

Entrei em
Codeçais pela
Rua da Portela. Rapidamente me senti apertado, mesmo no meu carro estreito.
Codeçais não é aldeia para se percorrer de carro. Estacionei no primeiro espaço suficiente que encontrei, algures próximo da
Rua da Mina. Exploraria primeiro todas as ruas, a pé, e procuraria depois uma saída.
Mal larguei o carro, fascinou-me a
quietude da aldeia. Mesmo a meio da manhã, a mistura de cores, as portas cheias de rugas do tempo, os alpendres, a irregularidade das ruas e, sobretudo, a omnipresença do granito chamavam a objectiva.

O dia estava sombrio, por isso optei por captar a alma da aldeia nos pequenos
pormenores.

As
datas gravadas nas ombreiras de portas e janelas atestam a idade das pedras e a fixação do homem nestas paragens. Curiosamente a história de
Codeçais não está ligada ao altaneiro castelo de
Anciães, mas sim ao concelho de
Freixiel, a que deve ter pertencido desde a sua fundação em 1195, até à sua extinção em 1836.
Durante o séc. XV e XVI
Codeçais pertencia à paróquia de
Santo Amaro (Pereiros e Codeçais). Nos registos da visita feita pelo Comendador Frei Dom José Telles, da Comenda de Santa Maria Madalena de
Freixiel (anexa à Comenda de Poiares), em Julho de 1766, afirma-se que a capela de
Codeçais tinha sido feita à dez ou doze anos. O seu retábulo dourado e pintado, era da antiga capela, pelo que se depreende a existência de uma capela anterior.

Foi para a igreja que me dirigi,
subindo a íngreme
Rua da Igreja (o campo de futebol fica próximo).

Talvez para me saudarem, os sinos do sóbrio campanário, tocaram uma suave melodia. Tão suave que se deixou levar pela brisa que soprava em direcção ao rio. Escondido atrás de uma corneta, no campanário, está um bonito relógio de sol, relevado para segundo plano.
Animado pela paisagem, continuei a subir até chegar ao cemitério. Trepei a uma fraga onde se encontra pregada um cruz branca, sentei-me e admirei tudo em redor. A pequena aldeia tem outro aspecto,
vista de cima. Na parte
mais antiga, os telhados antigos alternam com telhados recentes de casas recuperadas, mas no Bairro Novo adivinham-se boas e bonitas casas. O meu olhar voou para além rio, até à
Sobreira e
Carlão, mas logo voltaram à tranquilidade das ruas a meus pés.

Desci à aldeia. Percorri as ruas, espreitei os becos, admirei os restos do dia a dia em muitas casas abandonadas. Por fim, cheguei ao seu
coração, o
Largo do Cruzeiro. Este cruzeiro do
Senhor dos Aflitos, datado de 1863, testemunha o viver de
Codeçais, principalmente aos Domingos, quando o sol está mais convidativo. Também aqui não encontrei ninguém. Nem vestígios de um comércio, de uma taberna, nada, uma tranquilidade absoluta. Desci a
Rua do Olmo, depois à
Rua da Santrilha e ainda à
Rua da Barreira, só me faltou mesmo a
Rua do Vale e a
Rua da Fonte. A escola estava lá, abandonada, ainda mais abandonada do que o resto da aldeia.
Fui buscar o carro e fui nele até ao
Bairro Novo. A tentação para descer até ao
Rio Tua foi grande, mas, essa será outra
Descoberta, para fazer noutro dia.