A oportunidade de passar mais um dia a passear pelo concelho é sempre aproveitada com grande entusiasmo.
O roteiro escolhido para o dia 15 de Outubro não deferiu muito do que segui uma semana antes. mas, mesmo quando se visita o mesmo lugar, há sempre novas coisas que nos chamam à atenção.
O primeiro ponto da viagem foi ao castelo de Ansiães. Não propriamente para visitar o castelo, que bem o merece, mas sim para tentar conseguir uma fotografia panorâmica da aldeia de Marzagão. A posição é boa, mas os resultados não me agradaram. O facto de colocar a objectiva a trabalhar no limite das suas capacidades e talvez devido à manhã algo cinzenta, desisti rapidamente.
A segunda abordagem à panorâmica da aldeia foi do lugar exactamente oposto. Dirigi-me para Marzagão, atravessei a aldeia e subi, a pé, por um caminho que conduz a um outeiro a poente da aldeia, quase junto do campo de futebol de onze. A partir deste ponto a dificuldade esteve em conseguir enquadrar a maior parte das casas, uma vez que algumas ficam completamente tapadas por outras que estão à sua frente. Mas, mesmo assim, o resultado agradou-me mais e andei pelo alto do morro admirando a paisagem. Até Carrazeda de Ansiães se avistava bastante bem!
Pelo caminho ainda tive tempo para saborear as primeiras castanhas e procurar alguns cogumelos à sombra dos castanheiros. Não tive muita sorte com os cocos mas algumas vaquinhas proporcionaram-me algumas fotografias. As vaquinhas (ou línguas de vaca) são cogumelos bastante saborosos que me habituei a comer desde criança. O seu nome científico é Fistulina hepática.
Já de novo na aldeia percorri as mais estritas ruas e ruelas. O que deve ter sido o núcleo mais antigo da aldeia está praticamente deserto e em ruínas. Não há placas a identificar as ruas, por isso tive alguma dificuldade em me situar.
Aproveitei para colocar a máquina fotografia em preto e branco e tentar uma abordagem mais artística dos locais. Gostava de ter encontrado alguém com quem conversar, mas isso não aconteceu.
No largo do Fundo do Povo dirigi-me mais uma vez à igreja, mas tal como no dia da primeira visita, esta encontrava-se encerrada.
Já depois do meio dia foi a altura de rumar em direcção a Zedes para um almoço em família. O tempo passado em Zedes foi pouco, mas ainda deu para fazer uma visita ao rancho de apanha de maçã. Tal como em Marzagão, em Zedes (e muitas outras freguesias do concelho) a produção de maçã é uma das mais importantes actividades económicas. É também uma actividade que dá alguns trabalho, mesmo que temporário.
Já pelo Barreiro, não resisti a mais um passeio por um souto. A senhora Nilza e o senhor Adelinho presentearam-me com todas as castanhas que já tinham apanhado até ao momento! São gestos como este que nos fazem sentir em casa.
Na continuidade do meu passeio pelo souto fui ainda presentiado com um conjunto de rocos e meia dúzia de vaquinhas nos troncos dos castanheiros. Um pouco mais acima, no picoto, o martelo rasgava o caminho para o IC5 que vai passar bastante próximo.
A paragem seguinte foi na Biblioteca Municipal, em Carrazeda de Ansiães. Desta vez nem cheguei a entrar. Pretendia unicamente ter acesso ao livro “Memórias de Ansiães”(MORAIS, João Pinto de e MAGALHÃES, António de Sousa Pinto de.), como fui informado que não existe na biblioteca, nem sequer entrei e decidi aproveitar o tempo, seguindo viagem.
A paragem seguinte foi no Amedo. A sorte esteve do meu lado e encontrei algumas pessoas que não só conversaram comigo sobre a aldeia assim como me proporcionaram uma visita à igreja matriz e à capela de S. Martinho. Apenas pretendia ocupar o resto da tarde, mas fiz um interessante passeio pelas ruas da aldeia e também fiz alguns interessantes registos fotográficos.
Ficou a promessa de uma visita mais demorada à aldeia.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Vindimas
Não sei se é sempre assim, mas, este ano, nas visitas que tenho feito a algumas freguesias do concelho, reparo que a vindima é muito escalonada no tempo. Se nalgumas aldeias, com vinhas situadas nas ribeiras do Douro e do Tua a vindima já ocorreu há quase um mês, noutras, mais frias, ela está ainda a decorrer e possivelmente só terminará lá para o próximo fim de semana.
As fotografias apresentadas são no Amedo, onde também havia muita gente à vindima no Sábado passado.
As fotografias apresentadas são no Amedo, onde também havia muita gente à vindima no Sábado passado.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
1 dia por terras de Ansiães (01)
No dia 1 de Outubro passei grande parte do dia À Descoberta do concelho de Carrazeda de Ansiães.
A manhã foi passada a percorrer algumas ruas e a conversar com algumas pessoas em Marzagão. Há tantas coisas para conhecer, tantas para fotografar, que o tempo passa e não chega a nada. Quando se começa a conversar com as pessoas, tudo ganha mais graça e ficam-se a saber coisas bem mais interessantes, mas é necessário muito mais tempo. É necessário fazer algumas perguntas, mas também ouvir as pessoas que cada vez se sentem mais isoladas e têm muita necessidade de conversar.
Dos locais visitados em Marzagão, darei conta aqui, no blogue, e no novo blogue dedicado à freguesia, em próximos apontamentos.
Almocei em Carrazeda de Ansiães, no restaurante O Vinhateiro, já próximo das duas horas da tarde. Dado o adiantado da hora, não fui esquisito na ementa. Durante o almoço usufrui da companhia de um natural de Vila Flor, negociante de gado, com quem tive uma animada conversa, dado que conhecia profundamente os concelhos de Carrazeda, Vila Flor e outros como por exemplo Mogadouro.
Aproveitei o resto da tarde para conhecer a Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães. As únicas vezes que estive nesse espaço foi em realizações como a Feira do Livro, não tendo nem espreitado as prateleiras.
Não foi necessário fazer qualquer inscrição e subi ao primeiro andar, onde se situa o principal espaço da biblioteca.
Durante o meu 5.º e 6.º anos tive muitas vezes aulas neste edifício, quer de um lado, quer do outro. Curioso era o facto de que para se entrar nalgumas salas, tínhamos que atravessar outras! Nada reconheci no edifício da biblioteca que me fizesse lembrar esse tempo, há excepção do exterior.
Numa sexta à tarde o movimento era pouco. Um adulto consultava a Internet e duas jovens conversavam numa mesa, fazendo talvez algum trabalho escolar. Tal como noutras bibliotecas, escolares ou não, o grosso do movimento de crianças e jovens deve-se aos equipamentos informáticos. A utilização da Internet é muito mais aliciante do que sentar-se numa mesa a desfolhar um livro. É uma das grandes tendências da nossa sociedade que não sei onde nos vai levar.
Não precisei de procurar muito. A estante que procurava está mesmo em frente à porta de entrada. Pretendia inteirar-me dos livros que me falassem do concelho de Carrazeda de Ansiães. A estante está sinalizada como “Fundo Local”. Entre alguns, que possuo (e que não valia a pena consultar por os ter em casa), seleccionei 6 que, numa primeira abordagem, me pareceram interessantes.
Este primeiro contacto destinou-se a fazer o reconhecimento das obras existentes, uma vez que pretendo voltar mais vezes e requisitar as que me for possível requisitar. Fui informado de que os livros que têm uma fita vermelha na lombada não podem ser requisitados! Todos os que tinha em cima da mesa tinham uma fita vermelha!
Ao contrário do que me aconteceu em Vila Flor e Torre de Moncorvo, em que me foram cedidos livros editados pelas respectivas Câmaras Municipais, em Carrazeda de Ansiães a recepção (ao nível mais alto da Câmara Municipal) não foi muto animadora. Tenho comprado bastantes livros. O Blogue, além de muito tempo e muito trabalho, começa também a dar despesa.
Voltando aos livros. Dos que tinha em cima da mesa o que me mereceu mais interesse foi “Carrazeda de Ansiães e o Seu Termo”, de José Aguilar. Trata-se de uma edição da Câmara Municipal e estranhei nunca o ter encontrado à venda. Trata-se de um livro composto por pequenos textos que nos levam a percorrer locais bem característicos do concelho. A linguagem utilizada é muito agradável e de fácil leitura. É um livro que vou ler e que me ajudará bastante a conhecer melhor o concelho.
Quase ao cair da noite ainda fiz uma visita a Zedes. Apenas o tempo suficiente para visitar alguns familiares e dar alguns dedos de conversa no bar da Associação, que estranhamente estava aberto àquela hora.
Foi um dia muito agradável. Espero nos próximos tempos repetir a experiência e conhecer melhor outras freguesias do concelho.
A Biblioteca funciona das 9:00 h às 12:30 h e das 14:00 h às 17:30.
Regulamento da Biblioteca Municipal (em PDF)
A manhã foi passada a percorrer algumas ruas e a conversar com algumas pessoas em Marzagão. Há tantas coisas para conhecer, tantas para fotografar, que o tempo passa e não chega a nada. Quando se começa a conversar com as pessoas, tudo ganha mais graça e ficam-se a saber coisas bem mais interessantes, mas é necessário muito mais tempo. É necessário fazer algumas perguntas, mas também ouvir as pessoas que cada vez se sentem mais isoladas e têm muita necessidade de conversar.
Dos locais visitados em Marzagão, darei conta aqui, no blogue, e no novo blogue dedicado à freguesia, em próximos apontamentos.
Almocei em Carrazeda de Ansiães, no restaurante O Vinhateiro, já próximo das duas horas da tarde. Dado o adiantado da hora, não fui esquisito na ementa. Durante o almoço usufrui da companhia de um natural de Vila Flor, negociante de gado, com quem tive uma animada conversa, dado que conhecia profundamente os concelhos de Carrazeda, Vila Flor e outros como por exemplo Mogadouro.
Aproveitei o resto da tarde para conhecer a Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães. As únicas vezes que estive nesse espaço foi em realizações como a Feira do Livro, não tendo nem espreitado as prateleiras.
Não foi necessário fazer qualquer inscrição e subi ao primeiro andar, onde se situa o principal espaço da biblioteca.
Durante o meu 5.º e 6.º anos tive muitas vezes aulas neste edifício, quer de um lado, quer do outro. Curioso era o facto de que para se entrar nalgumas salas, tínhamos que atravessar outras! Nada reconheci no edifício da biblioteca que me fizesse lembrar esse tempo, há excepção do exterior.
Numa sexta à tarde o movimento era pouco. Um adulto consultava a Internet e duas jovens conversavam numa mesa, fazendo talvez algum trabalho escolar. Tal como noutras bibliotecas, escolares ou não, o grosso do movimento de crianças e jovens deve-se aos equipamentos informáticos. A utilização da Internet é muito mais aliciante do que sentar-se numa mesa a desfolhar um livro. É uma das grandes tendências da nossa sociedade que não sei onde nos vai levar.
Não precisei de procurar muito. A estante que procurava está mesmo em frente à porta de entrada. Pretendia inteirar-me dos livros que me falassem do concelho de Carrazeda de Ansiães. A estante está sinalizada como “Fundo Local”. Entre alguns, que possuo (e que não valia a pena consultar por os ter em casa), seleccionei 6 que, numa primeira abordagem, me pareceram interessantes.
Este primeiro contacto destinou-se a fazer o reconhecimento das obras existentes, uma vez que pretendo voltar mais vezes e requisitar as que me for possível requisitar. Fui informado de que os livros que têm uma fita vermelha na lombada não podem ser requisitados! Todos os que tinha em cima da mesa tinham uma fita vermelha!
Ao contrário do que me aconteceu em Vila Flor e Torre de Moncorvo, em que me foram cedidos livros editados pelas respectivas Câmaras Municipais, em Carrazeda de Ansiães a recepção (ao nível mais alto da Câmara Municipal) não foi muto animadora. Tenho comprado bastantes livros. O Blogue, além de muito tempo e muito trabalho, começa também a dar despesa.
Voltando aos livros. Dos que tinha em cima da mesa o que me mereceu mais interesse foi “Carrazeda de Ansiães e o Seu Termo”, de José Aguilar. Trata-se de uma edição da Câmara Municipal e estranhei nunca o ter encontrado à venda. Trata-se de um livro composto por pequenos textos que nos levam a percorrer locais bem característicos do concelho. A linguagem utilizada é muito agradável e de fácil leitura. É um livro que vou ler e que me ajudará bastante a conhecer melhor o concelho.
Quase ao cair da noite ainda fiz uma visita a Zedes. Apenas o tempo suficiente para visitar alguns familiares e dar alguns dedos de conversa no bar da Associação, que estranhamente estava aberto àquela hora.
Foi um dia muito agradável. Espero nos próximos tempos repetir a experiência e conhecer melhor outras freguesias do concelho.
A Biblioteca funciona das 9:00 h às 12:30 h e das 14:00 h às 17:30.
Regulamento da Biblioteca Municipal (em PDF)
domingo, 3 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Novo Blogue - Marzagão
Embora eu tente ter um tratamento uniforme para com todas as aldeias do concelho, o feedback que recebo não é exactamente igual. Acontece que o minha primeira postagem sobre Marzagão chegou aos 60 comentários, o que evidencia a vontade de comunicar e de ver mais informação sobre a sua terra.
Já por várias vezes manifestaram o desejo de haver um Blogue dedicado à aldeia, decidi fazer-lhe a vontade. Não sei bem qual vai ser a aceitação e dinamismo que vai ser conseguido. Sei que é mais um a ocupar-me o pouco tempo que me resta disponível. Mas, como se costuma dizer: Quem corre por gosto não cansa. Farei o meu melhor (sendo certo que pouco conheço da aldeia e que a visito muito raramente).
Procurei um endereço adequado. Como Marzagão já não podia ser, acabei por escolher
http://descobrirmarzagao.blogspot.com
uma vez que será sempre um blogue filho do À Descoberta de Carrazeda de Ansiães.
Sei que a participação efectiva é muitas vezes uma utopia, mas, tentar não custa. O espaço está aberto à colaboração de todos. Podem enviar, fotografias, textos, notícias ou o que julgarem interessante para ser publicado no Blogue. O endereço de correio electrónico criado é descobrirmarzagao@gmail.com
Fico na expectativa de ver o que acontece.
Já por várias vezes manifestaram o desejo de haver um Blogue dedicado à aldeia, decidi fazer-lhe a vontade. Não sei bem qual vai ser a aceitação e dinamismo que vai ser conseguido. Sei que é mais um a ocupar-me o pouco tempo que me resta disponível. Mas, como se costuma dizer: Quem corre por gosto não cansa. Farei o meu melhor (sendo certo que pouco conheço da aldeia e que a visito muito raramente).
Procurei um endereço adequado. Como Marzagão já não podia ser, acabei por escolher
http://descobrirmarzagao.blogspot.com
uma vez que será sempre um blogue filho do À Descoberta de Carrazeda de Ansiães.
Sei que a participação efectiva é muitas vezes uma utopia, mas, tentar não custa. O espaço está aberto à colaboração de todos. Podem enviar, fotografias, textos, notícias ou o que julgarem interessante para ser publicado no Blogue. O endereço de correio electrónico criado é descobrirmarzagao@gmail.com
Fico na expectativa de ver o que acontece.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Fonte do Vale - Pereiros
Numa visita a Pereiros podemos encontrar um interessante conjunto de fontes e fontanários. A água fresca ainda corre, em grande parte delas. São bom exemplo disso a fonte da Rua e a fonte Nova. Mas, a fonte onde se pode beber água fresca e apreciar uma bela paisagem é na Fonte do Vale.
Está situada fora da aldeia a pouco mais de 150 metros de distância da rua de Santo André, partindo de onde esta se encontra com a rua Bartolomeu Dias (estrada que contorna Pereirose segue para Codeçais).
É pena que a área envolvente tenha ardido recentemente, porque, anteriormente, o local era ainda mais agradável, com sombras e mais frescura.
Está situada fora da aldeia a pouco mais de 150 metros de distância da rua de Santo André, partindo de onde esta se encontra com a rua Bartolomeu Dias (estrada que contorna Pereirose segue para Codeçais).
É pena que a área envolvente tenha ardido recentemente, porque, anteriormente, o local era ainda mais agradável, com sombras e mais frescura.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
III Raid BTT Socalcos do Tua
As inscrições encerrarão às 24h00 do dia 04 de Setembro, estando limitadas a 60 participantes, pelo que, os participantes que efectuarem a inscrição no dia do Raid, 05 de Setembro, até ao fecho do secretariado, o que ocorrerá pelas 08H00, a organização do evento não assegura a inscrição com almoço convívio.
Informações:
acdcodecais@hotmail.com
Telem. 964345784
http://acdcodecais.blogspot.com
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu - Parambos
No dia 22 de Agosto realizou-se, em Parambos, a 2.ª Memorável Caminhada de S. Bartolomeu. Realizada por altura das festas da aldeia em honra de S. Bartolomeu, é organizada por um grupo de amigos dinamizadores e visitantes do blogue Viver Parambos. Este grupo tem feitos vários percursos na natureza, alguns na Linha do Tua. Desde o seu arranque que mantenho um estreita ligação com o blogue e com os seus responsáveis, por isso, decidi fazer-lhe uma surpresa.
Levantei-me muito cedo, antes do nascer do sol! Às sete da manhã estava em Parambos para inicial a caminhada. Foram chegando pessoas, com a cara ensonada, vindos de todas ruas e bairros da aldeia. Os próprios organizadores não queriam acreditar na adesão!
Quando nascia o sol estávamos a atravessar o campo de futebol de 11 de Parambos em direcção à Fonte de Seixas. Com um percurso estimado em pouco mais de 13 quilómetros, a caminhada prometia a passagem por dois locais arqueológicos importantes e semelhantes: a Fonte de Seixas e a Fraga da Aborraceira.
O grupo era heterogéneo, juntando crianças e jovens e alguns adultos que há muito tempo que não percorriam tais caminhos.
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Seixas, por vezes apontado como santuário da Idade do Bronze ou mesmo da Idade do Ferro. É um dos mais interessantes sítios de arte rupestre do concelho.
Descemos, depois pela encosta, lá para os lados da Quinta da Lavandeia em direcção ao Castanheiro. A aldeia de Ribalonga ainda se encontrava parcialmente nas sombras, mas o cenário era magnífico.
Depois de cruzarmos a Estrada Nacional 214 nas primeiras casas do Castanheiro, seguimos por caminhos rurais, alguns bem antigos em direcção à Quinta da Aborraceira. Alguns dos caminhos utilizados ficaram abandonados no tempo, sendo agora simples carreirões por onde apenas passa uma pessoa de cada vez.
Também esta parte do trajecto me deu muito prazer a fazer. Além do perfil das casas do Castanheiro, sempre recortado na linha do horizonte, o olhar desce as escarpas agrestes até à linha de água que corre entre as encostas, é o rio Tua. A seu lado, a centenária companheira Linha do Tua, que tanto gosto de percorrer. Avista-se o apeadeiro do Castanheiro e os túneis das Fragas Más. Despertaram-me a imaginação para outras caminhadas.
Pouco depois chegámos perto da antiga Quinta da Aborraceira, que deve ter sido um lugar esplêndido e cheio de vida, no passado. É hoje ocupada por uma família de alemães, que vivem de forma diferente e dos quais não vimos qualquer sinal.
Fizemos um pequeno desvio em direcção ao rio, de encontro ao segundo sítio arqueológico, a Fraga da Aborraceira. Há mais de 20 anos que tentei encontrá-la pela primeira vez, mas nunca cheguei perto dela.
A fraga tem gravados círculos, semi-circulos, ferraduras e cruzes. Trata-se de mais um exemplo de arte rupestre bem preservado, em parte semelhante a outros que existem no concelho. A posição frontal do sol não me permitiu as fotografias como eu desejava. Talvez , noutra altura, volta a visitar esta fraga.
Voltámos atrás, de novo em direcção à Quinta da Aborraceira onde alguns (menos curiosos) já nos esperavam e empreendemos o regresso a Parambos.
A paragem seguinte serviu para nos refrescarmos, bebendo água fresca (acompanhada de alguns deliciosos figos apanhas no momento), primeiro na Fonte da Presa e depois na Fonte Nova.
Chegámos ao centro de Parambos perto do meio-dia. Toda a gente estava satisfeita com a caminhada e faziam-se já planos para realizações futuras. Uma refeição em conjunto, à sombra do choupo, foi uma das ideias que foram lançadas que podem vir a ser postas em prática em próximas realizações. Eu acrescentaria uma pausa para o lanche, a meio do percurso, uma vez que cheguei ao fim do percurso com a minha apetitosa merenda intacta. Os caminheiros não mostraram intenções de fazer paragens muito demoradas.
Foi uma manhã fantástica. Para mim, uma manhã em contacto com a natureza, já é muito boa, mas esta que passei em companhia de amigos, ficará na minha memória por muito tempo.
Obrigado.
Levantei-me muito cedo, antes do nascer do sol! Às sete da manhã estava em Parambos para inicial a caminhada. Foram chegando pessoas, com a cara ensonada, vindos de todas ruas e bairros da aldeia. Os próprios organizadores não queriam acreditar na adesão!
Quando nascia o sol estávamos a atravessar o campo de futebol de 11 de Parambos em direcção à Fonte de Seixas. Com um percurso estimado em pouco mais de 13 quilómetros, a caminhada prometia a passagem por dois locais arqueológicos importantes e semelhantes: a Fonte de Seixas e a Fraga da Aborraceira.
O grupo era heterogéneo, juntando crianças e jovens e alguns adultos que há muito tempo que não percorriam tais caminhos.
A primeira paragem aconteceu na Fonte do Seixas, por vezes apontado como santuário da Idade do Bronze ou mesmo da Idade do Ferro. É um dos mais interessantes sítios de arte rupestre do concelho.
Descemos, depois pela encosta, lá para os lados da Quinta da Lavandeia em direcção ao Castanheiro. A aldeia de Ribalonga ainda se encontrava parcialmente nas sombras, mas o cenário era magnífico.
Depois de cruzarmos a Estrada Nacional 214 nas primeiras casas do Castanheiro, seguimos por caminhos rurais, alguns bem antigos em direcção à Quinta da Aborraceira. Alguns dos caminhos utilizados ficaram abandonados no tempo, sendo agora simples carreirões por onde apenas passa uma pessoa de cada vez.
Também esta parte do trajecto me deu muito prazer a fazer. Além do perfil das casas do Castanheiro, sempre recortado na linha do horizonte, o olhar desce as escarpas agrestes até à linha de água que corre entre as encostas, é o rio Tua. A seu lado, a centenária companheira Linha do Tua, que tanto gosto de percorrer. Avista-se o apeadeiro do Castanheiro e os túneis das Fragas Más. Despertaram-me a imaginação para outras caminhadas.
Pouco depois chegámos perto da antiga Quinta da Aborraceira, que deve ter sido um lugar esplêndido e cheio de vida, no passado. É hoje ocupada por uma família de alemães, que vivem de forma diferente e dos quais não vimos qualquer sinal.
Fizemos um pequeno desvio em direcção ao rio, de encontro ao segundo sítio arqueológico, a Fraga da Aborraceira. Há mais de 20 anos que tentei encontrá-la pela primeira vez, mas nunca cheguei perto dela.
A fraga tem gravados círculos, semi-circulos, ferraduras e cruzes. Trata-se de mais um exemplo de arte rupestre bem preservado, em parte semelhante a outros que existem no concelho. A posição frontal do sol não me permitiu as fotografias como eu desejava. Talvez , noutra altura, volta a visitar esta fraga.
Voltámos atrás, de novo em direcção à Quinta da Aborraceira onde alguns (menos curiosos) já nos esperavam e empreendemos o regresso a Parambos.
A paragem seguinte serviu para nos refrescarmos, bebendo água fresca (acompanhada de alguns deliciosos figos apanhas no momento), primeiro na Fonte da Presa e depois na Fonte Nova.
Chegámos ao centro de Parambos perto do meio-dia. Toda a gente estava satisfeita com a caminhada e faziam-se já planos para realizações futuras. Uma refeição em conjunto, à sombra do choupo, foi uma das ideias que foram lançadas que podem vir a ser postas em prática em próximas realizações. Eu acrescentaria uma pausa para o lanche, a meio do percurso, uma vez que cheguei ao fim do percurso com a minha apetitosa merenda intacta. Os caminheiros não mostraram intenções de fazer paragens muito demoradas.
Foi uma manhã fantástica. Para mim, uma manhã em contacto com a natureza, já é muito boa, mas esta que passei em companhia de amigos, ficará na minha memória por muito tempo.
Obrigado.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
À descoberta de Fontelonga (Parte 2/2)
Continuação de: À descoberta de Fontelonga (Parte 1/2)
A paragem seguinte foi na Escola Primária. É constituída por um edifício de rés-do-chão, com duas salas e um largo espaço cimentado, com algumas árvores gigantescas. Por detrás das salas de aulas há um edifício recente, em granito. Esteve para ser uma cantina escolar, mas é a sede da Junta de Freguesia, inaugurada em 1997. Um parque infantil, completa o conjunto. Gostava de ver o recreio cheio de crianças a brincar, mas, estou em crer que o silêncio pode chegar de vez. Do grupo de alunos que ainda frequentam esta escola, apenas dois são de Fontelonga. É bem possível que a escola encerre este ano, tal como tantas outras no Portugal interior, cada vez mais desertificado.
Continuei o meu percurso em direcção ao Fundo do Povo. As ruas por onde passei (não sei o nome) pareceram-me mais simpáticas do que as primeiras. Embora estreitas e com as casas pouco alinhadas, estão habitadas, cuidadas e cresce uma roseira em cada esquina. Penso ter passado por uma rua onde estive em garoto a ferrar uma burra, mas não tenho a certeza. O ferrador de Fontelonga morreu já há alguns anos. Agora o serviço é feito por um do Mogo, ou outro que vive em Marzagão.
A fonte de mergulho existente no Fundo do Povo, conhecida por Fonte Romana, é mais um elemento do património da freguesia. Há várias lendas sobre a origem do nome Fonte Longa e algumas relacionam-no com esta fonte. Pode não ter sido a fonte a dar o nome à aldeia, mas, água é o que não falta no termo de Fontelonga.
Local de encontros e de namoricos em tempos idos, a fonte está agora fechada, fornecendo água para os tanques públicos que ainda são bastante utilizados. Tanto os do Fundo do Povo como os que existem junto à fonte das Eiras, perto da cabine. São dois espaços bonitos, cheios de romantismo que devem trazer boas recordações a muitas pessoas. Também o edifício em ruínas por detrás da fonte de mergulho, do outro lado da rua, desperta recordações a muitas pessoas. Trata-se da antiga escola primária. Muitos dos idosos ainda se lembram dela. Tinha duas salas, uma para o sexo masculino e outra para o sexo feminino. Nem todos chegaram ao fim dos quatro anos de estudo, a vida era difícil. Era necessário ajudar a criar os irmãos, acompanhar o pai na lavoura, etc.
Deixei o Fundo do Povo e segui por uma rua plana em direcção a poente. Algumas inscrições nos pórticos das casas indicam que esta deve ser uma das zonas mais antigas da aldeia. Já não há carpinteiros, tecedeiras, lagares de azeite ou tabernas. Atrás de cada porta há décadas de histórias que se vão apagando pouco a pouco.
Pouco depois cheguei à rua Padre Fernando Antonione da Silva Ribeiro. A placa, quase ainda a cheirar a cola fresca, relembra a homenagem recentemente prestada à pessoa em questão. Conheci muito bem o sr. Padre Fernando. O seu nome ficará sempre ligado à obra que conseguiu edificar em Fontelonga e de que tanto gostava de falar: o Lar de Idosos (Cristo Rei) e o Jardim-de-infância.
No cimo da rua há uma interessante fonte em ferro fundido.
Segui para a Igreja Matriz. É, sem dúvida, o mais importante património edificado da aldeia. Trata-se de um edifício imponente, com Torre Sineira Central, com dois sinos. Está voltada para poente sendo o acesso principal pelas suas traseiras. Há um cruzeiro recente, fora do adro, mas o que chama a atenção é o Cristo Redentor pintado na parede das traseiras da capela-mor. O adro é um espaço muito agradável, repleto de árvores, arbustos e relva. É caso para se dizer – É um prazer ir à igreja. Tem gravado o ano de 1875 na fachada, mas este não é o primeiro templo. Fontelonga é das paróquias mais antigas do concelho. O seu desmembramento da paróquia de S. Salvador de Ansiães aconteceu durante o séc. XV. Cristiano Morais refere que “Durante a visita feita à igreja da Fontelonga, pelo Reverendo Dr. José Pereira da Mota Pimentel, Abade de Vilar de Ferreiros/Mondim de Bastos, em Outubro de 1782, nela deixou, em capítulo, uma ordem para que a comenda e o povo ampliassem a igreja, destruindo a existente, velha e pequena, e no seu lugar levantassem um novo templo”. Isso não deve ter acontecido nos anos seguintes, mas veio a acontecer mais tarde.
No frontispício está a imagem em pedra de Santa Maria Madalena, padroeira da freguesia. Vale a pena visitar o interior. Os altares em talha dourada são muito bonitos, principalmente o da capela-mor. Está deteriorado e a precisar de restauro, mas deve ser bem mais antigo do que os restantes. De todas as imagens que existem no seu interior, destaco a de Santa Clara, do lado esquerdo do altar-mor. É uma santa de muita devoção pelas pessoas da aldeia, que chamam também ao monte do Pinocro, Monte de Santa Clara.
Saí pela porta do Fotreco em direcção à única capela existente na freguesia. Disseram-me que existiu outra, particular, mas actualmente a capela de S. Sebastião é única e situa-se a cerca de 500 metros da igreja. Encontra-se junto ao caminho, tem torre sineira central encimada por uma cruz. Apresenta pináculos simples nos quatro cantos.
De regresso à aldeia fiz uma paragem no café do Adro. A minha presença na aldeia já tinha sido notada e não faltou assunto para conversa. Fiquei a saber que existe uma passagem natural debaixo das rochas próximo do Pinocro e há ruínas de vários moinhos de água nos ribeiros. Junto de um desses moinhos há uma rocha com muitas cavidades escavadas onde os pássaros fazem os ninhos.
O tempo passou rapidamente e não havia possibilidade para mais visitas. Não podia ir-me embora sem fotografar as alminhas que existem junta à estrada a caminho de Besteiros. Um habitante ofereceu-se para me levar lá de carro e eu aceitei. Estas alminhas foram mudadas de um sítio não muito distante do local onde se encontram agora. Estão num bloco de granito com cerca de um metro e meio de comprimento por meio de altura. Curiosamente são visíveis inscrições de ambos os lados do retábulo. Do lado direito distinguem-se perfeitamente as letras C.F. e o ano de 1906 no lado esquerdo. No topo da rocha há restos de ferro cravados. Pode ter sido uma grade, alguma cruz ou mesmo um mealheiro. As alminhas destinavam-se a recolher dádivas dos que por elas passavam. Com esse dinheiro eram celebradas missas em remissão das Almas do Purgatório. Por esta estrada passa a procissão, em direcção a Besteiro, onde se homenageia Santa Luzia, anualmente, na segunda-feira de Páscoa. Este será um bom motivo para uma nova visita a Fontelonga.
De regresso à aldeia pensei de novo nas palavras com que iniciei o meu percurso: “Feia, fria e farta”. Não tenho dificuldades em concordar com o segundo atributo. Depois de tudo o que vi e passeando os olhos pelos campos em redor onde se distinguem verdejantes pomares de macieiras, soutos, hortas e batatais com abundantes recursos hídricos, tenho que concordar que se trata de uma aldeia farta, pelo menos que toca à produção agrícola. Quanto à beleza, se dúvidas houvesse, elas dissipar-se-iam com um último olhar ao pôr-do-sol por sobre os telhados das casas de Fontelonga quando já partia em direcção a Penafria. Feia?! Não.
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