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sábado, 4 de janeiro de 2014

Em Criança - à Criança

Era ainda criança;
- Que vida para mim!...
Sorrisos de esperança,
E graças sem fim;
Espasmos de sonhos,
Lindos, risonhos;
- Coisas de menino, -
Ânsias em delírio,
Botão pequenino,
De sonho e de lírio!...
E, quando a vida me for vida madura,
Só vida de amor, ó vida, me ensina;
Se outra vida me dás, é vida impura,
Que a pureza é mais que bela, é divina!...

Poema do livro Fogo e Lágrimas 2, da autoria de Morais Fernandes (Coimbra Editora, Limitada; 1997).

Fotografia - Parte do presépio na Praça do Município em Carrazeda de Ansiães.

domingo, 10 de junho de 2012

Aos 100 vai chegar


Quem souber comer,
E na vida andar,
Aos l00 vai chegar:
- Haja calma,
Barriga cheia,
Paz na alma,
Barriga meia,
Após a ceia!...
- E, quantas vidas se perdem,
Por não saberem ouvir
O que a vida lhes pede!
E quantas, quantas se vão,
Por não lhe saberem
Dizer: - Não.

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
A fotografia; Sr. António Pereira, de Linhares.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Oração à Primavera

 Chegou a Primavera, - a seiva, o fulgor,
A graça, o beijo do botão à flor;
Força a que mão divina imprimiu,
Suculenta seiva de onde emergiu,
Por vontade da vida, imperativo amor!
Primavera, a abelha em redor,
O néctar, o perfume,
O sonho que a vida ilude!
A graça, o berço, o ninho
Onde a vida despertou.

O caminho,
A delícia perfumada,
A alma a sorrir, sublimada!
O manto de noivado,
O sonho de esp'rança a florir;
E da criança a graça, em botão, a abrir!
A flor que do fruto foi manto,
A carícia, o beijo, o amor,
Asas de ninho, o encanto,
Esp'rança que em meus olhos veio pôr
A luz, a doce seiva do meu pranto!...

Linhares, Primavera de 1994


Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
As fotografias foram ambas tiradas no Amedo.

domingo, 11 de março de 2012

O Canto do Melro

Despertava a Aurora, silenciosa e meiga.
Lá baixo, junto à ribeira, - suave a veiga.
Um melro, por entre a ramagem, cantava.
Cantava a sua terna melodia, - trinava!...
Oh! Céus, o que ele dizia à sua namorada!...
Sonho da noite, o despertar da Alvorada!...
E o melro, no galho do amieiro, empoleirado,
Rei-maestro, forte e vigoroso, - um Senhor, -
Cantava as mais belas canções de amor!...
O que dizia por entre a fresca ramagem!...
Do Céu, por certo, era a sua linguagem...
A namorada, do outro lado do rio,
Sorria, sorria contente, mas, nem pio!...
E o triste cantava, cantava, ou... chorava!...
Enquanto ela, dos olhos, as lágrimas limpava,
De alegria, bem por certo,
Que de si o desejava mais perto!...
Silenciosa, chorava, chorava...
E, em desejos, toda ela o devorava.
E ele, assobiava, assobiava!...
Que, em desejos, o peito lhe ardia;
E, em lágrimas, toda ela o sorvia.
- Eis que num último estretor,
Num voo meigo, em asas de amor,
Voou, voou, sorridente e já vencida,
Até junto dele, toda enternecida!...

Linhares, Abril de 1993

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: os últimos raios de sol, perto de Parambos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A Nossa Mãe

A nossa Mãe, - Mãe em tudo, -
De raiz e coração;
Ela é mãe, sobretudo,
Porque à dor não diz que não.
Mesmo quando o quer dizer,
Não o diz. E, humildemente,
Tudo nos faz compreender
No seu olhar, docemente!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: dois dedos de conversa e uma fotografia, em Castanheiro do Norte.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Entre duas Metas

Fui criança,
A tudo afeito;
Envolto na dança,
Saltava, brincava,
- Tudo a eito!
Livre como era,
Colorida Primavera.
- Cresci, fui gente, -
Envelheci.
E, de repente,
Olhei-me ao espelho,
- Nada do que vi, -
Antes um velho
Que não reconheci.
Meditei...
- Como quem vê o fim. -
Orei.
Braços cruzados, em mim,
Fiquei.. .
Ponto Final, - Sol posto, -
Profundos sulcos dourados,
Espinhos cravados no rosto;
Na alma, cilícios gravados.
Ponto final, - a Meta. -
No peito, o silêncio aperta!...
Agora, ó terra amada,
- Já meus anos volvidos, -
Rói meus ossos bem roídos!...
E, se um dia eu voltar,
De novo, à vida, ao nada;
Fecha-me a porta bem fechada!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Capela, em Felgueira, freguesia de Pinhal do Norte.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cada Lar um Sepulcro

É já Sol Posto no velho casario.!
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...

Linhares, Junho de 1994

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.

sábado, 10 de setembro de 2011

Triste Episódio


Eram altas horas.
A torre bateu
Suaves, sonoras.
Contei!...
Absorto fiquei.
Uma borboleta pousou
No dorso da minha mão,
E exausta, ficou
Presa, à sua condição:
- Cega, à luz que encadeia; -
E eu, de repente,
Como quem nada receia,
- Irreflectidamente, -
Co'a minha pena malvada,
Vibrei-lhe cruel estocada!
E, inerte, não se moveu...
De novo olhei para ela,
E as asitas bateu,
Voando pela janela.
A sorrir fiquei eu,
E a rir, se foi ela.

Linhares, Junho 19

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Janela, em Ribalonga.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sonhando

Voei em sonho, voei,
Todo feito de reveses,
Nas asas dum sonho -. Sonhei.
- Sonhar é viver mais vezes -
Voei na incerteza de chegar.
Cheguei,
Tão longe, tão longe que cheguei
Até aonde o sonho não cabia,
E a ânsia me bastou.
Voei até aonde a esp'rança é dia!
Que sonho, que doce fantasia,
A dum sonho que eu nunca vi,
Como se a vida fora um sonho,
Todo o sonho que vivi!...

Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: jardim à beira da estrada, em Belver.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Livros - "Fogo e Lágrimas 2"

Numa das minhas visitas à Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães encontrei o livro Fogo e Lágrimas 2 - Poemas-, da autoria de Morais Fernandes. Não sendo um grande apreciador de poesia, gosto daquela que fala de coisas da terra, sejam elas vivências, locais, ou qualquer outro aspeto que possa ajudar na minha Descoberta.
Alguns dos poemas agradaram-me, outros, nem tanto. Há alguns com uma forte carga ideológica, política, até religiosa que o autor assume, mas que não compreendo, nem partilho. No entanto, não posso deixar de saborear e mostrar no blogue alguns poemas que me parecem muito bons.
Há dias, no lançamento de um livro de poemas, conversava eu com o autor da obra a ser lançada sobre o que é bom, ou menos bom, em literatura. Para mim, é bom aquilo que me desperta emoções, que me faz viajar, que me transporta para um mundo diferente daquele em que me encontro. Quando dou comigo a saborear as palavras como se de um prato refinado se tratasse, ou como a ouvir as notas de uma bela peça musical, então a escrita é boa. Como não gostamos todos do mesmo prato, nem das mesmas músicas, também não gostamos dos mesmos textos ou dos mesmos poemas.
Morais Fernandes nasceu em Linhares. Escreve a sua terra e as suas vivências (também num período muito conturbado). O título do livro, Fogo e Lágrimas, sugere algo forte, mesmo violento. Os poemas que pretendo partilhar, de vez em quando, são exceções.

Notas sobre o autor, transcritas do livro
Joaquim Morais Fernandes - Médico, nascido a 5 de Julho de 1917, no lugar e freguesia de Linhares, concelho de Carrazeda de Ansiães - Bragança.
Filho de Carlos Augusto Morais e Maria Augusta Fernandes.Autor de Fogo e Lágrimas e do presente - Fogo e Lágrimas 2.
Ex Delegado de Saúde. Fundador do centro de Saúde e do Ensino Secundário Liceal em Carrazeda de Ansiães.

Ao Povo Transmontano

Sabes fazer amigos, que amigo és Tu,
Já que em teu peito reina a Forja do Bem;
Que abraço verdadeiro, fraterno e nu,
Só nasce no coração de quem o tem!...

Não o abraço protocolar do momento,
Ou a conveniência da ocasião;...
Mas o forte e profundo sentimento
Que, à força do Bem, pões força e razão!

E, já das lavas do reino de Vulcano,
São tuas mágoas de bênção e de amor,
- Grinaldas, elmo do Povo Transmontano.

Assim nasceste e assim viverás!
Alma em fogo, o teu peito de granito,
Transmontano irmão, tudo vencerás;
Teu corpo é dor, tua alma infinito.
Luta até ao último adeus, - à morte, -
No frio ardente do gelo da sorte!...

Linhares, 1 de Abril 1993

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ao Povo Transmontano


Sabes fazer amigos, que amigo és Tu,
Já que em teu peito reina a Forja do Bem;
Que abraço verdadeiro, fraterno e nu,
Só nasce no coração de quem o tem!...
Não o abraço protocolar do momento,
Ou a conveniência da ocasião;. . .
Mas o forte e profundo sentimento
Que, à força do Bem, pões força e razão!
E, já das lavas do reino de Vulcano,
São tuas mágoas de benção e de amor,
- Grinaldas, elmo do Povo Transmontano.
Assim nasceste e assim viverás!
Alma em fogo, o teu peito de granito,
Transmontano irmão, tudo vencerás;
Teu corpo é dor, tua alma infinito.
Luta até ao último adeus, - à morte, -
No frio ardente do gelo da sorte!...

Linhares, 1 de Abril 1993

Poema de Morais Fernandes, natural de Linhares, retirado do livro "Fogo e Lágrimas 2 - Poemas", editado em 1997, editado pela Coimbra Editora, Limitada.
Fotografia: Rio Tua visto do termo de Parambos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Desejo 4

Na frescura da tarde
prende-se-me a saudade ao pensamento.
De perto e de longe
chegam-me desejos...
E quanto mor a distância,
mais desejo o teu beijo,
mais requeiro o teu abraço.
Nas birras e queixumes
se espraiam os ciúmes
que nos detêm sem fim,
qual centro de girassol,
e se juntam
sem luar nem pôr do sol.

(19.8.85)

Poema de João Manuel Sampaio, do livro Rude (A)gosto no olhar, (2000).
Fotografia: Do alto da queda de água do Síbio, em Pinhal do Douro.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Aniversário


O fazer anos é comer fatias
Deste bolo-mistério da existência
Cozinhado no Céu todos os dias
P'ra que à vida não falte a subsistência.

Fazer anos é ver de cotovias
Tapetada a manhã, e uma estridência
Nova mal pressentir nas melodias
Das rosas, cada qual co'a sua essência.

É receber sorrisos francos, ledos,
Das pedras, dos beirais, dos arvoredos
Como se nosso todo o mundo fosse!

E embora represente mais idade,
É sempre uma ilusão de felicidade,
É sempre um amargor que sabe a doce!

Soneto de um poeta vilaflorense, Cabral Adão.
Um dia especial, para um(a) visitante especial.
Parabéns!

domingo, 18 de maio de 2008

Kátias


Corre pelo teu olhar
a vida.
Transbordam do teu coração
inquietos desejos.
Alguém bate à tua porta.
Gotejam das tuas palavras
ondas de mar calmo.
Mesmo que a noite seja escura
as estrelas do céu
Sussurram felicidade.

Poesia de João Manuel Sampaio, do livro Cais do Rio Submerso, 2003.
Fotografia: Pormenor de uma janela, em Pereiros.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Poesia - Esta Arma de Defesa


Com esta caneta escrevo
palavras com pouco sentido
não sei o que faço mas devo
usar as palavras que escrevo
quando me sinto perdido

é esta arma que uso
não tenho outra tão igual
de amar o ódio me resumo
quero desta arma fazer uso
para poder manter amor real

na ponta destes meus dedos
seguro a caneta que escreve
dores, angústias e medos
algumas verdades e segredos
alguns sonhos em sono leve

é tamanha minha ansiedade
que às vezes não me domino
e esta caneta na verdade
corre com tal velocidade
que perco a direcção e tino

tomo-me um ser irracional
escrevo só por instinto
minha situação é tal
que me sinto num pantanal
onde me atolo e sujo me sinto

o pantanal é o meu mundo
onde vivo só e inseguro
meu sofrer é tão profundo
por saber que lá no fundo
não há o amor que procuro.

Poema do livro Ecos do Pensamento, de João Cardoso, natural de Areias.
Fotografia tirada no dia, em Areias, a 24-03-2008.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Minha terra


Minha terra
que encerras
tantas fontes!

Oh, Serra de Bornes
Qual Marão meditador,
quando te vejo
és meu canto embalador.
Rumo em direcção
ao nosso mundo.
Vejo a gente a labutar,
arados, enxadas, jeiras,
romarias, enrugados montes...

Oh, Trás-os-Montes,
terra rude e franca
que me encantas
e embebedas
e enrijeces com nevadas
minhas frontes!...

Poema de João Manuel Sampaio*, do livro "Rude (A)gosto no olhar". Edição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, 2000.

João Manuel Sampaio é natural de Zedes e reside actualmente em Tomar.
A fotografia foi tirada no Vale da Cabreira, entre Zedes e Mogo de Malta.