domingo, 17 de outubro de 2010

Vindimas

Não sei se é sempre assim, mas, este ano, nas visitas que tenho feito a algumas freguesias do concelho, reparo que a vindima é muito escalonada no tempo. Se nalgumas aldeias, com vinhas situadas nas ribeiras do Douro e do Tua a vindima já ocorreu há quase um mês, noutras, mais frias, ela está ainda a decorrer e possivelmente só terminará lá para o próximo fim de semana.
As fotografias apresentadas são no Amedo, onde também havia muita gente à vindima no Sábado passado.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fonte das Sereias

Vista parcial da Fonte das Sereias em Carrazeda de Ansiães.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

1 dia por terras de Ansiães (01)

No dia 1 de Outubro passei grande parte do dia À Descoberta do concelho de Carrazeda de Ansiães.
A manhã foi passada a percorrer algumas ruas e a conversar com algumas pessoas em Marzagão. Há tantas coisas para conhecer, tantas para fotografar, que o tempo passa e não chega a nada. Quando se começa a conversar com as pessoas, tudo ganha mais graça e ficam-se a saber coisas bem mais interessantes, mas é necessário muito mais tempo. É necessário fazer algumas perguntas, mas também ouvir as pessoas que cada vez se sentem mais isoladas e têm muita necessidade de conversar.
Dos locais visitados em Marzagão, darei conta aqui, no blogue, e no novo blogue dedicado à freguesia, em próximos apontamentos.
Almocei em Carrazeda de Ansiães, no restaurante O Vinhateiro, já próximo das duas horas da tarde. Dado o adiantado da hora, não fui esquisito na ementa. Durante o almoço usufrui da companhia de um natural de Vila Flor, negociante de gado, com quem tive uma animada conversa, dado que conhecia profundamente os concelhos de Carrazeda, Vila Flor e outros como por exemplo Mogadouro.
Aproveitei o resto da tarde para conhecer a Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães. As únicas vezes que estive nesse espaço foi em realizações como a Feira do Livro, não tendo nem espreitado as prateleiras.
Não foi necessário fazer qualquer inscrição e subi ao primeiro andar, onde se situa o principal espaço da biblioteca.
Durante o meu 5.º e 6.º anos tive muitas vezes aulas neste edifício, quer de um lado, quer do outro. Curioso era o facto de que para se entrar nalgumas salas, tínhamos que atravessar outras! Nada reconheci no edifício da biblioteca que me fizesse lembrar esse tempo, há excepção do exterior.
Numa sexta à tarde o movimento era pouco. Um adulto consultava a Internet e duas jovens conversavam numa mesa, fazendo talvez algum trabalho escolar. Tal como noutras bibliotecas, escolares ou não, o grosso do movimento de crianças e jovens deve-se aos equipamentos informáticos. A utilização da Internet é muito mais aliciante do que sentar-se numa mesa a desfolhar um livro. É uma das grandes tendências da nossa sociedade que não sei onde nos vai levar.
Não precisei de procurar muito. A estante que procurava está mesmo em frente à porta de entrada. Pretendia inteirar-me dos livros que me falassem do concelho de Carrazeda de Ansiães. A estante está sinalizada como “Fundo Local”. Entre alguns, que possuo (e que não valia a pena consultar por os ter em casa), seleccionei 6 que, numa primeira abordagem, me pareceram interessantes.
Este primeiro contacto destinou-se a fazer o reconhecimento das obras existentes, uma vez que pretendo voltar mais vezes e requisitar as que me for possível requisitar. Fui informado de que os livros que têm uma fita vermelha na lombada não podem ser requisitados! Todos os que tinha em cima da mesa tinham uma fita vermelha!
Ao contrário do que me aconteceu em Vila Flor e Torre de Moncorvo, em que me foram cedidos livros editados pelas respectivas Câmaras Municipais, em Carrazeda de Ansiães a recepção (ao nível mais alto da Câmara Municipal) não foi muto animadora. Tenho comprado bastantes livros. O Blogue, além de muito tempo e muito trabalho, começa também a dar despesa.
Voltando aos livros. Dos que tinha em cima da mesa o que me mereceu mais interesse foi “Carrazeda de Ansiães e o Seu Termo”, de José Aguilar. Trata-se de uma edição da Câmara Municipal e estranhei nunca o ter encontrado à venda. Trata-se de um livro composto por pequenos textos que nos levam a percorrer locais bem característicos do concelho. A linguagem utilizada é muito agradável e de fácil leitura. É um livro que vou ler e que me ajudará bastante a conhecer melhor o concelho.
Quase ao cair da noite ainda fiz uma visita a Zedes. Apenas o tempo suficiente para visitar alguns familiares e dar alguns dedos de conversa no bar da Associação, que estranhamente estava aberto àquela hora.
Foi um dia muito agradável. Espero nos próximos tempos repetir a experiência e conhecer melhor outras freguesias do concelho.

A Biblioteca funciona das 9:00 h às 12:30 h e das 14:00 h às 17:30.
Regulamento da Biblioteca Municipal  (em PDF)

domingo, 3 de outubro de 2010

Comemorações do Centenário da República

Comemorações do Centenário da República, em Carrazeda de Ansiães, no dia 5 de Outubro de 2010.

sábado, 25 de setembro de 2010

Novo Blogue - Marzagão

Embora eu tente ter um tratamento uniforme para com todas as aldeias do concelho, o feedback que recebo não é exactamente igual. Acontece que o minha primeira postagem sobre Marzagão chegou aos 60 comentários, o que evidencia a vontade de comunicar e de ver mais informação sobre a sua terra.
Já por várias vezes manifestaram o desejo de haver um Blogue dedicado à aldeia, decidi fazer-lhe a vontade. Não sei bem qual vai ser a aceitação e dinamismo que vai ser conseguido. Sei que é mais um a ocupar-me o pouco tempo que me resta disponível. Mas, como se costuma dizer: Quem corre por gosto não cansa. Farei o meu melhor (sendo certo que pouco conheço da aldeia e que a visito muito raramente).
Procurei um endereço adequado. Como Marzagão já não podia ser, acabei por escolher
http://descobrirmarzagao.blogspot.com
uma vez que será sempre um blogue filho do À Descoberta de Carrazeda de Ansiães.
Sei que a participação efectiva é muitas vezes uma utopia, mas, tentar não custa. O espaço está aberto à colaboração de todos. Podem enviar, fotografias, textos, notícias ou o que julgarem interessante para ser publicado no Blogue. O endereço de correio electrónico criado é descobrirmarzagao@gmail.com
Fico na expectativa de ver o que acontece.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fonte do Vale - Pereiros

Numa visita a Pereiros podemos encontrar um interessante conjunto de fontes e fontanários. A água fresca ainda corre, em grande parte delas. São bom exemplo disso a fonte da Rua e a fonte Nova. Mas, a fonte onde se pode beber água fresca e apreciar uma bela paisagem é na Fonte do Vale.
 Está situada fora da aldeia a pouco mais de 150 metros de distância da rua de Santo André, partindo de onde esta se encontra com a rua Bartolomeu Dias (estrada que contorna Pereirose segue para Codeçais).
É pena que a área envolvente tenha ardido recentemente, porque, anteriormente, o local era ainda mais agradável, com sombras e mais frescura.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

1.º BTT Casa do Sport Lisboa e Benfica Carrazeda de Ansiães

1.º BTT Casa do Sport Lisboa e Benfica Carrazeda de Ansiães

III Raid BTT Socalcos do Tua


As inscrições encerrarão às 24h00 do dia 04 de Setembro, estando limitadas a 60 participantes, pelo que, os participantes que efectuarem a inscrição no dia do Raid, 05 de Setembro, até ao fecho do secretariado, o que ocorrerá pelas 08H00, a organização do evento não assegura a inscrição com almoço convívio.

Informações:
acdcodecais@hotmail.com
Telem. 964345784
http://acdcodecais.blogspot.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu - Parambos

No dia 22 de Agosto realizou-se, em Parambos, a 2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu. Realizada por altura das festas da aldeia em honra de S. Bartolomeu, é organizada por um grupo de amigos dinamizadores e visitantes do blogue Viver Parambos. Este grupo tem feitos vários percursos na natureza, alguns na Linha do Tua. Desde o seu arranque que mantenho um estreita ligação com o blogue e com os seus responsáveis, por isso, decidi fazer-lhe uma surpresa.
Levantei-me muito cedo, antes do nascer do sol! Às sete da manhã estava em Parambos para inicial a caminhada. Foram chegando pessoas, com a cara ensonada, vindos de todas ruas e bairros da aldeia. Os próprios organizadores não queriam acreditar na adesão!
Quando nascia o sol estávamos a atravessar o campo de futebol de 11 de Parambos em direcção à Fonte de Seixas. Com um percurso estimado em pouco mais de 13 quilómetros, a caminhada prometia a passagem por dois locais arqueológicos importantes e semelhantes: a Fonte de Seixas e a Fraga da Aborraceira.
O grupo era heterogéneo, juntando crianças e jovens e alguns adultos que há muito tempo que não percorriam tais caminhos.
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Seixas, por vezes apontado como santuário da Idade do Bronze ou mesmo da Idade do Ferro. É um dos mais interessantes sítios de arte rupestre do concelho.
Descemos, depois pela encosta, lá para os lados da Quinta da Lavandeia em direcção ao Castanheiro. A aldeia de Ribalonga ainda se encontrava parcialmente nas sombras, mas o cenário era magnífico.
Depois de cruzarmos a Estrada Nacional 214 nas primeiras casas do Castanheiro, seguimos por caminhos rurais, alguns bem antigos em direcção à Quinta da Aborraceira. Alguns dos caminhos utilizados ficaram abandonados no tempo, sendo agora simples carreirões por onde apenas passa uma pessoa de cada vez.
Também esta parte do trajecto me deu muito prazer a fazer. Além do perfil das casas do Castanheiro, sempre recortado na linha do horizonte, o olhar desce as escarpas agrestes até à linha de água que corre entre as encostas, é o rio Tua. A seu lado, a centenária companheira Linha do Tua, que tanto gosto de percorrer. Avista-se o apeadeiro do Castanheiro e os túneis das Fragas Más. Despertaram-me a imaginação para outras caminhadas.
Pouco depois chegámos perto da antiga Quinta da Aborraceira, que deve ter sido um lugar esplêndido e cheio de vida, no passado. É hoje ocupada por uma família de alemães, que vivem de forma diferente e dos quais não vimos qualquer sinal.
Fizemos um pequeno desvio em direcção ao rio, de encontro ao segundo sítio arqueológico, a Fraga da Aborraceira. Há mais de 20 anos que tentei encontrá-la pela primeira vez, mas nunca cheguei perto dela.
A fraga tem gravados círculos, semi-circulos, ferraduras e cruzes. Trata-se de mais um exemplo de arte rupestre bem preservado, em parte semelhante a outros que existem no concelho. A posição frontal do sol não me permitiu as fotografias como eu desejava. Talvez , noutra altura, volta a visitar esta fraga.
Voltámos atrás, de novo em direcção à Quinta da Aborraceira onde alguns (menos curiosos) já nos esperavam e empreendemos o regresso a Parambos.
A paragem seguinte serviu para nos refrescarmos, bebendo água fresca (acompanhada de alguns deliciosos figos apanhas no momento), primeiro na Fonte da Presa e depois na Fonte Nova.
Chegámos ao centro de Parambos perto do meio-dia. Toda a gente estava satisfeita com a caminhada e faziam-se já planos para realizações futuras. Uma refeição em conjunto, à sombra do choupo, foi uma das ideias que foram lançadas que podem vir a ser postas em prática em próximas realizações. Eu acrescentaria uma pausa para o lanche, a meio do percurso, uma vez que cheguei ao fim do percurso com a minha apetitosa merenda intacta. Os caminheiros não mostraram intenções de fazer paragens muito demoradas.
Foi uma manhã fantástica. Para mim, uma manhã em contacto com a natureza, já é muito boa, mas esta que passei em companhia de amigos, ficará na minha memória por muito tempo.
Obrigado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

À descoberta de Fontelonga (Parte 2/2)


Continuação de: À descoberta de Fontelonga (Parte 1/2)
A paragem seguinte foi na Escola Primária. É constituída por um edifício de rés-do-chão, com duas salas e um largo espaço cimentado, com algumas árvores gigantescas. Por detrás das salas de aulas há um edifício recente, em granito. Esteve para ser uma cantina escolar, mas é a sede da Junta de Freguesia, inaugurada em 1997. Um parque infantil, completa o conjunto. Gostava de ver o recreio cheio de crianças a brincar, mas, estou em crer que o silêncio pode chegar de vez. Do grupo de alunos que ainda frequentam esta escola, apenas dois são de Fontelonga. É bem possível que a escola encerre este ano, tal como tantas outras no Portugal interior, cada vez mais desertificado.
Continuei o meu percurso em direcção ao Fundo do Povo. As ruas por onde passei (não sei o nome) pareceram-me mais simpáticas do que as primeiras. Embora estreitas e com as casas pouco alinhadas, estão habitadas, cuidadas e cresce uma roseira em cada esquina. Penso ter passado por uma rua onde estive em garoto a ferrar uma burra, mas não tenho a certeza. O ferrador de Fontelonga morreu já há alguns anos. Agora o serviço é feito por um do Mogo, ou outro que vive em Marzagão.
A fonte de mergulho existente no Fundo do Povo, conhecida por Fonte Romana, é mais um elemento do património da freguesia. Há várias lendas sobre a origem do nome Fonte Longa e algumas relacionam-no com esta fonte. Pode não ter sido a fonte a dar o nome à aldeia, mas, água é o que não falta no termo de Fontelonga.
Local de encontros e de namoricos em tempos idos, a fonte está agora fechada, fornecendo água para os tanques públicos que ainda são bastante utilizados. Tanto os do Fundo do Povo como os que existem junto à fonte das Eiras, perto da cabine. São dois espaços bonitos, cheios de romantismo que devem trazer boas recordações a muitas pessoas. Também o edifício em ruínas por detrás da fonte de mergulho, do outro lado da rua, desperta recordações a muitas pessoas. Trata-se da antiga escola primária. Muitos dos idosos ainda se lembram dela. Tinha duas salas, uma para o sexo masculino e outra para o sexo feminino. Nem todos chegaram ao fim dos quatro anos de estudo, a vida era difícil. Era necessário ajudar a criar os irmãos, acompanhar o pai na lavoura, etc.
Deixei o Fundo do Povo e segui por uma rua plana em direcção a poente. Algumas inscrições nos pórticos das casas indicam que esta deve ser uma das zonas mais antigas da aldeia. Já não há carpinteiros, tecedeiras, lagares de azeite ou tabernas. Atrás de cada porta há décadas de histórias que se vão apagando pouco a pouco.
Pouco depois cheguei à rua Padre Fernando Antonione da Silva Ribeiro. A placa, quase ainda a cheirar a cola fresca, relembra a homenagem recentemente prestada à pessoa em questão. Conheci muito bem o sr. Padre Fernando. O seu nome ficará sempre ligado à obra que conseguiu edificar em Fontelonga e de que tanto gostava de falar: o Lar de Idosos (Cristo Rei) e o Jardim-de-infância.
No cimo da rua há uma interessante fonte em ferro fundido.
Segui para a Igreja Matriz. É, sem dúvida, o mais importante património edificado da aldeia. Trata-se de um edifício imponente, com Torre Sineira Central, com dois sinos. Está voltada para poente sendo o acesso principal pelas suas traseiras. Há um cruzeiro recente, fora do adro, mas o que chama a atenção é o Cristo Redentor pintado na parede das traseiras da capela-mor. O adro é um espaço muito agradável, repleto de árvores, arbustos e relva. É caso para se dizer – É um prazer ir à igreja. Tem gravado o ano de 1875 na fachada, mas este não é o primeiro templo. Fontelonga é das paróquias mais antigas do concelho. O seu desmembramento da paróquia de S. Salvador de Ansiães aconteceu durante o séc. XV. Cristiano Morais refere que “Durante a visita feita à igreja da Fontelonga, pelo Reverendo Dr. José Pereira da Mota Pimentel, Abade de Vilar de Ferreiros/Mondim de Bastos, em Outubro de 1782, nela deixou, em capítulo, uma ordem para que a comenda e o povo ampliassem a igreja, destruindo a existente, velha e pequena, e no seu lugar levantassem um novo templo”. Isso não deve ter acontecido nos anos seguintes, mas veio a acontecer mais tarde.

No frontispício está a imagem em pedra de Santa Maria Madalena, padroeira da freguesia. Vale a pena visitar o interior. Os altares em talha dourada são muito bonitos, principalmente o da capela-mor. Está deteriorado e a precisar de restauro, mas deve ser bem mais antigo do que os restantes. De todas as imagens que existem no seu interior, destaco a de Santa Clara, do lado esquerdo do altar-mor. É uma santa de muita devoção pelas pessoas da aldeia, que chamam também ao monte do Pinocro, Monte de Santa Clara.
Saí pela porta do Fotreco em direcção à única capela existente na freguesia. Disseram-me que existiu outra, particular, mas actualmente a capela de S. Sebastião é única e situa-se a cerca de 500 metros da igreja. Encontra-se junto ao caminho, tem torre sineira central encimada por uma cruz. Apresenta pináculos simples nos quatro cantos.
De regresso à aldeia fiz uma paragem no café do Adro. A minha presença na aldeia já tinha sido notada e não faltou assunto para conversa. Fiquei a saber que existe uma passagem natural debaixo das rochas próximo do Pinocro e há ruínas de vários moinhos de água nos ribeiros. Junto de um desses moinhos há uma rocha com muitas cavidades escavadas onde os pássaros fazem os ninhos.
O tempo passou rapidamente e não havia possibilidade para mais visitas. Não podia ir-me embora sem fotografar as alminhas que existem junta à estrada a caminho de Besteiros. Um habitante ofereceu-se para me levar lá de carro e eu aceitei. Estas alminhas foram mudadas de um sítio não muito distante do local onde se encontram agora. Estão num bloco de granito com cerca de um metro e meio de comprimento por meio de altura. Curiosamente são visíveis inscrições de ambos os lados do retábulo. Do lado direito distinguem-se perfeitamente as letras C.F. e o ano de 1906 no lado esquerdo. No topo da rocha há restos de ferro cravados. Pode ter sido uma grade, alguma cruz ou mesmo um mealheiro. As alminhas destinavam-se a recolher dádivas dos que por elas passavam. Com esse dinheiro eram celebradas missas em remissão das Almas do Purgatório. Por esta estrada passa a procissão, em direcção a Besteiro, onde se homenageia Santa Luzia, anualmente, na segunda-feira de Páscoa. Este será um bom motivo para uma nova visita a Fontelonga.
De regresso à aldeia pensei de novo nas palavras com que iniciei o meu percurso: “Feia, fria e farta”. Não tenho dificuldades em concordar com o segundo atributo. Depois de tudo o que vi e passeando os olhos pelos campos em redor onde se distinguem verdejantes pomares de macieiras, soutos, hortas e batatais com abundantes recursos hídricos, tenho que concordar que se trata de uma aldeia farta, pelo menos que toca à produção agrícola. Quanto à beleza, se dúvidas houvesse, elas dissipar-se-iam com um último olhar ao pôr-do-sol por sobre os telhados das casas de Fontelonga quando já partia em direcção a Penafria. Feia?! Não.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando a música passa..

Quando os Zingaros de Carrazeda passaram, no findo da Vila, nem os mais idosos resistiram a um passo de dança e a um sorriso para a câmara.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

À descoberta de Fontelonga (Parte 1/2)

“Feia, fria e farta” – era este o rifão que levava na cabeça quando passei junto à capela de Santo António, em Penafria, a caminho de Fontelonga. Estes atributos são muitas vezes citados como sendo os da cidade da Guarda, mas também já os ouvi a respeito da aldeia que se situa a maior altitude, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Dado o frio que se fazia sentir, tinha quase a certeza que não teria muitas dúvidas a respeito do segundo atributo.
Fontelonga (ou Fonte Longa com a grafia mais antiga) situa-se a cerca de 3 quilómetros da sede de concelho, Carrazeda de Ansiães. Com o povoado todo edificado acima dos 800 metros de altitude, encontra-se totalmente exposta aos elementos, que fazem deste lugar um dos mais frios do concelho, com muitos ventos e nevadas frequentes.
Longe de refutar este atributo de terra fria, os habitantes de Fontelonga parecem querer fazer dele um factor de diferença. O Pinocro, marco geodésico situado a 883 metros de altitude, é um dos pontos de referência da aldeia e por todos indicado como um local a visitar. Foi precisamente no Pinocro que fiz a primeira paragem da minha visita à aldeia.
O marco geodésico, com forma de uma pirâmide quadrangular, eleva-se a vários metros de altitude. Faz parte de uma rede geodésica, sendo este um marco de primeira ordem. O ano de 1955 aparece gravado em vários locais, mas há quem afirme que “já lá estava no tempo dos mouros”. Não deve ser verdade porque a cartografia moderna em Portugal só se iniciou no séc. XVIII. O Abade de Baçal referenciou-o em 1859. O que realmente importa é que a freguesia tem feito muitos investimentos neste local, tornando-o um grande e agradável espaço de culto e lazer. Perto do marco geodésico está um nicho com a imagem de Santa Clara, um altar e um ambão ambos em granito. Aí se celebra a Eucaristia em honra de Santa Clara, nas festas de Agosto, depois de chegada a procissão vinda da Igreja Matriz.
Não muito distante, para poente, há um grande largo em terra batida e uma estrutura em cimento que aparenta ser um palco ou a base para uma construção futura. O pinhal ao lado foi arranjado com mesas, cadeiras, fontanários, assadores e iluminação. Trata-se de um enorme parque de merendas que adoraria conhecer num dia mais “movimentado”.
Recentemente foi também construído um bar com casas de banho e outras estruturas de apoio.
Subi ao ponto mais alto junto do Pinocro. Avista-se uma grande fatia de terra do concelho, mas o olhar perde-se para os lados do Douro, alcançando a outra margem, já no distrito da Guarda. Com um pouco de sorte conseguia ver o Marão, e, quem sabe, a serra da Estrela. Carrazeda estendia-se encostada à Pranheira e brilhava de cada vez que o sol conseguia furar a camada de nuvens que ameaçava desfazer-se em frias gotas sobre a minha cabeça.
Entre a vila e a aldeia fica a barragem, conhecida como barragem da Fontelonga. Esta é uma das infra-estruturas mais importantes e mais procuradas do concelho, principalmente no Verão. Espalhadas por vários hectares estão as piscinas municiais, um bar, um parque de merendas, campos de jogos e muitas, muitas árvores, convidando a uma tarde calma, em contacto com a natureza. É no Outono que eu mais aprecio este espaço. Os carvalhos americanos pintam-se de vermelhos e laranjas e as sebes decoram-se com medronhos maduros. Algumas aves aquáticas e limícolas utilizam a área da barragem, principalmente quando a calma do final do Verão se instala.
Depois de um último olhar para o castelo de Ansiães, também ele altivo, quase à mesma cota do Pinocro, desci à aldeia e estacionei no Largo da Praça. Abordei a primeira pessoa com quem me cruzei. Apesar de conhecer minimamente a aldeia, gostava de ouvir a opinião de alguns residentes. Não podia ter tido mais sorte. A idosa, com quase oitenta anos de idade, de nome Zeza, recebeu-me com curiosidade e sem receios. Ao fim de algumas palavras estendeu-me uma mão cheia de cerejas maduras, e alguns versos:
Fontelonga é boa terra / É terra de tradições / Tem um marco geodésico / Para guiar os aviões.
Surpreendida com o meu entusiasmo em escrever a quadra, não se fez rogada e continuou:
Adeus ó Largo da Praça / Onde a água sobe e desce / Nem a água mata a sede / Nem o meu amor me esquece.
Falou-me de si, da sua mãe, ainda viva, e da vida na aldeia em décadas passadas, das agruras e das alegrias. Intercalava as suas descrições com versos que brotavam da sua boca com ânsia de se fazerem ouvir:
Fontelonga é um jardim / Toda a gente diz assim / É tão linda a nossa terra.
Por esse mundo além / Não falta quem faça bem / Desde o vale até à serra.
Estes versos soaram-me a algo familiar. Lembraram-me os ranchos que representaram as diferentes aldeias no Cortejo das Oferendas realizado a favor do hospital nos finais da década de 40 inícios da década de 50. A minha mãe também os canta. Tive a confirmação nos versos seguintes:
Fontelonga abandonada / Bem merece ser olhada / Com carinho e atenção,
Pois nela tudo produz / Só nos falta ter a luz / É a nossa aspiração.
A assistir aos referidos cortejos estavam importantes representantes do poder central. A oportunidade era aproveitada pelas diferentes aldeias para fazerem reivindicações, normalmente em forma de canção, que cantavam no desfile, transportando as suas dádivas em carros de bois carinhosamente decorados.
Prometido um novo encontro no futuro para ouvir os restantes versos, parti para um passeio pelas principais ruas da aldeia, já com algumas referências dos locais que iria visitar. O meu percurso levou-me por ruas praticamente abandonadas, com casas em ruínas, algumas ainda usadas para alojar animais de carga. O acidentado relevo que se estende da aldeia ao rio Douro faz com que ainda se utilize com frequência gado cavalar.
Pouco depois cheguei ao Largo das Eiras. Só depois de conversar com um senhor que chegava com uma carroça carregada de erva fresca é que pude saber onde estava. Não há qualquer placa com o nome das ruas!

Continua....
À descoberta de Fontelonga (Parte 2/2)