quarta-feira, 2 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Chegou Maio
Uma bonita fotografia tirada no termo de Zedes para assinalar a entrada do mês de maio, entre outras coisas o mês das flores.
Um cumprimento a todos os trabalhadores e o aos que procuram trabalho.
BOM 1ª de MAIO.
Um cumprimento a todos os trabalhadores e o aos que procuram trabalho.
BOM 1ª de MAIO.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
S. Luzia - Besteiros
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| Capela de Santa Luzia, Besteiros |
A calma do lugar deu-me a indicação de que pouca coisa iria acontecer, mas já me dei por satisfeito por encontrar a capela aberta (e sem nenhum automóvel, autocarro ou carrinha estacionado à frente, o que é bastante raro).
A capela é cheia de cor. As imagens são antigas principalmente as laterais, de S. Gonçalo (padroeiro de Zedes) e de S. Domingos. A imagem central que representa Santa Luzia ou Santa Lúcia (nome original), não tem os símbolos que normalmente a caracterizam, uma salva com dois olhos. A imagem no altar lembrou-me imediatamente a de Santa Cecília do santuário em Seixo de Manhoses e tenho dúvidas que seja de Santa Luzia. Há outras imagens mais antigas de Santa Luzia na capela que não oferecem qualquer duvidas.
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| Interior da capela de Santa Luzia, Besteiros |
Esta Santa é venerada como protetora dos olhos, de doenças como a cegueira, miopia ou estigmatismo, daí o ritual, que também se verifica no culto a outros santos de passar a palma da imagem pelos olhos, enquanto se reza em frente da imagem. Também é habito oferecem uma salva com dois olhos, em cera.
No local encontrei quatro ou cinco pessoas que com quem falei, nos seus intervalos de oração e cumprimentos de promessas. Além da passagem da palma pelos olhos (a palma simboliza muitas vezes a vitória), fazem-se voltas à capela enquanto se reza.
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| Pagamento de promessas |
Há quem diga que a festa foi esmorecendo porque o Sr. Padre Antonione não gostava do convívio que se seguia às cerimónias religiosas, mas pode haver muitas razões. Certo é que já não se comem os folares em Besteiros, em dias de festa à Santa Luzia.
A procissão de Fontelonga a Besteiro iria realizar-se ao fim da tarde. Ainda não foi em 2012 que acompanhei o que resta desta tradição.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Trilho da Pala da Moura - 22 de Abril (2.ªParte)
Continuação de: Trilho da Pala da Moura - 22 de Abril (1.ªParte)
O percurso segue depois para sul, contornando a montanha e dirigindo-se para em direção a Pinhal do Douro, para um sítio chamado Olgas. De início não percebi o porquê de nos desviarmos tanto do objetivo que eram os moinhos, mas depois percebi a razão. No ribeiro das Tábuas há um pedaço de calçada e uma ponte, creio que chamada ponte Romana das Olgas. Posteriormente já procurei informação sobre a acalçada e sobre a ponte, mas pouco consegui encontrar. No livro Património Arqueológico o Concelho de Carrazeda de Ansiães não há referência, nem à calçada, nem à ponte. É possível que não sejam romanas, mas nem assim deixam de ter interesse. Gostei de passar aqui pela primeira vez e penso voltar. É um local visitado pelos praticantes de Geocaching.
Gostava de ter seguido pelo caminho até junto da estrada no Pinhal, onde há mais uma capela, a de S. Bartolomeu. Alguns participantes da caminhada fizeram esse percurso, outros seguiram as marcações, fletindo para norte, pouco depois da ribeira. O traçado pela capela é menos cansativo e pouca distância acrescenta.
Por esta altura o grupo já estava bastante disperso, seguindo cada um ao seu ritmo. O reencontro com os moinhos é sempre interessante. A mim fascina-me imaginar o espaço cheio de vida, como terá sido nos tempos áureos. Os residentes do Vilarinho que nos acompanham ainda sabiam a quem pertenciam os moinhos.
Numa casa que seria de habitação (ainda que temporária) ainda existe quase intacto um forno. No caminho, muito acidentado há muitas possas escavadas no granito. Possivelmente seriam bebedouros para as galinhas que deviam circular livremente por entre as casas. Também ainda estão lá as ruínas de um pombal e sobrevive um lilás, ainda em flor, a indicar que mesmo nos locais mais humildes as flores eram bem-vindas.
As pessoas espalharam-se pelas ruínas, admirando a obra do homem. A água corrente era pouca e por isso muita da beleza do local depreendia-se mas não se via. Eu estive no local em fevereiro de 2010, com um cenário bastante diferente.
Depois de mais um pequeno esforço o grosso do grupo chegou à Pala da Moura, nome dado à milenar anta ou dólmen, Monumento Nacional desde 1910. Houve um momento de pausa também para ouvir as preciosas informações da arqueóloga presente. Ainda bem que estes Percursos Pedestres para além de fazerem bem ao corpo permitem também aprender ou recordar pedaços da história do nosso concelho.
Seguiu-se o regresso aos moinhos, onde já estava a ser confecionado o almoço.
O espaço há muito que é utilizado pela população do Vilarinho para ali comerem o folar e fazerem outro tipo de encontros, pelo que não faltam assadores e mesas, o suficiente para as cerca de 130 pessoas que estavam presentes.
O tempo esteve sempre muito instável e com algum vento, mas, felizmente, não interferiu com o desenrolar dos acontecimentos.
Não prestei muita atenção à ementa. Apercebi-me que havia vários tipos de carne no churrasco, caldo verde e ... a novidade, sardinhas assadas, fruta vinho e água. Tivemos até direito a bolo de aniversário!
O tempo ainda chegou para algumas brincadeiras e a visita ao moinho recuperado, infelizmente parado por falta de água que o fizesse rodar.
O mini-autocarro da Câmara estava próximo para transportar as pessoas para o Vilarinho, ou para Carrazeda de Ansiães mas um pequeno grupo de pessoas decidiu fazer o percurso até à aldeia a pé. Claro que integrei este grupo.
Nos limites da cerca do Fidalgo um habitante do Vilarinho mostrou-me ruínas de mais uma fonte antiga e, ali perto, o que me pareceu ser um lagar escavado na rocha granítica. Nunca li nenhuma referência a esta estrutura, mas há vários lagares inventariados no concelho e é-lhes dado algum relevo. Gostaria de conhecer a opinião de um especialista a respeito da estrutura ali presente. É mais um elemento a valorizar este Trilho da Pala da Moura.
Este regresso à Igreja Matriz permitiu também admirar um dos mais bonitos brasões do concelho, do séc. XVIII, com ornatos barrocos que lhe dão uma graça pouco comum. Vilarinho tem um bom conjunto de casas brasonadas!
Verifica-se que em cada caminhada o número de participantes aumenta. Este é um sinal do interesse que estas iniciativas têm. Tal como nas aldeias onde se realizaram os percursos anteriores, Linhares e Castanheiro, fomos bem recebidos, diria mesmo acarinhados, e isso deixa-nos com vontade de voltarmos. E a aldeia de Vilarinho da Castanheira merece, porque tem muito para oferecer.
Parabéns à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Vilarinho da Castanheira.
Nota: Este percurso foi traçado por mim, pode diferir um pouco do oficial, sinalizado e não foi o seguido neste Passeio Pedestre.
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| A caminho das Olgas |
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| A chagar aos moinhos |
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| Já perto da Pala da Moura |
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| A explicação "à sombra" da anta |
As pessoas espalharam-se pelas ruínas, admirando a obra do homem. A água corrente era pouca e por isso muita da beleza do local depreendia-se mas não se via. Eu estive no local em fevereiro de 2010, com um cenário bastante diferente.
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| Uma provocação à "dieta" |
Seguiu-se o regresso aos moinhos, onde já estava a ser confecionado o almoço.
O espaço há muito que é utilizado pela população do Vilarinho para ali comerem o folar e fazerem outro tipo de encontros, pelo que não faltam assadores e mesas, o suficiente para as cerca de 130 pessoas que estavam presentes.
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| A cantar os parabéns |
Não prestei muita atenção à ementa. Apercebi-me que havia vários tipos de carne no churrasco, caldo verde e ... a novidade, sardinhas assadas, fruta vinho e água. Tivemos até direito a bolo de aniversário!
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| Interior do moinho recuperado |
O mini-autocarro da Câmara estava próximo para transportar as pessoas para o Vilarinho, ou para Carrazeda de Ansiães mas um pequeno grupo de pessoas decidiu fazer o percurso até à aldeia a pé. Claro que integrei este grupo.
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| Possível lagar escavado na rocha |
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| Brasão, em Vilarinho da Castanheira |
Verifica-se que em cada caminhada o número de participantes aumenta. Este é um sinal do interesse que estas iniciativas têm. Tal como nas aldeias onde se realizaram os percursos anteriores, Linhares e Castanheiro, fomos bem recebidos, diria mesmo acarinhados, e isso deixa-nos com vontade de voltarmos. E a aldeia de Vilarinho da Castanheira merece, porque tem muito para oferecer.
Parabéns à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Vilarinho da Castanheira.
Nota: Este percurso foi traçado por mim, pode diferir um pouco do oficial, sinalizado e não foi o seguido neste Passeio Pedestre.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Trilho da Pala da Moura - 22 de Abril (1.ªParte)
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| Apresentação do percurso com informações históricas |
O trilho da Pala da Moura desenvolve-se na freguesia de Vilarinho da Castanheira e integra a Rede Municipal de Percursos Pedestres (com o número 5). O interesse do percurso divide-se entre o paisagístico e o cultural, prolongando-se por pouco mais de 10 km com um grau de dificuldade baixo.
Sendo este o terceiro percurso realizado dá para perceber que há um núcleo "duro" de caminheiros que é de presença quase garantida. Por isso, mesmo para mim que não vivo em permanência no concelho, a maior parte dos rostos já me são familiares. Desta vez até tive uma considerável companhia de Vila Flor, de onde nos deslocámos quase duas dezenas de pessoas.
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| Interior da Igreja Matriz |
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| Os primeiros caminheiros na rua Dona Urraca |
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| Interior da capela de S. Sebastião |
Haverá poucas aldeias no concelho, ou talvez nenhuma, que possua tantas capelas como o Vilarinho! Curiosamente Valtorno, já no concelho de Vila Flor mas próximo dali também teve um elevado número de capelas!
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| Parte das roupinhas do Menino Jesus |
Uma curiosidade desta capela foi realçada pela zeladora. Há um busto do Senhor dos Passos que parece olhar diretamente para nós à medida que nos deslocamos ao longo da capela.
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| Mesa que aguardava os caminheiros para o mata-bicho |
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| O Sr. Presidente da Câmara que fez questão de estar presente |
Acelerei o passo para recuperar o atraso (também atalhei no caminho) e consegui chegar atempadamente ao alto do monte de Nossa Senhora da Assunção. Este é o ponto mais alto do percurso (847 metros de altitude). O dia não estava muito convidativo, mas a paisagem que se avista em redor é admirável, além de proporcionar uma perspetiva da aldeia que, só por si, vale a pena.
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| Vista parcial e Vilarinho da Castanheira |
O mata-bicho foi na Casa dos Milagres. Os bolos característicos da Páscoa marcavam presença. Havia também outros bolos, sandes, presunto, fruta e água. A organização esmerou-se nas iguarias e também na sua apresentação, o que também só valoriza o seu trabalho.
Continua em: Trilho da Pala da Moura - 22 de Abril (2.ªParte)
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Passeio pedestre - Vilarinho da Castanheira
segunda-feira, 23 de abril de 2012
À Descoberta de Zedes (3/3)
Continuação de À Descoberta de Zedes (2/3)
A Portela é o centro da aldeia, o largo de que todos se orgulham e que algumas vilas invejam. É um espaço bastante amplo, povoado por bonitas árvores, onde se situam as mais importantes valias da aldeia. Era nesta largo que se realizada única feira de Zedes, no dia 10 de Janeiro, dia de festa do padroeiro S. Gonçalo. Atualmente o dia ainda não passa despercebido, havendo celebrações religiosas mas nada mais. Lembro-me de existirem duas habitações no meio do largo e um tanque para os animais beberem. Havia alguns negrilhos enormes, pelo menos quatro, onde os pardais faziam ninhos em colónias numerosas. De Inverno a água brotava do interior da terra por todo o lado, formando um lamaçal. Os mais pequenos jogavam à roça, com paus aguçados que se espetavam com facilidade na terra húmida. Aqui se jogava à bola, se faziam cascatas para os santos populares, se malhava o cereal ou se prendiam os burros a pastar, quando a erva era mais abundante.
Hoje o seu aspeto é bastante diferente. As duas casas foram demolidas, bem como o tanque onde os animais bebiam. Foi feito um campo em cimento, um dos primeiros do concelho, que proporcionou à aldeia arrojados torneios de futebol de cinco. Verdade se diga que Zedes sempre foi terra de gente com muita habilidade para a bola. A prová-lo está um vasto conjunto de taças e troféus exibidos na sede da sua Associação Cultural e Desportiva (ACDZ), também situada no largo da Portela. Esta Associação, uma das pioneiras no concelho, realizou grandes eventos, desportivos, recreativos e culturais, mas, à medida que a aldeia foi perdendo a sua juventude, foi esmorecendo, sendo difícil fazê-la rejuvenescer.
Ao lado da sede da Associação, construída com o esforço do povo, está a antiga escola primária. Além da sala de aulas tinha uma casa de habitação para a professora e um pequeno quintal nas traseiras (não faço ideia se a professora o cultivava). Nessa altura nem todos tinham “direito” a ir à escola, mas devia haver várias dezenas de crianças.
Em 1758 a aldeia tinha dezassete menores e cento e cinquenta “pessoas de sacramento”. A população foi crescendo até à década de 60 do séc. XX, quando atingiu cerca de 400 pessoas. O número de fogos nunca parou de crescer, mas o número de habitantes deve estar hoje mais ou menos como em 1758, com a agravante de não ter dezassete menores. As crianças contam-se pelos dedos de uma mão!
Se ao longo de quase todo o ano Zedes é uma aldeia pacata, onde apenas ao Domingo o largo da Portela ganha vida, com pequenos grupos de pessoas a conversarem ao sol, ou a jogarem a sueca, nos meses de Julho e Agosto enche-se de vida. São dezenas de famílias de emigrantes as que anualmente retornam à terra para matarem saudades e recuperarem a coragem para mais um ano de esforço num país distante.
Na antiga escola primária funciona hoje a sede da Junta de Freguesia. O espaço está mais amplo e arranjado do que alguma vez esteve. Proporciona ligação à Internet, espaço para aulas de música e exposições e, sobretudo, muitas recordações de quando aí funcionava um salão de baile, dos mais arrojados do concelho.
A poucos metros de distância está mais uma capela, esta particular, da família Barbosa, mesmo ao lado de um antigo Solar brasonado. Embora seja difícil imaginar Zedes sem a sua “Casa Grande”, a verdade é que nas Memórias Paroquias de 1758 não se fala nela. Pura e simplesmente ainda não existia. O solar foi construído no séc. XIX (parte dele em 1848) tal como a capela (1873). Pelos dois brasões existentes (um no Solar e outro na capela) é possível inferir das raízes nobres dos que a habitaram. Ali se encontram símbolos dos Morais, Pimental, Mesquita, Meneses, Sousas do Prado, Lemos, Costas, etc. Alguns dos membros desta nobre família Morais de Mesquita Meneses, ocuparam cargos de relevo no concelho, administradores, procuradores e Presidentes de Câmara. Em 1892 os nomes Barbosa e Abreu e Lima passam a fazer parte dos habitantes do Solar e estes já são mais conhecidos na atualidade, com vários membros da família a desempenharam o cargo de Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães.
Esta família abastada forneceu trabalho e outro tipo de apoio a muita gente da aldeia. Facultaram também espaços para a construção de casas, muitos deles gratuitamente, merecendo o reconhecimento de todos os habitantes. Um ato simbólico desse reconhecimento foi a colocação em 2009 de um busto de Jerónimo Barbosa Meneses de Abreu e Lima, falecido em 2002, no largo principal da aldeia. A inauguração deste monumento contou com a presença de vários membros da família Barbosa e do sr. Presidente da Câmara.
Infelizmente, até a “Casa Grande” ficou vazia, mostrando evidentes sinais de degradação e abandono. Os extensos e bonitos jardins envolventes, a vacaria, os armazéns, tudo passou à história, ainda não terminada, que espera por um final feliz.
A igreja matriz também fica situada no largo da Portela. A paróquia de S. Gonçalo foi desmembrada da Abadia de S. João, de Marzagão, sendo autónoma já no séc. XVI. Supõe-se que a primeira igreja pode ter sido um templo românico, sendo posteriormente ampliada e reconstruida até dar lugar ao templo barroco que agora existe. Na padieira da porta principal existe uma legenda que nunca vi decifrada. Com algum esforço da minha parte consegui perceber algumas palavras e números que fazem algum sentido, mas que carecem de algum suporte. Pareceu-me entender “Mandou fazer esta obra Gonçalo de Meneses Morais Pinto (…) juiz das confrarias em 1710. Foi reedificada em 1861”. A primeira data parece não fazer muito sentido, a sua leitura é muito difícil, mas a segunda pode muito bem ser real.
O templo mostra sinais evidentes de precisar de restauro. Mesmo assim, os seus altares em talha dourada são muito bonitos. Abundam os motivos florais com representações de flores e de bolbos. O sacrário é fantástico. Os altares laterais estão dedicados a Nossa Senhora de Fátima e ao Sagrado Coração de Jesus. Há alguns séculos atrás o altar do Sagrado Coração de Jesus era o altar do Santo Cristo, chegando a existir a Irmandade das Almas.
O último restauro foi feito em 1941, como se encontra gravado junto do altar da capela-mor. No corpo da igreja há caixotões com os discípulos pintados, prolongando-se a pintura por todo o teto, mas com muito menor rigor e qualidade. S. Gonçalo ocupa um espaço central no teto.
Existem ainda no largo uma elegante fonte com um tanque, um parque infantil e um monumento que chama pouco à atenção, mas que é significativo para Zedes, trata-se de uma escultura em homenagem ao emigrante.
Partindo do Prado, do coração de Zedes, as descobertas poderiam continuar em várias direções: visitar algumas das casas mais antigas e típicas (há pelo menos duas portas com motivos manuelinos); conhecer o muito recente Calvário, constituído por três cruzes em granito, erigidas no lugar com o nome de Calvário; visitar a Ribeira e descobrir o que resta dos moinhos de água que aí existiram; percorrer os campos e conhecer os soutos que se vestem de bonitas cores outonais logo depois das saborosas castanhas caírem; escalar enormes formações graníticas na Fraga do Tartaranho ou nos confins da Cabreira; conhecer a história da Quinta do Pobre e descobrir como se pode arrancar pão do solo mais agreste que se pode imaginar; conhecer história da exploração do minério e visitar os poços que ainda se encontram espalhados pelas serras; conhecer as tradições da fogueira do Natal, do Entrudo, da partilha do burro, do cantar dos Reis; conhecer as mais bonitas rendas e colchas, tecidas por mãos hábeis em teares arcaicos ou até saborear a doçaria típica do Natal e da Páscoa ou mesmo um pouco de fumeiro. Motivos não faltam, para mais uma visita - À Descoberta de Zedes.
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| Busto de Jerónimo Barbosa Meneses de Abreu e Lima |
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| Largo da Portela com fontanário. |
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| Capela particular da família Barbosa em Domingo de Ramos |
Em 1758 a aldeia tinha dezassete menores e cento e cinquenta “pessoas de sacramento”. A população foi crescendo até à década de 60 do séc. XX, quando atingiu cerca de 400 pessoas. O número de fogos nunca parou de crescer, mas o número de habitantes deve estar hoje mais ou menos como em 1758, com a agravante de não ter dezassete menores. As crianças contam-se pelos dedos de uma mão!
Se ao longo de quase todo o ano Zedes é uma aldeia pacata, onde apenas ao Domingo o largo da Portela ganha vida, com pequenos grupos de pessoas a conversarem ao sol, ou a jogarem a sueca, nos meses de Julho e Agosto enche-se de vida. São dezenas de famílias de emigrantes as que anualmente retornam à terra para matarem saudades e recuperarem a coragem para mais um ano de esforço num país distante.
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| Os domingos à tarde à porta da ACDZ |
A poucos metros de distância está mais uma capela, esta particular, da família Barbosa, mesmo ao lado de um antigo Solar brasonado. Embora seja difícil imaginar Zedes sem a sua “Casa Grande”, a verdade é que nas Memórias Paroquias de 1758 não se fala nela. Pura e simplesmente ainda não existia. O solar foi construído no séc. XIX (parte dele em 1848) tal como a capela (1873). Pelos dois brasões existentes (um no Solar e outro na capela) é possível inferir das raízes nobres dos que a habitaram. Ali se encontram símbolos dos Morais, Pimental, Mesquita, Meneses, Sousas do Prado, Lemos, Costas, etc. Alguns dos membros desta nobre família Morais de Mesquita Meneses, ocuparam cargos de relevo no concelho, administradores, procuradores e Presidentes de Câmara. Em 1892 os nomes Barbosa e Abreu e Lima passam a fazer parte dos habitantes do Solar e estes já são mais conhecidos na atualidade, com vários membros da família a desempenharam o cargo de Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães.
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| Brasão da "Casa Grande" |
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| Procissão, em Agosto. Andores de Santa Margarida e S. Gonçalo. |
A igreja matriz também fica situada no largo da Portela. A paróquia de S. Gonçalo foi desmembrada da Abadia de S. João, de Marzagão, sendo autónoma já no séc. XVI. Supõe-se que a primeira igreja pode ter sido um templo românico, sendo posteriormente ampliada e reconstruida até dar lugar ao templo barroco que agora existe. Na padieira da porta principal existe uma legenda que nunca vi decifrada. Com algum esforço da minha parte consegui perceber algumas palavras e números que fazem algum sentido, mas que carecem de algum suporte. Pareceu-me entender “Mandou fazer esta obra Gonçalo de Meneses Morais Pinto (…) juiz das confrarias em 1710. Foi reedificada em 1861”. A primeira data parece não fazer muito sentido, a sua leitura é muito difícil, mas a segunda pode muito bem ser real.
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| Interior da Igreja Matriz e andor de Santa Bárbara. |
O último restauro foi feito em 1941, como se encontra gravado junto do altar da capela-mor. No corpo da igreja há caixotões com os discípulos pintados, prolongando-se a pintura por todo o teto, mas com muito menor rigor e qualidade. S. Gonçalo ocupa um espaço central no teto.
Existem ainda no largo uma elegante fonte com um tanque, um parque infantil e um monumento que chama pouco à atenção, mas que é significativo para Zedes, trata-se de uma escultura em homenagem ao emigrante.
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| Calvário, recentemente inaugurado. |
domingo, 22 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Ascensão duas faces
Esta obra de arte do é da autoria de Ângelo de Sousa (Moçambique) e integra o Museu Internacional de Arte Contemporânea ao Ar Livre de Carrazeda de Ansiães. Está situada junto ao Mercado Municipal.
A obra dá a ideia de um equilíbrio precário e é isso que acontece! Desde já há bastante tempo que sofreu uma inclinação e ameaça tombar.
A obra dá a ideia de um equilíbrio precário e é isso que acontece! Desde já há bastante tempo que sofreu uma inclinação e ameaça tombar.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
À Descoberta de Zedes (2/3)
Continuação de: À Descoberta de Zedes (1/3)
A poucos metros de distância da escola está a capela de S. Roque. A original, de 1611, foi ficando ao abandono até que não foi possível a sua recuperação. Nos finais do séc. XX foi desmantelada e reconstruida, perdendo a sua orientação original (virada para Poente), mas ganhando um novo enquadramento com a rua. O seu interior é muito sóbrio, sem qualquer altar. No séc. XVII existiu em Zedes a confraria de S. Roque. A veneração a este santo não terminou, a sua imagem encontra-se na igreja matriz e é uma das que integra as procissões nas grandes festas da aldeia.
No levantamento feito em 1758 o vigário Cosme Xavier descrevia Zedes assim: “A Paróquia está na borda de um prado que está cercado das casas do mesmo povo e fora destas tem mais duas ruas, uma a que chamam o cima da Chã, onde está também a capela de Santa Margarida e outra a que chamam do Galego, que tem no final uma capela da evocação de S. Roque”.
Deixando a capela de S. Roque entra-se na rua da Carreira, antiga rua do Galego. É uma das ruas mais antigas da aldeia, mas onde já não mora ninguém. Um pouco mais à frente encontra-se com a rua do Loureiro, guardada há décadas por um loureiro que deu nome à rua e sabor a muitos pratos que se confecionam na aldeia. Não muito distante, numa canelha que já deve ter sido um dos principais acessos à terra, está escondida uma centenária fonte, a fonte do Galego. Era uma estrutura muito grande, abaixo do nível do solo, coberta por lajes em granito. Oferecia algum perigo e, nos últimos tempos em que esteve à mostra, era local de despejo de lixo. Há muito que a Junta de Freguesia decidiu tapá-la canalizando a água para os tanques públicos, um pouco mais abaixo.
A rua do Loureiro conduz a um lugar conhecido pela designação de Cano! Não sei se a designação se deve à existência no local de uma fonte (que deve ter sido em tempos um simples cano). Esta água vem de um nascente num terreno mais acima, não sendo da rede pública. Existe no Cano, saliente na parede, um rosto talhado em granito. Tal como noutras freguesias, este rosto personifica a aldeia, sendo conhecido como o “Zedes”. Ouvi, em tempos, contar a história de que aldeia teria cinco entradas, cada uma com uma porta, que se fecharia durante a noite. Isto levar-nos-ia a pensar numa aldeia fechada, dentro de uma espécie de muro, o que me parece difícil dada a configuração das ruas, com braços que se estendem em diversas direções. Esta ideia foi passando de geração em geração, embora tenha pouco fundamento. A verdade é que existiam três destas “caras”, em três locais diferentes da aldeia. Duas ainda existem, a uma terceira, que se na rua da Oliveira, perdeu-se-lhe o rasto há relativamente pouco tempo. Eu cheguei a vê-la.
Continuando pela rua de Santa Margarida chega-se a um pequeno largo com uma bonita capela, de Santa Margarida. A capela é conhecida por este nome, mas o largo é mais conhecido por Cimo da Aldeia prenunciando-se Cima-D’Aldeia. Neste local há também um fontanário (e existiu, em tempos um comércio). A capela é pequena, mas é possível que tenha sido matriz. Nas traseiras da capela há dois blocos em pedra que foram retirados da frente da mesma. Estes blocos podem ter uma simbologia pagã, com ligação a alguma crença ou prática.
Há uma tradição muito antiga ligada ao culto de Santa Margarida. Quando se aproximava o momento de determinada mulher dar à luz, um familiar seu subia ao telhado da capela e virava uma telha ao contrário. Este simples gesto faria com que o parto corresse bem, com a ajuda da Santa venerada.
O interior da capela está limpo e o telhado foi refeito para impedir a infiltração de água. No entanto, a recuperação do altar nunca foi feita. Não tem qualquer amostra de tinta, percebendo-se de que deve ter sido um elegante altar em talha dourada. O elemento que mais me cativa na capela é a torre sineira, com elementos em relevo que fazem lembrar espíritos que voam.
Continuando para norte afastar-nos-íamos do centro da aldeia, em direção ao bairro do Carvalho ou à rua do Vale que dão depois acesso a Pereiros e Areias. O melhor é voltar para trás e descer à Portela.
Continua em: À Descoberta de Zedes (3/3)
A poucos metros de distância da escola está a capela de S. Roque. A original, de 1611, foi ficando ao abandono até que não foi possível a sua recuperação. Nos finais do séc. XX foi desmantelada e reconstruida, perdendo a sua orientação original (virada para Poente), mas ganhando um novo enquadramento com a rua. O seu interior é muito sóbrio, sem qualquer altar. No séc. XVII existiu em Zedes a confraria de S. Roque. A veneração a este santo não terminou, a sua imagem encontra-se na igreja matriz e é uma das que integra as procissões nas grandes festas da aldeia.
No levantamento feito em 1758 o vigário Cosme Xavier descrevia Zedes assim: “A Paróquia está na borda de um prado que está cercado das casas do mesmo povo e fora destas tem mais duas ruas, uma a que chamam o cima da Chã, onde está também a capela de Santa Margarida e outra a que chamam do Galego, que tem no final uma capela da evocação de S. Roque”.
Deixando a capela de S. Roque entra-se na rua da Carreira, antiga rua do Galego. É uma das ruas mais antigas da aldeia, mas onde já não mora ninguém. Um pouco mais à frente encontra-se com a rua do Loureiro, guardada há décadas por um loureiro que deu nome à rua e sabor a muitos pratos que se confecionam na aldeia. Não muito distante, numa canelha que já deve ter sido um dos principais acessos à terra, está escondida uma centenária fonte, a fonte do Galego. Era uma estrutura muito grande, abaixo do nível do solo, coberta por lajes em granito. Oferecia algum perigo e, nos últimos tempos em que esteve à mostra, era local de despejo de lixo. Há muito que a Junta de Freguesia decidiu tapá-la canalizando a água para os tanques públicos, um pouco mais abaixo.
A rua do Loureiro conduz a um lugar conhecido pela designação de Cano! Não sei se a designação se deve à existência no local de uma fonte (que deve ter sido em tempos um simples cano). Esta água vem de um nascente num terreno mais acima, não sendo da rede pública. Existe no Cano, saliente na parede, um rosto talhado em granito. Tal como noutras freguesias, este rosto personifica a aldeia, sendo conhecido como o “Zedes”. Ouvi, em tempos, contar a história de que aldeia teria cinco entradas, cada uma com uma porta, que se fecharia durante a noite. Isto levar-nos-ia a pensar numa aldeia fechada, dentro de uma espécie de muro, o que me parece difícil dada a configuração das ruas, com braços que se estendem em diversas direções. Esta ideia foi passando de geração em geração, embora tenha pouco fundamento. A verdade é que existiam três destas “caras”, em três locais diferentes da aldeia. Duas ainda existem, a uma terceira, que se na rua da Oliveira, perdeu-se-lhe o rasto há relativamente pouco tempo. Eu cheguei a vê-la.
Continuando pela rua de Santa Margarida chega-se a um pequeno largo com uma bonita capela, de Santa Margarida. A capela é conhecida por este nome, mas o largo é mais conhecido por Cimo da Aldeia prenunciando-se Cima-D’Aldeia. Neste local há também um fontanário (e existiu, em tempos um comércio). A capela é pequena, mas é possível que tenha sido matriz. Nas traseiras da capela há dois blocos em pedra que foram retirados da frente da mesma. Estes blocos podem ter uma simbologia pagã, com ligação a alguma crença ou prática.
Há uma tradição muito antiga ligada ao culto de Santa Margarida. Quando se aproximava o momento de determinada mulher dar à luz, um familiar seu subia ao telhado da capela e virava uma telha ao contrário. Este simples gesto faria com que o parto corresse bem, com a ajuda da Santa venerada.
O interior da capela está limpo e o telhado foi refeito para impedir a infiltração de água. No entanto, a recuperação do altar nunca foi feita. Não tem qualquer amostra de tinta, percebendo-se de que deve ter sido um elegante altar em talha dourada. O elemento que mais me cativa na capela é a torre sineira, com elementos em relevo que fazem lembrar espíritos que voam.
Continuando para norte afastar-nos-íamos do centro da aldeia, em direção ao bairro do Carvalho ou à rua do Vale que dão depois acesso a Pereiros e Areias. O melhor é voltar para trás e descer à Portela.
Continua em: À Descoberta de Zedes (3/3)
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