sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Elas já chegaram!

Hoje passei mais um dia À Descoberta do concelho de Carrazeda de Ansiães. Além de muitas coisas interessantes que encontrei nas aldeias de Castanheiro e Tralhariz, fui brindado com as primeiras amendoeiras floridas que, mesmo sendo ainda poucas, encheram o meu dia de alegria e cor.
A primeira amendoeira em flor encontrei-a logo depois de Parambos, na beira da estrada. Mais tarde, verifiquei que no termo do Castanheiro já havia bastantes.
Também nas encostas de Tralhariz, nos socalcos que as descem até ao Tua brilhavam ao longe as cândidas pétalas brancas.
Em breve teremos os campos repletos de amendoeiras de flores. Espero ter oportunidade de voltar a fotografá-las, nestas, ou noutras aldeias do concelho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Desejo 4

Na frescura da tarde
prende-se-me a saudade ao pensamento.
De perto e de longe
chegam-me desejos...
E quanto mor a distância,
mais desejo o teu beijo,
mais requeiro o teu abraço.
Nas birras e queixumes
se espraiam os ciúmes
que nos detêm sem fim,
qual centro de girassol,
e se juntam
sem luar nem pôr do sol.

(19.8.85)

Poema de João Manuel Sampaio, do livro Rude (A)gosto no olhar, (2000).
Fotografia: Do alto da queda de água do Síbio, em Pinhal do Douro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

À Descoberta de Parambos

Há mais de 20 anos, comecei, juntamente com um grande amigo da freguesia de Parambos, a percorrer algumas aldeias e sítios pitorescos do concelho de Carrazeda de Ansiães. A vida deu muitas voltas, mas, nem eu, nem esse meu amigo de nome Li, perdemos o entusiasmo, a curiosidade, o gosto pela descoberta e o prazer de fotografar.
Na Sexta-feira passada regressei mais uma vez a Parambos. Quase ao fim da tarde, perdi-me a fotografar a luz rasante que cintilava por entre as folhas de oliveiras, ali para os lados a Fonte Nova. O vale do Tua foi-se cobrindo de sombras, mas a paisagem era magnífica.
Quando regressei ao centro da aldeia foi a simpatia das pessoas que me cativou. E, mesmo tratando-se de uma aldeia "muito verde", decidi retrata-la em tons de cinza. Dizem que a fotografia a preto e branco tem mais "alma". Estou em crer que sim.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Entre oliveiras (01)


Não há metáforas para esta beleza.
Resta ao olhar, em silêncio,
ficar a contemplá-la
até que o tempo deixe de ser tempo
e se torne linhas de espera
a aprisionarem a noite.
Último paragrafo
do livro dos negrilhos
escrito pelos ventos.

Poema escrito pelo poeta João de Sá, no seu livro "Pelo Sinal da Terra", 2010.
Fotografia: Parambos; a caminho da Fonte Nova.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fontelonga (4)

Fontelonga, 27-01-2011.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ribalonga (II)

Área: 852 ha
População: Cerca de 80 habitantes
Presidente: Luís Jesus Veiga
Património cultural edificado: Igreja Matriz, Capelas do Senhor dos Passos, do Cemitério, Nichos de Stª Marinha, de Stª Teresinha, Fraga das Ferraduras, Gravuras Rupestres, Edifício da Junta, Escola Primária (desactivada), Fonte de Mergulho na Rua da Fonte
Património Paisagístico: Toda a Freguesia é uma Vista Panorâmica
Festas e Romarias: Festa em honra de Stª Marinha a 18 de Julho
Espaços lúdicos: Internet no Edifício da Junta
Orago: Stª Marinha
Principais actividades económicas: Agricultura, Vinha, Olival, Comércio.
 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A los pies de mi pueblo


À dias cliquei à sorte num dos seguidores do blogue À Descoberta de Vila Flor. Verifiquei que se tratava de uma pessoas de nome Adel, que escrevia em castelhano, sobre uma aldeia perdida em Trás-os-Montes, algures no concelho de Carrazeda de Ansiães. No seu blogue, Reino de Rocas, fui encontrar algumas palavras que me tocaram, poucas mas cheias de emoção, próprias de quem ama à distância.  Tomei a liberdade de copiar um pequeno texto para aqui e juntar-lhe uma fotografia (modificada) tirada do alto da queda de água do Síbio, perto de Coleja. Que este meu acto sirva para que o autor escreva mais.

A los pies de mi pueblo, esta el rio Duero, que ahora va manso por las presas construidas para hacerlo fluvial.
A las orillas son todo Montes y el suelo escalonado con muros de piedra, aguantando el terreno.
Fue nombrado Patrimonio del vino de Oporto. Donde quiera que se mire hay viñedos .
Frente a mi pueblo están las vías del Tren, un recorrido a la vera del río y por la falda de la montaña.
La población en invierno es de unos cien habitantes, llegando en verano y en la vendimia a multiplicarse por diez.
En el Río hay un pequeño puerto fluvial, en verano con muchos barquitos y motos de agua venidos de muchos pueblos y ciudades, la mayoría de Oporto.
Entre Rocas y Montes se levanta este refugio de Paz, que me encanta desde niño.
Aquí he nacido, nacieron mis Abuelos Paternos, varios hermanos y mi Padre.
Que en Paz descansen.
De aquí herede mi sangre.Pueblo de rocas es llamarle lo que es, pues las Rocas van besándote los Pies.

Texto retirado do Blogue: Reino de Rocas

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ao sabor das estações

Nos últimos dias têm-se vivido temperaturas muito baixas, em todo o concelho de Carrazeda de Ansiães. Na deslocação que fiz a Zedes, para votar, no domingo passado, verifiquei mais uma vez que o frio veio para ficar. Apesar de já ter caído bastante neve em Dezembro, ainda não tive oportunidade de fotografar o verdadeiro inverno. Não aconteceu o mesmo com o Outono, que registei e muitas fotografias, principalmente em Zedes e Fontelonga. Os castanheiros continuam a ser um dos meus temas preferidos para fotografar.
A fotografia de hoje foi tirada em Zedes, num souto nos Brunhais.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Rostos

Às vezes cruzamo-nos com pessoas que mostram no olhar toda a alma de ser transmontano. Mais raro ainda é quando nos cruzamos com a mesma pessoas duas vezes.
Foto: agricultor a caminho do campo, em Fontelonga.
26-11-2010

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Bom Ano 2011

Depois de algum tempo de pausa, o Blogue está de volta. Bom ano de 2011 para todos os visitantes.



Ao bateres à minha porta
Vê lá com que intenção vens
Se for por mal não entres
Por bondade aqui me tens.

Esta é uma quadra que se encontra junta uma porta na freguesia de Seixo de Ansiães.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

À Descoberta de Pereiros 3/3

Continuação de - À Descoberta de Pereiros 2/3

A paragem seguinte foi no largo Luís de Camões. Talvez tenha sido esta uma das primeiras áreas a ser povoada. A antiguidade das casas assim o demonstram, embora haja outras zonas igualmente antigas.
Neste largo é possível observar uma das casas mais nobres da aldeia, com o seu brasão, que também ostenta o elmo eclesiástico. Pertenceu ao reitor dos Pereiros no séc. XVIII e XIX. Tem, no balcão, gravado o ano de 1843 e é conhecida pela designação de Casa dos Caiados.
De junto dela parte uma canelha que desce em direcção ao ribeiro e a outro representante emblemático do património edificado de Pereiros: a ponte das Olgas. As águas que escorrem das montanhas formam várias ribeiras. Uma das mais importantes é a ribeira da Gricha. Juntam-se, passam sob a ponte das Olgas, e a água corre em rodopio pela ribeira das Lajes até atingir a ribeira da Cabreira, já perto do rio Tua. O declive foi aproveitado para a colocação de moinhos, movidos pelas abundantes águas do Inverno. Hoje restam alguma ruína, que não tive tempo de visitar.
A ponte (elemento representado na bandeira da freguesia) serviria para estabelecer a ligação entre Freixiel e Pereiros, fazendo possivelmente parte de uma via, em grande parte, calcetada. Apresenta um único arco de volta perfeita, um tabuleiro plano lajeado a granito, guardas também em granito e duas rampas de acesso. Embora de cronologia indeterminada, parece-me exagerada a designação de ponte Romana. Esta designação é atribuída a muitas fontes e pontes muito posteriores aos Romanos.
De regresso ao povoado atravessei a rua principal, onde, além de algumas interessantes construções em granito, é possível encontrar a fonte da Rua. Neste local concentram-se as pessoas nas tardes de Domingo, dado que aqui existem, desde há muitos anos, uma taberna e agora um café. Esta fonte está bem preservada, mas, a fonte do Poço vai-se apagando na memória das pessoas, foi soterrada.
Outra das curiosidades existentes, na travessa Cândido dos Reis, é uma cara esculpida em granito, na parede duma casa, a que dão o nome de “cara” de Pereiros. Uma situação semelhante já constatei em de Mogo de Malta, mas há outras, por exemplo em Parambos.
Mesmo no final da rua está a capela de Santo André. Voltada para a rua, ocupa uma posição elevada em relação a esta. Esta posição foi-se acentuando por rebaixamento da estrada. A sua construção foi provavelmente entre os anos de 1807 e 1810. À pequena torre sineira, possivelmente encimada por uma cruz, faltam algumas pedras e o sino. O interior está recuperado e limpo. Santo André, Santa Eufémia e o Menino Jesus de Praga são as imagens que se encontram no altar. A base deste altar tem muitas semelhanças com as da igreja de Zedes. No exterior, num dos alçados laterais, há um painel de azulejo monocromático de alminhas, colado de uma forma muito humilde. O painel é muito bonito e pouco frequente, dentro daquilo que é o meu conhecimento. Apresenta, em baixo, a mensagem: “É o Santo Sacrifício da Missa o Sufrágio por Excelência das Benditas Almas do Purgatório”.
Depois de percorrer os principais pontos de interesse e as ruas mais importantes, seria interessante embrenhar-me nas ruelas mais estreitas que sobem para o cabeço, concentrar-me nas tradicionais casas rusticamente construídas em granito, mas o calor era muito. Para descansar um pouco procurei um dos lugares mais calmos e frescos que existe na aldeia, a fonte do Vale.
Situada a algumas centenas de metros do povoado, desta fonte brota água fresca de forma ininterrupta. Aqui se reabasteciam de água potável no passado e lavavam a roupa no enorme tanque. Recentemente já foi uma solução alternativa, uma vez que a falta de água tem sido uma constante no concelho.
Beber a água fresca saída da montanha e apreciar a bela paisagem que começa em Codeçais (aldeia anexa de Pereiros) e se prolonga por terras de Murça e Mirandela, na outra margem do Tua, foi uma boa forma de terminar a minha visita a Pereiros. Uma visita a esta simpática terra cheia de gente acolhedora, proporciona uma experiência completamente diferente em cada época do ano. Só vindo cá, se pode viver essa experiência na plenitude. O convite está feito.
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Bibliografia
PEREIRA, António Luís e LOPES, Isabel Alexandra Justo (2005)- Património Arqueológico do Concelho de Carrazeda de Ansiães. Carrazeda de Ansiães: Câmara Municipal.
MORAIS, Cristiano (1995) – Estudos Monográficos Vila Flor - Freixiel. Vila Flor: Câmara Municipal.
TAVARES, Vírgilio (1999) – Conheça a Nossa Terra – Carrazeda de Ansiães. Edição do Autor.
MORAIS, Cristiano (2006) – Por Terras de Ansiães, Estudos Monográficos. Volume 1. Carrazeda de Ansiães: Câmara Municipal.

Agradeço ao Sr. Presidente da Junta da Freguesia de Pereiros e a Fátima Calixto todos os apoios que me deram.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

À Descoberta de Pereiros 2/3

Continuação de - À Descoberta de Pereiros 1/3

Pereiros tem a sua história ligada ao concelho de Freixiel. A sua localização geográfica faz com que as deslocações fossem mais fáceis para Freixiel, ou Abreiro do que para Ansiães. Transpor o acentuado declive em direcção a Carrazeda de Ansiães, depois de uma noite de geada, era uma tarefa difícil para o autocarro, quando este começou a transportar os estudantes da aldeia para Carrazeda. Isto há poucos anos! Para atestar estas dificuldades nas vias de comunicação, ainda estão bem preservados restos de caminhos lajeados, lembrando as calçadas romanas. Quando se desce de Zedes para Pereiros, perto da estrada actual, há vários troços destes caminhos.
Não admira que as deslocações para Freixiel fossem mais fáceis, até porque, o termo da freguesia, estende-se até ao cume da Serra Tinta, a poucos quilómetros do Vieiro, muito para lá da ribeira da Cabreira. Nesta ribeira existiu uma ponte em madeira que permitia transpô-la. Na encosta da Serra Tinta existiu uma capela de que ainda são visíveis as ruínas.
No séc. XVI Pereiros integrava o concelho de Freixiel, pertença do Marquês de Vila Real e tinha 21 moradores . Em 1706 tinha 60 e em 1758, 112 moradores. Nos séculos XVIII e XIX a população evoluiu da seguinte forma: 1864, 635 habitantes; 1890, 753 habitantes; 1920, 645 habitantes; 1940, 728 habitantes; 1960, 684 habitantes; 1981, 524 habitantes (dados sempre referentes à freguesia e, por isso, incluindo os habitantes de Codeçais).
Em 1836, com a extinção do concelho de Freixiel, a freguesia de Pereiros (Pereiros e Codeçais) foi anexada ao concelho de Carrazeda de Ansiães.
Em 1967 Pereiros foi a capital de freguesia eclesiástica. Integrava as freguesias de Pereiros, Pinhal do Norte, Pombal, Zedes e Freixiel. A paróquia civil de Pereiros tinha 845 fogos enquanto que a de Carrazeda de Ansiães contava apenas com 536!
Deixei o Cabeço em direcção à igreja. Pouco depois de passar a Junta de Freguesia encontrei a Fonte Nova. Trata-se de uma bonita e bem preservada fonte de mergulho, onde corre sempre água fresca. Alguns peixes dão vida ao reservatório de água e há um tanque exterior para os animais beberem.
Junto à igreja está uma outra fonte, no Largo de S. Amaro. Neste largo realizava-se o arraial das festas da aldeia: Santo Amaro, a 15 de Janeiro e Nossa Senhora de Fátima, no segundo Domingo de Julho. Nos últimos anos também se tem realizado a Festa do Emigrante, em Agosto. Foi também neste largo que fui encontrar a anfitriã que me acompanharia na visita à igreja, onde foi catequista e é zeladora há muitos anos: Helena Borges. Esta anciã mantém uma vitalidade e lucidez invejáveis, sendo ainda procurada por muitas pessoas para lhe administrar injecções! É um dos meus familiares em Pereiros e, antes da visita à igreja, fizemos uma visita ao passado.
Durante muitos anos fez mantas de trapos, no tear, sendo solicitada por gente de várias freguesias, como Zedes e Freixiel. Recordei, com saudade, uma viagem que fiz a Pereiros, em menino, de burro, transportando sacos de trapos cortados em tiras, para a prima Helena, que morava no Cabeço, fazer uma manta. As encomendas eram tantas que chegaram a somar 80, não chegando o espaço em casa para tanto saco com tiras. Houve necessidade de montar uma estrutura em madeira de forma a guardar os sacos por cima das suas cabeças, junto ao telhado. Teceu linho e estopa, mas o grosso do seu trabalho foram as mantas, chegando a contar 23 mantas feitas num só mês. Havia outro tear na aldeia que fazia cobertores de lã.
Chegaram a existir 7 rebanhos de ovelhas e 2 de cabras na aldeia, mas actualmente não há nenhum.
A igreja é muito bonita, a começar pelo frontispício em granito ricamente trabalhado, onde se destaca o nicho com uma imagem de S. Amaro. A sua torre sineira, quadrangular, com quatro sinos, rematada por uma cúpula, também é de granito. No interior é impossível não reparar nas pinturas do tecto e nalgumas imagens de grande dimensão bem como noutras muito antigas. O pavimento é em pedra tendo à vista as tradicionais divisões numeradas, para aí serem enterrados os fiéis. O tecto do corpo da igreja tem pintado o padroeiro, S. Amaro e nos cantos, os quatro Evangelistas. No tecto da capela-mor destacam-se os símbolos da Ordem de Malta (ou Hospitalários), na qual o concelho de Freixiel se encontrava incluído.
O padroeiro ocupa o ponto mais alto do altar-mor, ao centro. No lugar normalmente dedicado ao padroeiro, à direita do altar, está a imagem de S. José.
As imagens que se destacam pelo seu tamanho são a do Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora das Dores e a do Senhor dos Passos. Esta última, tem dobradiças nos membros que lhe permitem adoptar uma postura no altar e outra no seu próprio andor, onde se apresenta de joelhos e com a cruz aos ombros. Nossa Senhora das Dores não apresenta as tradicionais 7 lanças no peito, mas elas existem. Uma das mais preciosas imagens presentes é uma que representa S. Roque, que se encontra na sacristia. Nossa Senhora de Fátima está representada por várias imagens.
É possível que este templo não seja o inicial. A corroborar esta ideia está o facto de, sobre a porta da sacristia estar grava a data de 1711, na porta do frontispício a de 1779, data em que a igreja terá sido construída. No arco da capela-mor está a data de 1834. Indica o ano em que foi pintado. Esta data faz também parte de uma inscrição pintada no tecto, no coro, fazendo alusão a obras, possivelmente pintura. Para completar este conjunto de datas, junto à porta lateral do adro está gravado o ano de 1951.
Os altares não têm todos a mesma antiguidade. Os do Sagrado Coração de Jesus, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, foram feitos mais tarde, obrigando a tapar algumas janelas a fim de se aproveitar o espaço para a sua montagem. Foram pintados em 1874.

Continua aqui - À Descoberta de Pereiros 3/3