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sábado, 8 de junho de 2013

De Brunheda ao Tua, a pé

Já decorreu algum tempo desde que fiz a última caminhada na Linda do Tua, embora por lá tenha passado por diversas vezes, nalgumas iniciativas. Mas percorrer a linha, focando toda a atenção no vale do Tua, na linha e no rio, é uma experiência que não me canso de repetir.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente.
 A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S. Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de  olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e  orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de  estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua  a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A  magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimentos, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter  continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
Esta fotografia já foi tirada há algum tempo atrás
Chegámos ao fim da nossa viagem satisfeitos. Tivemos pena que não houvesse mais gente para nos acompanhar, mas, se calhar, não podíamos ter feito o percurso como o fizemos.
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Rota das Maias 2013

 A Rota das Maias, passeio pedestre organizado pela Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães (ARCPA), teve lugar no dia 12 de Maio.
A já conhecida forma de receber desta Associação, da respetiva aldeia e os maravilhosos percursos possíveis nas encostas do rio Tua, levaram mais uma vez quase centena e meia de participantes a concentrarem-se junto à sede da Associação bem cedo ainda. Muitos dos participantes foram transportados de Carrazeda de Ansiães, de autocarro para Castanheiro. Foi necessário  deslocar também para Castanheiro as pessoas que se encontravam em Pombal, uma vez que o início do percurso e o pequeno almoço estavam marcados para essa aldeia. Esta deslocação foi bastante demorada, uma vez que apenas só foi disponibilizado um autocarro, o que atrasou todo o evento.
O pequeno almoço foi servido na Junta de Freguesia de Castanheiro. Mesas bem recheadas esperavam os participantes já um pouco inquietos.
Há medida que o grupo de caminheiros tem vindo a aumentar, notam-se formas diferentes de encarar estas caminhadas ou passeios. Há pessoas que só pensam em chegar ao final! Para mim é a caminhada que conta e esta tem que ser aproveitada. Aproveitada para apreciar a paisagem, para ver e conversar sobre a fauna e a flora, monumentos e sítios de interesse, se ou houver, conhecer e conversar com outros participantes, já amigos ou desconhecidos. Julgo que esta Rota das Maias encheu bem as minhas "medidas", uma vez que não me preocupei nada com o caminho e cheguei ao final integrado no último grupo de pessoas.
A descida de Castanheiro até a estação da linha do Tua com o mesmo nome foi bastante acelerada. A paisagem é fantástica e as maias começaram a aparecer logo nos primeiros metros do percurso. Em cada curva do caminho se tem uma visão diferente do agreste vale e as touças de castanho dão um sombreado e uma frescura agradável a alguns troços do caminho. A descida é de grande declive e pode ser perigosa se não houver algum cuidado.
Atingida a linha não havia necessidade de mais marcações. O traçado seria pela linha até se atingir S. Lourenço, onde estaria mais uma vez o autocarro para nos transportar para a aldeia de Pombal.
Já tinha saudades da Linha, e foi com muita satisfação que pisei mais uma vez as travessas.
A paisagem é bem conhecida minha e sei de cor cada rocha, cada curva, cada canteiro de flores selvagens que crescem na escarpa rochosas.
Aprecio muito a passagem por Santa Luzia e pelo Amieiro. O isolamento da aldeia e a forma como que aninha na encosta surpreenderem sempre quem por ali passa pela primeira vez. Mas todos os que voltam a passar, nunca se cansam de fotografar aquele presépio que parece parado no tempo, onde não se ouvem nem pessoas nem animais, apenas as pareces e os telhados das casas estão a marcar a presença humana, uma vez que os terrenos de cultivo em redor não chamam à atenção de tão camuflados que se encontram na paisagem.
As pernas e os pés dos menos habituados nas caminhadas começaram a fraquejar. Fomos ficando para trás para incentivar e ajudar alguém que precisasse.
Os últimos quilómetros na linha foram feitos muito lentamente, já com bastante calor.  Finalmente avistou-se a estação de S. Lourenço, onde já não havia ninguém, uma vez que o autocarro já tinha feito várias viagens à aldeia.
Aproveitei alguns momentos de espera para "provocar" um grupo de pescadores que se encontravam junto às termas a almoçar. Ganhei um copo de vinho e o privilégio de provar do seu almoço. Acreditem que a carne assada estava uma delícia! Obrigado, amigos. A pesca também é uma boa atividade para juntar pessoas e aquele grupo era um bom exemplo. Apesar de serem de vários lugares, até de concelhos diferentes, deslocam-se com frequência ao rio Tua para pescarem e para conviverem. Um deles dedicava-se exclusivamente ao almoço!
Chegou o autocarro e o último grupo tomou-o para Pombal.
Às duas da tarde começaram a entrar as primeiras pessoas para o salão da ARCPA. Para almoçar o grupo era ainda maior e o salão ficou cheio.
O prato principal foi arroz à Valenciana , acompanhado de salada e boa pinga (alguma da produção da terra, outra da zona dos vinhos verdes). O almoço com toda a gente sentada acaba por ter as suas vantagens, como o repouso e a calma para a conversa. Acaba por se conviver menos, porque estamos sempre juntos das mesmas pessoas. Há pessoas que desde há mais de um ano não perderam uma caminhada! Já devem ser perto de 20 caminhadas e passeios. Já se criou um verdadeiro espírito de grupo, sempre com boa disposição.
O evento terminou com um café no bar da Associação.
Foram pouco mais de 11 km percorridos, de forma agradável. O pequeno almoço e o almoço também estiveram ao nível que a Associação já nos habituou e é sempre agradável rever os amigos e voltar à aldeia de Pombal.

sábado, 26 de maio de 2012

III Rota das Maias - Pombal, 20 de Maio

 A Associação Cultural e Recreativa de Pombal de Ansiães (ACRPA) organizou no dia 20 Maio a III Rota das Maias, percurso pedestre pelo temo da aldeia com passagem por algumas vizinhas.
O mês de maio já se assumiu há muito como o mês do coração, por isso as caminhadas são frequentes por todo o lado, criando o hábito e o gosto por caminhar, aliado ao convívio, contacto com a natureza e até oportunidades gastronómicas interessantes.
Mesmo sem grande publicidade ao evento a ARCPA conseguiu juntar perto de uma centena de pessoas prontas para percorrerem mais de uma dezena de quilómetros numa freguesia em que a possibilidade de traçar percursos planos é muito reduzida.
Tal como comentei durante a caminhada, é possível que a organização tenha escolhido os melhores percursos da 1.ª e na 2.ª edição, mas, nesta altura do ano haverá algum caminho que não seja agradável de percorrer?
A concentração aconteceu às nove horas junto à sede da Associação, tendo o caminhada iniciado poucos minutos depois. Percorridas a rua da Escola, a rua da Capela e a rua do Concelho o trajeto afastou-se da aldeia pela tão famosa calçada romana. Esta calçada de cronologia indeterminada, mesmo não sendo romana, não deixa de ser local interessante para visitar, tal como as restantes calçadas existentes no concelho. Não sei se repararam, mas junto da ribeira há um marco com a data de1851.

Quando chegámos à estrada  EN314-1 pensava que iríamos em direção a Paradela, mas junto à ribeira do Frarigo mudámos de direção começando a subir uma encosta íngreme com vinha.
O tempo estava muito instável, com frio e ameaças de chuva a qualquer instante. Se por um lado não havia calor, por outro o ar encontrava-se saturado de água, o que também não é propriamente agradável para a respiração. Mas o grupo seguia animado, começando a fracionar-se consoante a velocidade adequada a cada um. Escusado será dizer que rapidamente fiquei na cauda do pelotão! Além de tentar fotografar os participantes, não queria desperdiçar este percurso sem registar as belas paisagens e, se possível, alguns exemplares interessantes da flora ou formações rochosas. Como não fazia ideia do percurso, não sabia o que viria a seguir.
Consegui algumas fotografias panorâmicas do Pombal. Há anos que não o via assim. Depois de encontrar o caminho de terra batida que une Pombal a Areias, senti-me de novo orientado, em terrenos que já conhecia.
O percurso desenvolveu-se numa zona de pouco declive, paralelamente à ribeira que desce do Pinhal, contrastando com os picos quartizíticos do Seixigal. A capela de Santa Marinha anunciou-me de novo território conhecido. Há pouco mais de ano que andei por ali num largo passeio pelos locais interessantes de Pinhal do Norte. Um pouco mais adiante, depois de passar sob a estrada vi à direita a Senhora dos Aflitos, mas não tive tempo para lhe fazer uma visita. Seguia nesta altura completamente sozinho, com o grosso do grupo já distante, à minha frente, e um pequeno grupo, também distante, atrás de mim. Pensei que o reforço seria no centro do Pinhal, ali pelo largo do Terreiro, com tantas coisas interessantes para rever, mas não aconteceu.
 As ruas do Pinhal estavam cheias de rosas, rosa, mas principalmente vermelhas. Apeteceu-me afrouxar o passo, consolar-me com a beleza das imagens, ou com o sabor das cerejas maduras que já espreitavam das cerdeiras. A aldeia parecia meia adormecida, muitos idosos foram nesse dia em passeio a Salamanca, onde foi também a minha mãe.
Depois de deixar as últimas casas de adivinhei a descida para o vale do Tua. Entusiasmava-me a ideia. Depois de tantas vezes palmilhar o fundo do vale, ao longo da linha, ia conhece-lo de cima, de um ângulo completamente novo. À direita, mesmo sem ninguém para mo confirmar, percebi que havia um cabeço que seria o Castelo ou Castelejo. Neste morro granítico existem vestígios de um povoado da Idade do Ferro.
Absorto na paisagem que se estendia do Castelejo até ao outro lado do rio onde se exibia Franzilhal, quase tropecei no grupo que já se deliciava com um apetecido e apetecível reforço.

A mesa estava farta, capaz de abrir o apetite ao mais fiel cumpridor de dietas. Desde presunto, chouriço, torresmos, rissóis, bola de carne, marmelada, fruta, água, sumo e... querem ver que se esqueceram do vinho?! E esqueceram mesmo. A verdade é que não fez falta e o percurso que seguimos era tão inclinado e escorregadio que qualquer copito de tinto (com o grau habitual do Pombal), teria dificultado as coisas.
Saciada a gula, mais do que a fome que era pouca, o caminho seguiu por entre vinhas até atingir a Linha do Tua, perto da foz da Ribeira das Loiras. Conheço cada curva do rio e imaginei o apeadeiro do Tralhão, escondido atrás de uma ravina mais saliente.
Rio e linha fazem um acentuada curva respeitando os caprichos da natureza. Este lugar, de nome Ferrado, parece distante de tudo o que é civilização, mas há muito que foi explorado pelo homem como o provam os restos de tégulas que os romanos por aqui deixaram espalhadas.
Entre momentos de sol abrasador e grossas gotas de chuva que teimavam e refrescar-nos a fronte, fomo-nos aproximando da linha. Nessa altura já eu seguia acompanhado por alguns caminhantes do Pombal que me confessaram terem tomado imensos banhos no Tua, no local com o nome de Poço Chorido. Deve ali ter existido em tempos uma azenha. O açude e o próprio leito rochoso do rio criaram uma represa que fazia as delícias da garotada no pico do verão.
 O percurso ao longo da linha tinha aproximadamente 2 quilómetros. Aqui não são as vistas largas que enchem os olhos mas é a harmonia, o abandono, o domínio da rocha e da água, a sensação de que a natureza nos acolhe no seu recanto mais íntimo e nos enche paz, de tempo até para esquecer o tempo, porque o que é bom é para ser vivido devagar.
As casas de S. Lourenço, ou o que resta delas, tornaram-se visíveis. Da estação subimos às termas onde o tempo parece ter parado. Um grupo de pessoas continuava à espera da sua vez para um banho cálido e revigorante; à porta do pequeno soto assomou a mesma cara, com os mesmo óculos, como se o tempo tivesse parado há décadas atrás; só as ruínas estão mais ruínas porque os pinheiros altos e vigilantes nas casas cimeiras continuam lá, testemunhando as histórias que talvez um dias as águas serenas da barragem venham a submergir.
A caminha terminou no caldas de S. Lourenço. O autocarro da câmara transportou os participantes para a sede da ACRPA, onde iria ser servido o almoço. Para não ficar à espera, eu e mais algumas pessoas, fomos subindo a encosta a pé. Tanto subimos que acabámos por fazer todo o percurso até ao Pombal.
O almoço foi preparado pela Associação à base de carne, sardinhas assadas e arroz branco. O salão transformou-se numa enorme sala de restaurante onde nada foi colocado ao acaso. As saladas, as frutas, os próprios talheres foram colocados nas mesas com gosto, próprio de quem tem prazer naquilo que faz.
Como já é habitual, para comer aparecem sempre mais uns quantos. Não consegui perceber se também havia inscrições só para o almoço, mas penso que sim. Almoçaram mais de uma centena de pessoas, sem pressas, num ambiente alegre e de amizade. Não faltou o tão afamado vinho do Pombal, de consumo mas também tratado, tão velho que parecia licor. Terminado o repasto, tomámos um café no bar da Associação e demos por terminada a missão que nos levou ao Pombal.
 Em jeito de balanço só posso dar os parabéns à organização.O percurso foi interessante e diversificado; a marcação estava exemplar, poucas vezes vi um trabalho tão bem executado; o reforço e o almoço estiveram para além de todas as expectativas. O grupo de caminheiros, esse então é sensacional. A maior parte tem-se encontrado nas caminhadas pelo conselho organizadas pela Câmara Municipal. Quanto às gentes do Pombal em geral e aos corpos gerentes da ACRPA em especial, a sua disponibilidade e simpatia são o melhor que a aldeia tem para oferecer e fizeram-nos sentir em casa. Só tenho pena de ter perdido as duas primeiras edições.
 Mais fotografias:

sábado, 19 de março de 2011

Abraço ao Tua


Abraço ao Tua – Dia 27 de Março pelas 15h – na Foz do Tua

Na Foz do Tua, os cidadãos pela defesa da Linha e Vale do Tua querem mostrar que Há Vida no Tua e apelámos a todos a participar no Abraço de Solidariedade com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

Programa:
(saídas do Porto e de Lisboa)
Programa
7h25 Saída de Estação Campanhã/Porto
10H00 Encontro na estação do Tua
10h30 Início da caminhada pela Linha do Tua: Castanheiro até Foz Tua*
14h00 Almoço/Piquenique (trazer farnel)
15h00 ABRAÇO ao TUA
16h00 Convívio e outras actividades

* Transporte de autocarro até Castanheiro (5€) + Seguro (1€); percurso de média dificuldade (sobre travessas dos carris) – trazer botas, água, reforço alimentar e roupa adequada às condições metereológicas.

Com o avanço das políticas que levam à ruína uma Linha Ferroviária que é parte do Património Vivo desta região a única forma de preservar o coração do Vale do Tua é dar os braços e impedir a sua destruição e garantir a prosperidade de todas as pessoas que subsistem desta enorme grandeza natural e cultural. Com este ABRAÇO ao TUA queremos expressar a profunda admiração que nutrimos pela beleza natural do rio e a harmonia que a Linha do Tua serpenteou ao longo de uma paisagem cheia de cor e vida.
A Linha do Tua tem uma importância fundamental para o desenvolvimento sustentável e para a qualidade de vida das pessoas desta região e é um meio de grande interesse para a exploração do Turismo na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro. O corte da linha amputa um importante eixo de mobilidade inutilizando os 133km de linha férrea que liga Bragança e Mirandela à Linha do Douro e impede a ligação à Régua e Porto. Esta barragem acaba também com a possibilidade de modernização da Linha do Tua desde Bragança até Puebla de Sanábria, um troço de 40km que ligaria toda esta região às redes ferroviárias convencionais de Espanha e também à Rede Internacional de Alta Velocidade.
Todo o Vale do Tua é um potencial de desenvolvimento que se deve defender e uma boa gestão dos recursos passa por modernizar a Linha do Tua para assegurar um transporte seguro, económico e ecológico que não dependa de combustíveis fósseis.
É tempo de aproveitar aquilo que Portugal tem de bom! Todos perdemos com a construção da barragem!
Juntem-se neste Abraço ao Tua. Pelo Vale, pela Linha, pelo Tua!
** A organizar por associações culturais locais
Ergue a tua Voz
À Luz da Lua!
Junta-te a Nós,
A Linha é Tua!
O comboio vai passar
Traz nele uma criança
Está feliz vem a cantar
Muito perto de Bragança!
Mais informações:
Nuno Pereira – 962621945
Email: abracoTUA@gmail.com
A Linha e Vale do Tua conta com todos.
O Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua
Contacto: Armando Azevedo ou Graciela Nunes – gracielanunes@sapo.pt
TM: 965 622 858
A Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua
Campo Aberto
Contacto: Daniel Carvalho – danielpc@fastmail.fm
TM: 965402834
http://www.campoaberto.pt/
GAIA
Contacto: André Studer – andre.studer@gmail.com
TM: 965698370
http://www.gaia.org.pt/
COAGRET
Contacto: António Lourenço – ajm_lourenco@hotmail.com
http://www.coagret.com/
Quercus
Contacto: Melissa Shin – melissa.shinn@gmail.com
http://www.quercus.pt/

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Passeio ao Vale do Tua

A associação Campo Aberto está a organizar uma caminhada ao longo da Linha do Tua para o dia 4 de Outubro. Esta será uma boa oportunidade para conhecer um dos troços mais emblemáticos da linha, uma vez que a caminhada se estende de Foz Tua a S. Lourenço, numa distância aproximada de 16 quilómetros. É também esta a zona que corre o risco de ficar submersa caso não se consiga parar a onde de pseudodesenvolvimento que nos tentam impingir.
Fazem também parte do programa uma visita às termas de S. Lourenço, um lanche típico no Hotel Rural de Pombal e uma visita ao Castelo de Ansiães. Cada um destes locais tem interesse mais do que suficiente para justificar uma visita, mas a possibilidade de contar com a companhia de um grupo alargado de pessoas e alguns conhecedores como guias são também razões para não se perder esta oportunidade.

O programa (já com algumas afinações) é o seguinte:
  • 07h15 Encontro junto ao café Velásquez, na Praça Francisco Sá Carneiro, no Porto
  • 07h30 Saída do Porto de camioneta
  • 10h15-14h45 Caminhada ao longo da linha do Tua desde a estação Foz-Tua até São Lourenço (~16Km). O almoço será realizado numa paragem a meio da caminhada em regime de piquenique (a cargo dos participantes)
  • 15h00 Visita guiada e banho nas termas de São Lourenço.
  • 16h00 Lanche típico* (a cargo da organização) no Hotel Rural de Pombal. Venda de produtos tradicionais locais.
  • 17h30 Visita guiada ao Castelo de Carrazeda de Ansiães.
  • 18h00-20h30 Regresso de camioneta ao Porto

Esta caminhada conta com o apoio do Movimento Cívico pela Linha do Tua que vai também participar. Eu também espero estar presente, pelo menos na caminhada.
Para as inscrições e mais informação deve ser consultado o sítio web da associação Campo Aberto
http://www.campoaberto.pt

Mapa da Linha

Deixo também um pequeno vídeo com imagens dos primeiros 4 quilómetros do percurso pedestre.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Aniversário do encerramento da Linha do Tua

Completou-se no dia 22 de Agosto um ano desde que ocorreu o acidente na Linha do Tua do qual resultaram vários feridos e um morto e que levou ao encerramento da linha até ao momento. Várias entidades juntaram-se para assinalar o dia, prestar homenagem às pessoas que sofreram nos diversos acidentes e para reafirmarem a sua vontade de que a Linha do Tua não só seja mantida, como seja recuperada até Bragança abrindo a possibilidade de ser ligada à linha de alta velocidade do país vizinho.
Como defensor da Linha do Tua, estive lá. A reportagem está no blogue A Linha é TUA.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Deputado socialista diz no Parlamento que a linha do Tua não tem interesse turístico


A linha do Tua não tem interesse turístico. A opinião foi defendida pelo deputado socialista Luís Vaz, eleito pelo círculo de Bragança, ontem à tarde na Assembleia da República.
Durante o debate sobre a petição da Linha do Tua apresentada há um ano pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua e que tinha como propósito defender a linha do Tua da construção de uma barragem, o deputado afirmou que “a linha férrea deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário”.
Luís Vaz salientou que a ferrovia poderia ter potencial turístico, mas não diz que “não conhece um único operador turístico que se tenha interessado pela sua exploração”.
Quem não gostou de ouvir estas palavras foi a deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto. “Apetece-me dizer que fiquei quase sem palavras depois de ouvir tudo o que o deputado socialista disse. Só faltou concluir com viva a barragem, viva a EDP”, ironizou.
E José Silvano diz que Luís Vaz tem inveja de Mirandela. É desta forma que o presidente da câmara de Mirandela reage às declarações do deputado socialista, eleito por Bragança, proferidas, ontem, na Assembleia da República.
O também presidente da administração da Metro de Mirandela ficou surpreendido com esta posição de Luís Vaz. José Silvano considera que “só fala de Mirandela para cima e que não conhece o Vale do Tua”. Acrescenta que Luíz Vaz vestiu a pele de “deputado por Macedo de Cavaleiros” e que “como não passa lá a linha tem inveja que ela termine em Mirandela”.
José Silvano desmente também que não haja três operadores interessados em explorar a linha do Tua. "Basta consultar o estudo que as Câmaras fizeram para constatar que há empresas interessadas".
A petição sobre a linha do Tua vai ser votada esta sexta-feira.
Eduardo Pinto/RA

Nota: É caso para dizer: Se assim fala quem devia defender a região, o que esperar dos engravatados de Lisboa?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Petição pela Linha do Tua Viva



Exmos(as). Senhores(as),
A Petição pela Linha do Tua Viva, mais de um ano depois de ser lançada, será discutida e votada em plenário, na Assembleia da Republica, no próximo dia 22 de Julho (quarta-feira), a partir das 15h.
O Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) lançou a Petição pela Linha do Tua Viva em 27 de Março de 2008 como forma de protesto, pela intenção do Governo de destruir o último troço da Linha do Tua, em funcionamento, para construção de uma mega-barragem na foz do Rio Tua.

O relatório com as conclusões resultantes do inquérito promovido pela Comissão das Obras Publicas, Transportes e Comunicações, na sequência da entrega da Petição pela Linha do Tua Viva, em 18 de Junho de 2008, com mais de 5000 assinaturas, a S. Exa. o Sr. Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime Gama, está agora disponível no site do MCLT, para conhecimento de todos:
Agradecemos que todos os interessados, com disponibilidade para assistir à discussão e votação da Petição pela Linha do Tua Viva, na Assembleia da Republica, no próximo dia 22 de Julho de 2009, nos contactem nesse sentido.
Atentamente,
Movimento Cívico pela Linha do Tua

terça-feira, 19 de maio de 2009

4 Km na Linha do Tua

Apesar de as minhas reportagens sobre a Linha do Tua estarem mais ou menos afastadas deste Blogue, tal não significa que eu tenha deixado de fazer longas caminhadas ao longo da linha. Isso deve-se apenas ao facto de ter criado um Blogue inteiramente dedicado à Linha do Tua e ao rio Tua. Aí tenho reportadas quase uma vintena de caminhadas que somam mais de duas centenas e meia de quilómetros percorridos a pé. Foi um ano completo, conhecendo o vale do Tua, em completa solidão, saboreando a paisagem.

O vídeo de hoje reúne fotografias e pequenos vídeos feitos no mês de Março, entre o Tua e o apeadeiro de Tralhariz. É zona que estará prestes a ser desactivada para dar espaço à tal malfadada barragem que vai engordar a conta de alguns gestores da EDP (ex- políticos).
Tenho outras imagens à espera de algum tempo livre para puder fazer outras montagens no género como por exemplo sobre S. Lourenço.

Mais informação no Blogue: A Linha é TUA

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Linha do Tua - Outono

Hoje completam-se dois anos desde que ocorreu o primeiro acidente na Linha do Tua, onde morreram três pessoas. Depois disso, a linha ainda não saiu das luzes da ribalta, sempre envolta em polémica.
Eu vesti a camisola da defesa da linha. Não acredito no progresso propagandeado pelos políticos. Não acredito que a barragem seja uma reserva de água potável para dar de beber aos milhares de humanos que aqui vivemos. Cada vez somos menos os que aqui vivemos e a água da barragem dificilmente será potável. Para mim a principal riqueza do vale do Tua é a Linha. Esta linha, não outra, moderna, larga e rápida. Tem que ser esta, centenária mas remodelada, segura, eficiente, ao serviço das populações ribeirinhas, apostada na atracção de turistas e apoiada por novos autarcas que a conhecem.
Enquanto se mantém esta indecisão, faço aquilo que posso fazer: percorro a linha a pé, fotografando todas as suas belezas e mostrando ao mundo os encantos deste recanto trasmontano, que é nosso, e não está à venda.
Deixo para saborearem, uma viagem de Outono, em forma de diaporama entre Codeçais e Mirandela. Apesar de já conhecer bem a linha, não deixei de ser surpreendido com quadros de rara beleza, quadros esses que estão vedados à maioria das pessoas, porque a linha se encontra fechada, afastando aos poucos todos os que dela dependiam para fazer a sua vida.
Espero que esta situação mude em breve.


A Linha é Tua
http://alinhaetua.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Estação de Foz Tua

Na tranquilidade do anoitecer
descansei as pernas de tanto andar,
enchi o peito de ar fresco,
na ânsia de me encontrar.
Olhei a linha que se perdia pela noite,
além do olhar,
e pensei:
Não vou falar.
Tudo o que eu possa dizer vai estragar
A completa sinfonia de emoções.
Basta estar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Acidente na Linha do Tua

Ocorreu, perto das 11 horas de hoje, um acidente na Linha do Tua, entre os apeadeiros da Brunheda e do Tralhão.

Mais informação no Blogue - A Linha é Tua - (http://alinhaetua.blogspot.com/)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Foz Tua - Abreiro (Parte III)

18/07/2008 Esta é a continuação da caminhada - Foz Tua - Abreiro (Parte I) e Foz Tua - Abreiro (Parte II)

Depois de me ter levantado antes das seis da manhã, ter caminhado mais de 20 quilómetros, ter na mochila alguns 10 centilítros de água, o meu entusiasmo não era muito. Saí da Brunheda a passo lento, descontando cada passo, na ânsia de chegar a Abreiro.
Perto do quilómetro 24º havia na margem oposta do rio um bom grupo de pessoas. Umas estavam sentadas à sombra de frondosas árvores, outras banhavam-se nas águas frescas do Tua. Esta praia fluvial, tão agradável, deve pertencer à freguesia da Sobreira. Na piscina criada pelo açude, que fotografei no dia 5 de Abril de 2008, havia muita água fresca, que convidavam a alguns mergulhos. Desta vez não me senti tentado a descer às ruínas das azenhas, a retratar as águas, saltando em cachoeira.

Pouco depois encontrei uma fonte com água! Água fresquíssima, num dia quente de Verão, às quatro da tarde. Com as reservas de água repostas, a paisagem ganhou mais verde e retomei o caminho com mais entusiasmo.
Muito perto do apeadeiro de Codeçais, havia mais uma mangueira de água a correr, mas dessa não bebi. Em Codeçais havia um depósito de água para reposição da mesma nas locomotivas, quando o vapor era a força que movia os êmbolos. O local não foi escolhido por acaso, há muita água que chega à linha, mesmo tendo em conta que estamos nos fins de Julho. Há uma espécie de mina, mas a sua água não tem bom aspecto. No mesmo local, corre água de uma mangueira de plástico.

Aproveitei a sombra da estação para me sentar e comer alguma coisa. Normalmente as reservas alimentares que trago, sandes, biscoitos, fruta e yogurtes, são mais do que suficientes para as minhas necessidades. Faço todos os possíveis para não deixar lixo, embora nem toda a gente tenha essa preocupação. Já aparecem ao longo da linha embalagens de sumo e garrafas de água vazias. Estes resíduos devem-se a alguns caminheiros, como eu, mas também aos trabalhadores da linha. Espero que depois dos trabalhos terminados retirem todas essas embalagens que vão sendo espalhadas.
Com o estômago composto e as reservas de água repostas ganhei novo ânimo para a caminhada.Mais a diante, encontrei uma nova fonte de água fresca, pouco antes do quilómetro 26º.
À medida que os quilómetros iam passando, eu fui ganhando confiança.

Já passava das cinco da tarde. O sol começava a mostrar alguns sintomas de fraqueza, quando a automotora passou em direcção a Foz-Tua.
Com a chegada à Ponte da Ribeira da Cabreira, completei o percurso de Foz-Tua à Ribeirinha, uma vez que da Ponte da Cabreira à Ribeirinha foi feita numa caminhada no dia 12 de Julho.
Perto da estação de Abreiro, o rio faz uma grande lagoa. É um dos pontos mais fotogénicos da linha. A lagoa, a estação, a ponte da linha, a ponte rodoviária, são elementos que compõem um belo quadro. A linha descreve uma curva muito aberta, terminando na estação, agora banhada pelo sol.
Uma garça-real (Ardea cinérea) estava pousada nas águas do rio. Estas aves, embora frequentes, são muito atentas ao que se passa à sua volta, levantando voo ao mais pequeno movimento. São frequentes ao longo de todo o curso do rio, mas também nalgumas albufeiras de Trás-os-Montes. Sempre de cabeça levantada, vigiou o meu percurso até chegar à estação de Abreiro.

Completei a minha caminhada. Foram 12 horas na Linha do Tua! Muitas fotografias, muitas emoções, algumas, deram origem a estas linhas, que escrevi, outras que guardarei para mim, incorporando-as.
Não descobri o caminho marítimo para a índia, não entrei para o guiness, apenas fiz um largo passeio, com pouca despesa, com muito tempo e muita coisa para descobrir (e me descobrir). Falta-me o percurso Cachão – Mirandela para completar duas viagens completas, a caminhar na (pela) Linha do Tua.
Fim

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A Linha é Tua (http://alinhaetua.blogspot.com/)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Foz Tua - Abreiro (Parte II)

18/07/2008 Esta é a continuação da caminhada - Foz Tua - Abreiro (Parte I)

Depois da minha lenta progressão nos primeiros quilómetros, tinha que acelerar o passo, se quisesse chegar a Abreiro ainda com a luz do dia. Estavam percorridos os primeiros 10 quilómetros, mas ainda faltavam quase 20!
Acelerei o passo, pouco depois passou a automotora para Mirandela. Bem me apetecia apanhar boleia, mas ia desistir sem me ter empenhado a fundo?
Comecei a imaginar - Como iria encontrar o Amieiro? Devia estar completamente iluminado, como flor deslumbrante num jardim.

Seguia absorvido pelos meus pensamentos quando ouvi um guincho estridente vindo do rio. Pensei imediatamente nalgumas aves de rapinas que patrulham as margens. Talvez milhafres, mas são mais frequentes entre Abreiro e Mirandela, nunca nestas zonas de escarpas! Descobri uma mancha negra, na sombra das rochas, junto à água. Pouco depois, uma outra sombra se juntou à primeira. Os meus olhos não queriam acreditar no que seriam aquelas duas sombras, mas o meu coração acelerou. Levei o zoom da máquina fotográfica ao máximo, mas as rochas reflectiam de tal forma a luz do sol, que não conseguia distinguir nada. De repente, algo abandonou as rochas e dirigiu-se para a água. Agora não tinha mais dúvidas, eram lontras (Lutra lutra). Já tinha ouvido falar delas muitas vezes. Olhei as águas do rio à sua procura, mas não esperava encontrá-las ali, e o mais interessante, mais do que uma! Este mamífero tem o estatuto de Quase Ameaçado, embora a sua situação em Portugal seja de Pouco Preocupante. A sua população está em declínio desde os anos 60, 70 devido a um conjunto de factores como a destruição da vegetação rupícola e a poluição das águas. Vivem isoladamente, por isso, talvez tenha presenciado o encontro de um macho com uma fêmea, uma vez que também se reproduzem no Verão. Os machos têm um território que pode atingir até 10 quilómetros. A minha vontade era esquecer a linha e descer para junto das águas do rio, para observar as lontras. Uma delas mergulhou nas águas e nadou com toda a agilidade que lhes é reconhecida, rio abaixo, desaparecendo por detrás da folhagem. A outra permanecia na sombra das rochas, confundindo-se com ela.

Este encontro inesperado deu-me forças para caminhar mais rapidamente. Nunca mais afastei, por muito tempo, os olhos do rio, no intuito de ver novas lontras, mas isso não voltou a acontecer.
Comecei a ver ao longe as primeiras casas do Amieiro. Esta aldeia dá uma imagem única da Linha do Tua. Não há ninguém que passe na linha que não se encante com este postal ilustrado. Parece um presépio montado, daqueles que existia antigamente em muitas igrejas (ainda existe na de Vila Flor), com as casinhas todas encaixadas a diferentes cotas, pequeninas, com uma igreja branca, com uma torre afiada, ainda mais branca, destacando-se do conjunto. A paz era completa! Quem se atreveria a desafiar os mais de trinta graus da uma da tarde? Nem o rio se ouvia, apenas os meus passos e o cantar das cigarras. Um rabirruivo juvenil acompanhou a minha passagem pela estação de Santa Luzia com uma evidente curiosidade.
Começava a ficar preocupado com as reservas de água, mas, tinha esperança de a encontrar perto do S. Lourenço.

Nesta zona da linha há alguns medronheiros (Arbutus unedo), mas os seus frutos ainda mal de vêem. Logo depois da estação de Santa Luzia há uma espécie de pequena cascata. Deve ser um bom local para fazer descidas de kayak.
Uma das curiosidades que se segue, é um rochedo ao alto, perto do quilómetro 15. Desta vez não tinha as nuvens brancas a decorar o céu azul, mas mesmo assim ensaiei várias fotografias.
Pouco depois está um depósito de água, já meu velho conhecido. Está muito sujo, apenas goteja e tinha mau aspecto. Continuei com a água que tinha. Ao chegar ao apeadeiro de S. Lourenço, ainda pensei em subir às termas, em busca de água potável, mas isso far-me-ia perder imenso tempo, além das energias que eram necessárias para subir até às casas que ladeiam as termas. Mais uma vez, decidi arriscar. Só já me restava uma pequena garrafa com água, teria que a poupar, a todo o custo.

Nesta zona da linha aparecem formações rochosas deveras curiosas. Nalguns lugares vêem-se linhas de quartzo incrustado no granito. Também junto às águas do rio se vêem formações semelhantes.
No quilómetro 17 havia outro bebedouro, mas estava completamente seco.
A agressividade da paisagem foi-se suavizando. No Tralhão o rio parece estar domesticado e as vinhas já chegam à linha. O cansaço e a escassez de água foram-me retirando algum prazer de fotografar. Subi à plataforma do apeadeiro para admirar a linha a maior distância.
Numa curva, ao 19º quilómetro avistei a ponte rodoviária da Brunheda, galgando o vale. Uma ave de rapina, a primeira desde o início da caminhada, veio cumprimentar-me, com a sua sombra que rasou a minha cabeça.

Neste local procedia-se à abertura da vala, junto à linha, para colocação de uma estrutura de fibra óptica. Não sei se os trabalhos só decorrem durante a noite, mas não havia ninguém a trabalhar. As máquinas estavam paradas um pouco depois da estação da Brunheda.
Parei uns instantes debaixo da ponte rodoviária. A sombra sabia-me tão bem! Eram três da tarde e o sol queimava-me o pescoço. A estação da Brunheda (agora apeadeiro) está no 21.º quilómetro, onde cheguei, depois de mais de oito horas de caminhada.
Tenho impressão que se passasse uma automotora, teria seguido nela: restavam-me algumas gotas de água; no apeadeiro da Brunheda não consegui encontrá-la, apesar de haver várias casas em redor; o calor era abrasador; as pernas manifestavam pouca vontade de me obedecerem; as fotografias já tinham pouco encanto.
Como chegar até Abreiro?

Esta aventura continua...
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