
Desejo a todos os visitantes deste Blog uma Boa Páscoa.


Numa altura em que nas zonas mais quentes as amendoeiras em flor são cada vez menos, este é o espectáculo que ainda se pode observar no concelho de Carrazeda de Ansiães. Esta fotografia foi conseguída no dia 01 de Março, em Zedes, onde já há muitas amendoeiras floridas mas também há algumas que vão florir ao longo desta semana que agora começa.
Já tinha ouvido comentários que este ano não haveria festejos de Carnaval e o tradicional cortejo com alunos das escolas acabou por não se realizar, ao que parece por falta de apoio da autarquia. Todos temos acompanhado pela comunicação social o estado miserável das finanças locais e o corte de algumas actividades não surpreendem ninguém.
Formou-se o cortejo que acompanharia o defunto Entrudo à sua morada final. À frente, a cruz e as lanternas, logo depois o carro negro da Agência Machado, “que de manhã não abre e à tarde está fechado”, onde já jazia inerte o Entrudo. Não sei como permanecia assim, parado, porque os gritos das carpideiras eram de fazer um defunto fugir da própria tumba. Tudo em volta estava vestido de negro, mas as lágrimas da “viúva” contrastavam com o ritmo dos bombos e algumas bombas de confetes e serpentinas .
Também os instrumentistas se encontravam vestidos de negro, com a cara tapada, cada um com um máscara mais feia do que o outro. Para completar o quadro, já por si pavoroso, a sirene do carro dos bombeiros fazia-se ouvir não sendo capaz de abafar os gritos lancinantes das mulheres que choravam a sua perda. De vez em quando a viúva subia ao caixão, sentava-se em cima do Entrudo que não reagia nem mesmo à exibição das provocadoras meias negras rendadas.
Depois das despedidas finais, o defunto foi transportado em ombros para o recinto da feira e abandonado à luz de algum fogo de artifício. As atenções foram-se desviando do malogrado Entrudo, concentrando-se no colorido fogo. Poucos se aperceberam da enorme explosão que colocou ponto final à curta, mas boémia presença, do Entrudo no ano de 2008. Depois de passar por queimas, enterros, etc. eis que os carrazedenses descobriram uma nova forma de se despedirem do Entrudo: fazendo-o explodir. A estranha e triste viúva caiu nos braços de algum jovem que a reconfortou e ninguém mais prestou atenção aos bocados de feno espalhados pelo chão, entranhas do Entrudo.
O espectáculo completou-se com mais de meia dúzia de cospe-fogo e malabaristas a exibirem-se em simultâneo. Havia bolas de fogo em círculo, grandes labaredas que saíam das bocas fazendo lembrar as chamas em que se devia estar a consumir a alma do Entrudo, coscuvilheiro, bêbado e mulherengo.
Este pequeno pedaço de natureza é o Rio Tua logo por cima da ponte na Brunheda. Vemos a estação do comboio e um pequeno troço da linha.

No primeiro dia do ano fui a Belver. Fiquei contente por verificar que nalgumas aldeias ainda há pessoas disponíveis para levar a cabo iniciativas de são convívio entre a população. No caso de Belver, é a Liga de Amigos de Belver que tem realizado diversos convívios, quebrando a monotonia e por vezes isolamento dos habitantes.