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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Moinho de vento

Pormenor de algumas peças do moinho de vento restaurado no "Moinho de Vento", em Carrazeda de Ansiães. São visíveis o carreto, o eixo ou mastro e entrosa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jardim da Praça

Jardim da Praça D. Lopo Vaz de Sampaio - Desde que foi ajardinada a Praça D. Lopo Vaz de Sampaio, no centro da vila de Carrazeda de Ansiães, tornou-se num dos seus pontos mais atrativos e bonitos. Foi outrora recinto da feira, ainda da minha lembrança.
Agora é um bonito jardim enriquecido com várias esculturas em granito que integram o Parque Internacional de Escultura em Granito ao Ar Livre. As esculturas têm por título "As Nossas Mesas" e são da autoria do holandês Mark Brusse.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Capela de S. Pedro - Parambos

S. Pedro tem direito a uma capela situada no lugar com o mesmo nome - S. Pedro, na freguesia de Parambos.
Existiu aqui em tempos um enorme negrilho, junto à capela e era um espaço privilegiado de encontro e festa da aldeia.
O que mais me chamou à atenção foi o bem cuidado jardim, repleto de lírios em flor, com flores coloridas de várias cores.

domingo, 14 de abril de 2013

Capela de S. Marinha - Pinhal do Norte

Capela de Santa Marinha situada fora do povoado de Pinhal do Norte, no concelho de Carrazeda de Ansiães).

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

À Descoberta de Beira Grande (3/3)

Continuação de: À Descoberta de Beira Grande (2/3)
Externamente a Igreja Matriz apresenta algumas curiosidades: nas traseiras há uma pedra com uma inscrição onde se pode ver gravado o ano de 1565. A igreja é muito posterior a essa data! Contudo, a primeira igreja, românica, deve ter sido anterior a essa data. Assim, a data assinalada pode corresponder a uma das ampliações, coisa que também aconteceu no Séc. XVIII que deu origem à atual igreja. Fica o enigma.
No alçado virado a norte há mais curiosidades na cornija: uma figura feminina deitada, um esticador de cordame das naus e uma cabaça. A cultura popular atribui à imagem feminina a representação de uma mulher bêbada, chamando-lhe “Borrachona” (tendo junto dela a cabaça e um pipo de vinho). Esta interpretação está ligada à produção marcadamente vinícola da aldeia. A figura feminina também personifica a Beira Grande. Outra possibilidade, e tendo em conta a proximidade com um antigo caminho de S. Tiago, é a de representarem alojamento e apoio. Estas podem ser as únicas pedras que restam da primitiva capela. A “Borrachona” não faz parte dos símbolos oficiais da freguesia, mas é, sem dúvida o ícone mais caraterístico de Beira Grande.
A pedra da igreja é de boa qualidade e está perfeitamente aparelhada. A fachada principal termina em empena truncada por sineira de dois sinos, não havendo mais elementos a destacar, nem mesmo pináculos!
O interior da igreja está em muito bom estado. O chão, o teto, as paredes e a talha dos altares estão impecáveis. O altar da capela-mor é mais interessante do que os dois laterais no corpo da igreja. São todos de estilos diferentes. Há um conjunto de imagens bastante antigas. Nossa Senhora da Luz e o Senhor dos Passos são as que mais me impressionaram. As Memórias Paroquiais de 1758 falam da existência de uma ermida, de Nossa Senhora da Cunha. Documentos mais recentes referem a Ermida de Nossa Senhora da Costa, mas penso tratar-se da ermida que pertence a Seixo de Ansiães e, portanto, não vou falar dela. Curiosamente uma busca no Sistema de Informação do Património Arquitetónico (SIPA) descreve a ermida como situada em Beira Grande!
Para quem quiser conhecer a totalidade da aldeia pode ainda fazer uma incursão na Rua do Cemitério. Além do cemitério, igual a tantos outros, pode apreciar as mais vistosas vivendas da aldeia. Na Rua do Pereiro estão situados os tanques públicos, já com pouca utilização. Do final desta rua, subindo um pouco a encosta em direção ao monte, tem-se uma vista panorâmica diferente da aldeia.


Para terminar a visita a Beira Grande é aconselhável um passeio até ao Douro. A estrada que segue até às quintas (Quintas dos Canais e Quinta do Comparado), tem continuidade até à Senhora da Ribeira, permitindo subir, daí, até ao Seixo de Ansiães. É um bonito passeio, embora a estrada seja estreita e assustadora nalguns pontos. Mas obrigatória mesmo é a visita ao miradouro do Lugar da Seara, que integra a Rota do Douro. Deste ponto se podem admirar as águas do Douro, os vinhedos de muitas quintas em redor, a linha do comboio do Douro que atravessa do rio na Ponte de Ferradosa e um conjunto de aldeias ma margem sul.
Depois de saciado o peito com tanta beleza há duas alternativas: subir de novo em direção a Beira Grande, ou descer, atravessar as quintas, conhecer a Senhora da Ribeira, ou mesmo Coleja. O importante é não perder o entusiasmo de continuar À Descoberta do concelho.

À Descoberta de Beira Grande (1/3)
À Descoberta de Beira Grande (2/3)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

À Descoberta de Beira Grande (2/3)

Continuação de: À Descoberta de Beira Grande (1/3)
O património construído não tem elementos de vulto, mas não deixa de ser interessante percorrer as ruas mais antigas, com muitas casas de um piso só, onde se podem ver alguns postigos e janelas com dintel em arco. Há também alguns patins e varandas tradicionais. As casas mais antigas estão em ruínas, algumas já caíram. Não tinham condições, eram pequenas, muito juntas e com acessos complicados. Os poucos habitantes que restam optam por construir noutro local, com mais espaço. Não deixa de haver, no entanto bons exemplos de recuperação de antigas habitações principalmente daquelas de famílias mais abastadas, pela zona da Portela.
Mesmo com poucos habitantes e com casas degradadas, Beira Grande é um excelente exemplo, no que toca à pavimentação, à limpeza das ruas e na indicação do nome das mesmas, com placas em granito, em quantidade e esteticamente enquadradas. A opção de manter os nomes tradicionais também é positiva.
Da frente da igreja parte a Travessa do Rossio. As casas são bem pitorescas podendo observar-se uma tradicional varanda em madeira, suportada por colunas em granito. Aqui se situa o principal aglomerado de casas, constituído pela Rua das Cangas, Rua de S. Sebastião e um emaranhado de ruelas. Na Rua de S. Sebastião há um cruzeiro em granito. É frequente haver jardim junto das casas, em plena rua, um pouco por toda a aldeia.
Pela Rua do Outeiro chega-se ao fundo do povo, havendo ainda algumas casas mais afastadas. A Rua da Fontinha leva a outro grupo de casas bastante antigas, o Arrabalde. Já aqui mora pouca gente, mas também há algumas casas recentes.
Pouco depois encontra-se o edifício da Junta de Freguesia. Foi a primeira escola (a segunda foi construída em 1967). Este edifício, de 1930, foi comprado pela Junta, restaurado e hoje tem um conjunto de valências ao serviço da população. Além do gabinete da Junta de Freguesia tem um salão, uma cozinha, casas de banho e gabinetes destinados a diversas atividades. A Junta de Freguesia fornece Internet gratuita à toda a população, tendo instaladas duas antenas, uma neste edifício, outra no edifício da escola mais recente, na Rua da Costa.
São frequentes os convívios, provas em BTT, passeios pedestres e jogos tradicionais. A população esforça-se por manter a aldeia vida e por usufruir da companhia e da tranquilidade de viver num ambiente assim. A aldeia tem uma associação cultural, desportiva e recreativa.
A Rua do Cabeço leva à estrada. No encontro das duas está uma imagem do Cristo Rei, num espaço ajardinado; um dos pontos de vaidade da aldeia. Não muito distante daí, em direção ao Douro, na Rua da Lameirinha, pode matar-se a sede num chafariz recente (de 2000), alimentado pela água de uma nascente. No lado oposto da rua há um nicho com a imagem de S. António, o padroeiro de Beira Grande. Este é um lugar com jardim, agradável para repousar um pouco enquanto se admira a paisagem em direção a Lavandeira, avistando-se também as ruinas do castelo de Ansiães.
Para norte volta-se ao centro da aldeia. Pelo caminho encontram-se mais uma fonte antiga, muito rústica, embutida numa parede, tendo ao lado um cruzeiro. Em tempos houve mais um cruzeiro na Rua do Giraldo, próximo da igreja, mas foi destruído. Antes de chegar à igreja há, à direita, dois pontos de interesse: na Rua da Costa situa-se o edifício mais recente da escola de Primeiro Ciclo, também ele já sem utilidade como escola. Tem sido objeto de obras de manutenção e restauro tendo em vista a sua utilização futura. Um pouco mais à frente, também à direita, fica o Largo da Mina e a capela de S. António.
A capela é um edifício recente, com muito pouco de capela, quase não se identificando como tal. Ao seu lado esquerdo está o acesso à mina que deu o nome ao largo. Encontra-se tapado com um alçapão em chapa, devidamente trancado a cadeado. Em tempos as crianças deliciavam-se a entrar na mina.
Próximo está o coreto. Da sua varanda vê-se, sobretudo, o teto da igreja cheio de painéis solares. Pode ser um bom negócio, mas não é muito frequente ver uma igreja com painéis fotovoltaicos. Embora a estética não agrade a todos, não ouvi grande argumentações contra. Sob o coreto funciona um pequeno bar da Comissão de Festas. Numa aldeia pequena e despovoada é difícil angariar dinheiro para a realização das festas. A Festa de S. António acontece a 13 de Junho, anualmente, mas a festa “grande” só se realiza a cada 2 anos, no 3.º Domingo de Agosto (também a S. António).

Continua em: À Descoberta de Beira Grande (1/3)

domingo, 7 de outubro de 2012

À Descoberta de Belver (3/3)

Continuação de : À Descoberta de Belver 2/3
A capela foi construída aproveitando a existência de um cruzeiro em pedra com duas imagens, nas costas uma da outra, Santo Cristo da Agonia e Nª Sª do Amparo. O altar, ou melhor os altares, de costas um para o outro foram construídos mantendo as imagens em pedra no centro da talha em madeira, estando situados, mais ou menos, no meio da capela. Como tem duas portas de entrada e dois altares, pode dizer-se que é uma capela dupla, onde dois padres podem celebrar ao mesmo tempo, sem se verem. O fuste do cruzeiro e as imagens estão completamente pintados, não se notando, à primeira vista, a separação entre a pedra e a talha dos altares. O cruzeiro é muito mais antigo de que a capela, não se sabendo ao certo a sua origem. Ainda há pouco tempo vi um semelhante em Alcanices.
Esta capela foi atingida por um relâmpago em maio de 2011. O poder destrutivo começou na cruz cimeira, seguiu pela instalação elétrica, espalhou-se pelos altares fazendo saltar faíscas por todos os lados. As toalhas brancas dos ficaram com buracos causados pelo fogo. Foi recuperada, sendo mínimos os vestígios desse acidente. A cruz foi substituída, porque se partiu quando caiu ao chão. O interior foi restaurado e pintado. Também nas casas vizinhas o susto foi enorme causando estragos nos eletrodomésticos.
A capela é usada é usada como casa mortuária. A população é pouca e o espaço suficiente e aconchegado.
Há mais uma curiosidade nesta capela – a Pedra da Morte. O nome é sugestivo, mas a sua origem não é muito clara. A pedra tem quase um metro de altura e uma forma que se assemelha à base de um pilar. Seria a base do cruzeiro? É pouco provável. Apresenta em relevo uma figura humana, o próprio diabo, dizem. Há quem distinga nela os chifres e o rabo, que parte de um lado, e contorna toda a pedra. O que é garantido é que ela se encontrava no exterior da capela. Apenas foi colocada no interior com receio de que fosse roubada. Também é verdade que, em tempos idos, os rapazes mediam forças, uns com os outros, transportando a pedra às contas em voltas à capela.
Está referenciada também uma ermida, dedicada a S. Martinho, a um quarto de légua da igreja, mas desconheço a sua localização
A igreja matriz está próxima. Este templo deve ter sido construído no séc. XVI e reformulado mais tarde. Cristiano Morais diz que foi ampliada em 1775. Exteriormente é de linhas simples, constituída por uma planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor. Apresenta uma torre sineira na fachada, dupla e central. Os pináculos, quer na igreja, quer na sacristia lateral, são singelos. No interior o retábulo que cobre o arco triunfal de volta perfeita e que integra os altares colaterais maneiristas, não é contemporâneo do da capela-mor. Este último foi restaurando há menos tempo, mas um pouco de atenção nos motivos evidenciam diferenças, para além do facto de um estar restaurado e do outro necessitar de restauro. Gosto mais do rendilhado do retábulo da nave.
No teto estão pintados os quatro evangelistas, os doze apóstolos e Nª Sª das Dores.
 Desde a última vez que estive na igreja houve algumas alterações. O ambão mudou de lado. A imagem de Nª Sª das Neves também mudou de posição. Em 2008 estava do lado do Evangelho e atualmente encontra-se do lado da Epístola. Tal mudança parece dever-se à existência de uma outra imagem, a de Nossa Senhora de Fátima, do lado do Evangelho. Qualquer pessoa que entre na igreja vai procurar a imagem do padroeiro/a na lugar em que se encontra hoje S. Pedro! Já em 1758 S. Pedro, com uma irmandade na paróquia e N.ª Sª das Neves, partilhavam o altar da capela-mor, mas a imagem da virgem com o Memino seria a que se encontra hoje na nave principal da igreja, que é muito vistosa. Esta imagem estava em 2008 num altar lateral, que foi entretanto desmontado e removido!
 Há mais imagens na igreja, mas a de Stª Ana e a de Nª Sª da Conceição merecem algum destaque.
Abandonado o adro da igreja e caminhando mais algumas centenas de metros em direção a Fontelonga, encontra-se o ribeiro do Moinho. Nele existem tanques para lavar roupa, mesmo no leito do ribeiro, junto ao antigo moinho. Deixa-se a estrada, à esquerda e caminha-se um pouco ao longo do ribeiro até atingir o moinho. Está prevista a sua recuperação por parte da Liga dos Amigos de Belver, mas não está minimamente preparado para ser visitado. Andei em volta e não consegui descobrir a porta! Com pena minha, abandonei o local.
 De novo na estrada, se o tempo disponível for suficiente e a vontade de caminhar for muita, pode seguir-se em direção ao bairro das Carvalhas e daí para a fraga das ferraduras. Este sítio de arte rupestre fica a aproximadamente 2 km de distância. Uma vez que se situa a poucos metros de distância da estrada que segue para a Piscina Municipal e barragem da Fontelonga é possível aceder-lhe facilmente em automóvel.
De regresso ao largo da Praça, falta uma última paragem, na fonte da Romana. Fica na canelha da Figueira, a curta distância da capela do Santo Cristo. Trata-se de uma fonte de mergulho, parcialmente abatida, mas que ainda têm água que é usada para regar algumas hortas em volta. Seria muito bom que se procedesse à preservação desta estrutura, bem bonita e que deve trazer boas recordações às pessoas mais idosas.
Termina assim o passeio À Descoberta de Belver. A aldeia apresenta um bom conjunto de pontos de interesse para ser visitada, com casas tradicionais, fontes e algum património religioso. O principal problema de Belver, é, sem dúvida, a falta de gente que utilize os espaços, que cuide deles, para que seja mais agradável viver neles e visita-los.
O encontro da Liga dos Amigos de Belver está marcado para agosto. Estive presente 2008 e posso garantir que os belverenses são exemplares no bem receber (bem à maneira transmontana). Até lá…

Artigo publicado do jornal O Pombal, em Julho de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

À Descoberta de Belver (2/3)

Continuação de: À Descoberta de Belver (1/3)
A rua do Vale tem continuação pela rua da Escola. Nela não se ouvem os risos das crianças e algumas casas estão desabitadas. É direita e larga, contrastando com todas as das zonas mais antigas da aldeia. Liga a caminhos vicinais que se estendem até Carrazeda de Ansiães.
Na antiga Escola Primária funciona agora a sede da Liga dos Amigos de Belver. Constituída em 2006 e com muitos dos associados fora da aldeia, a principal atividade da Liga tem sido a realização de um convívio nos primeiros dias de agosto. No entanto, os seus objetivos são mais ambiciosos e, em parte, têm sido conseguidos: melhoria das instalações e o seu aproveitamento mais frequente; recuperação da fonte de mergulho da canelha da Figueira e a aquisição e recuperação do moinho existente no ribeiro do Moinho.
A falta de uso do recinto da escola é evidente, necessitando urgentemente de limpeza.
O “recreio” é dos poucos pontos da aldeia de onde se avista alguma paisagem. Não é difícil imaginar os campos cheios de vida. Aliás, isso ainda se verifica nas pequenas hortas encostadas às casas, onde se regam as alfaces, cebolas, tomateiros e pimenteiros, rodeados de flores, que salpicam de cor todas as hortas transmontanas.
Na veiga, mais latifundiária, só sobraram algumas leiras de batatas, já com flor, outras de milho, culturas bem representativas do potencial agrícola das terras.
Está na altura de segar a erva dos lameiros. As gramíneas floriram e os finos caules dobram-se com o peso das espigas. Os troques, com a sua cor garrida, crescem hirtos nas paredes ao longo dos caminhos com arranjos de verde de cenoura brava. As giestas negrais, que aqui crescem como carvalhos, ostentam o que restou do seu manto amarelo, recolhido por calejadas mãos para as passadeiras do Dia do Corpo de Deus.
Ao longo das margens da ribeira do Moinho, que se estende até próximo da Carrazeda, e continuando pela Veiga, há grandes retalhos de terrenos férteis, outrora sustento de famílias numerosas, estão reduzidos à alimentação do gado, também ele cada vez menos abundante.
 Regressemos às ruas. Caminhemos até ao largo da sede da Junta de Freguesia. O edifício é pequeno, recente e não desperta muito a atenção. O elemento de maior interesse neste largo é, sem dúvida, uma curiosa fonte datada de 1924. Esta fonte é única no concelho, constituída por um depósito, um tanque para os animais beberem, uma torneira para recolha de água e um pequeno tanque para lavar a roupa. Estas últimas três valências estão interligadas por um sulco do em granito por onde a água circula por gravidade até se depositar do tanque de lavagem da roupa. Muito bem situada, e ainda com plena utilização, esta fonte é um dos elementos do património construídos com mais interesse em Belver.
Chegámos ao ponto de partida. A aldeia é dividida pela Estrada Municipal 627 que no interior da povoação recebe o nome de rua Marechal Gomes da Costa. É por ela que se tem acesso a Belver e se pode sair em direção a Fontelonga. As bonitas vivendas que existem na aldeia foram construídas à entrada, de um e do outro lado da estrada. É também à entrada da aldeia que se encontra um nicho muito recente, elegante, em granito, inaugurado em 2009. A imagem é de Nª Sª das Neves.
No interior da aldeia ladeiam a estrada casas mais antigas, algumas com traça interessante. As curiosidades vão surgindo, como duas caras esculpidas, perto do largo da Junta, um relógio de sol sobre um muro, depois do largo da Praça, algumas pedras trabalhadas e datas gravadas nas vigas e fachadas das casas. Sendo possível que existam habitações desde o séc. XII, a data mais antiga que encontrei gravada foi 1668, sendo a maior parte do séc. XX. Num beco está gravado MDCCLXV, em letras enormes, na viga de uma porta.
Um pouco mais à frente surge a capela de Santo Cristo, visita obrigatória na Descoberta desta aldeia.
 Nas Memórias Paroquiais de 1758 são citadas como existentes em Belver 4 capelas: uma no cemitério, a capela da Visitação de Santa Isabel, particular, tendo como administrador António de Morais, de Zedes; a segunda na meio do povo, de Nª Sª do Carmo, particular, sendo administrador António José Monteiro; a terceira no fim do povo, indo para Carrazeda, a de S. Pedro, também particular, administrada por António Gonçalves. A quarta era precisamente a capela de Santo Cristo.
Tem mais esta freguezia outra Capella que há poucos anos que se principiou que ainda nom esta benta”. A julgar pela data inscrita por debaixo do parapeito de uma das janelas terá sido concluída em 1765. Contam as pessoas que foi mandada construir por um emigrante no Brasil, que, sendo colhido por uma tempestade numa das suas viagens, prometeu construir esta capela por quanto chegasse bem à sua terra natal. Tendo sobrevivido, cumpriu a promessa.
As Memórias Paroquiais contam uma história um pouco diferente. A capela foi construída com a contribuição de doentes que se curaram, “como se verefica dos mylagres que nella estam” (deveria estar a referir-se ao que conhecemos hoje por ex-votos, e que não existem na capela) e com dádivas dos fiéis.

Continua em: À Descoberta de Belver (3/3)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

À Descoberta de Lavandeira (3/3)

Antiga Escola Primária de Lavandeira
Continuação de: À Descoberta de Lavandeira (2/3) 
A escola de 1.ºCiclo está fechada. Longe vão os tempos em que a D. Margarida era a professora da aldeia! Natural de Selores, casou em Lavandeira e tinha a seu cargo uma catrefada de crianças. Chegou a haver mais de 60 crianças a frequentar a escola que funcionou ao lado da Casa dos Milagres.
Altar da capela-mor com Dívino Rei Salvador
Da escola pode fazer-se um percurso pela rua do Outão, rua do Jardim, rua Principal e rua do Adro, regressando à igreja.  Ao longo de todas estas ruas há pequenos espaços de autênticos jardins. Algumas casas foram recuperadas e outras esperam por melhores dias, é o caso de um antigo lagar de azeite que a Junta de Freguesia gostaria de restaurar, abrindo ali um espaço com múltiplas aplicações. Infelizmente os apoios não abundam.
Tampa de um sarcófago. Agora está junta à sede da Junta de Freguesia.
Em 2011 havia algumas tampas de sarcófagos junto ao cemitério, mas foram retiradas do local. O mesmo aconteceu a dois enormes cedros que se encontravam à frente da igreja matriz que foram cortados.
Chegados de novo ao largo e depois de percorrer grande parte da aldeia, ficou para o fim o património de maior destaque, a igreja de S. Salvador ou de Santa Eufémia. Esta designação leva a refletir na história do local e no porquê de não estar definida uma designação consensual.
Nicho no frontispício da igreja
Lavandeira foi  até ao Séc. XVII um mero lugar da freguesia de Ansiães, paróquia de S. Salvador. Com a decadência do castelo, Lavandeira foi crescendo. Os batizados continuaram a fazer-se na velha igreja românica até 1803, altura em que a paróquia se transferiu para a capela de Santa Eufémia, em Lavandeira. Esta mudança ditou a morte gradual da igreja de S. Salvador, intramuros e ao desenvolvimento da paróquia da Lavandeira, que conduziu à ampliação da pequena capela românica que deveria existir. O culto a Santa Eufémia já existia desde o séc. XVI, fomentado pela existência de algumas relíquias que mobilizavam romeiros, mesmo lugares longínquos.
Imagem de Santa Eufémia no andor, pronto para a grande festa
Por cima da porta lateral da igreja há um brasão em granito que deve ter sido arrancado da igreja de S. Salvador, no castelo, para depois ser ali aplicado, já numa fase posterior à construção da igreja. No alçado oposto há uma representação, penso que de um anjo, a que dão o nome de Lavandeira, personificando a aldeia.
O cabido exterior, com as suas belas colunas em granito começou a ser construído em 1773. No frontispício da igreja há um bonito nicho com motivos florais onde deveria estar a imagem de Santa Eufémia, mas, curiosamente, o espaço está preenchido com uma imagem de S. António.
Santa Eufémia ladeada pelas suas irmãs
Dada a importância do culto a Santa Eufémia a igreja manteve sempre a dupla designação, de Santa Eufémia e de S. Salvador, que recebeu por transferência da paróquia histórica do castelo de Ansiães.
Entrar na igreja é um privilégio. A beleza do seu interior pesou na escolha desta capela para rodar algumas cenas de da telenovela que passou na TVI, chamada “A Outra”.
Cabido exterior da igreja
Os elementos que se destacam em primeiro lugar são os altares com retábulo dourado apresentando parras, uvas e “putti” (crianças nuas, quase sempre do sexo masculino, frequentemente com asas).  No centro do altar da capela-mor está uma bonita imagem do Divino S. Salvador, o mesmo Deus Criador que está representado num fresco à entrada da igreja, na parede do lado direito, com o pé sobre uma esfera onde estão representados Adão e Eva.
Representação da "Lavandeira"
A imagem de Santa Eufémia ocupa uma posição lateral, num altar próprio e distinto dos restantes. Acompanham a imagem dois enormes leões, elemento identificativo de iconografia de Santa Eufémia que morreu mártir em Calcedónia, atual Croácia. Curiosamente nenhum dos ex-votos existentes na Casa dos Milagres apresenta este elemento. As imagens mais antigas da igreja representam Santa Eufémia (de Braga/Orense). Para adensar a dúvida Santa Eufémia está representada num dos caixotões do teto da igreja, em companhia das suas 8 irmãs, sendo Santa Marinha e Santa Quitéria as mais conhecidas. Ora, esta representação é da Santa Eufémia “portuguesa/espanhola” e não a da Calcedónia.
Árvore de Jessé, no teto da igreja.
 Há outra representação que valoriza esta igreja e que também se encontra nos caixotões do teto, mas da capela-mor: trata-se da representação da Árvore de Jessé, que representa a genealogia de Jesus. São muitos os motivos de interesse que existem na igreja, e também na sacristia, com imagens antigas e com a sua pintura rococó.
Pantocrator do Juízo Final na capela de S. Salvador, no castelo de Ansiães
Como a prosa já vai extensa, fica por fazer uma caminhada e uma visita ao castelo de Ansiães, onde a história está em cada pedra. Fica por contar a mistura do sagrado e do profano da festa de Santa Eufémia a 15 e 16 de setembro. Mas há coisas de não podem ser contadas, têm que ser vividas. Por isso, deixo o convite para nos encontrarmos na festa de Santa Eufémia, na Lavandeira, em Setembro próximo.
Aníbal Gonçalves
Artigo publicado no jornal O Pombal, em Março de 2012.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Inauguração do Moinho de Vento

 No dia 17 de Junho Carrazeda de Ansiães pode assistir à invulgar visão do seu moinho de vento a girar. Depois de um processo de aquisição e recuperação, com um orçamento de 97 mil euros (financiado em 50% por fundos comunitários) a inauguração aconteceu finalmente.
Às 17 horas foi inaugurada a exposição de pintura Moinhos de Vento, de António Santos Silva. Este pintor, natural de Castro (Valpaços), foi emigrante em França dedicando-se atualmente à pintura e restauro de imóveis.
A exposição integra 16 telas sobre a temática dos moinhos de vento. Além de moinhos há telas que mostram moleiros e mais pormenores da engrenagem.
A exposição vai estar patente na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães entre os dias 17 de Junho e 20 de Julho.
Depois da inauguração oficial e do Porto de hora a comitiva dirigiu-se para o moinho de vento onde já havia algumas centenas de pessoas para assistirem a inauguração.
O moinho de vento de Carrazeda é um dos 3 que existiram no concelho: um em Carrazeda, outro em Mogo de Malta e o terceiro em Vilarinho da Castanheira. A juntar a este conjunto, há ruínas de mais dois moinhos de vento em Lousa, no concelho de Torre de Moncorvo.
Este moinho foi construido em 1900 e funcionou cerca de 10 anos. Desde então para cá foi-se degradando tendo a maior parte das pessoas apenas memória das ruínas.
O edil de Carrazeda apostou na recuperação desta estrutura de forma a criar  uma rede de elementos culturais como o castelo de Ansiães, os moinhos de água de Vilarinho da Castanheira, tendo em vista a atração de mais visitantes ao concelho.
A recuperação foi levada a cabo por construtores e obreiros da região, sendo necessário um processo de investigação, quer a nível do pessoal técnico da autarquia, quer dos trabalhadores, por forma a concluir com êxito a tarefa.
Por sorte, e mercê da estudada implementação do moinho, o tempo esteve favorável e o vento soprou com força, mais do que suficiente, chegando a ser necessário refrear, pelo mecanismo adequado, a velocidade de rotação do engenho. Quanto mais velocidade a vela adquiria mais os olhos das pessoas se enchiam de admiração, pois não é uma coisa a que estejam habituados.
Existe no local uma placa explicativa sobre moinhos de vento, com a tipologia e a cronologia deste monumento. É bastante educativa porque apresenta também a constituição dos moinhos de vento. Esta informação está disponível num desdobrável que foi distribuído no local e que, certamente os serviços do Turismo disponibilizaram a quem desejar..
As visitas ao moinho de vento de Carrazeda de Ansiães podem ser efetuadas através de marcação no GAM – Gabinete de Apoio ao Munícipe ou pelos números de telefone 278 610 200 ou 913875116.
Não fazendo parte do programa oficial, mas também com bastante adesão foi a  confeção de um porco no espeto e a sua distribuição à população de forma gratuita.
Este convívio gastronómico iniciou-se bastante cedo. Antes das 3 da tarde já o bicho apresentava a assadura necessária para serem cortadas as primeiras lascas. O pão e o vinho chegaram logo a seguir e, apesar das muitas pessoas que por ali passaram e que saborearam o petisco, às 20 horas ainda sobrava uma boa quantidade de carne e alguns garrafões de vinho.
Ao que consegui apurar o porco no espeto foi oferecido pela empresa Construções Armando Matos, Unip., Lda de Paradela, freguesia de Pombal.