Fui criança,
A tudo afeito;
Envolto na dança,
Saltava, brincava,
- Tudo a eito!
Livre como era,
Colorida Primavera.
- Cresci, fui gente, -
Envelheci.
E, de repente,
Olhei-me ao espelho,
- Nada do que vi, -
Antes um velho
Que não reconheci.
Meditei...
- Como quem vê o fim. -
Orei.
Braços cruzados, em mim,
Fiquei.. .
Ponto Final, - Sol posto, -
Profundos sulcos dourados,
Espinhos cravados no rosto;
Na alma, cilícios gravados.
Ponto final, - a Meta. -
No peito, o silêncio aperta!...
Agora, ó terra amada,
- Já meus anos volvidos, -
Rói meus ossos bem roídos!...
E, se um dia eu voltar,
De novo, à vida, ao nada;
Fecha-me a porta bem fechada!...
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Capela, em Felgueira, freguesia de Pinhal do Norte.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Detalhes em Ferro (4)
Mais um bonito pormenor de um portão em ferro forjado, desta vez em Ribalonga. Estes bonitos trabalhos aparecem, quase sempre, em casas em ruínas, ou abandonadas. É pena não se valorizem estes trabalhos quer em ferro, quer em granito e se construa cada vez mais de forma incarecterística, sem identidade e sem alma. Quem despreza o seu passado, não está preparado para o futuro (porque em breve também será passado!).
domingo, 27 de novembro de 2011
"Conversa" entre amigos
O cão não teve um dia fácil, embora se critique a vida de cão. Teve a tenção que merecia, como se fosse humano. Esta foi uma das cenas que presenciei em Misquel, quando visitei este povoada há alguns meses atrás.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Molhar da giesta
31 «Por muito anos e bôs» se cantam as janeiras pelas balcoadas e escaleiras, em cantares muito antigos e arrastados, pedindo à senhora da casa que do seu banco de cortiça lhes dê um salpicão ou uma chouriça. Esta usança teve origem nas festas saturnais celebradas pelos romanos em honra de Saturno.
No dia um de Novembro fumegam as castinceiras. É o tradicional dia dos magustos. A castanha, de cuja farinha os primeiros se alimentavam, salta das brasas, sofregamente disputada. O ingénuo e, geralmente, o mais novo, ia procurar, a mandado dos outros, uma giesta molhada para apagar a fogueira. Quando regressava, as castanhas já tinham sido devoradas. Era o «molhar da giesta».
Fonte do texto: Carrazeda de Ansiães e o seu termo; José Aguiar, 1980. Edição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães.
No dia um de Novembro fumegam as castinceiras. É o tradicional dia dos magustos. A castanha, de cuja farinha os primeiros se alimentavam, salta das brasas, sofregamente disputada. O ingénuo e, geralmente, o mais novo, ia procurar, a mandado dos outros, uma giesta molhada para apagar a fogueira. Quando regressava, as castanhas já tinham sido devoradas. Era o «molhar da giesta».
Fonte do texto: Carrazeda de Ansiães e o seu termo; José Aguiar, 1980. Edição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Exposição Rostos Transmontanos
Desde o dia 11 e até ao dia 30 de Novembro pode ser admirada na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães a exposição de fotografia Rostos Transmontanos, de Paulo Patoleia.
Paulo Patoleia é natural de Açoreira, Torre de Moncorvo.
A exposição mostra rostos captados em feiras e mercados do Nordeste Transmontano, alguns do concelho de Carrazeda de Ansiães.
Paulo Patoleia é natural de Açoreira, Torre de Moncorvo.
A exposição mostra rostos captados em feiras e mercados do Nordeste Transmontano, alguns do concelho de Carrazeda de Ansiães.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Há mais um monumento em Zedes
O dia de ontem, 13 de novembro de 2011 será um dia para recordar na freguesia de Zedes. O facto deve-se à inauguração e bênção de um monumento religioso constituído por três cruzes em granito, formando um Calvário. A origem designação de calvário perde-se na memória dos residentes, mas tem agora mais significado. Esta designação é dada a um local situado na estrada M628 (que se inicia no lugar da Sainça, perto de Carrazeda de Ansiães e deveria terminar no Pombal, passando por Areias) a algumas centenas de metros do povoado, antes do cruzamento com a estrada M630 que segue para Pereiros.
Este ponto elevado, onde a estrada inflete para começar a descer, sempre foi conhecido pelo nome de calvário. Eu associava a designação à subida íngreme, junto ao solar da família Barbosa, mas há a possibilidade apontada por alguns de que ali tenham existido em tempos remotos algumas cruzes, simbolizando o Calvário.
O desafio foi lançado informalmente, várias vezes, pelo sr. Padre Bernardo, natural de Zedes e recebeu eco na Comissão de Festas, em funções há vários anos.
A obra nasceu, foi inaugurada e benzida pouco depois das 17 horas com a presença do sr. Padre Bernardo e do sr. Padre Belmiro, em funções na paróquia. Esteve presente um grupo de paroquianos bem como um conjunto de lanternas e a Cruz, emprestando mais solenidade à cerimónia.
A localização do monumento e a orientação das três cruzes em granito erguidas no local, tiveram como referência fatores pouco conhecidos. A localização da cruz central respeita o cruzamento de duas linhas telúricas positivas estando as duas cruzes laterais no prolongamento de uma dessas linhas (Linhas de Ley). Este recursos a campos magnéticos terrestres não é muito utilizado apesar do seu uso ser conhecido há milhares de anos no Egito e na China. Esta utilização da radiação da terra é conhecida como radiestesia mas a designação antiga é rabdomancia. O uso de bastões para detetar linhas de água é conhecido e utilizado com frequência, mas essas práticas são (ou eram) frequentes na localização e orientação das igrejas, na posição dos altares, ou mesmo na localização de monumentos megalíticos, como a anta de Zedes, que nada tem a ver com a cristandade.
As duas árvores colocadas lateralmente ao calvário também têm o seu simbolismo. À esquerda foi deixado um carvalho, representando uma cultura pré católica, com origem céltica; à direita foi plantada uma velha oliveira, esta representando a religião católica, referida no dilúvio e no jardim das oliveiras, quer no próprio azeite que alimentava a chama nas igrejas, simbolizando a Luz.
O monumento teve um custo em dinheiro a rondar os 4 mil euros, mas houve algumas contribuições em materiais e em mão de obra. Grande parte do financiamento resultou do saldo positivo da festa do verão passado, a que se juntaram alguns donativos pecuniários. Para completar a quantia necessária recorreu-se ao levantamento de uma pequena parcela depositada no banco, resultante do saldo de festas de S. Bárbara de anos anteriores a 2011. A obra resultou do trabalho de muitas pessoas mas é de realçar o empenho do Sr. Padre Bernardo, impulsionador e acompanhante do projeto, de Eurico Carvalho, que encabeça a Comissão de Festas há vários anos e que também disponibilizou o seu trabalho (tal como o pedreiro Manuel Felix, natural de Zedes). O terreno foi cedido pela família de Jerónimo Barbosa, benfeitor a quem a freguesia tem muito a agradecer, e que homenageia com um busto colocado na centro da aldeia.
Após a bênção do monumento a assembleia regressou em procissão à Igreja Matriz onde se realizou a missa dominical.
Para terminar o dia realizou-se um magusto, com um lanche, na sede da Associação Cultural e Recreativa de Zedes. Anoiteceu cedo e fazia muito vento e frio, pelo que foram poucos os que ficaram à volta da fogueira a ver as bilhós a rebentarem com o calor. O convívio realizou-se mais no interior do edifício onde foi servida carne assada, presunto, pão e vinho a acompanhar as tradicionais castanhas assadas.
Este ponto elevado, onde a estrada inflete para começar a descer, sempre foi conhecido pelo nome de calvário. Eu associava a designação à subida íngreme, junto ao solar da família Barbosa, mas há a possibilidade apontada por alguns de que ali tenham existido em tempos remotos algumas cruzes, simbolizando o Calvário.
O desafio foi lançado informalmente, várias vezes, pelo sr. Padre Bernardo, natural de Zedes e recebeu eco na Comissão de Festas, em funções há vários anos.
A obra nasceu, foi inaugurada e benzida pouco depois das 17 horas com a presença do sr. Padre Bernardo e do sr. Padre Belmiro, em funções na paróquia. Esteve presente um grupo de paroquianos bem como um conjunto de lanternas e a Cruz, emprestando mais solenidade à cerimónia.
A localização do monumento e a orientação das três cruzes em granito erguidas no local, tiveram como referência fatores pouco conhecidos. A localização da cruz central respeita o cruzamento de duas linhas telúricas positivas estando as duas cruzes laterais no prolongamento de uma dessas linhas (Linhas de Ley). Este recursos a campos magnéticos terrestres não é muito utilizado apesar do seu uso ser conhecido há milhares de anos no Egito e na China. Esta utilização da radiação da terra é conhecida como radiestesia mas a designação antiga é rabdomancia. O uso de bastões para detetar linhas de água é conhecido e utilizado com frequência, mas essas práticas são (ou eram) frequentes na localização e orientação das igrejas, na posição dos altares, ou mesmo na localização de monumentos megalíticos, como a anta de Zedes, que nada tem a ver com a cristandade.
As duas árvores colocadas lateralmente ao calvário também têm o seu simbolismo. À esquerda foi deixado um carvalho, representando uma cultura pré católica, com origem céltica; à direita foi plantada uma velha oliveira, esta representando a religião católica, referida no dilúvio e no jardim das oliveiras, quer no próprio azeite que alimentava a chama nas igrejas, simbolizando a Luz.
O monumento teve um custo em dinheiro a rondar os 4 mil euros, mas houve algumas contribuições em materiais e em mão de obra. Grande parte do financiamento resultou do saldo positivo da festa do verão passado, a que se juntaram alguns donativos pecuniários. Para completar a quantia necessária recorreu-se ao levantamento de uma pequena parcela depositada no banco, resultante do saldo de festas de S. Bárbara de anos anteriores a 2011. A obra resultou do trabalho de muitas pessoas mas é de realçar o empenho do Sr. Padre Bernardo, impulsionador e acompanhante do projeto, de Eurico Carvalho, que encabeça a Comissão de Festas há vários anos e que também disponibilizou o seu trabalho (tal como o pedreiro Manuel Felix, natural de Zedes). O terreno foi cedido pela família de Jerónimo Barbosa, benfeitor a quem a freguesia tem muito a agradecer, e que homenageia com um busto colocado na centro da aldeia.
Após a bênção do monumento a assembleia regressou em procissão à Igreja Matriz onde se realizou a missa dominical.
Para terminar o dia realizou-se um magusto, com um lanche, na sede da Associação Cultural e Recreativa de Zedes. Anoiteceu cedo e fazia muito vento e frio, pelo que foram poucos os que ficaram à volta da fogueira a ver as bilhós a rebentarem com o calor. O convívio realizou-se mais no interior do edifício onde foi servida carne assada, presunto, pão e vinho a acompanhar as tradicionais castanhas assadas.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Até ao lavar dos cestos...
Tal como em anos anteriores, este ano também participei na vindima na Casa Dona Urraca, em Vilarinho da Castanheira, no dia 8 de Outubro.
Mais do que trabalho, foi uma manhã bem passada, num ambiente familiar de boa disposição. A colheita não esteve ao nível de anos anteriores, mas dará, certamente, origem a um vinho de qualidade porque feito com carinho e dedicação.
O almoço, devido ao tempo fresco, foi servido no interior da casa.
A Casa Dona Urraca é um espaço preparado para o Agro-Turismo com excelentes condições de alojamento e integrada num espaço rural de rara beleza.
Na quinta envolvente, para além da vinha, há olival, amendoeiras, variadas árvores de fruto e horta.
Mais do que trabalho, foi uma manhã bem passada, num ambiente familiar de boa disposição. A colheita não esteve ao nível de anos anteriores, mas dará, certamente, origem a um vinho de qualidade porque feito com carinho e dedicação.
O almoço, devido ao tempo fresco, foi servido no interior da casa.
A Casa Dona Urraca é um espaço preparado para o Agro-Turismo com excelentes condições de alojamento e integrada num espaço rural de rara beleza.
Na quinta envolvente, para além da vinha, há olival, amendoeiras, variadas árvores de fruto e horta.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Cada Lar um Sepulcro
É já Sol Posto no velho casario.!
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...
Linhares, Junho de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.
- O silêncio, a dor, a ruína, o vazio!...
Onde a miséria o Sonho transformou
Num grito sepulcral que à fome soou!...
Cada lar, um sepulcro, onde a morte espera
- Fatal realidade, cruel e severa -
Da flor da sorte,
Sem Primavera,
O «nectar» da morte!...
Que a vida só é vida,
Se dá flor,
E se a flor dá pão,
E o sorriso amor!...
Sob velhas telhas, quanto ardor,
Que nasce, vive, e morre só amor!...
E o tic tac da vida
Recorda, da vida pervertida,
Testemunho cruel da realidade,
Que não ouve e não sente,
Que não crê no que se é;
E, no que se é, ela mente!...
Ó esperança, vem, vem pôr
O amor de um beijo, - sem cor, -
Num beijo suave e doce,
Como se ele toda a vida fosse!...
Linhares, Junho de 1994
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Ola, em Pinhal do Douro.
domingo, 9 de outubro de 2011
Exposição - A Música no Mundo
A Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães tem patente ao público desde o dia 30 de Setembro uma exposição temática denominada A Música no Mundo. A par com um vasto conjunto de instrumentos musicais com origem nas mais variadas partes da terra e alguns livros sobre música e instrumentos, são também desenvolvidas diversas atividades destinadas a crianças, jovens e idosos. Foi o caso da animação musical que decorreu no dia 3 de Outubro, poucos dias depois de se comemorar o Dia Mundial da Música que teve lugar no dia 1 de Outubro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sesta-feira, no horário normal das instituições públicas e ao domingo das 14:30 às 18 horas, até ao dia 14 de Outubro.
A exposição pode ser visitada de segunda a sesta-feira, no horário normal das instituições públicas e ao domingo das 14:30 às 18 horas, até ao dia 14 de Outubro.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
1 dia por terras de Ansiães (05)
Já tinha vontade de passar mais um dia À Descoberta de terras de Ansiães! Arranja-se a mochila com algumas sandes, fruta e água, prepara-se o material fotográfico, apronta-se o caderno de campo, estudam-se alguns dados sobre a freguesia a visitar e "ala... que se faz tarde" (como se diz no planalto Mirandês).
A segunda-feira passada começou bem cedo com uma visita à Biblioteca Municipal em Carrazeda de Ansiães. O objetivo era devolver alguns livros requisitados para as férias, de que dei conhecimento no blogue. Gostei bastante de ler "Como sombras no muro", romance de Gilberto Pinto e Fogo e Lágrimas, livro de poemas de Morais Fernandes. Já aqui tinha falado do livro Fogo e Lágrimas 2, do mesmo autor e senti-me com curiosidade de ler também o primeiro livro, o que aconteceu nas férias de Verão.
Quando cheguei à biblioteca foi surpreendido com muita música e animação. A biblioteca desenvolveu uma série de iniciativas relacionadas com o Dia Mundial da Música (1 de Outubro) e tinha um grupo de idosos do Centro Social e Paroquial de Mogos assistirem a um momento musical. Achei muito interessante a iniciativa e não pude deixar de ficar algum tempo a assistir ao fantástico desempenho musical do senhor Machado, do Castanheiro e de conversar um pouco com os idosos.
O destino do dia era Pinhal do Norte.
Estes dias de final de verão e início de outono não proporcionam muitos motivos fotográficos mas um olhar atento consegue encontrar muitos momentos que vale a pena registar. O dia estava quente, diria mesmo muito quente. Enquanto descia em direção a Areias foi recordando alguns momentos passados no Amedo. Sou realmente um privilegiado.
As obras do IC5 estão adiantadas e, vistas as coisas de longe, parece estar quase pronta. Quer em Areias, quer junto ao Pinhal do Norte, o movimento era intenso.
Cheguei ao Pinhal pouco antes da hora do almoço. Contrariamente ao que é habitual encontrei bastantes pessoas que passavam ou que estavam sentadas à sombra junto das casas. Estive também nos dois cafés que existem na aldeia.
Como esta era a minha segunda visita, pretendia ver alguns locais específicos e, se possível, falar com algum membro da junta. Por norma faço uma volta completa às aldeias e raramente falo com as pessoas, que são poucas e por vezes desconfiadas. Não foi o que se passou no Pinhal. Conversei com muitas pessoas, principalmente com um grupo de idosos no café do sr. Gonçalves.
Os lagares cheiravam a mosto e fazia-se a carreja das uvas. A chuva que não cai causa transtornos na agricultura e os campos estão secos. Os trabalhos nas hortas são mínimos e terminadas as vindimas são as chuvas que dão início a um novo ciclo, mas estas tardam em chegar.
Visitei a igreja, a Cruz, várias fontes e lagares. Quase sem dar pela conta adiantou-se a tarde, forçando o regresso a casa.
Mais do que as fotografias tiradas, o que marcou o dia foram mesmo os momentos de conversa que tive com vários habitantes da aldeia. Foi muito interessante ouvi-los falar da aldeia da sua meninice, das tradições, das alegrias e das necessidades. São imensas e bonitas as histórias de vida que se escondem por detrás de muitos dos rostos que ainda povoam as nossas aldeias.
A segunda-feira passada começou bem cedo com uma visita à Biblioteca Municipal em Carrazeda de Ansiães. O objetivo era devolver alguns livros requisitados para as férias, de que dei conhecimento no blogue. Gostei bastante de ler "Como sombras no muro", romance de Gilberto Pinto e Fogo e Lágrimas, livro de poemas de Morais Fernandes. Já aqui tinha falado do livro Fogo e Lágrimas 2, do mesmo autor e senti-me com curiosidade de ler também o primeiro livro, o que aconteceu nas férias de Verão.
Quando cheguei à biblioteca foi surpreendido com muita música e animação. A biblioteca desenvolveu uma série de iniciativas relacionadas com o Dia Mundial da Música (1 de Outubro) e tinha um grupo de idosos do Centro Social e Paroquial de Mogos assistirem a um momento musical. Achei muito interessante a iniciativa e não pude deixar de ficar algum tempo a assistir ao fantástico desempenho musical do senhor Machado, do Castanheiro e de conversar um pouco com os idosos.
O destino do dia era Pinhal do Norte.
Estes dias de final de verão e início de outono não proporcionam muitos motivos fotográficos mas um olhar atento consegue encontrar muitos momentos que vale a pena registar. O dia estava quente, diria mesmo muito quente. Enquanto descia em direção a Areias foi recordando alguns momentos passados no Amedo. Sou realmente um privilegiado.
As obras do IC5 estão adiantadas e, vistas as coisas de longe, parece estar quase pronta. Quer em Areias, quer junto ao Pinhal do Norte, o movimento era intenso.
Cheguei ao Pinhal pouco antes da hora do almoço. Contrariamente ao que é habitual encontrei bastantes pessoas que passavam ou que estavam sentadas à sombra junto das casas. Estive também nos dois cafés que existem na aldeia.
Como esta era a minha segunda visita, pretendia ver alguns locais específicos e, se possível, falar com algum membro da junta. Por norma faço uma volta completa às aldeias e raramente falo com as pessoas, que são poucas e por vezes desconfiadas. Não foi o que se passou no Pinhal. Conversei com muitas pessoas, principalmente com um grupo de idosos no café do sr. Gonçalves.
Os lagares cheiravam a mosto e fazia-se a carreja das uvas. A chuva que não cai causa transtornos na agricultura e os campos estão secos. Os trabalhos nas hortas são mínimos e terminadas as vindimas são as chuvas que dão início a um novo ciclo, mas estas tardam em chegar.
Visitei a igreja, a Cruz, várias fontes e lagares. Quase sem dar pela conta adiantou-se a tarde, forçando o regresso a casa.
Mais do que as fotografias tiradas, o que marcou o dia foram mesmo os momentos de conversa que tive com vários habitantes da aldeia. Foi muito interessante ouvi-los falar da aldeia da sua meninice, das tradições, das alegrias e das necessidades. São imensas e bonitas as histórias de vida que se escondem por detrás de muitos dos rostos que ainda povoam as nossas aldeias.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Triste Episódio
Eram altas horas.
A torre bateu
Suaves, sonoras.
Contei!...
Absorto fiquei.
Uma borboleta pousou
No dorso da minha mão,
E exausta, ficou
Presa, à sua condição:
- Cega, à luz que encadeia; -
E eu, de repente,
Como quem nada receia,
- Irreflectidamente, -
Co'a minha pena malvada,
Vibrei-lhe cruel estocada!
E, inerte, não se moveu...
De novo olhei para ela,
E as asitas bateu,
Voando pela janela.
A sorrir fiquei eu,
E a rir, se foi ela.
Linhares, Junho 19
Poema da autoria de Morais Fernandes, do livro Fogo e Lágrimas 2.
Fotografia: Janela, em Ribalonga.
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