A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães e a Junta de Freguesia de Marzagão organizaram no dia 14 de Outubro uma caminhada de 10,5 km, denominada Rota da Maçã.
Com o ritmo de caminhadas iniciadas na Primavera e continuadas no Verão, é quase certo que todas as iniciativas deste género conseguem mobilizar um bom número de participantes e esta não foi exceção.
Pensada desde alguns meses atrás para coincidir com a época da maçã, esta caminhada teve como atrativo exatamente a maçã, uma das principais produções agrícolas do concelho. Os pomares de macieiras encontram-se espalhados por todas as freguesias do planalto do concelho e, por isso, não seria difícil escolher um trajeto que levasse os participantes de encontro aos pomares.
Não percebi o cartaz e pensei que a caminhada teria início em Marzagão, por isso estava na aldeia à hora de início. Só mais tarde percebi que o início estava previsto para Carrazeda de Ansiães, para onde me desloquei o mais rápido de pude. Já não apanhei o início da caminhada, mas juntei-me ao grupo ainda em Carrazeda, perto da capela de Nossa Senhora de Fátima.
O dia estava cinzento, algo frio e a ameaçar com chuva a qualquer momento. Estas condições pouco favoráveis não assustaram os caminheiros, que apareceram em força, ainda em maior número. A maior parte das pessoas são habitues das caminhadas, mas alguns rostos vi-os pela primeira vez (também não tenho conseguido participar em todas as caminhadas).
O grupo desfez-se logo de início e nunca mais se juntou. Confesso que gosto mais quando o grupo se mantêm coeso, a pouca distância uns dos outros. Além de permitir conversar com muita gente, afinal já somos "companheiros" de muitos caminhos, também me proporciona oportunidades fotográficas únicas com a presença das pessoas, porque para fotografar as paisagens é muito melhor fazer o percurso sozinho, sem pressas para chegar.
Na antiga escola de 1.ºciclo de Luzelos foi servido o reforço. Nestas instalações funciona a Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Luzelos. Cheguei ao local acompanhado de um pequeno grupo de pessoas que mal parou! Segui caminho tentando não perder de vista outros participantes, o que veio a acontecer pouco depois de atravessar a estrada N214. Vi algumas pessoas junto de uma carrinha a alguns metros do caminho, mas não percebi a razão, afinal era outro local de reforço!
A partir desse ponto segui sozinho até Marzagão! O percurso percorreu pomares de macieiras em Carrazeda, Luzelos, Arnal, Parambos e Marzagão. Já havia poucas maçãs nas árvores. Em contrapartida ainda se viam algumas uvas bem apetitosas nas parreiras.
Houve um momento que cheguei a duvidar se estaria no percurso certo, mas quando cheguei a Arnal tive a certeza que sim. Felizmente não tinha visto nem ouvido nenhuma notícia sobre o que se tem passado nesta aldeia, caso contrário não teria circulado com tanta tranquilidade.
A capela de Arnal estava aberta. Foi uma boa ideia, porque ficava no percurso e assim todos podemos visitá-la. Foi a primeira vez que entrei naqueles espaço e gostei bastante.
Continuei o caminho sozinho. Entre Arnal e Marzagão o percurso atravessou o ponto mais negro, precisamente uma área ardida! o cenário deplorável, com pinhal (e vinha) ardido. Depois vieram os pomares, grandes, que devem oferecer um belo cenário quando estão floridos ou carregados de frutos.
Um pouco mais à frente está um dos principais monumentos de Marzagão, a Ponte do Galego.
Trata-se de uma ponte muito antiga, em pedra, com altura superior ao nível da estrada, motivo pela qual tem rampas de acesso ao tabuleiro. Por baixo deste figuram dois arcos de volta perfeita. Já foi alvo de reformas no século XX.
Na aldeia ainda tive tempo para uma visita a algumas ruas e à igreja, monumento obrigatório para quem vai a Marzagão.
No bar da Comissão de Festas já se preparavam as coisas para o almoço. A julgar pelos preparativos deve ter uma boa confraternização, pelo repasto e pela companhia. Não fiquei para a refeição, tinha outros compromissos que me obrigaram a abandonar o grupo "no melhor da festa".
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
segunda-feira, 18 de maio de 2009
sábado, 11 de outubro de 2008
em Luzelos

A aldeia é pequena e como não é lugar de passagem, só nela entra quem tenha realmente intenção. Talvez por isso, os três idosos que conversavam de forma preguiçosa no largo, ao calor do sol, receberam-me com alguma surpresa. Não é todos os dias que parece algum “turista” interessado em conhecer becos e ruelas e capelas. Foram necessários poucos minutos para ficar com uma ideia daquilo que eles acham que vale a pena visitar. No entanto, repetiram de forma bem incisiva que Luzelos começa junto à Vila, sendo actualmente uma anexa de Marzagão, mas com muita população. Luzelos esteve desanexada de Marzagão entre o séc. XVII e o séc. XIX.
Logo à entrada de Luzelos está a escola primária, actualmente encerrada. Longe vão os tempos em que as crianças da aldeia, atravessavam lavouras e pinhais, até a ponte romana de Marzagão, para aí frequentarem a escola. Não raras vezes ficavam-se pela sombra dos pinheiros, a meio do caminho, saboreando o farnel que levavam para o almoço. A escola não era fácil, e os colegas de Marzagão também não os acolhiam de braços abertos.

Actualmente a escola já não tem crianças e os dedos de uma mão são mais do que as crianças que existem na aldeia.
Uma visita a Luzelos tem que começar pelo largo. Aqui as casas são antigas, modestas, feitas em granito, com escadas externas com alpendres e varandas, em pedra ou madeira. Encontram-se algumas mísulas nas janelas. Há um par de mísulas bem curiosas numa janela, têm uma face esculpida com bastante rigor.
Houve mesmo quem se prontificasse a mostrar-me alguma rocha curiosa, a adega ou o quintal! É que a surpresa da chegada deu lugar à confiança.Segui pela Rua da Igreja, na esperança de que alguém me franqueasse a entrada, mas tal não foi possível. A igreja de Santo Amaro ainda está rodeada de campas, o pequeno adro foi durante muito tempo o único cemitério, mas actualmente existe já uma nova estrutura a poucas centenas de metros, para noroeste. A igreja foi construída desviada do núcleo habitacional, mas acabou por ser absorvida por ele, havendo vários bairros já depois dela.

O frontispício é bonito, possivelmente da igreja original do séc. XVI, ao contrário do corpo da igreja e capela-mor que sofreram possivelmente obras de ampliação. Dignos de realce no frontispício são a porta principal em arco-quebrado e o campanário de uma só sineira. Sobre o campanário há uma cruz de pedra com Cristo crucificando, numa forma bastante estilizada. O interior da igreja ficou para uma próxima visita.
O passeio estendeu-se até perto do cemitério. Ainda há algumas vinhas por vindimar. Contornei-as e fui entrar de novo na aldeia pela ponta do bairro mais afastado do centro. Aí abriu-se-me a adega, para provar um tinto muito agradável. O do ano passado, porque o deste ano fermenta ainda, prometendo muita qualidade.De regresso ao centro, tropecei numa vala que percorre as ruas. Trata-se da colocação da estrutura de fibra óptica que vai dotar alguns dos concelhos do sul do distrito de uma rede de banda larga para internet ou televisão por cabo.

As sombras já cobriam a rua, quando cheguei ao automóvel. Os telhados das casas, sem sinais de vida, pintaram-se de cores quentes, de silêncio e paz.
Chegou o autocarro com os estudantes da vila e eu parti para o Amêdo, em busca de mais algumas imagens melancólicas.
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