sexta-feira, 9 de maio de 2008

À Descoberta, a pedal


Está na hora de partir À Descoberta dos recantos e encantos do concelho, a pedalar. Quem já o faz, por regra, como este amigo que nem sonhava estar a ser fotografado, com certeza que vai continuar. Para os restantes, nunca é tarde para começarem. Até porque vem aí o Verão e uns quilitos a menos, ficam bem.
Quero lembrar que no dia 18 de Maio há BTT em Pombal de Ansiães - 2.ª Rota das Maias (o cartaz está aqui).

A fotografia é na parte velha de Carrazeda.

sábado, 3 de maio de 2008

Na Linha do Tua 4


No dia 1 de Maio tive tempo para mais uma etapa "À Descoberta da Linha do Tua". O meu plano era fazer o percurso que vai da estação da Brunheda a Foz Tua em duas caminhadas ao longo da linha. Mas, com os acontecimentos mais recentes que levaram ao encerramento, precisamente, desse troço da linha, as coisas complicaram-se. Acolhido de um ímpeto daqueles que é difícil controlar, decidi fazer todo o percurso numa só etapa.

Da estação de Brunheda a Foz Tua são 21 quilómetros. Além da distância, tinha que jogar com os horários da automotora para não ter que levar o carro até muito longe daqui ou ter que estar a incomodar outras pessoas. Depois da experiência entre o Cachão e Mirandela, achei que 21 quilómetros estavam dentro das minhas possibilidades para caminhar, não sabia era se a fotografia me iria deixar tempo para fazer todo o percurso. Caso não conseguisse, as dificuldades em voltar a casa seriam mais do que muitas, visto que, entre a ponte na Brunheda e o Tua, não há nenhum local com grande movimento de pessoas ou de viaturas.

A força de um desafio, ultrapassa por vezes a razão, e, na manhã do dia 1, estava bem acordado mal despontou o sol. Tinha planeado tudo muito bem durante a noite: ia de automóvel até à Ribeirinha; seguia de automotora até à Brunheda; tomaria o táxi que faz o transbordo dos passageiros até ao Tua; teria aproximadamente 6 horas para fazer o percurso, linha acima, a tempo de voltar a apanhar a automotora na Brunheda próximo das 19 horas.
Preparei a mochila. Vai estar calor ou vai fazer frio? Quanta água vou beber? Levo uma lanterna? E o almoço? Sou muito prático com todas estas coisas e alguns anos de caminhadas deram-me alguma experiência.
Às nove horas já andava a fotografar as ruas mais típicas em Vilas Boas. Desci calmamente até ao Rio Tua. O dia prometia. Estava fresco, havia muito orvalho mas quase não se viam nuvens. O amarelo das maias contrastava com o verde das oliveiras. O monte do Faro parecia ainda não ter acordado, mas a Serra dos Paços, no concelho de Mirandela, estava radiante, esticada ao sol.

Quando cheguei à estação da Ribeirinha, o meu amigo Abílio ficou contente por me ver. O sr. Abílio é o “guardião” da linha. Mora na estação e conhece toda a linha palmo a palmo. Veio da Urrós, Mogadouro e por aqui trabalhou enquanto os ossos aguentaram. Quando fala, recorda com saudade os tempos em que percorria a linha, a altas horas da madrugada, fazendo reparações aqui e além, para que no dia seguinte tudo estivesse pronto. Nota-se-lhe na voz algum desalento e fala do encerramento da linha, como fala da sua hérnia ou nas suas pernas que já demoram a obedecer. Caminhámos perto da linha durante alguns minutos. A erva alta encharcou-me as botas. Já nem há burros na Ribeirinha para pastarem aquela viçosa erva, há apenas um burrico e uma mula, para puxar uma carroça ou para lavrar alguma pequena horta.
Andávamos por ali entretidos com a conversa, quando chegou outro automóvel. Trazia 4 técnicos que vestiram os seus coletes florescentes e se puseram a fazer medições, via fora, resistindo aos nossos olhares desconfiados.

Às dez e trinta minutos chegou a automotora. Com medo que não parasse, acenei-lhe, mas a Ribeirinha é paragem obrigatória.
Quando o revisor se aproximou para me tirar o bilhete, soube a novidade. A automotora já não seguia até à Brunheda, ficaria em Abreiro, 13 quilómetros mais abaixo. A notícia baralhou-me por completo. Durante esses quilómetros, com paisagens magníficas, dividi-me entre o multicolorido dos montes e a reformulação do plano. Em Abreiro já nos esperava uma carrinha táxi, por sinal conduzida por um meu conhecido, de Carrazeda de Ansiães. Não sobrou um lugar. Éramos precisamente nove, contando com o revisor. Seguimos em direcção a Abreiro, Milhais e depois Sobreira. Este percurso é bonito, acreditem. O céu pintou-se de um azul carregado; apareceram algumas nuvens brancas; só me apetecia pular daquele táxi e ficar mesmo ali gozando a liberdade de um dia fantástico, longe de tudo que nos aflige no dia a dia. Fiquei um pouco mais abaixo, plantado em plena ponte da Brunheda, sobre o Rio Tua e sobre a linha.
Decidi fazer o percurso ao contrário do que tinha planeado, sairia da Brunheda em direcção a Foz-Tua. Mal o táxi arrancou, desci à linha, não tinha tempo a perder.

Foi um início de caminhada fantástico! Todos os elementos naturais se conjugaram de forma tão perfeita que receei, logo ali, não ter tempo suficiente para chegar ao Tua. O ar estava fresco; o céu tinha um azul intenso salpicado de nuvens mais brancas do que a neve; o rio corria forte, embora o seu caudal tivesse baixado nos últimos dias; as encostas do vale brilhavam de um verde puro, salpicado com manchas de várias cores; a linha descia em direcção a Sueste ladeada por tufos de flores. Olhava para trás a cada dezena de metros percorridos. A posição do sol fazia com que, precisamente nas minhas costas, a luz tivesse as condições ideais para ser polarizada e provocar aquele céu azul que eu tanto gosto.
A primeira paragem foi no apeadeiro de Tralhão. Nem todos saberão, mas tralhão é uma designação regional para uma ave. Este apeadeiro fica plantado aqui no meio do nada. Penso que serviria a aldeia de Pinhal do Norte, mas desconheço se há alguma estrada que lhe dê acesso. Não tem telhado mas sim uma placa de betão, transformando o apeadeiro num interessante miradouro sobre a linha e sobre o rio. Subi as escadinhas e tirei algumas fotografias. Nas traseiras do edifício há um curioso forno, de forma rectangular, coberto por um telhado com duas águas.

Um pouco depois, numa curva da linha, avistei algumas casas cravadas na encosta em frente. Era S. Lourenço. O tempo parece ter parado nas ruínas das casas. Há mais de duas décadas passeei bastante por este local. Não fora o edifício da estação e eu dizia que nada por aqui mudou. As velhas casinhas com alpendre de madeira lá continuam, em ruína, como sempre estiveram. Bem gostava de ter subido junto à fonte, pedir ao santo boa sorte para a caminhada, visitar a pequena capela, quem sabe beber uma garrafa de água fresca na taberna onde tantas vezes comprei tremoços, nas tardes de domingo.

Concentrei-me de novo na linha. Faltavam-me 15 quilómetros para o Tua e, embora tenha planeado o percurso do Tua para a Brunheda, sentia que me estava a atrasar. Pouco depois de deixar a estação das termas de S. Lourenço, encontrei um dos rochedos mais pitorescos de todo o percurso. Parece plantado entre a linha e o rio por uma mão poderosa, para nos impressionar, qual estátua de basalto na ilha de Páscoa. O céu, agora com bastantes nuvens, criava zonas de sol e sombra complicando a fotografia. Esperei alguns minutos que a construção se iluminasse e disparei algumas fotografias sem grandes preocupações de enquadramento.

Continuei a viagem, desta vez em passo bastante apressado. Nem a visão fugaz do primeiro medronheiro me fez abrandar. Esta zona é bastante bonita. Há muita vegetação, constituída principalmente por giestas, zimbros, sobreiros e pinheiros literalmente cravados nas rochas. O rio corre muito próximo, apertado de ambos os lados por grandes blocos de granito tão duro que raramente evidencia marcas das correntes de séculos. Não resisti a um tufo de madressilva pendurada sobre o rio e descansei um pouco.

Numa curva da linha avistei o Amieiro. A pequena aldeia, pendurada na montanha, é muito fotogénica. Era uma e meia da tarde e nada mais se ouvia além do som da água batendo em rochas ciclópicas. Que panorâmica magnífica se deve ter desta aldeia! Senti curiosidade em conhecer o teleférico, ou o que resta dele, que traz as pessoas para a estação de Santa Luzia. De um lado do rio a aldeia, do outro a pequena estação rodeada de rochedos que ameaçam esmagá-la a cada instante. É um lugar solitário, de paz, onde apetece parar e deixar o tempo passar, sem preocupações. Saí dali com pena, a passo lento. Aproveitei para comer alguma coisa, enquanto caminhava. Estava sensivelmente no quilómetro doze. Pouco depois atravessei uma ponte, penso que se trata da Ribeira do Barrabáz. No alto das montanhas é a Aborraceira, um local onde espero ainda ir um dia.

Entre o quilómetro 9 e o 10 há um túnel, em curva, o maior de todos os seis que existem na linha. É o Túnel da Falcoeira. Apesar do nome sugerir aves de rapina, não vi nenhuma durante todo o percurso. Curiosamente o dia não estava muito bom para observação de aves. Quase posso resumir a lista de aves que vi : perdizes, pombos-torcaz, melros, melros azuis, tentelhões e andorinhas das rochas. No que toca à flora, destaco o medronheiro de que já falei, a giesta (Cytisus scoparius), a urze (já sem flor), a dedaleira (Digitalis purpurea L.), encontrei uma completamente branca, nunca tinha visto, espadana dos montes (Gladiolus illyricus), madressilva (Lonicera etrusca)…entre outras.

Também encontrei bastantes ninhos de pequenos passeriformes nos barrancos da linha. Alguns deles tinham ovos.
O rio faz um apertado cotovelo e, logo depois, aparece o pequeno apeadeiro de Castanheiro quase escondido na encosta. Perto deste havia dois ou três veículos automóveis e junto ao rio estava uma meia dúzia de homens. Estavam todos entretidos, pelo que pude perceber a estripar peixes! Perto deles, nos rochedos, estava uma enorme panela de ferro, daquelas que usavam para cozer os ossos das alheiras! Deu-me impressão que se preparavam para fazer uma valente caldeirada. Reconheci alguns, eram de Carrazeda de Ansiães. Ainda pensei em ir conversar com eles, mas segui viagem.

Pouco depois encontrei uma zona da linha que parecia ter sido mexida recentemente. Devia ser o local onde ocorreu o acidente de 12 de Fevereiro de 2007, em que perderam a vida três pessoas. O local não é, nem mais, nem menos perigoso, do que a maior parte da linha. Nos percursos que já fiz, vi com frequência pequenas pedras que se desprenderam por causas naturais e rolaram até perto da linha. Em muitas locais já foram colocadas protecções, mas é impossível coloca-las em todos os locais onde há perigo. Viajei bastante na linha do Douro e sempre tive receio que um dia o comboio descarrilasse para o rio. Felizmente nunca aconteceu.
Entre o quilómetro 5 e o quilómetro 7 há dois túneis. Este sim é um local assustador. Entre os dois, o Túnel Fragas Más e o Túnel do Boitrão, a linha é suportada por uma estrutura de betão com alguns metros de altura. É uma das zonas mais agreste e a mais assustadora de todo o percurso.

Neste local há uma outra atracção, mas do lado oposto do rio, em território do concelho de Alijó. Trata-se de um conjunto de pequenas cascatas, que só terminam quando a água da Ribeira de S. Mamede atinge o rio. Tive sorte porque a ribeira ainda corre bastante água e a paisagem estava um encanto.
Pouco depois surge um outro túnel, o Túnel da Aveleda que antecede a estação de Tralhariz. A paisagem muda bastante neste local. Começam a ver-se muitos socalcos com oliveiras principalmente na margem esquerda do rio. As vinhas também começam a marcar presença.

A luz começava a estar mais baixa, tentando entrar pelo vale acima. O céu perdeu o brilho da manhã e início de tarde, mostrando-se agora cheio de neblina com a luz difusa. Quer os meus olhos, quer os meus pés já ansiavam por ver os vinhedos do Douro, mas ainda faltavam 3 quilómetros. Perto da foz do Tua as margens ganham de novo altura e a dureza do granito. O leito estreita-se formando uma garganta de paredes verticais de rocha pura e nua. É neste local que se planeia a construção da barragem. Já se avistava a ponte sobre o Tua e os vinhedos do outro lado Douro. Depois de um pequeno túnel há uma ponte metálica, o Túnel e a Ponte das Presas. À volta da ponte, há uma estrutura metálica e obras de restauro na mesma.
Já se avistam as casas de Foz Tua e o olhar alonga-se ao correr do Douro.

Cheguei à estação às seis horas menos um quarto. A calma era total. Entre sentar-me num banco a descansar um pouco, comer alguns mantimentos que ainda tinha comigo, ou dar um passeio pela estação, admirando velhas glórias dos caminhos-de-ferro que por ali se encontram, optei por esta última. Há algumas composições da via estreita que vão morrendo aos poucos. As portas estão abertas, arrancam-lhe os bancos, as lâmpadas e partem-lhe os vidros. O cenário é degradante.
No interior da estação há algumas peças museológicas dos caminhos-de-ferro. Estas sim, bem cuidadas e apresentadas.
Chegou uma composição procedente do Pocinho e uma outra do Porto. Ambas partiram rumo aos seus destinos e eu abandonei a estação à procura do táxi. Na viagem de regresso éramos apenas dois passageiros e o revisor. Mantivemo-nos os três, até que abandonei a composição do metro, na Ribeirinha.

O percurso de regresso a Abreiro até é interessante, mas não me parece que seja o que os turistas que vêm viajar na Linha do Tua, pretendem ver. Saímos do Tua às 18:22 e fizemos o seguinte percurso: Ribalonga, Castanheiro, Paradela, Pombal, Pinhal do Norte, Brunheda, Sobreira, Milhais e Abreiro . Perto da Sobreira cruzámos com outros dois táxis que faziam o percurso inverso.
Às 19:35 estava de volta à Ribeirinha. Tinha o sr. Abílio à minha espera, para saber as novidades sobre a linha.
Subi a Vilas Boas quando os últimos raios de sol quente iluminavam o cabeço de Nossa Senhora da Assunção. Vinha contente. Tudo correu bem. Fisicamente sentia-me bem. O dia também esteve agradável para caminhar, não fazendo muito calor. Não tive nenhum percalço no percurso, o que teria sido muito mau, uma vez que só há rede de telemóvel (da rede que uso) no Amieiro e depois de deixar o Tua em direcção a Ribalonga.

Em termos fotográficos, foi um dia muito produtivo. Depois de apagar algumas fotografias exageradamente falhadas, sobraram 1390, que dá uma média superior a 6 fotografias por cada 100 metros. Preferia ter feito o percurso em duas etapas. Teria tido mais tempo para dedicar a determinados aspectos da fauna e da flora, até mesmo da linha e do rio, que gostava de explorar. Quem sabe se esta não foi só a minha primeira viagem a pé, de Mirandela a Foz Tua?
Ligação para a 1.ªetapa entre Cachão e Ribeirinha
Ligação para a 2.ªetapa entre a Brunheda e Ribeirinha
Ligação para a 3.ªetapa entre a Cachão e Mirandela
Ligação para a 4.ªetapa entre a Brunheda e Foz-Tua

Mais fotografias no Blogue - "A Linha é Tua"

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Poesia - Esta Arma de Defesa


Com esta caneta escrevo
palavras com pouco sentido
não sei o que faço mas devo
usar as palavras que escrevo
quando me sinto perdido

é esta arma que uso
não tenho outra tão igual
de amar o ódio me resumo
quero desta arma fazer uso
para poder manter amor real

na ponta destes meus dedos
seguro a caneta que escreve
dores, angústias e medos
algumas verdades e segredos
alguns sonhos em sono leve

é tamanha minha ansiedade
que às vezes não me domino
e esta caneta na verdade
corre com tal velocidade
que perco a direcção e tino

tomo-me um ser irracional
escrevo só por instinto
minha situação é tal
que me sinto num pantanal
onde me atolo e sujo me sinto

o pantanal é o meu mundo
onde vivo só e inseguro
meu sofrer é tão profundo
por saber que lá no fundo
não há o amor que procuro.

Poema do livro Ecos do Pensamento, de João Cardoso, natural de Areias.
Fotografia tirada no dia, em Areias, a 24-03-2008.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Petição pela Linha do Tua VIVA


Como tenho mostrado pelas fotografias recentes neste Blog, a Linha do Tua é um dos locais mais bonitos de se percorrer no Nordeste Trasmontano. A par disso, é uma importante obra de engenharia feita por aqueles que acreditaram que os que cá viviam, também tinham direitos.
Os movimentos a favor da manutenção da linha (contra a barragem), são muitas vezes acusados de nem saberem onde fica o Tua, de serem estrangeiros. Os que vivemos aqui, e que queremos continuar a viver, também somos capazes de imaginar outro tipo de desenvolvimento, sem destruição do nosso património e sem esvaziamento da região de quase tudo o que foi conquistado com muito esforço. Apregoa-se o desenvolvimento à custa da desertificação, do encerramento, da entrega das poucas coisas valiosas que temos aos grandes interesses económicos.
Os próprios autarcas estão "tão convencidos" das vantagens da construção da barragem, que na reunião que tiveram em Carrazeda de Ansiães a meados de Abril, quando pensavam discutir as contrapartidas a pedir, decidiram criar uma comissão para o estudo do desenvolvimento da região, aceitando como possível a manutenção da Linha do Tua como factor de potencial desenvolvimento.
Aconselho a leitura da Petição pela Linha do Tua neste endereço, e a assinarem-na, como forma de empenhamento na defesa de um património que é nosso, mas que queremos deixar às gerações futuras.

Mais informação aqui:
http://www.alinhadotua.com
http://www.linhadotua.net

A fotografia foi tirada na Linha do Tua, no dia 05 de Abril de 2008, no termo da freguesia de Pereiros.

domingo, 27 de abril de 2008

XX Feira do Livro, em Carrazeda de Ansiães


Hoje fui à XX Feira do Livro, em Carrazeda de Ansiães. Tal como no ano passado, cheguei muito cedo, a feira só abria às 16 horas. Aproveitámos para fazer um curto passeio pela vila, à procura de novidades.
Pouco depois das 16 regressámos ao Salão de Festas do Bombeiros Voluntários de Carrazeda de Ansiães, onde já se ouvia a alegre música do Rancho Folclórico de Selhariz. A música era animada e os bailarinos muito jovens, por isso não faltou alegria e muita rapidez nos passos de dança. Convidaram a assistência para uma dança, mas eu não tive coragem.
A nossa fasquia era 2 livros por pessoa, o que daria 8 livros, mas acabámos por comprar só sete. A mim tocaram-me quatro (alguém da família se absteve)! Quem quer partir À Descoberta do concelho, pode fazê-lo também pela literatura. É uma área bem interessante, até pelo leque de autores locais, que escrevem frequentemente sobre o concelho. A minha escolha recaiu sobre “A Festa de Santa Eufémia – Lavandeira” de Hélder de Rodrigues; “Carrazeda de Ansiães Suas Terras e Suas Gentes”, de Arcelina Samorinha; “Ecos do Pensamento”, de João Cardoso e “Pombal de Ansiães: A Terra e a Memória”, de Fernando Augusto de Figueiredo. Quando cheguei a casa desfolhei o primeiro, que me pareceu bastante caro. Além da qualidade das fotografias ser do pior que já vi, consta na página 103 uma Anta de Zedes, que eu desconheço completamente! Espero que não haja mais erros destes e que o texto mereça o preço do livro.
Da organização da feira aponto mais dois aspectos menos simpáticos: o bar dos bombeiros estava fechado! Será que não estão interessados em fazer algum dinheiro? Não passam qualquer factura na compra dos livros, nem um simples comprovativo de que os mesmos já foram pagos. Um dos meus filhos foi questionado se tinha realmente pago o livro que trazia. Não é obrigatório por lei a passagem de um recibo?
Saímos ainda com tempo de um longo passeio à Senhora da Ribeira, mas essa é uma história para outro dia.

sábado, 26 de abril de 2008

Na Linha do Tua - 3

Mais um passeio fantástico pela Linha do Tua, desta vez no concelho de Mirandela. Foi a terceira etapa e percorri a linha entre Cachão e Mirandela. Toda a reportagem pode ser vista no Blog de um amigo meu, de Frechas.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Brincadeira

Brincadeira na relva junto à "Cadeia", no "Fundo-da-vila".

segunda-feira, 21 de abril de 2008

No Fundo-da-vila

"Fundo-da-vila", em Carrazeda de Ansiães, junto à Fonte das Sereias.
Fotografia tirada a 05-07-2007.

sábado, 19 de abril de 2008

Parabéns - 1 ano À Descoberta


O Blogue À Descoberta de Carrazeda de Ansiães, completou no dia 14 Março um ano de existência. Criado sem compromissos, pelo simples gozo da descoberta, entusiasmou-me, levando-me a locais onde não esperava ir.
Foram 60 posts, 6 764 visitantes e 21263 páginas vistas (agradeço a todos os visitantes). O principal objectivo não era cativar visitantes, mas descobrir as belezas naturais, o património arqueológico ou outras vertentes do concelho que me despertaram a atenção. Em questão de notícias, há pelo menos dois blogues, sempre actualizados, que visito diariamente. Não me sinto informado, nem entusiasmado, para partilhar esse tipo de informação. Assim, este blogue continuará a mostrar com fotografias originais, acompanhadas de algumas linhas de texto (sempre que possível), uma visão bastante pessoal do concelho.
Espero que o trabalho realizado durante este ano tenha agradado e que continuem a visitar o blogue, como forma de me motivar a mostrar cada vez mais recantos do concelho que vou (re) descobrindo.

A fotografia mostra um pormenor da fachada da igreja matriz de Marzagão. Curiosa é a cruz, em baixo. Apresenta algumas características da primeira cruz da Ordem de Cristo, do séc. XIV, mas a cruz é muito pequena em relação ao círculo em que se encontra. Na altura da construção da igreja, aberta ao culto em 1575, a cruz de da Ordem de Cristo já não tinha a mesma forma. Esta cruz fez-me lembrar outra cruz semelhante, mas da Ordem de Malta, na fachada da bonita igreja de Samões.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

18 de Abril é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios


Hoje, 18 de Abril é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. O Ministério da Cultura escolheu como tema deste ano “Património Religioso e Espaços Sagrados” abrangendo não só os locais cristãos mas também locais ligados ao culto em épocas anteriores ao cristianismo.

No concelho de Carrazeda de Ansiães há muitos locais que se podem visitar. Além da beleza e do valor histórico que apresentam as antas de Zedes e a do Vilarinho da Castanheira, atrevo-me a recomendar a Igreja de S. Salvador, no Castelo de Ansiães. Verifiquei com agrado que agora há uma pessoa para acompanhar os visitantes e abrir a igreja, permitindo admirar todo um conjunto de peças arqueológicas que se encontram no seu interior. Vale bem uma visita.
Se ainda assim sobrar algum tempo, é sempre agradável descer à Lavandeia e visitar a Igreja de S.ª Eufémia ou dar um saltinho a Linhares para apreciar a Igreja de S. Miguel.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pouca-terra, pouca-terra


Afinal a convicção de alguns autarcas (engenheiros!) não está tão sólida como parecia. Pela ideia com que fiquei depois de ler a notícia difundida pela agência Lusa, os autarcas decidiram "avançar com um projecto de planeamento e desenvolvimento do Vale do Tua para criação de riqueza e competitividade"! Quem foi eleito esta semana não foi o Berlusconi? Que estiveram a fazer até hoje?
Somos levados a crer que todos os cenários estão ainda em aberto, mas, ouvindo as palavras "ninguém tem mais legitimidade do que os autarcas, eleitos pelo voto do povo", lembro-me de outras promessas, feitas mas não cumpridas e a um discurso recorrente, ultimamente.
Entretanto... vamos sonhando... pouca-terra, p o u c a-t e r r a...

Fotografia: A "curvas" da Linha do Tua, perto da Brunheda.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Pouca-terra, pouca-terra

Pouca terra, pouca terra, ... já se vê ao longe o Castelo dos Pereiros, vamos entrar nos territórios de Ansiães. Nesta terra onde as maias salpicam de amarelo o verde da esperança, paira sobre a linha uma ameaça. Os "cavaleiros nobres" reúnem-se em Ansiães para decidir o futuro de tão poética e selvagem via. Quanto vale? Uma estrada? Um estádio? Um concerto do Tony Carreira? Não se sacrifica um ente querido em troca de progresso. Quem pensa o contrário, pode muito bem ser o próximo sacrificado.
Dia 16 a linha morre... em Carrazeda!
Entretanto, vamos sonhando... pouca-terra, p o u c a-t e r r a...