
Fotografia que recolhi numa curta passagem por Paradela.
Este pequeno pedaço de natureza é o Rio Tua logo por cima da ponte na Brunheda. Vemos a estação do comboio e um pequeno troço da linha.

No primeiro dia do ano fui a Belver. Fiquei contente por verificar que nalgumas aldeias ainda há pessoas disponíveis para levar a cabo iniciativas de são convívio entre a população. No caso de Belver, é a Liga de Amigos de Belver que tem realizado diversos convívios, quebrando a monotonia e por vezes isolamento dos habitantes.


Sem pessoas, sem futuro, quase sem história, definha esquecida, aquecida pelos raios de sol das tardes de Outono. Não fora esta minha ânsia de "descoberta" e desconheceria deste lugar.
Quando cheguei ao centro populacional, a pequena capela de Santo António, com aspecto de uma reconstrução recente, deu-me as boas-vindas. Deixei o carro e continuei a pé. Pela única rua da aldeia encontrei alguns cachorros e idosos. Uma velhinha de roupas escuras e pele encolhida pela geada, surpreendida pela máquina fotográfica que levada a tiracolo, tratou de me oferecer em venda algumas casas velhas que possuía. Do tempos áureos, restam casas velhas, a maior parte em completo abandono. Surpreendida com a minha afirmação de que teria todo o gosto em aí viver, sentiu-se incentivada a mostrar-me todo o património edificado que já de pouco lhe servia. Como pontos de interesse na aldeia destaco a inscrição numa casa, com a data de 1726, um fontanário que deve ser bastante antigo e um cruzeiro. De tudo o que vi, o que me impressionou, foi o espaço envolvente, os sinais do Outono, o que mais me atraiu.
Em volta da aldeia, os castanheiros, os carvalhos, a erva seca dos lameiros, tudo fazia lembrar o Outono. Quando me afastei um pouco da aldeia, em direcção a Fontelonga, o olhar perdeu-se nos montes em direcção ao Douro. De Pena Fria, seguimos para o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Alagoa, continuamos pelo Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilarinho da Castanheira, continuamos pela crista montanhosa e, de repente, abre-se um vazio que esconde o Rio Douro, envolto numa banda de gaze, que se difunde até ao azul do céu. Também no extremo (ou entrada) de Pena Fria, um nicho com a imagem de Nossa Senhora de Fátima parece dar as boas-vindas aos visitantes.
Eu, fascinado com a beleza outonal desta pequena aldeia, prometi voltar. Estive em Pena Fria nos dias, 25 e 27 de Novembro. Começou a ganhar significado para mim. Pode ser "fria" de nome, mas é quente, pintada das cores quentes do Outono, virada ao Sul exposta ao Sol, esperando ser visitada.

