Tal como em anos anteriores, este ano também participei na vindima na Casa Dona Urraca, em Vilarinho da Castanheira, no dia 8 de Outubro.
Mais do que trabalho, foi uma manhã bem passada, num ambiente familiar de boa disposição. A colheita não esteve ao nível de anos anteriores, mas dará, certamente, origem a um vinho de qualidade porque feito com carinho e dedicação.
O almoço, devido ao tempo fresco, foi servido no interior da casa.
A Casa Dona Urraca é um espaço preparado para o Agro-Turismo com excelentes condições de alojamento e integrada num espaço rural de rara beleza.
Na quinta envolvente, para além da vinha, há olival, amendoeiras, variadas árvores de fruto e horta.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Cada Lar um Sepulcro
É já Sol Posto no velho casario.!
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...
Linhares, Junho de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...
Linhares, Junho de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.
domingo, 9 de outubro de 2011
Exposição - A Música no Mundo
A Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães tem patente ao público desde o dia 30 de Setembro uma exposição temática denominada A Música no Mundo. A par com um vasto conjunto de instrumentos musicais com origem nas mais variadas partes da terra e alguns livros sobre música e instrumentos, são também desenvolvidas diversas atividades destinadas a crianças, jovens e idosos. Foi o caso da animação musical que decorreu no dia 3 de Outubro, poucos dias depois de se comemorar o Dia Mundial da Música que teve lugar no dia 1 de Outubro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sesta-feira, no horário normal das instituições públicas e ao domingo das 14:30 às 18 horas, até ao dia 14 de Outubro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sesta-feira, no horário normal das instituições públicas e ao domingo das 14:30 às 18 horas, até ao dia 14 de Outubro.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
1 dia por terras de Ansiães (05)
Já tinha vontade de passar mais um dia À Descoberta de terras de Ansiães! Arranja-se a mochila com algumas sandes, fruta e água, prepara-se o material fotográfico, apronta-se o caderno de campo, estudam-se alguns dados sobre a freguesia a visitar e "ala... que se faz tarde" (como se diz no planalto Mirandês).
A segunda-feira passada começou bem cedo com uma visita à Biblioteca Municipal em Carrazeda de Ansiães. O objetivo era devolver alguns livros requisitados para as férias, de que dei conhecimento no blogue. Gostei bastante de ler "Como sombras no muro", romance de Gilberto Pinto e Fogo e Lágrimas, livro de poemas de Morais Fernandes. Já aqui tinha falado do livro Fogo e Lágrimas 2, do mesmo autor e senti-me com curiosidade de ler também o primeiro livro, o que aconteceu nas férias de Verão.
Quando cheguei à biblioteca foi surpreendido com muita música e animação. A biblioteca desenvolveu uma série de iniciativas relacionadas com o Dia Mundial da Música (1 de Outubro) e tinha um grupo de idosos do Centro Social e Paroquial de Mogos assistirem a um momento musical. Achei muito interessante a iniciativa e não pude deixar de ficar algum tempo a assistir ao fantástico desempenho musical do senhor Machado, do Castanheiro e de conversar um pouco com os idosos.
O destino do dia era Pinhal do Norte.
Estes dias de final de verão e início de outono não proporcionam muitos motivos fotográficos mas um olhar atento consegue encontrar muitos momentos que vale a pena registar. O dia estava quente, diria mesmo muito quente. Enquanto descia em direção a Areias foi recordando alguns momentos passados no Amedo. Sou realmente um privilegiado.
As obras do IC5 estão adiantadas e, vistas as coisas de longe, parece estar quase pronta. Quer em Areias, quer junto ao Pinhal do Norte, o movimento era intenso.
Cheguei ao Pinhal pouco antes da hora do almoço. Contrariamente ao que é habitual encontrei bastantes pessoas que passavam ou que estavam sentadas à sombra junto das casas. Estive também nos dois cafés que existem na aldeia.
Como esta era a minha segunda visita, pretendia ver alguns locais específicos e, se possível, falar com algum membro da junta. Por norma faço uma volta completa às aldeias e raramente falo com as pessoas, que são poucas e por vezes desconfiadas. Não foi o que se passou no Pinhal. Conversei com muitas pessoas, principalmente com um grupo de idosos no café do sr. Gonçalves.
Os lagares cheiravam a mosto e fazia-se a carreja das uvas. A chuva que não cai causa transtornos na agricultura e os campos estão secos. Os trabalhos nas hortas são mínimos e terminadas as vindimas são as chuvas que dão início a um novo ciclo, mas estas tardam em chegar.
Visitei a igreja, a Cruz, várias fontes e lagares. Quase sem dar pela conta adiantou-se a tarde, forçando o regresso a casa.
Mais do que as fotografias tiradas, o que marcou o dia foram mesmo os momentos de conversa que tive com vários habitantes da aldeia. Foi muito interessante ouvi-los falar da aldeia da sua meninice, das tradições, das alegrias e das necessidades. São imensas e bonitas as histórias de vida que se escondem por detrás de muitos dos rostos que ainda povoam as nossas aldeias.
A segunda-feira passada começou bem cedo com uma visita à Biblioteca Municipal em Carrazeda de Ansiães. O objetivo era devolver alguns livros requisitados para as férias, de que dei conhecimento no blogue. Gostei bastante de ler "Como sombras no muro", romance de Gilberto Pinto e Fogo e Lágrimas, livro de poemas de Morais Fernandes. Já aqui tinha falado do livro Fogo e Lágrimas 2, do mesmo autor e senti-me com curiosidade de ler também o primeiro livro, o que aconteceu nas férias de Verão.
Quando cheguei à biblioteca foi surpreendido com muita música e animação. A biblioteca desenvolveu uma série de iniciativas relacionadas com o Dia Mundial da Música (1 de Outubro) e tinha um grupo de idosos do Centro Social e Paroquial de Mogos assistirem a um momento musical. Achei muito interessante a iniciativa e não pude deixar de ficar algum tempo a assistir ao fantástico desempenho musical do senhor Machado, do Castanheiro e de conversar um pouco com os idosos.
O destino do dia era Pinhal do Norte.
Estes dias de final de verão e início de outono não proporcionam muitos motivos fotográficos mas um olhar atento consegue encontrar muitos momentos que vale a pena registar. O dia estava quente, diria mesmo muito quente. Enquanto descia em direção a Areias foi recordando alguns momentos passados no Amedo. Sou realmente um privilegiado.
As obras do IC5 estão adiantadas e, vistas as coisas de longe, parece estar quase pronta. Quer em Areias, quer junto ao Pinhal do Norte, o movimento era intenso.
Cheguei ao Pinhal pouco antes da hora do almoço. Contrariamente ao que é habitual encontrei bastantes pessoas que passavam ou que estavam sentadas à sombra junto das casas. Estive também nos dois cafés que existem na aldeia.
Como esta era a minha segunda visita, pretendia ver alguns locais específicos e, se possível, falar com algum membro da junta. Por norma faço uma volta completa às aldeias e raramente falo com as pessoas, que são poucas e por vezes desconfiadas. Não foi o que se passou no Pinhal. Conversei com muitas pessoas, principalmente com um grupo de idosos no café do sr. Gonçalves.
Os lagares cheiravam a mosto e fazia-se a carreja das uvas. A chuva que não cai causa transtornos na agricultura e os campos estão secos. Os trabalhos nas hortas são mínimos e terminadas as vindimas são as chuvas que dão início a um novo ciclo, mas estas tardam em chegar.
Visitei a igreja, a Cruz, várias fontes e lagares. Quase sem dar pela conta adiantou-se a tarde, forçando o regresso a casa.
Mais do que as fotografias tiradas, o que marcou o dia foram mesmo os momentos de conversa que tive com vários habitantes da aldeia. Foi muito interessante ouvi-los falar da aldeia da sua meninice, das tradições, das alegrias e das necessidades. São imensas e bonitas as histórias de vida que se escondem por detrás de muitos dos rostos que ainda povoam as nossas aldeias.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Triste Episódio
Eram altas horas.
A torre bateu
Suaves, sonoras.
Contei!...
Absorto fiquei.
Uma borboleta pousou
No dorso da minha mão,
E exausta, ficou
Presa, à sua condição:
- Cega, à luz que encadeia; -
E eu, de repente,
Como quem nada receia,
- Irreflectidamente, -
Co'a minha pena malvada,
Vibrei-lhe cruel estocada!
E, inerte, não se moveu...
De novo olhei para ela,
E as asitas bateu,
Voando pela janela.
A sorrir fiquei eu,
E a rir, se foi ela.
Linhares, Junho 19
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Janela, em Ribalonga.
sábado, 27 de agosto de 2011
XVI Feira da Maçã do Vinho e do Azeite (26-08-2011)
A XVI Feira da Maçã do Vinho e do Azeite já começou! Ontem foi o primeiro dia da feira e deu para perceber que promete ser uma grande feira. O espaço é agradável, os expositores estão bem distribuídos e a população compareceu em grande número.
Recomendo uma visita cuidada à tenda que está dentro do recinto da feira onde se expõem os principais produtos locais, a maçã e o Vinho. É interessante verificar que o concelho tem crescido, na produção e que tem aprendido a apresentar/vender. Todos os expositores estão montados com muito bom gosto, os produtos têm uma apresentação fantástica e, é claro, a qualidade é algo de que nos devemos orgulhar.
A primeira noite esteve fria, mas, mesmo assim os vários espaços estavam bastante preenchidos.
O mercado pareceu-me pequeno, para o efeito, mas também é verdade que muitas pessoas se refugiavam no seu interior para se resguardarem do frio. Tentei comer alguma coisa, mas havia tanta gente que acabei por desistir.
O grupo grande, que atuou no palco principal, não conseguiu chamar a atenção das pessoas. Tocaram o que dizem ser Rock Popular e, na minha opinião, bastante bem. O jogo de luzes esteve fantástico, o som também. A sua energia parecia inesgotável, face ao frio que se fazia sentir. O género musical é que talvez não seja o mais adequado para este tipo de eventos, uma vez que a maior parte dos visitantes não é apreciador. Talvez sejam adequados para um evento no género do Carviçais Rock. Certo é que os gostos também se educam. É um pouco como a aposta que se tem feito em Vila Flor na promoção do fado...
Foi a primeira vez que visitei a feira nos moldes em que ela agora se apresenta e fiquei muito satisfeito, para não dizer vaidoso. É bom que todo o concelho se saiba promover.
Não vou estar nos restantes dias da Feira. Vou de viagem até Mogadouro participar nas festas de Nossa Senhora do Caminho. Desejo o maior sucesso para a feira.
Recomendo uma visita cuidada à tenda que está dentro do recinto da feira onde se expõem os principais produtos locais, a maçã e o Vinho. É interessante verificar que o concelho tem crescido, na produção e que tem aprendido a apresentar/vender. Todos os expositores estão montados com muito bom gosto, os produtos têm uma apresentação fantástica e, é claro, a qualidade é algo de que nos devemos orgulhar.
A primeira noite esteve fria, mas, mesmo assim os vários espaços estavam bastante preenchidos.
O mercado pareceu-me pequeno, para o efeito, mas também é verdade que muitas pessoas se refugiavam no seu interior para se resguardarem do frio. Tentei comer alguma coisa, mas havia tanta gente que acabei por desistir.
O grupo grande, que atuou no palco principal, não conseguiu chamar a atenção das pessoas. Tocaram o que dizem ser Rock Popular e, na minha opinião, bastante bem. O jogo de luzes esteve fantástico, o som também. A sua energia parecia inesgotável, face ao frio que se fazia sentir. O género musical é que talvez não seja o mais adequado para este tipo de eventos, uma vez que a maior parte dos visitantes não é apreciador. Talvez sejam adequados para um evento no género do Carviçais Rock. Certo é que os gostos também se educam. É um pouco como a aposta que se tem feito em Vila Flor na promoção do fado...
Foi a primeira vez que visitei a feira nos moldes em que ela agora se apresenta e fiquei muito satisfeito, para não dizer vaidoso. É bom que todo o concelho se saiba promover.
Não vou estar nos restantes dias da Feira. Vou de viagem até Mogadouro participar nas festas de Nossa Senhora do Caminho. Desejo o maior sucesso para a feira.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Sonhando
Voei em sonho, voei,
Todo feito de reveses,
Nas asas dum sonho -. Sonhei.
- Sonhar é viver mais vezes -
Voei na incerteza de chegar.
Cheguei,
Tão longe, tão longe que cheguei
Até aonde o sonho não cabia,
E a ânsia me bastou.
Voei até aonde a esp'rança é dia!
Que sonho, que doce fantasia,
A dum sonho que eu nunca vi,
Como se a vida fora um sonho,
Todo o sonho que vivi!...
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: jardim à beira da estrada, em Belver.
Todo feito de reveses,
Nas asas dum sonho -. Sonhei.
- Sonhar é viver mais vezes -
Voei na incerteza de chegar.
Cheguei,
Tão longe, tão longe que cheguei
Até aonde o sonho não cabia,
E a ânsia me bastou.
Voei até aonde a esp'rança é dia!
Que sonho, que doce fantasia,
A dum sonho que eu nunca vi,
Como se a vida fora um sonho,
Todo o sonho que vivi!...
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: jardim à beira da estrada, em Belver.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Zedes - Festas de Sta Bárbara
Nos dias 5, 6 e 7 de Agosto decorreram em Zedes, as tradicionais festas em honra de Stª Barbara. Foram três dias cheios de animação, com o calor a atingir temperaturas que convidavam a não fazer nada. Contrariamente aos dias, as noites estiveram bastante frescas, o que não impediu que o bar fizesse uma boa receita.Estas festas são uma excelente oportunidade de encontro entre as famílias e até entre amigos. Este ano não foi exceção.
A freguesia de Zedes tem, como muitas aldeias do concelho, uma grande comunidade de emigrantes. Os seus locais de trabalho são principalmente a França, Alemanha e Suíça. Apesar da crise, este ano foram muitos os que vieram matar saudade da aldeia, dos familiares e amigos.
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Para além da festa religiosa, concentrada no domingo, e das atividades desportivas, os arraiais nos três dias que durou a festa foram os pontos mais altos. Na sexta-feira o já mais que conhecido em Zedes, Mário Madeira, animou a noite com o seu ritmo acelerado de verão. O frio foi só mais uma motivação para a dança. No Domingo foi a festa religiosa que concentrou as atenções. A procissão, com bastantes andores, deu a tradicional volta à aldeia. A o percurso é longo e são poucos os que a cumprem na integra. Apesar do cansaço, a passagem pelo Vale e pelo Calvário, são momentos únicos, que convém saborear, enquanto duram. À noite ,foi o grupo Sons do Norte que animou a festa. Uns gostaram, outros nem tanto. Acho que há muito pouca diferença entre os grupos. Em três noites diferentes ouviu-se o mesmo ritmo, nas mesmas músicas. Ao fim do terceiro dia já se notava alguma falta de entusiasmo.
Não fiquei até à hora em que a cerveja passaria a ser vendida a metade do preço, mas a coisa prometia. Viveram-se em Zedes grandes momentos de alegria e boa disposição. No que me diz respeito, foi muito bom ter revisto pessoas com quem não falava à muito tempo.
Parabéns à comissão organizadora das festas.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
XVI Feira da Maçã do Vinho e do Azeite
Entre os dias 26 e 28 de Agosto realizar-se-á a XVI Feira da Maçã do Vinho e do Azeite em Carrazeda de Ansiães.
domingo, 14 de agosto de 2011
Parambos em festa- 20 e 24 de Agosto
Na freguesia de Parambos não se vão viver momentos de tranquilidade como os que a fotografia documenta. Parambos vai estar em festa de 20 a a 24 de Agosto.
Programa das Festas
Programa das Festas
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Como sombras no muro
06 de Agosto de 1998
A mamã agora deve ter-se distraído porque não fez força nenhuma para me agarrar a mão e eu tirei-a devagarinho e já posso chegar ao pingo de cera branca que está entre as duas tábuas; mais à frente há outros bocadinhos mesmo aos pés das pessoas e um maior que eu gostava de apanhar, mas está longe, está mesmo ao pé do degrau do altar em cima do tapete vermelho comprido que vai até à porta; eu nunca tinha visto um tapete assim tão grande e as pessoas não ficam em cima dele, se calhar não se pode, vai mesmo até à porta grande da rua que está aberta e deve ser para entrar o ar porque está muito calor; a dona Maria, que é a mãe da dona Isaura, está mesmo no banco à nossa frente e se eu contar até doze sei que ela vai olhar para trás para a mamã e depois pegar no lenço que tem dentro da saia e esfregar a cara para cair o suor e depois continuar a falar baixinho que eu bem ouço mas não percebo nada, eu queria ficar ao lado da avó mas a mamã disse-me baixinho mas com força quando entrámos e a abanar-me o braço
- Ficas aqui ó meu lado e portas-te bem, oubiste?
e agora a mamã está sempre a abraçar a avó com o outro braço e olha sempre lá para a frente onde estão os jarros grandes quase ao pé do tecto com flores vermelhas rodeados de velas que não tremem, a avó não chora porque não se ouve nada e está quietinha, não é como dona Isaura que eu vejo escorrer sempre a mesma lágrima juntinho ao nariz ao pé do sinal grande; o menino que é um pouquinho maior que eu tocou o sino quando o senhor padre ergueu os braços ao alto e o som fininho que me faz lembrar um arame ainda está a tremer nos meus ouvidos; a mamã nem viu que tirei a minha mão de dentro da mão dela e se quiser posso ir até lá à frente pegar no bocado grande de cera que caiu em cima do tapete vermelho como as flores que estão à volta do altar e na roda grande de flores que nem sei como juntaram assim as flores todas e está em cima do caixão onde o avô está deitado muito quietinho porque está morto; a dona Isaura não diz caixão diz urna, eu ouvi-a dizer quando estava no banco ao pé do Fiel a fazer de conta que era o avô e ficava muito tempo sem pestanejar a olhar para o céu e
as andorinhas andavam à volta dos telhados
- Arranjou-se uma bonita urna e parece qu'é mesmo de pinho!
Excerto do romance Como Sombras No Muro, da autoria de Gilberto Pinto, editado pela Editorial Escritor Lda em 2003.
Gilberto António Pinto nasceu em Carrazeda de Ansiães, em 1964.
Actualmente reside no Porto, onde é professor no Instituto Superior de Engenharia.
A sua actividade desde há muito que se divide entre a docência, a investigação científica e a literatura.
Como Sombras no Muro é o seu primeiro romance.
Fotografia: Lameiros perto de Marzagão.
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