida religiosa (e não só) do concelho.É um templo que visito muitas vezes, mas nunca me canso de apreciar o trabalho em talha dourada dos altares, os caixotões do teto, as imagens...desta vez o que entusiasmou foi apreciar a imagem de S. João Baptista que era exibida na igreja mãe, no castelo!
Sobremesas, em Selores
Mais seguros do caminho a seguir, dirigi-mo-nos em direção ao cemitérios e depois à Quinta da Abeleira. Esta é uma grande exploração de maçã, sendo este uma das principais produções agrícolas também em Selores e mesmo na Lavandeira.
Sargaço (em Mazagão)
Atingimos a a estrada municipal 632 sabendo que todo o grupo nos levava um grande avanço. Seguimo-la até Selores. Pretendíamos "saltar" a visita à igreja para termos hipótese de visitar a capela de S. António, em Alganhafres, era uma oportunidade rara de a encontrarmos aberta. Acabámos por desistir de Alganhafres. Havia um grupo de pessoas na igreja que nos informou que o almoço já estava a ser serviço na antiga Escola Primária da aldeia. Acabámos também por entrar na igreja e dar por termino o nosso percurso pedestre.
Altares laterais da Igreja Matriz de Selores
A igreja matriz de Selores, de orago de S. Gregório, é de arquitetura religiosa, seiscentista e barroca. Igreja de planta retangular composta por nave e capela-mor. Fachada principal em empena truncada por sineiras. O retábulo-mor de talha barroca joanina.
Entradas, em Selores
Dirigimo-nos ao local do almoço. Depois da longa caminhada, com momentos de bastante calor, o apetite já era muito. Tivemos direito a entradas, com presunto, rissóis e bolinhos de bacalhau. O prato principal foram panados com arroz seco e alface, servido depois de uma sopa de legumes. Houve ainda como segundo prato rojões. De sobremesa tivemos direito a laranjas, maçãs e diversos tipos de bolos.
A refeição foi mais uma vez servida pelo serf-service D. Miguel, de Carrazeda de Ansiães, mas muitos dos alimentos que mencionei foram da responsabilidade da Junta de Freguesia de Selores.
Almoço (Selores)
Durante este trilho andei constantemente atrasado, não conseguindo acompanhar o grupo. Isso fez-me perder as preciosas explicações da arqueóloga e não tirei muitas fotografias ao grupo. Não sei se também foi culpa minha não perceber o percurso. Não adianta distribuir um panfleto com um percurso que não é seguido. A refeição em vários espaços e sem lugar para todos se sentarem também foi algo conturbada. É complicado comer de faca e garfo, segurando o prato, o garfo, o copo, etc. Isto também se deveu ao crescente número de participantes, aos quais se soma um bom grupo de pessoas responsáveis pela logística.
O descanso depois da tarefa concluída
O Trilho do Castelo tem um conjunto de ingredientes que fazem dele único no conjunto de todos os percursos sinalizados. Quer pelas ruínas do castelo, quer pelo conjunto de templos, ou ainda pela paisagem que se avista do castelo. A somar a estes ingredientes houve também o facto desta caminhada acontecer em Maio, mês das flores. Posso ter andado sempre atrasado em relação ao grupo, mas não perdi a oportunidade de captar alguns exemplares da flora que muito chamam à atenção nesta altura do ano.
Trilho do Castelo Sinalizado (5,3 kms)
GPSies - Trilho do Castelo
Percurso realizado em 13-05-2012 (10,6 kms)
GPSies - Trilho do Castelo (modificado)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Trilho do Castelo - 13 de Maio (1.ªParte)

Interior da igreja de Santa Eufémia
No dia 13 de maio, domingo, mais de uma centena de caminheiros optaram por passar uns bons momentos ao ar livre participando no Percurso Pedestre organizado pela Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, com o apoio das Juntas de Freguesia de Lavandeira e de Selores.
Adivinhar-se um percurso interessante, quer pela paisagem que se avista do castelo, quer pela visita a uma série de monumentos (além do castelo de Ansiães) muito interessantes e representativos no património construido do concelho.
Bandeira com Santa Eufémia
O grupo é assíduo, mantendo-se com pequenas variações desde a primeira caminha (esta foi a quarta). Gente de todas as idades, com constituição física e  interesses diversificados mas que gosta de fazer estes percursos pedestre e de participar nos convívios que a eles estão associados.
Pequeno almoço no Largo do Campo da Bola
O ponto de encontro foi no largo de Santa Eufémia, bem no centro de Lavandeira. O autocarro da autarquia transportou para o local mais de uma centena de participantes. Tal como como já disse, os interesses são diversificados mas uma visita à  bonita igreja matriz quase ninguém dispensou. Desde a minha última visita a Lavandeira, que não foi à muito tempo, notei a ausência dos leões junto à imagem de Santa Eufêmia. Soube que foram retirados para deles se fazer uma réplica, para serem colocados junto de outra imagem da Santa que existe na Casa dos Milagres. É curioso porque no último texto que escrevi para o jornal O Pombal, falei precisamente desses leões e do que eles significam.
Reza a lenda... que se ouvem os sinos da Sé de Braga
O interior da igreja (incluindo a sacristia) é digno de admiração. Os caixotões do teto contam muitas histórias e houvesse tempo para os admirar. Todos partiram em direção ao antigo campo da bola onde seria servido o pequeno almoço. O espaço é adequado, o tempo estava de feição e a Junta de Freguesia não se poupou a esforços para satisfazer o apetite de tanta gente, quer em quantidade quer em qualidade. Também não faltaram flores nas mesas.
Explicações sobre a história de Ansiães
Como novidades (para mim) neste percurso para o castelo refiro uma gravação numa rocha, a que chamaram "pegada de Nossa Senhora" e outra formação natural onde diziam que se "ouviam" os sinos da Sé de Braga. Esta história dos sinos suou-me a familiar e não fosse eu alertar os mais próximos de mim algum tinha caído na tentação de testar a audição. Achei interessante que tivessem assinalados estes pontos curiosos, mas não apreciei a aplicação de tinta spray nas rochas.
Aspeto do recinto dentro de primeira muralha
No pelotão da retaguarda lá consegui cegar ao castelo. A "multidão" já estaca acomodada para ouvir as explicações históricas sobre o monumento.
Nunca tinha visto o interior das muralhas tão limpo de vegetação. tal deve-se ao facto de estarem a decorrer obras de limpeza dos caminhos e  reconstrução de um torreão. Espero que os arqueólogos no terreno tenham os devidos cuidados para não destruírem. Estas pedras não são simples pedras são o esforço, história e possivelmente o sangue de uma região.
No Vértice Geodésico (810 metros de altitude)
Juntamente com um pequeno grupo de pessoas trocámos a visita ao interior da igreja de S. Salvador por uma subida ao ponto mais alto das muralhas. O dia estava luminoso e queria aproveitar a oportunidade de subir até ao Marco Geodésico no alto da muralha que assinala os 810 metros de altitude. Não me arrependi da opção.   Vale a pena subir ao topo do castelo para apreciar 360 graus de Carrazeda, desde a Vila, até ao pinocro de Fontelonga ou no sentido oposto, onde o planalto de desfaz ao encontrar  o leito do Douro.
Apetecia-me ficar por ali mais algum tempo, mas, entretanto, o grupo já se preparava para abandonar as muralhas, em direção a Marzagão.

Entrada no recinto muralhado pela Porta da Vila
Continua...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lavandeira (II)

Vista parcial da aldeia da Lavandeira, concelho de Carrazeda de Ansiães.

terça-feira, 3 de abril de 2012

1 Dia por terras de Ansiães (7b)

Flores de macieira (Selores)
Depois da partida da Lavandeira e de uma passagem demorada pelas capelas de S. Salvador e de S. João Batista, já no castelo de Ansiães, o percurso estendeu-se a Selores. O tempo passou rapidamente e foi com muita pena minha que não subimos à muralha interior do Castelo. É sempre um prazer desfrutar da paisagem e creio que haveria muito a dizer sobre as estruturas que aí existem. Mas, nunca se pode ver tudo...
Capela de S. Brás (Selores)
Entre as ruínas do castelo e a aldeia de Selores é possível encontrar vestígios de um habitat romano. Este habitat estende-se praticamente desde das traseiras da igreja de S. João Batista, onde funcionou um cemitério na época medieval, até próximo do povoado de Selores. A presença dos romano nesta área é só mais uma que vem engrandecer a história do espaço, que foi ocupado por mais de cinco mil anos e que merece toda a atenção, agora que está praticamente ao abandono.
Ao aproximar-nos de Selores começámos a sentir o cheiro das flores de macieira. Apesar de estas fruteiras ainda não estarem em floração em todo o concelho, é aqui que me parece que a floração está mais adiantada.
Pormenor da talha do altar da igreja matriz de Selores.
Já em Selores pensava visitar a capela de Nossa Senhora do Prado e a Capela de S. António, a primeira junto à estrada e completamente abandonada e a segunda integrada na chamada Casa de Selores, brasonada, uma joia, mas será para correnteza noutra oportunidade. Os espaços estão fechados e não é fácil ter acesso a ales. O que eu não contava, aliás desconhecia totalmente a sua existência, foi conhecer a capela de S. Brás, em Selores. É particular, dessacralizada, serve para arrumos e passa completamente desapercebida  a quem circula na rua.
Casa e Capela de Santo António (Alganhafres)
 No centro da aldeia é a igreja matriz de Selores. Esta foi objeto de uma visita cuidada e demorada o que me permitiu ver pormenores que me passaram desapercebidas numa visita que lhe fiz recentemente.
Seguiu-se o pequeno povoado de Alganhafres. Praticamente não se percebe quando se deixa Selores e quando começa Alganhafres! Não me tinha apercebido da proximidade destas duas aldeias porque não fiz todo o percurso da procissão no dia 12 de Março.
Ruínas da capela do Divino Espírito Santo (Alganhafres)
Em Alganhafres conheci também a capela de Santo António, que faz parte de um casal senhorial. Em redor há muitas casas em granito, em completa ruína.
O percurso pedestre terminou junto às ruínas da capela de Ferraz ou do Divino Espírito Santo.
Seguimos mais ou menos de perto o traçado do Trilho do Castelo, que integra a Rede Municipal de Percursos, mas, penso que este trilho não contempla Alganhafres.
Almoço - Albufeira da Fontelonga
Não foi possível regressar à Lavandeira a pé porque a hora já ia adiantada. Também não havia nada que obrigasse a respeitar qualquer percurso.
Recuperados os carros, rumámos ao Parque de Merendas junto à albufeira de Fontelonga. A zona é muito aprazível, embora não esteja nas melhores condições (não há qualquer casa de banho e há algum lixo espalhado).
O almoço foi preparado pelo grupo e consistiu de carne assada no churrasco, alheira, caldo verde, pão e fruta. Para beber foi servido um bom vinho tinto, especial, produzido por um grupo de amigos para ocasiões especiais.
Folar e vinho fino (Casa Dona Urraca, Vilarinho da Castanheira)
Depois de almoço rumámos a Vilarinho da Castanheira. O programa previa uma deslocação aos moinhos de água e assistir ao pôr-do-sol junto à Pala da Moura, por isso houve que improvisar para ocupar o tempo.
Fizemos uma visita cultural a alguns locais da aldeia: o pelourinho, a necrópole da Cerca do Fidalgo, o futuro Museus e a capela de S. Sebastião. Foi uma sorte por apesar de já me ter deslocado inúmeras vezes a esta aldeia aldeia, nunca tinha ali entrado. Também não estava planeada uma visita à Casa de Dona Urraca, uma infraestrutura de Turismo Rural que nos recebeu muito bem. Visitámos a adega e o folar juntamente com o vinho tratado da casa fizeram um dos melhores momentos do dia.
Na levada do moinho (Vilarinho da Castanheira)
A deslocação para os moinhos da aldeia foi em automóvel. Infelizmente não há água para dar beleza e romantismo ao local. O ribeiro apenas tem pequenos charcos e fazer rodar as mós dos moinhos é impossível. A maior parte das pessoas não conhecia o local e gostaram muito.
Já perto do pôr-do-sol deslocámo-nos para a Pala da Moura. Por coincidência ou "milagre" o céu escuro com ameaças de chuva abriu-se e o último raio de sol atravessou o espaço dos fortes esteios da anta. Foi um momento mágico.
A investigar a orientação da Pala da Moura
O sr. Padre Bernardo chegou momento certo para explicar o significado a a função destes monumentos megalíticos. Defende que tinham funções muito mais interessantes do que meras câmaras funerárias. A sua orientação está de acordo com o "movimento" solar, a sua posição enquadra-se na conjunção de forças que vêm da terra e que esses povos antigos já seriam capazes de detetar e respeitar.
Pôr-do-sol na Pala da Moura (Vilarinho da Castanheira)
Já quase noite cerrada, terminou o Passeio Cultural. Foi um longo dia À Descoberta do concelho de Carrazeda de Ansiães. E foi completo. Além da história, da beleza da paisagem, da delicadeza das flores, houve também a gastronomia, o convívio o olhar diferente para o que temos e de que nos orgulhamos.