O Verão está aí e as aldeias transmontanas vão encher-se de gente, música e alegria. Eu gosto de festas mas, este ano, tenho concorrência à altura, os políticos! Decidi publicitar no Blogue todas as festas de Verão do concelho. Para isso basta que me enviem, em formato electrónico ou em papel, o respectivo cartaz. A conta de correio electrónico é descobriransiaes@gmail.com, mas também podem enviar pelo correio para: À Descoberta Rua de Angola, n.º9 5360-357 – Vila Flor
A fotografia mostra a padroeira de Foz Tua, Nª Srª da Guia , na Festa da Maça do Vinho e do Azeite, que se realiza todos os anos no mês de Agosto, em Carrazeda de Ansiães.
No dia 5 de Julho realizou-se em Areias a tradicional festa em honra de S. Sebastião. Já em 2008 esbarrei com a festa sem estar a contar e, em 2009, aconteceu praticamente o mesmo. Soube da festa por alguns elementos da Banda Filarmónica de Vila Flor, que estiveram presentes, a abrilhantar a procissão. Cheguei a Areias a meio da tarde quando ainda eram poucos os foliões, mesmo em volta do bar. Alguns já treinavam a sua precisão num interessante jogo do Burro. Aproveitei para fazer uma visita à pequena igreja. Foi restaurada há pouco tempo e brilha como nova. Destacam-se no altar de talha dourada três figuras femininas com formas bastante acentuadas, quase provocantes. Não conheço o significado dessas três figuras mas podem muito bem representar a Fé a Esperança e a Caridade. O cálice simbolizaria a Fé, a pomba é um símbolo de Esperança (Noé soltou uma pomba que regressou com um raminho de oliveira) e a figura central que amamenta uma criança enquanto segura outra, seria a Caridade. O culto a S. Sebastião vem desde o século XVII existindo inúmeras confrarias dedicadas a este santo em quase todas as aldeias do concelho e também em Areias. Foi no século XVIII (1790-92) que se deu a construção da actual igreja matriz do Amedo. É bem possível que a pequena igreja de Areias seja da mesma época ou até mais antiga.
Na igreja já se encontravam os andores, pequenos mas ricamente enfeitados com flores naturais. Das imagens, S. Sebastião, Nossa Senhora de Fátima, S. Bárbara e a que deve ser Santa Luzia, destaco esta última, seguramente a mais antiga. Devia ter uma folha de palma na mão direita, mas já não a tem e não entendo o porquê da coroa. A procissão só saiu depois das seis da tarde, o que me deu tempo para deambular pela aldeia, cumprimentar amigos e integrar-me por completo no espírito da festa. O jogo do Burro continuou, com muitos a tentarem a sua sorte. Os prémios esperavam à sombra da uma pereira: garrafas de vinho e licores, mel, um coelho mas também algumas caixas com prémios surpresa. Com o apertar do calor, foi a cerveja e os tradicionais tremoços (havia uma antiga tremoceira em Areias, mas não a vi na festa) que juntaram mais adeptos. Eram quase dezanove horas quando a procissão subiu a Rua do Barreiro, seguindo depois para o início da aldeia na Nacional 628. Cortei caminho para procurar alguns pontos estratégicos que me permitissem fotografar o melhor possível. Exibiram-se as colchas de renda, que se juntaram ao colorido das fitas (agora plásticas) espalhadas pelas ruas. A passo lento deixaram a Avenida Principal e subiram ao ponto mais alto da aldeia, pela Rua da Eira, regressando ao centro pela Rua do Eiró. Quando a procissão recolheu, já o grupo musical (com o meu amigo Reixelo) tocava os primeiros acordes de música popular para animar a malta. Não fiquei para ao arraial, mas agradeço os convites que recebi para o jantar. Ainda bem que há gente em Areias que se apercebe que eu gosto de divulgar a aldeia, e que, desta forma, chega rapidamente a todos os cantos do mundo.
A fotografia desta bonita varanda em Pereiros serve também para lembrar que a festa nesta aldeia se vai realizar já neste fim-de-semana. É pena, mas não vou poder estar presente para tirar algumas fotografias... Espero que se divirtam.
Mais uma vez sem querer, terminei o dia de ontem em Areias. Estou a pensar escrever um pequeno texto sobre o que se passou, mas, enquanto não aparece, ficam duas fotografias da procissão.
Passei grande parte do dia 27 de Junho em Vilarinho da Castanheira. Tive a oportunidade de conhecer a Casa Dona Urraca, espaço vocacionado para o Agroturismo e também dar um largo passeio pela aldeia do Vilarinho, terra grande, cheia de locais, pessoas e histórias que dá gosto Descobrir. A Casa Dona Urraca foi buscar o seu nome ao facto de, supostamente, aí ter dormido Dona Urraca, esposa do Rei de Portugal D. Afonso II. É constituída por duas habitações independentes, alguns espaços comuns e anexos ligados à produção vinícola, criação de animais, etc. Todas as construções estão cuidadosamente recuperadas, formando um conjunto muito agradável, onde o granito a madeira e a verdura se combinam em espaços convidativos ao repouso. No exterior apreciei os canteiros cheios de rosas, hortênsias e alfazema e um espaço relvado onde se encontra a piscina. Mais à frente existe um lagar e a adega, onde repousam vinhos generosos há muitos anos, em pipos de madeira de carvalho. A casa principal tem dois alpendres, em madeira, um dirigido para nascente e outro para poente. É o local certo para um lanche, depois de alguns mergulhos na piscina, assistindo ao movimento descendente do sol que se esconde por detrás das casas da aldeia. Na cave há um grande espaço para jogos e sala de estar onde se pode ler, ver televisão ou ouvir música. Como estamos em Trás-os-Montes as lareiras são frequentes, havendo uma em quase todos os espaços comuns. A lareira é um elemento importante para criar um espaço aconchegado no Inverno, pelo calor, mas também pela atmosfera que cria. No piso superior há vários quartos, uma cozinha e uma sala de jantar. Outra habitação, totalmente independente, oferece 4 quartos, uma sala de estar (com biblioteca) e uma sala de jantar. Tudo num ambiente rústico, tradicional, sem descurar o conforto. Para sul estendem-se os terrenos agrícolas da Casa, onde predomina a vinha, mas há também hortas, amendoeiras e outras árvores de fruto. Em volta das casas há velhas alfaias expostas, carvalhos, pinheiros e cedros onde as aves gostam de fazer os seus ninhos. Chegou-me ainda o tempo para percorrer as ruas mais recônditas da aldeia, mas, delas falarei noutra oportunidade. Sitio Web da Casa Dona Urraca
Um passeio tranquilo pelas ruas mais estreitas e menos movimentadas de Vilarinho da Castanheira podem surpreender-nos com bonitos recantos floridos. Foi o que me aconteceu, no dia em que tirei esta fotografia.
Nos Codeçais, junto à estrada N630, entre a Rua do Olmo e a Rua da Santrilha, podemos apreciar estas bonitas alminhas. Se em muitas alminhas é difícil precisar a data em que surgiram, estas são muitos recentes uma vez que têm bem visível o ano de 1983 (26 anos). Consistem num painel de azulejo rectangular implantado num bloco de granito. Por cima do retábulo está uma cruz, simples, em alto relevo, fazendo parte também do bloco de granito. Este bloco apoia noutro horizontal que lhe serve de base e que suporta também um candeeiro onde arde uma chama alimentada a azeite. Há um pequeno canteiro que se estende para a direita e para a esquerda das alminhas, protegido com uma grade metálica. O conjunto termina com dois grandes vasos, cúbicos, onde estão plantadas hortênsias (hidrângeas). Há depois um banco para cada lado. O painel de azulejos representa Nossa Senhora com o Menino ao colo. De cada lado está um anjo que estendendo os braços parecem retirar algumas almas do purgatório, onde há novos e velhos e pessoas de diversas cores. Na parede, ao lado das alminhas, há um caixa de esmolas. Nesta fotografia o colorido das pequenas rosas de uma roseira que está plantada por detrás do muro emprestam muito beleza ao quadro, mas no pequeno canteiro não faltam amores-perfeitos, narcisos, ou outras flores, conforme a época. Este modelo de alminhas, embora recente, tem algumas semelhanças com outro que já aqui mostrei e que existe em Mogo de Malta.
Quem desce da Beira Grande para a Senhora da Ribeira utilizando a estreita estrada com excelentes miradouros, poderá encontrar em flor esta espécie de estranha "esteva". Embora parentes próximos das estevas são arbustos muito mais pequenos e pouco abundantes no nordeste trasmontano (pelo que eu conheço). Já os encontrei no concelho de Carrazeda de Ansiães e junto ao Rio Sabor (Moncorvo e Mogadouro) mas sempre em espaços muito limitados. Não é fácil saber a espécie através de uma fotografia, mas poderá tratar-se de Cistus crispus, conhecida por roselha-pequena.