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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Freixiel - Mogo - Freixiel

 Confesso que muitas das caminhadas que já fiz começaram com a curiosidade em visitas virtuais que faço através dos mapas em frente ao computador. É como ver as impressões digitais da superfície da terra e, umas vezes pelo desenho das curvas de nível, outras pela ocupação dos terrenos, ou pelo traçado dos caminhos, apetece-me ir in loco conhecer os locais. Às vezes consigo concretizar esse desejo. Um dos locais que já algum tempo desejava conhecer é um pedaço do termo de Freixiel que se estende desde esta aldeia até Mogo de Malta, acompanhando um pequeno riacho pelo vale Mós.
Há dois grandes vales que partem do termo de Mogo de Malta e que morrem junto à aldeia de Freixiel. Um dá pelo nome de vale Covo, com uma encosta a pertencer a Candoso e outra a Freixiel; o outro é o fantástico vale da Cabreira, dividido entre Mogo, Zedes e Freixiel (e bastante Folgares). Mas, entre estes dois vales, há um terceiro, um vale que se poderia chamar vale de "montanha", a maior altitude e menos escavados que os dois citados (já por mim explorados).
Percorrer o vale das Mós e chegar a Mogo de Malta foi o desafio que me levou a calçar as botas num já longínquo sábado de fevereiro.
A distância a percorrer, Freixiel - Mogo de Malta e Mogo de Malta - Freixiel afastou a hipótese de sair de Vila Flor a pé. Fomos de carro até à Rua Queimada, em Freixiel e daí partimos À Descoberta de uma parte do concelho ainda totalmente desconhecida, mesmo após 6 anos de caminhadas.
A primeira surpresa aconteceu mesmo ao deixar-mos a aldeia: há uma extensão considerável de caminho em lajes, lembrando a calçada do Mogo ou outras do mesmo género. É que no Bairro da Fraga, rochas é o que não falta, e o declive é acentuado. O riacho que percorre o vale das Mós (porque terá este nome?) precipita-se em várias pequenas cascatas num ambiente muito bucólico e a neblina matinal ainda fazia sobressair mais.
Terminado o troço das lajes, que também permite uma bela visão sobre a aldeia de Freixiel, o caminho continua pelo coração do vale, único local onde há alguma terra passível de ser arada ou aproveitada para o pasto. Pouca gente deve passar por ali. O caminho mostrava sinais de ser pouco utilizado, mas felizmente para caminhar, ou mesmo para bicicleta estava perfeito.
Pensava conseguir ver lá do alto o vale da Cabreira, ou o vale Covo, mas não aconteceu. Como seguíamos pela parte mais baixa, não conseguíamos alcançar grandes distância com a vista. Os rochedos, por seu lado, oferecem configurações e tamanhos dignos de ser admirados. O homem construiu abrigos em vários deles e só o medo de perdermos tempo fez com que seguíssemos em frente sem nos aventurarmos a explorar e fotografar algumas formações rochosas de tamanhos abismais.
 Algures a meio do percurso entre Freixiel e Mogo está a linha divisória do concelho de Vila Flor e o de Carrazeda de Ansiães. Poucas vezes as caminhadas abrangem mais do que um concelho, mas as fronteiras não passam de linhas imaginárias muito mal definidas. Então se pensarmos na história de Freixiel e na ligação que Mogo de Malta tinha com esta freguesia, mais convencidos ficamos que as fronteiras muda-as o homem ao sabor dos tempos, reescrevendo a história.
Foi já perto do Mogo que afrouxámos o passo e nos dedicámos a olhar com mais atenção os rochedos. O duro granito oferece muitas vezes construções admiráveis. Ora aparecem grandes "ovos" em delicado equilíbrio, ora são as entranhas das rochas que surgem desgastadas apresentando enormes buracos capazes de albergar variados animais e mesmo várias pessoas. A natureza é surpreendente.
O primeiro ponto de interesse da nossa caminhada era o marco geodésico de Pedrianes, local já meu conhecido. Perto de marco geodésico há um nicho de umas antigas alminhas, sinal da importância que este caminho tinha na ligação entre as duas aldeias. Curioso é o nome do local onde se encontram as alminhas e o marco geodésico, Fragas do Medo! Local de salteadores? De Lobos? Talvez de ambos, mas não parece nada assustador.
 O nosso segundo ponto de interesse era o Santuário de Nossa Senhora da Saúde. A capela está sempre fechada, mas só pela paisagem vale a pena fazer uma visita a este local. Depois,  havia outra coisa que nos interessava no santuário, uma espécie de desporto/hobby conhecido pelo nome de Geocaching, de que um dia falarei no Blogue.
Foi junto à capela que devorámos algumas peças de fruta. Já passava do meio dia e ainda faltavam muitos quilómetros para serem percorridos.

Passámos pelas ruínas do antigo moinho de vento e descemos pela bem conhecida calçada do Mogo. Este património está muito pouco cuidado. Passou por lá uma lagarteira de deixou marcas irreparáveis, há muito lixo espalhado em vários locais e crescem giestas e silvas no meio da calçada.  Numa altura em que a autarquia começa a mostrar algum interesse em apostar no turismo de natureza deve, em parceria com as Juntas de Freguesia, dar mais importância a este património.
O percurso desde o santuário até Freixiel e quase sempre descendente, o que não significa que seja fácil. O declive é muito acentuado e já com algum cansaço (e fome) quase parecia que nunca mais chegávamos. Se não fossem estes incómodos poderíamos ter apreciado mais o pé-de-cabrito, a Quinta do Pobre, os fornos de secar figos, etc. Foi muito bom encontrarmos as primeiras amendoeiras em flor e a ribeira com um bom caudal (mas não tanto quanto deve ter agora).
Na parte final do percurso o caminho já vai em pleno vale com terrenos de cultivo de um lado e do outro. Há muita vinha, mas também oliveiras.
Chegámos a Freixiel já depois das 3 da tarde! A caminhada não foi muito longa, cerca de 15 km, mas sempre com bastante declive. Também os muitos locais de interesse fizeram que que fizéssemos paragens mais demoradas. Felizmente o dia esteve muito quente, o que proporcionou uma excelente caminhada.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cores de Outono (III)

 Castanheiros em Mogo de Malta e Zedes.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Castanheiros (02)

Já há alguns anos que tenho por hábito passar (com frequência) por Mogo de Malta. Uma das razões são os soutos de castanheiros que me proporcionam algumas imagens de que gosto. Este ano não foi exceção.

domingo, 13 de junho de 2010

À Descoberta de Mogo de Malta (2ª parte)

Continuação de: À Descoberta de Mogo de Malta (1ª parte)
Já de automóvel, continuei a subir a rua e segui pela esquerda em direcção ao antigo campo de futebol, onde ainda joguei algumas vezes. Surpreendeu-me a grande quantidade e dimensão dos castanheiros que ainda é possível encontrar. Esta saída do núcleo habitacional destinava-se a visitar umas antigas alminhas, conhecidas como as alminhas da Fraga do Medo. Dada a proximidade a um marco geodésico, não me foi difícil encontrá-las. Há naturais que ainda se recordam de aí existir um retábulo de madeira representando o purgatório. Hoje apenas se notam três buracos abertos na rocha, talvez destinados a prender o dito retábulo. Não me foi confirmado por ninguém, mas é possível que também tenha existido uma cruz em madeira sobre a rocha.
Estes monumentos às Almas do Purgatório foram erguidos nos caminhos e à entrada das localidades. Entre a fraga onde se encontram estas alminhas e a que serve de base ao marco geodésico (785 metros de altitude) passa um caminho que, desde tempos imemoriais, liga Freixiel a Mogo de Malta. Já em tempos recentes, era utilizado pelos habitantes de Freixiel para se deslocarem às feiras a Carrazeda de Ansiães. Este local, com uma fraga larga e solarenga foi utilizado no passado para brincadeiras de crianças ou para encontros amorosos nas tardes de Domingo, até para bailaricos! Com a edificação do santuário, este passou a ser o local de encontro. Também era desta fraga que as pessoas se concentravam para apreciar o fogo-de-artifício lançado no Cabeço, na festa de Nossa Senhora da Assunção nas noites de 15 de Agosto. Nada fornece indicação a respeito do nome, “Fraga do Medo”, nem sequer o tamanho das ditas fragas, que, mesmo antes de serem em parte cortadas para a construção civil, não deviam apresentar um tamanho medonho. Arrisco uma explicação: sendo um caminho com alguma circulação de pessoas, que, neste local, passa entre dois conjuntos de rochas graníticas, a poucas centenas de metros da aldeia, seria um bom local para salteadores e malfeitores esperarem e surpreenderem os viajantes.
A etapa seguinte foi o moinho de vento e a calçada. Contrariamente ao que alguns moradores já me tinham afirmado, o moinho movido a vento funcionou mesmo, fazendo a farinha necessária para o fabrico próprio de pão. Estruturas semelhantes existem em Carrazeda de Ansiães, Vilarinho da Castanheira e Lousa.
Terão também existido pelo menos dois moinhos movidos a água.
De junto do moinho de vento parte a Calçada de Mogo de Malta. A sua cronologia é indeterminada. Destinava-se a proporcionar o acesso a terrenos agrícolas numa zona de forte inclinação e com enormes rochedos. Talvez se prolongasse até Freixiel, seguindo para Vila Flor ou apenas chegasse junto da Ribeira da Cabreira. Há residentes que se recordam se não da construção, pelo menos de obras de recuperação, dado que todos os recantos eram cultivados e havia boas hortas com água para rega.
É muito agradável fazer o percurso da calçada. São aproximadamente 600 metros, com troços muito bem conservados e com uma vista lindíssima para o Vale da Cabreira que pode ser admirado em toda a sua extensão. Na encosta em frente distinguem-se algumas construções encaixadas nas fragas, fazem parte da Quinta do Pobre. Quase consegui ver as laranjeiras carregadas de frutos douradas, que rodeiam o poço onde o senhor Manuel pendurava a pão, à falta de frigorífico.

Não muito longe da calçada, situa-se a Santuário de Nossa Senhora dos Saúde. É o local ideal para apreciar a aldeia e também toda a paisagem em redor, desde o alto da Senhora da Graça, em Samorinha, até ao cabeço de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas. O interior da capela é muito simples. Não há qualquer elemento decorativo, simplesmente as imagens de Nossa Senhora da Saúde e de Jesus crucificado. Junto à porta lateral uma placa lembra a curta história deste espaço. A primeira pedra para a construção da capela foi lançada em 19-07-1954 e a inauguração aconteceu em 17-04-1955. Coincidência, há exactamente 55 anos!

Neste local, no último fim-de-semana do mês de Julho, realiza-se grandiosas festas. Das muitas vezes que estive presente nestas festas, recordo alguns anos em que os andores eram decorados com sementes germinadas e com aparas de madeira, vindas das várias tanoarias que ainda existem nos dois Mogos. Esta prática parece ter-se perdido.
 Se não fosse a instabilidade climatérica teria ficado mais tempo neste local tranquilo e inspirador, mas dirigi-me para o Museu Etnográfico. Fiquei admirado com a quantidade e riqueza do acervo. Os objectos estão cuidadosamente agrupados, formando pequenos núcleos, facilmente identificáveis. Podemos encontrar a sala de aulas, a cozinha, o quarto e um vasto conjunto de alfaias agrícolas e de carpintaria. É digno de ser visitado!

Para terminar a minha visita à freguesia de Mogo de Malta dirigi-me ao lar de idosos. Os utentes desta instituição são vinte e dois, quase todos mulheres. As instalações são espaçosas e estão meticulosamente limpas. Sentei-me durante algum tempo na sala de convívio. Acharam piada, alguém interessar-se pelo passado. Conversei demoradamente com Manuel dos Anjos (mais de 90 anos de idade), mas muito lúcido, que me falou do Mogo da sua juventude. É preciso ouvir os idosos, eles têm muito para nos contar e nada voltará a ser como antes.
 A última paragem foi no café da praça. Mais um espaço de convívio, de conversa, de descoberta da particularidade da vida das pessoas. Basta saber ouvir. Regressei a casa já de noite. Uma freguesia tão pequena, que nem sequer tem eleitores suficientes para eleger uma Assembleia de Freguesia, tendo que funcionar em plenário de cidadãos, tem tanto para mostrar a quem a queira visitar!

Publicado no jornal "O Pombal", em Maio de 2010.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

À Descoberta de Mogo de Malta (1ª parte)

São muitos os que, como eu, passam dezenas, centenas de vezes pela Estrada Nacional 214, atravessando Mogo de Ansiães, sem fazerem um pequeno desvio para conhecer a freguesia de Mogo de Malta. No dia 17 de Abril decidi quebrar esta rotina e segui directamente para Mogo de Malta, na tentativa de visitar os seus pontos de interesse, falar com os seus habitantes e Descobrir um pouco da sua história e das suas belezas.
A ideia de existirem dois Mogos, lado a lado, mas integrando freguesias diferentes, sempre me intrigou. Esse era um dos desafios que pretendia desvendar. A minha preocupação quando deixei a estrada nacional e segui pela rua Dr. João Trigo Moutinho foi a de tentar descobrir quando entraria no termo de Mogo de Malta. Imaginei que a linha divisória deveria estar muito próxima do primeiro ponto onde parei o carro, mas não encontrei ninguém que me ajudasse a esclarecer o enigma.
 Continuei pela mesma rua até encontrar umas Alminhas que motivaram mais uma paragem e as primeiras fotografias. Estas alminhas já têm um painel de azulejo monocromático representando o purgatório de onde se ergue uma cruz com Cristo crucificado. Este painel deve ter sido colocado uma época bastante posterior à edificação das alminhas que devem ter tido, numa primeira fase, um painel em madeira, embutido no mesmo lugar onde está o azulejo. Perto destas alminhas é possível encontrar, também na berma da estrada, uma fonte muito antiga, a que se tem acesso descendo por estreitas escadas em pedra. É conhecida pelo nome de Fonte da Mina.
outro caminho, este mais largo, que permitia o acesso a vários terrenos. Continuei por ele, desta vez em direcção à Escola Primária. O caminho largo terminou de repente e continuei por outro carreiro com cerca de meio metro de largura, com parede de um lado e do outro, que me levou à Av. Santa Catarina. De carro nunca me teria apercebido destes caminhos que me permitiram ver Mogo de Malta de uma nova perspectiva. Já na avenida, próximo da Junta de Freguesia, segui à procura de evidências da delimitação da mesma. Recordei um documento de 1859 que dizia que os dois Mogos estavam à distância de 100 metros um do outro, com a igreja de Santa Catarina a meio. Parei perto da Eira da Santa. Alguns residentes mostraram-me, perto da igreja, uma cruz encarnada pintada na estrada, marco actual da longínqua história destes povoados. E foi ao ver esta cruz que a minha memória voou pelo Vale da Cabreira, passou sobre o Pé-de-Cabrito, formação rochosa das mais curiosas que existem no concelho, e continuou em direcção a Folgares, seguindo para Pereiros, até ao Rio Tua. É nesta linha divisória que reside o verdadeiro significado da designação “de Malta”. Os concelhos primitivos de Ansiães e Santa Cruz da Vilariça deram lugar a outros, como por exemplo ao de Freixiel e ao de Vilarinho da Castanheira. Mogo de Malta tem a sua história ligada ao concelho de Freixiel, criado no séc. XII. Já anteriormente, D. Teresa, casada com D. Henrique de Borgonha, tinha doado Freixiel à Ordem de S. João de Jerusalém, também conhecidos por Hospitalários ou simplesmente Ordem de Malta. No momento da criação do concelho de Freixiel, Mogo, juntamente com Pereiros (e Codeçais), ficaram a pertencer-lhe. É possível que muitas das marcações ainda existentes sejam já dessa altura, mas outras foram feitas de novo ou avivadas em 1728. Desde Alagoa, passando junto à Igreja de Santa Catarina, continuando pelo Pé-de-Cabrito, seguindo depois a estrada para Folgares, descendo por Vale Covo, etc. é possível encontrar um vasto conjunto de cruzes gravadas nas rochas que delimitavam o território administrado pela Ordem de Malta em relação ao de Ansiães.
Actualmente há histórias bem curiosas sobre as casas situadas nesta zona de separação entre os dois Mogos: diz-se que há quem coma num Mogo e vá dormir a outro, mesmo sem sair de casa!

 A igreja de Santa Catarina estava ali perto por isso decidi visitá-la. Eis o que dela se dizia em 1758: “O orago é de Santa Catarina, tem três altares estando a Santa no do meio. Não tem o Santíssimo Sacramento. No altar da parte Sul está a Senhora do Rosário e no do Norte está um Santo Cristo que não haverá três anos, pouco mais ou menos, que dizem que faz milagres”. Já em 1766 dizia-se: “ a igreja tinha de nascente a poente e de comprimento sete varas e meia e de largo quatro varas e meia, estando a ser acabada de novo, com sacristia nova e capela-mor. O altar-mor, sem sacrário, onde está a imagem da padroeira, Santa Catarina, que está muito velha, tem dois altares colaterais, com a imagem de nossa senhora do rosário e no outro o Senhor crucificado”.
A igreja forma com o adro, o cemitério e uma pequena capela que ostenta, na porta em ferro forjado, as iniciais ATM e a era de 1898, um conjunto muito agradável à vista, com o granito à mostra. A nascente, nas traseiras da igreja, está em construção um novo edifício, igualmente em granito, que poderá ser uma estrutura de apoio.
Quando se entra não se pode deixar de reparar que é um templo pequeno, mas bonito e muito bem cuidado. Quase deu para reconhecer algumas das imagens de que falava o relato do séc. XVIII, mas há novas imagens e os altares estão em muito bom estado de conservação. O que despertou mais a minha atenção foram as bonitas pinturas, recentes, que decoram o tecto da capela-mor.

Saí da igreja e segui pela avenida mais espaçosa da freguesia. Aqui se encontra o edifício da Junta de Freguesia, um campo polidesportivo, a antiga Escola Primária, agora transformada em museu, e a “nova” Escola Primária, já sem a alegria das crianças do 1.ºCiclo mas ainda frequentada por um grupo do Pré-escolar.
Logo a seguir, à esquerda, a Av. Francisco Bernardo conduz ao Centro Social Paroquial de Mogos e ao Santuário de Nossa Senhora da Saúde. À direita há um minimercado e bar. A avenida termina no lugar mais espaçoso da aldeia, a Praça da Ordem de Malta, que agora tem um fontenário no centro. Decidi ir recuperar o carro, que abandonei logo quando cheguei. Para isso virei à direita pela rua Dr. João Trigo Moutinho, mais conhecida como Rua do Cimo do Povo. É nesta rua ladeada de casas humildes, com escadas exteriores em granito e varandas típicas, que se destaca uma casa, quer pelo volume e qualidade de construção, quer pelo jardim anexo. Trata-se da casa da família Pimentel. Nela podemos encontrar duas curiosidades que os habitantes de Mogo de Malta gostam de mostrar: um bonito relógio de sol em granito, encimando um largo portal lateral, também em pedra e o “Mogo”. A tradição popular não atribui a palavra Mogo à divisão ou extremo, mas sim a uma cabeça esculpida num bloco de granito que deve ter servido de sustentáculo ao corrimão da escada de entrada. Esta personificação da freguesia é bastante frequente e conheço situações idênticas em Zedes e Pereiros. Não deixa de ser curioso, e ainda não vi isto escrito em lado nenhum, o facto de logo abaixo da cabeça humana se encontrar, também gravada em alto-relevo, a cruz da Ordem de Malta. Este facto vai reforçar ainda mais a simbologia de que aquela cabeça representa realmente um habitante de Mogo de Malta.


João Inácio Teixeira Meneses Pimentel nascido em Mogo de Malta em 1859 foi uma figura ilustre. Engenheiro agrónomo, dirigiu a Estação Transmontana de Fomento Agrícola e foi cavaleiro da Ordem de S. Tiago.

Continua:
À Descoberta de Mogo de Malta (2ª parte)
Fontes históricas: Morais, Cristiano; (1995); Estudos Monográficos Vila Flor - Freixiel

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Calçada do Mogo de Malta

Já visitei 3 vezes a Calçada do Mogo: a primeira aconteceu em Novembro de 2007 e as outras duas no mês de Abril de 2010.  Faz parte do património arqueológico do concelho e é um dos pontos de interesse a visitar na aldeia.
Trata-se de uma calçada formada por lages de granito, algumas de grande dimensão, que descem a encosta voltada para o vale da Ribeira da Cabreira. Em conversa com alguns habitantes de Mogo de Malta, disseram-me que se lembravam de comporem a calçada, mas não me souberam dizer se foram pequenos arranjos ou se uma interversão mais profunda. Naturalmente que não se tratava da preservação da calçada por interesse arquiológico mas sim porque ela ainda era usada para acesso a algumas propriedades havendo, portanto, quem dela necessitasse. Agora as coisas mudaram um pouco. Há melhores acessos.
Embora muitas vezes se atribua a estas calçadas, e no concelho de Carrazeda há várias, a designação de romanas, elas são, na maior parte das vezes, de construção muito posterior. Neste caso concreto, a cronologia é indeterminada.
Uma análise mais atenta, mesmo de um leigo como eu, permite verificar que algumas das rochas usadas são bastante grandes e os cortes parecem ser relativamente recentes. Não são visíveis mascas de rodados de carros a não ser nalguns pontos, muito pouco significativos. O declive é muito acentuado, sendo possível um traçado melhor a poucas centenas de metros de distância passando por exemplo pelo Amêdo ou pela Fraga do Medo. Embora se aponte esta calçada como possível ligação a Freixiel, custa-me a crer que fosse a principal via de comunicação entre estas duas localidades, inclinando-me mais para a utilização da calçada para acesso aos campos cultivados.
De qualquer forma, dada a importância da calçada para o Mogo e para o concelho e ao potencial número de visitantes, parece-me que a mesma deveria estar mais cuidada. Houve, em tempos, alguns desentendimentos entre a Junta de Freguesia de Mogo de Malta e a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães. Está mais do que na hora dessas questões serem ultrapassadas. Há lixo espalhado em vários locais, muito mesmo! É importante que os residentes tenham mais zelo, é a sua freguesia que está em cheque. Também as giestas e arçãs crescem descontroladamente em todo o lado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Guardião

Sobreiro, em Mogo de Malta, que vigia o vale da Cabreira. Ao fundo vemos a aldeia de Freixiel, já no concelho de Vila Flor.
Fotografia tirada da Calçada do Mogo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tanoaria

A tanoaria é uma arte com muita tradição no concelho de Carrazeda de Ansiães. Quer em Mogo de Ansiães, quer em Mogo de Malta, a forma artesanal de fazer pipos e engoretas ainda se mantém. Aqui vemos um depósito de madeira para o fabrico das ditas peças, perto da Eira da Santa, com o Santuário de Nossa Senhora da Saúde como pano de fundo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

À Descoberta, no Mogo

Parte da tarde de Domingo passei-a num passeio por Mogo de Malta. Desci a Calçada Medieval, apreciei as campainhas que milagrosamente floriram sobre as fragas e deliciei-me com a paisagem no santuário de Nossa Senhora da Saúde.  Foi já à tardinha, quando o sol situava lá para os lados da Senhora da Graça que deparei com um pinheiro, altivo, desafiando em beleza mas não em idade o Pé-de-Cabrito. Ao longe ainda se avistam algumas casas de Zedes.

domingo, 26 de abril de 2009

Marcas da história

A fotografia que partilho hoje foi tirada algures entre Zedes e Mogo de Malta. Estas marcações serviram há alguns séculos atrás para marcar os termos dos concelhos. Há marcações semelhantes a esta desde o Vilarinho da Castanheira passando por Alagoa, Mogos, Zedes, Pereiros e Codeçais. Possivelmente muitas delas perderam-se, com pedreiras ou pela destruição dos marcos onde elas estavam esculpidas.
As freguesias de Zedes e de Freixiel pertenciam a Ansiães uma e ao concelho de Freixiel outra. Ainda é possível encontar bastantes marcações destas entre estas duas freguesias. Esta, que está na fotografia, é a cruz da Ordem de Malta, portanto do antigo concelho de Freixiel.
Seria interessante fazer um levantamento destas marcações, onde elas ainda existem.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Alminhas (Mogo de Malta)

Embora a origem das alminhas possa ir beber a práticas religiosas já do tempo dos romanos, é bem possível que a disseminação destas representações do purgatório a que chamamos vulgarmente de alminhas se tenha iniciado depois do século XVI com uma forte intenção corrente com origem em Roma.
As alminhas estão espalhadas por todas as aldeias, muitas à entrada, mas também nas encruzilhadas e mesmo ao longo dos caminhos. No concelho de Carrazeda de Ansiães há bastantes, umas mais artísticas outras mais simples. Estas fotografei-as em Mogo de Malta, no domingo passado. Trata-se de um modelo bastante utilizado, em granito que deve ter sofrido alterações ao longo dos tempos. Possivelmente o painel de azulejo não é original, sendo mais provável que aí existisse uma pintura feita à mão num fundo caiado de branco ou mesmo numa chama de zinco ou madeira.

Quem estiver interessado em saber mais sobre as alminhas pode ler este artigo que escrevi no blogue À Descoberta de Vila Flor.

domingo, 11 de novembro de 2007

À Descoberta de Ansiães


Hoje foi dia de partir À Descoberta de Carrazeda de Ansiães… de BTT. E não fui sozinho! O III Passeio BTT organizado pela Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães com o lema À Descoberta de Ansiães” veio mesmo a calhar. A minha expectativa era muita. Primeiro porque uma descida à Senhora da Ribeira prometia ser muito agradável e depois porque ia acompanhado de um grupo de amigos do Clube de Ciclismo de Vila Flor. Tenho que começar por pedir desculpa se induzi alguém em erro no meu anterior post, do dia 15 de Outubro. A organização falhou na divulgação uma vez que apenas fez chegar ao Clube de Vila Flor metade do desdobrável de divulgação, com a agravante de neste constar o que parece ser o mapa do I Passeio (de há dois anos atrás). No interior do desdobrável estava o programa, um pequeno texto e imagens da Anta de Zedes e da Calçada do Mogo. Bastavam estas imagens para eu (e muitos outros) não ter feito a confusão que fiz. Quando soube que o percurso não era ao Douro, fiquei um pouco descontente, mas rapidamente recuperei, até ia poder visitar a minha terra!
Inscreveram-se 67 atletas e quase todos compareceram na partida. Havia muita juventude de ambos os sexos. É claro que o grupo de Vila Flor era o mais numeroso (e bem disposto).
Partimos de frente da Piscina Coberta em direcção à Zona Industrial. O dia estava agradável, fresco mas solarengo. Na descida para o Amedo, largámos a estrada e embrenhá-mo-nos por caminhos rurais ladeados de castanheiros com todos os tons de verde, amarelo e laranja. Também as cerejeiras decoravam de vermelho algumas calçadas.
Sem esforço chegámos ao Amedo, que cortámos a meio em direcção a Areias. Deixámos a estrada e seguimos em direcção a Zedes, pelos Moinhos. Há quantos anos não passava eu por ali? Gostei de recordar aqueles caminhos, de subir pela Ribeira e reviver locais onde passei grandes momentos dos meus tempos de garoto.

Em Zedes, na sede da Associação Cultural e Desportiva já nos esperava o reforço alimentar. O esforço ainda tinha sido pouco, mas, ninguém se fez rogado, só a fruta sobrou.
O percurso continuou pela Rua do Emigrante e depois o desvio para a Anta de Zedes. Ninguém parou, todos queriam aproveitar a frescura de pausa recente. Eu parei para uma fotografia, o que me valeu conseguir a cauda do pelotão na subida até à Samorinha.
No centro da aldeia cortámos à esquerda, descemos à igreja e continuámos pelos campos até encontrarmos a estrada de Zedes-Carrazeda, que atravessámos, a caminho do Mogo. Rodeámo-lo a alguma distância por Sul. Quando eu já esperava regressar a Carrazeda abre-se perante os meus olhos o esplendoroso Vale Covo. Estávamos fora do concelho de Carrazeda, os terrenos que percorríamos já pertenciam a Vila Flor. Senti uma mistura de alegria e de receio. Alegria porque sabia que ia encontrar uma paisagem agreste e bela, receio porque sabia que quanto mais descesse aquele vale mais difícil seria voltar aos 780 metros de altitude do Mogo. A paisagem era simplesmente avassaladora. Perdi o contacto com os restantes atletas, só de tempos a tempos, encontrava alguns dos mais jovens. O percurso tinha tanto de belo como de perigoso! As descidas eram íngremes e com curvas em cotovelo muito acentuadas. Havia areia e muitos buracos. Deixei-me levar, calmamente, ao coração do vale, apreciando a paisagem e tentando não cometer erros que me pudessem sair caros.

Quando encontrei a ribeira, pelos 500 metros de altitude, respirei fundo, os músculos já me doíam, não seria mais fácil deixar-me ir até Freixiel? Cerrei os dentes e carreguei a bicicleta encosta acima. Quando se atinge um elevado grau de cansaço, a paisagem perde alguma beleza, todas as forças são usadas para progredir no terreno. Também o dia começou a ficar mais cinzento e a câmara digital teimava em não funcionar devido ao pó que já tinha engolido. Não sei quanto tempo demorei, mas, finalmente encontrei o marco geodésico Pedrianes (785m), o Mogo de Malta estava perto. Perto do Santuário de Nossa Senhora da Saúde encontrei um grupo de ciclistas renitentes em continuar. Com o corpo num frangalho, meti pela Calçada do Mogo abaixo. Mais uma vez o percurso se tornou belo, perigoso e maçador do físico. Felizmente este era curto. Rodeámos o monte do santuário por Norte e voltámos, desta vez ao Mogo de Malta e logo depois ao de Ansiães. Seguimos por caminhos rurais até à entrada de Belver. Como eu gostava de ter o físico mais “descansado” para aproveitar o passeio…
De Belver seguimos em direcção a Carrazeda de Ansiães, entrando mesmo no fundo da vila. Com o humor a regressar, ainda tive a ousadia de perguntar a uma pessoa que nos olhava de uma janela se estávamos em Carrazeda ou em Belver!
Com o grupo todo reunido, foi a altura de um refrescante banho. Já ninguém se lembrava das dificuldades do Vale Covo.
O almoço, às três da tarde, foi no restaurante O Vinhateiro. O prato não me desgostou, dobrada com feijão branco. Não fosse o apetite voraz que todos tínhamos e a dobrada tinha sobrado quase toda. Já comi muito melhor. O vinho também não dignificava nada o restaurante nem a categoria vinícola do concelho de Carrazeda. A refeição terminou com castanhas, não estivéssemos nós no Dia de S. Martinho, profundamente marcado pelos magustos no concelho. Também estas não satisfizeram ninguém! Aproveitou-se a boa disposição do grupo que já falava de novos planos, novas pedaladas, nas semanas seguintes.
Eu descobri mais um pouco de Carrazeda. Com algum esforço e algum suor, é certo, mas amanhã voltava.
Outras reportagens:
Blog - Clube de Ciclismo de Vila Flor
Homepage - ZEDES

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No Santuário de Nossa Senhora da Saúde


Depois de um dia intenso, À Descoberta de Carrazeda de Ansiães, foi na calma do Santuário de Nossa Senhora da Saúde, em Mogo de Malta, que dei por encerrada a jornada. Com o Sol a tocar a linha do horizonte parecendo querer incendiar Zedes, desvia-se o olhar em direcção ao vale, espreitando Freixiel, lá ao fundo. A Serra do Faro eleva-se beijando o céu, e, mais longe, é a Serra dos Passos que domina vários concelhos em redor. Assim termina um dia cheio de descobertas que brevemente darei a conhecer...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Mogo, Corpo de Deus

Algumas das principais ruas de Mogo de Malta foram decoradas para a procissão do Corpo de Deus. Foram utilizadas grandes quantidades de flores e verduras selvagens mas também muitas espécies de jardim. Quando foram à Eucaristia, os habitantes, foram cuidadosos, deixando os carros estacionados onde não havia passadeira e deslocando-se para a igreja a pé.
É bom ver que algumas tradições ainda se mantêm. Pude observar as ruas lindamente decoradas em Mogo e Zedes.