Já terminou, mas penso que vale a pena recordar um pouco do Festival de Artes de Pombal de Ansiães 2011.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Festival de Artes de Pombal de Ansiães
Já terminou, mas penso que vale a pena recordar um pouco do Festival de Artes de Pombal de Ansiães 2011.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
À Descoberta do Amedo (2/2)
Continuação de À Descoberta do Amedo (1/2)
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: “Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos”. É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
A capela de S. Martinho tem gravado no lintel da porta o ano de 1749. Esta está de acordo com a descrição feita em 1758 que testemunha o seguinte: “Há neste lugar duas capelas, uma no fundo da aldeia, da evocação de Santa Marinha, e esta, no meio do povo, da evocação de S. Martinho. Esta está feita de novo porque foi mudada do alto da Serra de S. Martinho, para o meio da aldeia. Ainda hoje se encontra no lugar onde estava, uma capela demolida, com uma cruz de pedra no meio, isto numa estrada que parte da aldeia para Luzelos”. É do conhecimento de muitos naturais a localização exata da antiga capela de S. Martinho, mas não pude confirmar se ainda existem alguns vestígios da mesma. Pelo contrário, quando questionei as pessoas sobre a existência da capela de Santa Marinha, a surpresa foi geral. Nunca ninguém ouviu falar de tal capela. O certo é que ela existiu e estava situada no fundo do povo. Nas imediações da igreja é dada a designação de Santa Marinha a alguns terrenos, pode ter sido aí a localização da capela, no entanto, a igreja já existia, a atual, ou outra no mesmo local.
A capela de S. Martinho foi recentemente recuperada. Tem um pavimento em granito, bancos, um altar com o sacrário em talha dourada, muito bonitos. Nossa Senhora de Fátima é a imagem que faz companhia a S. Martinho. Este espaço, pela sua dimensão e localização, tem sido usado para a reza do terço.
Um passeio pelas traseiras da capela permite admirar um bonito portão em ferro forjado, de 1933.
Alguns metros mais à frente, em direção à saída para Areias, está um bonito espaço para descanso, à sombra de frondoso chorão. Com sorte, talvez o bar esteja aberto, principalmente no Verão, quando os emigrantes enchem de alegria as ruas da aldeia.
O destino a seguir é a rua das Oliveiras. Depois de percorrido um espaço sem casas somos surpreendidos por uma carranca, em granito, no alto de uma chaminé. Tal como noutras localidades, esta carranca simboliza a aldeia, neste caso o Amedo (mas também é conhecida por farronca!). Na realidade, trata-se apenas de uma chaminé um pouco mais artística. Dizem que existiu uma cruz no alto da chaminé. Esta casa solarenga pertenceu outrora ao Eng. Faria (que foi meu professor), mas foi vendida.
Mais à frente, no Ribeirinho, um antigo fontanário foi transformado num nicho a Nossa Senhora da Graça. O Santuário que se lhe ergue à Senhora da Graça no alto do Pendão, a mais de 800 metros de altitude, é um dos mais bonitos miradouros do concelho. Este cabeço aparece sempre associado à Samorinha, mas o termo do Amedo chega até lá.
A etapa seguinte é a igreja Matriz. No séc. XVIII a igreja era descrita como pobre, com um sacrário em madeira e com imagens muito antigas. Nos finais do mesmo século foi demolida e no mesmo lugar foi construído um novo templo. Em Novembro de 1790 foi feita a arrematação da obra da Capela Mor e Sacristia. Nos anos seguintes a obra foi completada. Situada fora do povoado, num local calmo e sem trânsito, rodeada por algumas oliveiras, está bem situada para o recolhimento. No adro há algumas sepulturas com lápides em granito. Pelo menos duas. Não têm indicação da sua antiguidade, mas houve outras, tal como em todas as igrejas. Tem uma torre sineira lateral, com dois sinos. A porta principal no frontispício, tem sobre a padieira um bonito ornamento em granito.
No interior da igreja o branco domina. À exceção do altar-mor todos são em tons de branco e dourado, muito bonitos. A imagem de Nosso Senhor dos Passos impressiona pela sua dimensão, mas são também de destacar a de Nossa Senhora da Graça e a do padroeiro, S. Tiago (com a sua cabacinha).
Curiosa é também a existência de uma tela, a que chamam painel, que tapava a abertura sobre o sacrário. Tem pintada Nossa Senhora com os Pastorinhos. Este painel desliza lateralmente, para ser recolhido. Quando restauraram o altar, foi recolhido, ficou preso e nunca mais pode ser colocado.
Depois de alguns momentos de recolhimento, a viagem continua, voltando um pouco atrás, ao Ribeirinho. O percurso segue depois pela rua de Camões. Ouvi falar num antiga fonte de mergulho nesta zona, mas apenas encontrei a fonte do Fundo do Povo, por sinal com água bem fresca e saborosa.
Não muito distante dali há uma outra fonte conhecida por tanque da Figueira. A figueira existiu mesmo, mas neste momento já não há vestígios dela. Do conjunto faz parte uma fonte e um tanque, tudo em granito, num conjunto muito interessante. Esta fonte fica no canelho da Ribeira.
Chegados ao Fundo do Povo o melhor é fazer a revisão, não seja o caso de nos termos esquecido de algum Amedo: Cima do Povo, Terreiro, Cruzeiro, Paço, Portela, Ribeirinho e Fundo do Povo. Estão todos!
Depois de uma tão longa caminhada pela aldeia do Amedo, só falta uma quadra da autoria de M. Docília, gravada em mármore e cravada no frontispício da capela de S. Martinho:
Amedo, a nossa aldeia
Querida terra onde eu nasci,
Mesmo que a julguem feia,
Sinto-me presa por ti.
Publicado no jornal O Pombal em Junho de 2011 (n.º174)
sábado, 6 de agosto de 2011
À Descoberta do Amedo (1/2)
Escondida entre a serra da Reborosa e o Alto da Pranheira encontra-se a freguesia do Amedo, muito pouco conhecida, apesar de estar a uns escassos 5 km da sede de concelho. Se há terras bafejadas pela sorte no que toca à sua situação geográfica, o mesmo não se pode dizer do Amedo, voltada a norte, onde nos piores dias de inverno o sol mal aparece. Esta situação pouco privilegiada, não afastou as populações, que aqui se estabeleceram desde tempos remotos, como provam alguns vestígios arqueológicos que sobreviveram ao desgaste dos séculos. Há restos de um dólmen no seu termo.
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas “em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos”. Sempre achei piada à expressão “sete Amedos”, mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
Continua em À Descoberta do Amedo (2/2)
Conheço a aldeia há muitos anos. Tenho na aldeia alguns familiares e amigos. Se vivemos uma pequena aldeia global, pior ainda quando falamos de aldeias vizinhas (embora as vias de comunicação entre Amedo e Zedes nunca tenham sido famosas).
Visitei o Amedo, recentemente, duas vezes, e em ambas a encontrei com cheiro a fruta, iluminada por um sol radioso. A primeira visita foi em meados de Outubro. Dos lagares ainda existentes saía o cheiro adocicado a mosto. Voltei há pouco dias, e, desta vez, encontrei a aldeia rodeada de flores multicolores e de cerejas maduras que abundam pelos quintais. Nestas viagens, embebido da tranquilidade que se respira em cada recanto, percorri demoradamente as ruas e travessas, entrei na igreja matriz e na capela, saboreei as ginjas maduras da antiga escola primária e apreciei a simpatia das pessoas, que, após a desconfiança do primeiro contacto, abrem a porta da sua casa e do seu coração, deixando transbordar a admiração que sentem pela sua terra.
Os habitantes já são poucos, isto se compararmos os atuais com os quase 800, em 1950. A população residente estará abaixo da que existia em 1758, 290 pessoas. Já nessa altura as habitações se encontravam espalhadas “em sete arrabaldes distantes huns a outros oito varas e outros serão des, pouco mais ou menos”. Sempre achei piada à expressão “sete Amedos”, mas não sabia que a origem da expressão já tinha alguns séculos!
Um passeio por estes sete Amedos tem toda a vantagem de ser feita de cima para baixo, porque o declive, nesta aldeia, é para levar a sério.
As estradas melhores tanto trazem, como levam. O traçado Carrazeda – Pinhal do Norte afastou a circulação rodoviária do centro da aldeia, onde tinha dificuldades de circulação. Quem quiser visitar o Amedo deve apanhar a antiga M631, pouco depois de passar a Zona Industrial de Carrazeda de Ansiães. Este percurso, feito mais devagar, vai permitir uma visão bastante completa da aldeia, bem como repousar o olhar pelo horizonte até aos limites da freguesia, para lá de Areias, até às fragas que se precipitam até Pinhal do Norte. Mais para poente, avista-se parcialmente a aldeia de Pombal de Ansiães, mas o deslumbramento prolonga-se por terras do concelho de Alijó, por serranias violadas que darão à luz o IC5.
As primeiras casas vão surgindo, ao longo da Avenida dos Maios. Um pouco mais abaixo há um cruzeiro, uma espécie de alminhas, com um painel de azulejo policromático representando Nossa Senhora da Conceição. Não têm faltado bonitas flores naturais em seu redor.
O Largo do Gricho é um bom local para uma paragem, e, quem sabe, para deixar o automóvel e fazer o resto do percurso (à descoberta) a pé. Continuando rua abaixo surge o Largo do Cruzeiro. Tal como o nome indica, existe aqui um bonito cruzeiro, muito antigo, um dos monumentos mais queridos pelos residentes. O cruzeiro é bastante mais antigo do que o painel de azulejo que lhe colaram numa das faces, representando de novo Nossa Senhora da Conceição. Na outra face está um crucifixo, também mais recente. A posição elevada do cruzeiro, o facto de estar no centro do largo, mas também a beleza do seu perfil, chamam a atenção de quem ali passa.
Mais esquecida e mais escondida, está a fonte da Mina, depois de ter perdido toda a utilidade. Situada a algumas dezenas de metros do cruzeiro, era um dos pontos de abastecimento de água da aldeia. Tratava-se de uma fonte de mergulho, muito rústica, limitada a uma reentrância nas rochas, onde as mulheres apanhavam a água com a ajuda de púcaros, enchendo assim os canecos. Dessa prática ainda têm recordação algumas mulheres da aldeia.
Muito próximo desta, há outra fonte de mergulho, em granito aparelhado, da qual não descobri o nome. Está situada em antigas hortas, perto da ribeira das Amas, junto da estrada. Ali ao lado está o moinho do Botas, exemplar mais próximo da aldeia e representativo de muitos outros, que se estendem ao longo dos vários ribeiros, que se vão juntando até morrerem no Tua.
A escola Primária está encerrada. Nela decorrem obras de adaptação a sede da Associação Recreativa Desportiva e Cultural de Amedo. Ainda bem que é dada utilidade e vida a estes edifícios, caso contrário, seriam vandalizados em pouco tempo.
O local para a paragem seguinte é o largo do Eirô. Junto da capela há uma espetacular fonte conhecida como fonte do Paço. Há uma grande tendência para se chamar Fonte Romana a todas as fontes antigas, muitas de mergulho. Esta fonte deve ter a sua origem no século XVIII. É uma fonte de mergulho barroca com um frontispício delimitado por pilastras e cornijas. Na minha opinião já lhe falta um elemento no topo, talvez uma cruz. Em tempos houve um lavadouro junto da fonte.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Passeio de Clássicos e Antiguidades
O Passeio de Clássicos e Antiguidades realizou-se no dia 31 de Julho, organizado pela Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães. Os participantes percorreram alguns dos lugares mais bonitos do concelho, ao volante das suas estimadas máquinas.
Todas as fotografias foram enviadas por Fernanda Natália Pereira, a quem agradeço.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Exposição de Fotografias - Profissões Antigas
Venho convidá-los para o Festival de Artes de Pombal de Ansiães, que vai decorrer em Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães, de 4 a 9 de Agosto de 2011.
Entre um vasto conjunto de manifestações culturais, tenho o prazer de poder partilhar algumas fotografias e histórias de vida a que chamei Profissões Antigas.
Trata-se de uma homenagem a um conjunto de homens e mulheres que, desde tenra idade, exerceram (ou ainda exercem) profissões que aos pouco caíram em desuso. Apesar dos trabalhos árduos que tiveram, sentem orgulho no rumo que tomaram e falam das suas profissões com vaidade.
Para ver a partir do dia 4 de Agosto na sede da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães.
Programa do Festival de Artes de Pombal de Ansiães, 2011
domingo, 31 de julho de 2011
Tralhariz (I)
Já foi há bastante tempo que fiz um passeio por Tralhariz. Foi em Fevereiro e as amendoeiras em flor captaram a maior parte da minha atenção. Esta fotografia editada ficou guardada, mas, parece-me que merece ser mostrada. Nela vemos parte do povoado. Do outro lado adivinha-se a encosta do Rio Tua.
sábado, 30 de julho de 2011
Nossa Senhora da Assunção (Vilarinho da Castanheira)
Andor de Nossa Senhora da Assunção, em Vilarinho da Castanheira, em Agosto de 2009.
Do lado direito é visível a parte superior da réplica do Pelourinho que ali foi colocado exactamente no dia da festa (02-08-2009).
Do lado direito é visível a parte superior da réplica do Pelourinho que ali foi colocado exactamente no dia da festa (02-08-2009).
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Livros - "Fogo e Lágrimas 2"
Numa das minhas visitas à Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães encontrei o livro Fogo e Lágrimas 2 - Poemas-, da autoria de Morais Fernandes. Não sendo um grande apreciador de poesia, gosto daquela que fala de coisas da terra, sejam elas vivências, locais, ou qualquer outro aspeto que possa ajudar na minha Descoberta.
Alguns dos poemas agradaram-me, outros, nem tanto. Há alguns com uma forte carga ideológica, política, até religiosa que o autor assume, mas que não compreendo, nem partilho. No entanto, não posso deixar de saborear e mostrar no blogue alguns poemas que me parecem muito bons.
Há dias, no lançamento de um livro de poemas, conversava eu com o autor da obra a ser lançada sobre o que é bom, ou menos bom, em literatura. Para mim, é bom aquilo que me desperta emoções, que me faz viajar, que me transporta para um mundo diferente daquele em que me encontro. Quando dou comigo a saborear as palavras como se de um prato refinado se tratasse, ou como a ouvir as notas de uma bela peça musical, então a escrita é boa. Como não gostamos todos do mesmo prato, nem das mesmas músicas, também não gostamos dos mesmos textos ou dos mesmos poemas.
Morais Fernandes nasceu em Linhares. Escreve a sua terra e as suas vivências (também num período muito conturbado). O título do livro, Fogo e Lágrimas, sugere algo forte, mesmo violento. Os poemas que pretendo partilhar, de vez em quando, são exceções.
Notas sobre o autor, transcritas do livro
Ao Povo Transmontano
Sabes fazer amigos, que amigo és Tu,
Já que em teu peito reina a Forja do Bem;
Que abraço verdadeiro, fraterno e nu,
Só nasce no coração de quem o tem!...
Não o abraço protocolar do momento,
Ou a conveniência da ocasião;...
Mas o forte e profundo sentimento
Que, à força do Bem, pões força e razão!
E, já das lavas do reino de Vulcano,
São tuas mágoas de bênção e de amor,
- Grinaldas, elmo do Povo Transmontano.
Assim nasceste e assim viverás!
Alma em fogo, o teu peito de granito,
Transmontano irmão, tudo vencerás;
Teu corpo é dor, tua alma infinito.
Luta até ao último adeus, - à morte, -
No frio ardente do gelo da sorte!...
Linhares, 1 de Abril 1993
Alguns dos poemas agradaram-me, outros, nem tanto. Há alguns com uma forte carga ideológica, política, até religiosa que o autor assume, mas que não compreendo, nem partilho. No entanto, não posso deixar de saborear e mostrar no blogue alguns poemas que me parecem muito bons.
Há dias, no lançamento de um livro de poemas, conversava eu com o autor da obra a ser lançada sobre o que é bom, ou menos bom, em literatura. Para mim, é bom aquilo que me desperta emoções, que me faz viajar, que me transporta para um mundo diferente daquele em que me encontro. Quando dou comigo a saborear as palavras como se de um prato refinado se tratasse, ou como a ouvir as notas de uma bela peça musical, então a escrita é boa. Como não gostamos todos do mesmo prato, nem das mesmas músicas, também não gostamos dos mesmos textos ou dos mesmos poemas.
Morais Fernandes nasceu em Linhares. Escreve a sua terra e as suas vivências (também num período muito conturbado). O título do livro, Fogo e Lágrimas, sugere algo forte, mesmo violento. Os poemas que pretendo partilhar, de vez em quando, são exceções.
Notas sobre o autor, transcritas do livro
Joaquim Morais Fernandes - Médico, nascido a 5 de Julho de 1917, no lugar e freguesia de Linhares, concelho de Carrazeda de Ansiães - Bragança.
Filho de Carlos Augusto Morais e Maria Augusta Fernandes.Autor de Fogo e Lágrimas e do presente - Fogo e Lágrimas 2.
Ex Delegado de Saúde. Fundador do centro de Saúde e do Ensino Secundário Liceal em Carrazeda de Ansiães.
Ao Povo Transmontano
Sabes fazer amigos, que amigo és Tu,
Já que em teu peito reina a Forja do Bem;
Que abraço verdadeiro, fraterno e nu,
Só nasce no coração de quem o tem!...
Não o abraço protocolar do momento,
Ou a conveniência da ocasião;...
Mas o forte e profundo sentimento
Que, à força do Bem, pões força e razão!
E, já das lavas do reino de Vulcano,
São tuas mágoas de bênção e de amor,
- Grinaldas, elmo do Povo Transmontano.
Assim nasceste e assim viverás!
Alma em fogo, o teu peito de granito,
Transmontano irmão, tudo vencerás;
Teu corpo é dor, tua alma infinito.
Luta até ao último adeus, - à morte, -
No frio ardente do gelo da sorte!...
Linhares, 1 de Abril 1993
quinta-feira, 28 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Cartaz do Farpa 2011
FARPA - Festival de Artes de Pombal de Ansiães
4 a 9 de Agosto de 2011, em Pombal de Ansiães
(Actualizado em 2 de Agosto de 2011)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
30.º Aniversário da ACD Zedes
A Associação Cultural e Desportiva de Zedes está a celebrar o seu 30º aniversário.
No próximo fim de semana vão decorrer um conjunto de atividades desportivas, recreativas e culturais. Para assinalar esta data vai realizar-se uma exposição de fotografia, para a qual contribui, quer disponibilizando fotografias de várias atividades da Associação que fui guardando ao longo dos anos, quer coordenado a seleção e organização das mesmas.
Programa das atividades.
No próximo fim de semana vão decorrer um conjunto de atividades desportivas, recreativas e culturais. Para assinalar esta data vai realizar-se uma exposição de fotografia, para a qual contribui, quer disponibilizando fotografias de várias atividades da Associação que fui guardando ao longo dos anos, quer coordenado a seleção e organização das mesmas.
Programa das atividades.
domingo, 17 de julho de 2011
St.ª Marinha - Ribalonga
Quando, em Março passado, passei um dia a conhecer a aldeia de Ribalonga lamentei não ter sido possível visitar a Igreja Matriz, orago de St.ª Marinha. No dia 15 de Julho voltei a Ribalonga e, desta vez, pude visitá-la. Partilho algumas das imagens que fiz precisamente no dia em que em Ribalonga se realizam as festas em honra de S. Marinha.
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