quarta-feira, 25 de agosto de 2010

2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu - Parambos

No dia 22 de Agosto realizou-se, em Parambos, a 2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu. Realizada por altura das festas da aldeia em honra de S. Bartolomeu, é organizada por um grupo de amigos dinamizadores e visitantes do blogue Viver Parambos. Este grupo tem feitos vários percursos na natureza, alguns na Linha do Tua. Desde o seu arranque que mantenho um estreita ligação com o blogue e com os seus responsáveis, por isso, decidi fazer-lhe uma surpresa.
Levantei-me muito cedo, antes do nascer do sol! Às sete da manhã estava em Parambos para inicial a caminhada. Foram chegando pessoas, com a cara ensonada, vindos de todas ruas e bairros da aldeia. Os próprios organizadores não queriam acreditar na adesão!
Quando nascia o sol estávamos a atravessar o campo de futebol de 11 de Parambos em direcção à Fonte de Seixas. Com um percurso estimado em pouco mais de 13 quilómetros, a caminhada prometia a passagem por dois locais arqueológicos importantes e semelhantes: a Fonte de Seixas e a Fraga da Aborraceira.
O grupo era heterogéneo, juntando crianças e jovens e alguns adultos que há muito tempo que não percorriam tais caminhos.
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Seixas, por vezes apontado como santuário da Idade do Bronze ou mesmo da Idade do Ferro. É um dos mais interessantes sítios de arte rupestre do concelho.
Descemos, depois pela encosta, lá para os lados da Quinta da Lavandeia em direcção ao Castanheiro. A aldeia de Ribalonga ainda se encontrava parcialmente nas sombras, mas o cenário era magnífico.
Depois de cruzarmos a Estrada Nacional 214 nas primeiras casas do Castanheiro, seguimos por caminhos rurais, alguns bem antigos em direcção à Quinta da Aborraceira. Alguns dos caminhos utilizados ficaram abandonados no tempo, sendo agora simples carreirões por onde apenas passa uma pessoa de cada vez.
Também esta parte do trajecto me deu muito prazer a fazer. Além do perfil das casas do Castanheiro, sempre recortado na linha do horizonte, o olhar desce as escarpas agrestes até à linha de água que corre entre as encostas, é o rio Tua. A seu lado, a centenária companheira Linha do Tua, que tanto gosto de percorrer. Avista-se o apeadeiro do Castanheiro e os túneis das Fragas Más. Despertaram-me a imaginação para outras caminhadas.
Pouco depois chegámos perto da antiga Quinta da Aborraceira, que deve ter sido um lugar esplêndido e cheio de vida, no passado. É hoje ocupada por uma família de alemães, que vivem de forma diferente e dos quais não vimos qualquer sinal.
Fizemos um pequeno desvio em direcção ao rio, de encontro ao segundo sítio arqueológico, a Fraga da Aborraceira. Há mais de 20 anos que tentei encontrá-la pela primeira vez, mas nunca cheguei perto dela.
A fraga tem gravados círculos, semi-circulos, ferraduras e cruzes. Trata-se de mais um exemplo de arte rupestre bem preservado, em parte semelhante a outros que existem no concelho. A posição frontal do sol não me permitiu as fotografias como eu desejava. Talvez , noutra altura, volta a visitar esta fraga.
Voltámos atrás, de novo em direcção à Quinta da Aborraceira onde alguns (menos curiosos) já nos esperavam e empreendemos o regresso a Parambos.
A paragem seguinte serviu para nos refrescarmos, bebendo água fresca (acompanhada de alguns deliciosos figos apanhas no momento), primeiro na Fonte da Presa e depois na Fonte Nova.
Chegámos ao centro de Parambos perto do meio-dia. Toda a gente estava satisfeita com a caminhada e faziam-se já planos para realizações futuras. Uma refeição em conjunto, à sombra do choupo, foi uma das ideias que foram lançadas que podem vir a ser postas em prática em próximas realizações. Eu acrescentaria uma pausa para o lanche, a meio do percurso, uma vez que cheguei ao fim do percurso com a minha apetitosa merenda intacta. Os caminheiros não mostraram intenções de fazer paragens muito demoradas.
Foi uma manhã fantástica. Para mim, uma manhã em contacto com a natureza, já é muito boa, mas esta que passei em companhia de amigos, ficará na minha memória por muito tempo.
Obrigado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

À descoberta de Fontelonga (Parte 2/2)


Continuação de: À descoberta de Fontelonga (Parte 1/2)
A paragem seguinte foi na Escola Primária. É constituída por um edifício de rés-do-chão, com duas salas e um largo espaço cimentado, com algumas árvores gigantescas. Por detrás das salas de aulas há um edifício recente, em granito. Esteve para ser uma cantina escolar, mas é a sede da Junta de Freguesia, inaugurada em 1997. Um parque infantil, completa o conjunto. Gostava de ver o recreio cheio de crianças a brincar, mas, estou em crer que o silêncio pode chegar de vez. Do grupo de alunos que ainda frequentam esta escola, apenas dois são de Fontelonga. É bem possível que a escola encerre este ano, tal como tantas outras no Portugal interior, cada vez mais desertificado.
Continuei o meu percurso em direcção ao Fundo do Povo. As ruas por onde passei (não sei o nome) pareceram-me mais simpáticas do que as primeiras. Embora estreitas e com as casas pouco alinhadas, estão habitadas, cuidadas e cresce uma roseira em cada esquina. Penso ter passado por uma rua onde estive em garoto a ferrar uma burra, mas não tenho a certeza. O ferrador de Fontelonga morreu já há alguns anos. Agora o serviço é feito por um do Mogo, ou outro que vive em Marzagão.
A fonte de mergulho existente no Fundo do Povo, conhecida por Fonte Romana, é mais um elemento do património da freguesia. Há várias lendas sobre a origem do nome Fonte Longa e algumas relacionam-no com esta fonte. Pode não ter sido a fonte a dar o nome à aldeia, mas, água é o que não falta no termo de Fontelonga.
Local de encontros e de namoricos em tempos idos, a fonte está agora fechada, fornecendo água para os tanques públicos que ainda são bastante utilizados. Tanto os do Fundo do Povo como os que existem junto à fonte das Eiras, perto da cabine. São dois espaços bonitos, cheios de romantismo que devem trazer boas recordações a muitas pessoas. Também o edifício em ruínas por detrás da fonte de mergulho, do outro lado da rua, desperta recordações a muitas pessoas. Trata-se da antiga escola primária. Muitos dos idosos ainda se lembram dela. Tinha duas salas, uma para o sexo masculino e outra para o sexo feminino. Nem todos chegaram ao fim dos quatro anos de estudo, a vida era difícil. Era necessário ajudar a criar os irmãos, acompanhar o pai na lavoura, etc.
Deixei o Fundo do Povo e segui por uma rua plana em direcção a poente. Algumas inscrições nos pórticos das casas indicam que esta deve ser uma das zonas mais antigas da aldeia. Já não há carpinteiros, tecedeiras, lagares de azeite ou tabernas. Atrás de cada porta há décadas de histórias que se vão apagando pouco a pouco.
Pouco depois cheguei à rua Padre Fernando Antonione da Silva Ribeiro. A placa, quase ainda a cheirar a cola fresca, relembra a homenagem recentemente prestada à pessoa em questão. Conheci muito bem o sr. Padre Fernando. O seu nome ficará sempre ligado à obra que conseguiu edificar em Fontelonga e de que tanto gostava de falar: o Lar de Idosos (Cristo Rei) e o Jardim-de-infância.
No cimo da rua há uma interessante fonte em ferro fundido.
Segui para a Igreja Matriz. É, sem dúvida, o mais importante património edificado da aldeia. Trata-se de um edifício imponente, com Torre Sineira Central, com dois sinos. Está voltada para poente sendo o acesso principal pelas suas traseiras. Há um cruzeiro recente, fora do adro, mas o que chama a atenção é o Cristo Redentor pintado na parede das traseiras da capela-mor. O adro é um espaço muito agradável, repleto de árvores, arbustos e relva. É caso para se dizer – É um prazer ir à igreja. Tem gravado o ano de 1875 na fachada, mas este não é o primeiro templo. Fontelonga é das paróquias mais antigas do concelho. O seu desmembramento da paróquia de S. Salvador de Ansiães aconteceu durante o séc. XV. Cristiano Morais refere que “Durante a visita feita à igreja da Fontelonga, pelo Reverendo Dr. José Pereira da Mota Pimentel, Abade de Vilar de Ferreiros/Mondim de Bastos, em Outubro de 1782, nela deixou, em capítulo, uma ordem para que a comenda e o povo ampliassem a igreja, destruindo a existente, velha e pequena, e no seu lugar levantassem um novo templo”. Isso não deve ter acontecido nos anos seguintes, mas veio a acontecer mais tarde.

No frontispício está a imagem em pedra de Santa Maria Madalena, padroeira da freguesia. Vale a pena visitar o interior. Os altares em talha dourada são muito bonitos, principalmente o da capela-mor. Está deteriorado e a precisar de restauro, mas deve ser bem mais antigo do que os restantes. De todas as imagens que existem no seu interior, destaco a de Santa Clara, do lado esquerdo do altar-mor. É uma santa de muita devoção pelas pessoas da aldeia, que chamam também ao monte do Pinocro, Monte de Santa Clara.
Saí pela porta do Fotreco em direcção à única capela existente na freguesia. Disseram-me que existiu outra, particular, mas actualmente a capela de S. Sebastião é única e situa-se a cerca de 500 metros da igreja. Encontra-se junto ao caminho, tem torre sineira central encimada por uma cruz. Apresenta pináculos simples nos quatro cantos.
De regresso à aldeia fiz uma paragem no café do Adro. A minha presença na aldeia já tinha sido notada e não faltou assunto para conversa. Fiquei a saber que existe uma passagem natural debaixo das rochas próximo do Pinocro e há ruínas de vários moinhos de água nos ribeiros. Junto de um desses moinhos há uma rocha com muitas cavidades escavadas onde os pássaros fazem os ninhos.
O tempo passou rapidamente e não havia possibilidade para mais visitas. Não podia ir-me embora sem fotografar as alminhas que existem junta à estrada a caminho de Besteiros. Um habitante ofereceu-se para me levar lá de carro e eu aceitei. Estas alminhas foram mudadas de um sítio não muito distante do local onde se encontram agora. Estão num bloco de granito com cerca de um metro e meio de comprimento por meio de altura. Curiosamente são visíveis inscrições de ambos os lados do retábulo. Do lado direito distinguem-se perfeitamente as letras C.F. e o ano de 1906 no lado esquerdo. No topo da rocha há restos de ferro cravados. Pode ter sido uma grade, alguma cruz ou mesmo um mealheiro. As alminhas destinavam-se a recolher dádivas dos que por elas passavam. Com esse dinheiro eram celebradas missas em remissão das Almas do Purgatório. Por esta estrada passa a procissão, em direcção a Besteiro, onde se homenageia Santa Luzia, anualmente, na segunda-feira de Páscoa. Este será um bom motivo para uma nova visita a Fontelonga.
De regresso à aldeia pensei de novo nas palavras com que iniciei o meu percurso: “Feia, fria e farta”. Não tenho dificuldades em concordar com o segundo atributo. Depois de tudo o que vi e passeando os olhos pelos campos em redor onde se distinguem verdejantes pomares de macieiras, soutos, hortas e batatais com abundantes recursos hídricos, tenho que concordar que se trata de uma aldeia farta, pelo menos que toca à produção agrícola. Quanto à beleza, se dúvidas houvesse, elas dissipar-se-iam com um último olhar ao pôr-do-sol por sobre os telhados das casas de Fontelonga quando já partia em direcção a Penafria. Feia?! Não.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando a música passa..

Quando os Zingaros de Carrazeda passaram, no findo da Vila, nem os mais idosos resistiram a um passo de dança e a um sorriso para a câmara.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

À descoberta de Fontelonga (Parte 1/2)

“Feia, fria e farta” – era este o rifão que levava na cabeça quando passei junto à capela de Santo António, em Penafria, a caminho de Fontelonga. Estes atributos são muitas vezes citados como sendo os da cidade da Guarda, mas também já os ouvi a respeito da aldeia que se situa a maior altitude, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Dado o frio que se fazia sentir, tinha quase a certeza que não teria muitas dúvidas a respeito do segundo atributo.
Fontelonga (ou Fonte Longa com a grafia mais antiga) situa-se a cerca de 3 quilómetros da sede de concelho, Carrazeda de Ansiães. Com o povoado todo edificado acima dos 800 metros de altitude, encontra-se totalmente exposta aos elementos, que fazem deste lugar um dos mais frios do concelho, com muitos ventos e nevadas frequentes.
Longe de refutar este atributo de terra fria, os habitantes de Fontelonga parecem querer fazer dele um factor de diferença. O Pinocro, marco geodésico situado a 883 metros de altitude, é um dos pontos de referência da aldeia e por todos indicado como um local a visitar. Foi precisamente no Pinocro que fiz a primeira paragem da minha visita à aldeia.
O marco geodésico, com forma de uma pirâmide quadrangular, eleva-se a vários metros de altitude. Faz parte de uma rede geodésica, sendo este um marco de primeira ordem. O ano de 1955 aparece gravado em vários locais, mas há quem afirme que “já lá estava no tempo dos mouros”. Não deve ser verdade porque a cartografia moderna em Portugal só se iniciou no séc. XVIII. O Abade de Baçal referenciou-o em 1859. O que realmente importa é que a freguesia tem feito muitos investimentos neste local, tornando-o um grande e agradável espaço de culto e lazer. Perto do marco geodésico está um nicho com a imagem de Santa Clara, um altar e um ambão ambos em granito. Aí se celebra a Eucaristia em honra de Santa Clara, nas festas de Agosto, depois de chegada a procissão vinda da Igreja Matriz.
Não muito distante, para poente, há um grande largo em terra batida e uma estrutura em cimento que aparenta ser um palco ou a base para uma construção futura. O pinhal ao lado foi arranjado com mesas, cadeiras, fontanários, assadores e iluminação. Trata-se de um enorme parque de merendas que adoraria conhecer num dia mais “movimentado”.
Recentemente foi também construído um bar com casas de banho e outras estruturas de apoio.
Subi ao ponto mais alto junto do Pinocro. Avista-se uma grande fatia de terra do concelho, mas o olhar perde-se para os lados do Douro, alcançando a outra margem, já no distrito da Guarda. Com um pouco de sorte conseguia ver o Marão, e, quem sabe, a serra da Estrela. Carrazeda estendia-se encostada à Pranheira e brilhava de cada vez que o sol conseguia furar a camada de nuvens que ameaçava desfazer-se em frias gotas sobre a minha cabeça.
Entre a vila e a aldeia fica a barragem, conhecida como barragem da Fontelonga. Esta é uma das infra-estruturas mais importantes e mais procuradas do concelho, principalmente no Verão. Espalhadas por vários hectares estão as piscinas municiais, um bar, um parque de merendas, campos de jogos e muitas, muitas árvores, convidando a uma tarde calma, em contacto com a natureza. É no Outono que eu mais aprecio este espaço. Os carvalhos americanos pintam-se de vermelhos e laranjas e as sebes decoram-se com medronhos maduros. Algumas aves aquáticas e limícolas utilizam a área da barragem, principalmente quando a calma do final do Verão se instala.
Depois de um último olhar para o castelo de Ansiães, também ele altivo, quase à mesma cota do Pinocro, desci à aldeia e estacionei no Largo da Praça. Abordei a primeira pessoa com quem me cruzei. Apesar de conhecer minimamente a aldeia, gostava de ouvir a opinião de alguns residentes. Não podia ter tido mais sorte. A idosa, com quase oitenta anos de idade, de nome Zeza, recebeu-me com curiosidade e sem receios. Ao fim de algumas palavras estendeu-me uma mão cheia de cerejas maduras, e alguns versos:
Fontelonga é boa terra / É terra de tradições / Tem um marco geodésico / Para guiar os aviões.
Surpreendida com o meu entusiasmo em escrever a quadra, não se fez rogada e continuou:
Adeus ó Largo da Praça / Onde a água sobe e desce / Nem a água mata a sede / Nem o meu amor me esquece.
Falou-me de si, da sua mãe, ainda viva, e da vida na aldeia em décadas passadas, das agruras e das alegrias. Intercalava as suas descrições com versos que brotavam da sua boca com ânsia de se fazerem ouvir:
Fontelonga é um jardim / Toda a gente diz assim / É tão linda a nossa terra.
Por esse mundo além / Não falta quem faça bem / Desde o vale até à serra.
Estes versos soaram-me a algo familiar. Lembraram-me os ranchos que representaram as diferentes aldeias no Cortejo das Oferendas realizado a favor do hospital nos finais da década de 40 inícios da década de 50. A minha mãe também os canta. Tive a confirmação nos versos seguintes:
Fontelonga abandonada / Bem merece ser olhada / Com carinho e atenção,
Pois nela tudo produz / Só nos falta ter a luz / É a nossa aspiração.
A assistir aos referidos cortejos estavam importantes representantes do poder central. A oportunidade era aproveitada pelas diferentes aldeias para fazerem reivindicações, normalmente em forma de canção, que cantavam no desfile, transportando as suas dádivas em carros de bois carinhosamente decorados.
Prometido um novo encontro no futuro para ouvir os restantes versos, parti para um passeio pelas principais ruas da aldeia, já com algumas referências dos locais que iria visitar. O meu percurso levou-me por ruas praticamente abandonadas, com casas em ruínas, algumas ainda usadas para alojar animais de carga. O acidentado relevo que se estende da aldeia ao rio Douro faz com que ainda se utilize com frequência gado cavalar.
Pouco depois cheguei ao Largo das Eiras. Só depois de conversar com um senhor que chegava com uma carroça carregada de erva fresca é que pude saber onde estava. Não há qualquer placa com o nome das ruas!

Continua....
À descoberta de Fontelonga (Parte 2/2)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cavalos na Época Medieval

A quando da realização da Feira Medieval em Carrazeda de Ansiães, quando me dirigi para o Castelo de Ansiães para assistir à representação do assalto ao castelo integrado no evento, deparei com dois belos cavalos presos a um castanheiro junto à capela de S. João Baptista. Para mim foi dos cenários mais bonitos que pude observar nesta representação. Acredito que a imagem não tenham chamado à atenção à maioria dos presentes, mas, para mim, foram quadros enternecedores que me transportaram ao passado (não fosse a quantidade de automóveis estacionados em volta).
As imagens foram tratadas, nas cores e na luz e deram no que agora mostro.
São os cavalos dos actores que realizaram os combates na liça.

domingo, 4 de julho de 2010

Festa de S. Sebastião

No dia 4 de Julho realizaram-se em Areias, as tradicionais festas em honra de S. Sebastião. Esta é a primeira fotografia do evento.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Pinocro

Estive, durante o mês de Junho, duas vezes, no Pinocro, em Fontelonga. Encontrei tudo em redor coberto de flores multicolores que me deu bastante prazer fotografar. Este é um dos pontos mais altos do concelho e também um dos mais frescos. É assim conhecido devido ao enorme marco geodésico "plantado" no ponto mais alto. Este marco é também o símbolo usado no logotipo da  Associação Desportiva Cultural e Recreativa.
Foi com enorme surpresa que soube que nos últimos dias do mês alguém tentou pegar fogo ao local. É uma pena que haja pessoas sem valores, capazes das maiores atrocidades. Estas pessoas têm que ser apanhadas e punidas. O Pinocro é um dos pontos mais atractivos de Fontelonga, e aqui se realizam algumas das actividades festivas.  Felizmente tudo não passou de um susto e o local deve estar bonito e cheio de sombras, tal como eu o vi e fotografei.
É no Pinocro que está instalada uma das antenas da rede Wireless que permitia à população da aldeia ter acesso à Internet de forma gratuita. Infelizmente esta iniciativa, ao que julgo, pioneira no concelho, não tem funcionado convenientemente. Os habitantes queixam-se de não terem qualquer acesso, já há bastante tempo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

TasOsMontes.Net

A vontade de partilhar na Internet as minhas “viagens” por vilas e aldeias de Trás-os-Montes nasceu há mais de uma década, com os meus primeiros contactos com a Web. A primeira experiência chamou-se “O Trasmontano” e chegou a estar disponível na GeoCities, abarcando todos os concelhos do distrito de Bragança. Morreu principalmente pela minha indisponibilidade para o “alimentar”.
Em 2004 iniciei uma volta pelas freguesias do concelho de Miranda do Douro e fiz nascer o siteÀ Descoberta de Miranda do Douro, primeiro da série e que ainda se mantém online. Pela minha vida profissional e pelo gosto pessoal em conhecer e fotografar a região, novos blogues foram aparecendo, tendo o mesmo formato, mas cada um dedicado a seu concelho. No entanto, como são todos dinamizados por mim, acabam por ter muito em comum. Pensei em partilhar algumas postagens entre eles, mas, a opção final foi a criação de um novo espaço, também em formato blogue (por enquanto), que congregue informação disseminada pelos diferentes locais: À Descoberta de Miranda do Douro, À Descoberta de Vila Flor, À Descoberta de Carrazeda de Ansiães, À Descoberta de Mogadouro, À Descoberta de Freixo de Espada à Cinta, À Descoberta de Torre de Moncorvo e A Linha é Tua (blogue dedicado à Linha do Tua).
A partir de agora toda a (nova) informação dos diferentes blogues será disponibilizada também no espaço TasOsMontes.Net, sem necessidade de andar a saltar de Blogue em Blogue. Tentarei também partilhar, neste espaço, fotografias que tenho colocado na plataforma Flickr, onde tenho mantido uma relativa actividade. Com o tempo pode ser que haja algumas evoluções, uma vez que estou sempre a aprender.
Espero que o novo espaço seja uma janela aberta para o Trás-os-Montes que eu capto, seja em fotografias, seja em palavras.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Livros - "O violino do meu pai"

Anda por estas terras sem contar o tempo, porque não tem idade. Dele dão testemunho os frios gelados e os sóis abrasadores, o seu corpo de granito e a sua alma de vento. É o espírito da terra, o génio que paira sobre estes montes a que muitos deram nome. Viu passar as gerações como aves de arribação, mas só ele permanece nestas pedras eternas, teimosamente imóveis desde a aurora da memória, testemunhas mudas de lutas e tradições, de canseiras e suores, de aventuras pessoais ignoradas da história, de destinos enterrados após luta titânica pela sobrevivência, pela dignidade. O génio das fragas. Deposita um sopro na alma dos que aqui nascem e eles lho devolvem quando regressam ao seu seio; acompanha-os pela vida, curta ou longa, segue-lhes as aspirações e recolhe as suas angústias, as suas solidões; quando os traz de volta, aviva-lhes a memória e dá-lhes sentido à vida. Muitos dos que aqui viveram não sabiam de si o nome ou a pertença. Outros passearam pelos seus campos e florestas, apascentaram os gados e caçaram os javardos, comeram os frutos e beberam o hidromel. Outros mais tarde deram-se nome e identidade, iberos, celtas, banienses, ástures, pagus aunecus. Por aqui passaram romanos, godos e mouros. Apesar das guerras e ermamentos, nunca estas suas terras ficaram desertas: o seu sopro de vida manteve homens e gados, garantiu descendências e sobrevivências, até que os seus filhos se organizaram e hierarquizaram, aceitaram senhores e fizeram guerras, ganharam o pão e o orgulho de ser gente. Chamaram esta terra de Ansiães em homenagem a um poderoso senhor godo vindo de longe há mais de mil anos, mas o génio é intemporal e o seu povo vive dele, desde que há povos.
Comprei, na recente realizada Feira do Livro, o romance "O violino do meu pai: Partir ou Ficar em Trás-os-montes" da autoria de Campos Gouveia. Confesso que foi um pouco pela curiosidade porque, apesar de conhecer pessoalmente o autor e ter lido algumas das suas contribuições na imprensa regional, o romance está longe de ser a literatura que me apetece ler. Quando desfolhei as primeiras folhas e li os primeiros parágrafos, fui agradavelmente surpreendido. A escrita cativou-me. O enredo desenvolve-se numa época que não vivi, mas o espaço é-me familiar. Utiliza uma linguagem simples mas sensível.
O autor, cujo nome real é Fernando Alberto Gouveia, é natural de Belver e integra a direcção da Liga dos Amigos de Belver.
A transcrição do início do livro, feita acima, destina-se a servir de incentivo para a leitura integral da obra. A publicação é da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães. Infelizmente não se deve encontrar à venda em parte alguma da vila, mas não acredito que não esteja disponível na Biblioteca Municipal.

Nota: as fotografias são em Belver.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Feira Medieval em Carrazeda de Ansiães - Vídeo

Já passou quase uma semana desde a realização do evento “Ansiães na Idade Média”. Este evento foi o primeiro do género realizado por terras de Ansiães.
Passei a tarde de Sábado e o início da noite a acompanhar as actividades que desenvolveram na parte velha da vila e também no castelo de Ansiães. Nunca estive presente no festival de música medieval que se realizou durante alguns anos em Carrazeda de Ansiães (com muita pena minha), por isso não posso fazer comparações.
Por aquilo que pude observar, “Ansiães na Idade Média” foi bem aceite pela população, principalmente pelas pessoas da vila. Realizada à Sexta e Sábado, numa zona rural como é a nossa, afastou, à partida, algumas pessoas que não podem gerir o que não têm, tempo livre. O Domingo seria o dia por excelência, mas deve ter havido alguma incompatibilidade. Quem esteve à frente de todo o espectáculo foi a companhia de teatro VivArte, que tem uma agenda preenchidíssima. No dia 19 estavam em mais dois eventos além do de Carrazeda.
O leque de artistas presentes foi mais do que suficientes para uma primeira realização: Medievus Chorus, Gaiteiricos de Miranda, ArteFalco, Cavaleiro do Tempo, Hoste do Magriço, Cornalusa, Moçarabe(?), etc. Tudo artistas que nos transportam com grande facilidade para outras épocas, no caso para o séc. XIV.
Como apoiante do evento e participante bastante activo, esteve a Escola Profissional de Carrazeda de Ansiães que tiveram aqui uma excelente oportunidade de aprender fazendo. Parece-me que a souberam aproveitar muito bem.
Na minha opinião faltaram duas coisas muito importantes: uma participação local mais forte e público. Na participação local, à parte da já referenciada e excelente participação da Escola Profissional, poderiam ( e talvez devessem) ter participado artesãos locais (cestaria, tanoaria, etc), associações culturais e Juntas de freguesia ( por exemplo com tasquinhas,venda de produtos), grupo de cantares de Carrazeda, etc. Em termos de público, os artistas mereciam ter mais gente a aplaudi-los. No Torneio de armas, no castelo de Ansiães, havia muita gente, mas durante a tarde a zona do “Mercado” esteve muito despida de pessoas. Além do facto de não se realizar num Domingo, parece-me que houve pouca publicitação do evento. Quando contei o que se passou a alguns amigos na Segunda-feira, mostraram uma cara de grande espanto, não sabiam do evento. Estou a falar de pessoas de concelhos vizinhos de Carrazeda.
Também não vi à venda produtos da terra! Vinho, azeite, feijões, chás, fumeiro, doçaria…
Não sei qual foi o balanço que os responsáveis pela organização fizeram. Em próximas realizações deve haver uma mais forte contribuição local e também maior adesão de espectadores. Para atrair gente que deixe aqui algum dinheiro é necessária publicidade, apostar mais nos “comes e bebes” e mostrar-lhes (e vender-lhes), tudo o que produzimos de bom.
Os locais escolhidos serviram às mil maravilhas, os intervenientes foram fantásticos, de maneira que… já só penso na próxima edição.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O exotismo na Feira Medieval

Este é um dos momentos de grande exotismo normalmente presentes nas feiras medievais e também foi assim em Carrazeda de Ansiães. A dança do ventre, tendo a executante uma cobra enrolada no seu corpo causa  simultâneamente arrepios e fascinação.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Feira Medieval em Carrazeda de Ansiães

Nos dia 18 e 19 de Junho realizou-se em Carrazeda de Ansiães o evento Ansiães na Idade Média. Organizado pela Câmara Municipal, integrou uma Feira Medieval e o Assalto ao Castelo com Torneio, vindo substituir o Festival Medieval que se realizou durante alguns anos e que chegou a ter alguma projecção.
Na sexta-feira, dia 18, não acompanhei as actividades realizadas na zona envolvente da Fonte das Sereias e Pelourinho. Pelo que pude escutar, já no Sábado, a venda de cerveja ultrapassou as expectativas e o espectáculo de fogo foi muito apreciado.
No Sábado as actividades desenvolveram-se em dois locais distintos: iniciaram na parte velha da vila, junto à antiga cadeia (também escola e agora biblioteca), continuaram no castelo de Ansiães e terminaram, de novo, junto à biblioteca.
Empenhado em não perder nada dos acontecimentos cheguei ao local às três da tarde. O movimento no Burgo era pouco, o que meu deu oportunidade de circular à vontade pelo Mercado. Reconheci imediatamente a maioria das tendas, uma vez que estive em Miranda do Douro nos dias 28,29 e 30 de Maio, onde se realizou uma gigantesca Feira Medieval.
Havia um conjunto de tendas com artefactos representativos da Época Medieval: objectos ligados à cozinha tradicional, à agricultura, ferragem, à guerra, cetraria, etc. Junto à estrada estavam concentradas as tabernas do Burgo, ao que me pude aperceber, todas “geridas” pela Escola Profissional de Carrazeda de Ansiães, entidade apoiante do evento.
Não demorou muito para que chegasse o cortejo, vindo dos lados da igreja matriz. Estandartes, cavaleiros, músicos e saltimbancos, desfilaram até ao centro do mercado. Depois de aberto o mesmo, foi a altura de uma dança exótica executada por uma sedutora encantadora de serpentes.
Foram chegando mais pessoas enquanto as hostes se treinavam no manejo da espada, tendo em vista a defesa do castelo de Ansiães da cobiça dos Castelhanos.
Às dezassete horas partimos todos para o castelo. Havia alguns meios de transporte da Câmara Municipal mas a maioria das pessoas usou o seu próprio transporte o que causou alguns engarrafamentos nas imediações da igreja de S. João Baptista (extra-muros).
Junto à porta de S. Francisco estava montado o cenário para uma das cenas mais animadas e aplaudidas da tarde. A guardar a porta, e espalhados sobre as muralhas, estavam as tropas leais ao Mestre de Avis, sob o comando de Vasco Pires de Sampaio. Pouco depois chegaram os Castelhanos e Homens de Armas de Porto Carreiro, carregando algumas peças de artilharia e um aríete. A troca de palavras agressivas (e brejeiras) e o estado de embriaguez do comandante das tropas Castelhanas, arrancaram verdadeiras gargalhadas na assistência. Os disparos da artilharia assustaram os mais distraídos.
A contenda serenou com o acordo para a realização de um Torneio de Armas no Terreiro do Castelo. Deslocámo-nos todos para o interior do castelo.
O local parecia “talhado” às mil maravilhas para o efeito. A liça ocupou um espaço plano, que, em tempos não muito remotos era cultivado, cercado pela muralha a nascente e por um muro de mais de um metro de altura no restante perímetro.
Dispostos os homens, desenrolou-se um interessante torneio de armas. Os apupos aos castelhanos foram constantes e nem a ferocidade do cavaleiro Olivier, mercenário, agressivo na liça e fora dela, foi suficiente para impedir a vitória dos bravos defensores de Ansiães. O final foi marcado por uma verdadeira batalha campal protagonizada pelos alunos da Escola Profissional, que se mostraram soldados promissores.
Deu-se o regresso ao Fundo da Vila, em Carrazeda de Ansiães para os festejos da vitória sobre os Castelhanos. Música, danças medievais, comes e bebes nas tabernas do Burgo, tudo num ambiente verdadeiramente medieval.
Pelas vinte e uma horas realizou-se a cerimónia do outorgamento do Foral Manuelino à Vila de Ansiães. Seguiram-se momentos musicais e espectáculo com fogo, executado pela Escola Profissional.
Perto das onze da noite deu-se o encerramento do Mercado com os agradecimentos à Câmara Municipal pela realização do evento e a Escola Profissional de Carrazeda de Ansiães pelos apoios prestados.
A noite estava fria e não me demorei muito no recinto. Foi uma tarde e noite muito animadas em que registei um bom conjunto de fotografias e alguns pequenos vídeos que espero vir a mostrar. Também me ocorrem alguns comentários, mas vou guardá-los para mais tarde.