sexta-feira, 28 de março de 2008

Em Codeçais


Entrei em Codeçais pela Rua da Portela. Rapidamente me senti apertado, mesmo no meu carro estreito.

Codeçais
não é aldeia para se percorrer de carro. Estacionei no primeiro espaço suficiente que encontrei, algures próximo da Rua da Mina. Exploraria primeiro todas as ruas, a pé, e procuraria depois uma saída.

Mal larguei o carro, fascinou-me a quietude da aldeia. Mesmo a meio da manhã, a mistura de cores, as portas cheias de rugas do tempo, os alpendres, a irregularidade das ruas e, sobretudo, a omnipresença do granito chamavam a objectiva.


O dia estava sombrio, por isso optei por captar a alma da aldeia nos pequenos pormenores. As datas gravadas nas ombreiras de portas e janelas atestam a idade das pedras e a fixação do homem nestas paragens. Curiosamente a história de Codeçais não está ligada ao altaneiro castelo de Anciães, mas sim ao concelho de Freixiel, a que deve ter pertencido desde a sua fundação em 1195, até à sua extinção em 1836.

Durante o séc. XV e XVI Codeçais pertencia à paróquia de Santo Amaro (Pereiros e Codeçais). Nos registos da visita feita pelo Comendador Frei Dom José Telles, da Comenda de Santa Maria Madalena de Freixiel (anexa à Comenda de Poiares), em Julho de 1766, afirma-se que a capela de Codeçais tinha sido feita à dez ou doze anos. O seu retábulo dourado e pintado, era da antiga capela, pelo que se depreende a existência de uma capela anterior.


Foi para a igreja que me dirigi, subindo a íngreme Rua da Igreja (o campo de futebol fica próximo). Talvez para me saudarem, os sinos do sóbrio campanário, tocaram uma suave melodia. Tão suave que se deixou levar pela brisa que soprava em direcção ao rio. Escondido atrás de uma corneta, no campanário, está um bonito relógio de sol, relevado para segundo plano.
Animado pela paisagem, continuei a subir até chegar ao cemitério. Trepei a uma fraga onde se encontra pregada um cruz branca, sentei-me e admirei tudo em redor. A pequena aldeia tem outro aspecto, vista de cima. Na parte mais antiga, os telhados antigos alternam com telhados recentes de casas recuperadas, mas no Bairro Novo adivinham-se boas e bonitas casas. O meu olhar voou para além rio, até à Sobreira e Carlão, mas logo voltaram à tranquilidade das ruas a meus pés.

Desci à aldeia. Percorri as ruas, espreitei os becos, admirei os restos do dia a dia em muitas casas abandonadas. Por fim, cheguei ao seu coração, o Largo do Cruzeiro. Este cruzeiro do Senhor dos Aflitos, datado de 1863, testemunha o viver de Codeçais, principalmente aos Domingos, quando o sol está mais convidativo. Também aqui não encontrei ninguém. Nem vestígios de um comércio, de uma taberna, nada, uma tranquilidade absoluta. Desci a Rua do Olmo, depois à Rua da Santrilha e ainda à Rua da Barreira, só me faltou mesmo a Rua do Vale e a Rua da Fonte. A escola estava lá, abandonada, ainda mais abandonada do que o resto da aldeia.
Fui buscar o carro e fui nele até ao Bairro Novo. A tentação para descer até ao Rio Tua foi grande, mas, essa será outra Descoberta, para fazer noutro dia.

14 comentários:

Armindo Diogo Santos disse...

está muito bonito este trabalho.
Parabens.
Minha esposa e de Codeçais
eu sou natural de castelo Branco e resido em Felgueiras, Casei em Codecais em 1981.

Anónimo disse...

A minha curiosidade, hoje, levou-me até Codeçais, onde exerci a minha profissão há mais de 40 anos. Não reconheço nestas fotografias a aldeia que me recebeu com carinho no ano lectivo de 65/66, nos primórdios da minha profissão...Tem muitos telhados novos, sinal de que algo se renovou. Obrigada,Aníbal, pela possibilidade que nos dá de visitar lugares que fazem parte da nossa vida.
Cumprimentos
Anita

Anónimo disse...

ola so eu a dona da casa de Codeçais "Ano 1619"

que plezer de ver no internet.

annie Franca

Ricardo Carvalho disse...

Por acaso lembrei-me e passei por aqui e gostei de ver codeçais na net, mesmo so para matar saudades ja que estou muito longe. desde ja agradeço o excelente trabalho que este senhor fez,temos de divulgar as aldeias, pois elas estão a ficar desertas devido a falta de trabalho e a crise que nos percorremos neste momento. Cumprimentos a todo o pessoal de codeçais. Ricardo Carvalho

Anónimo disse...

Parabéns Aníbal pelas fotos lindissimas de Codecais, ver a nossa terra na internet e fantástico
Armanda Ferreira

Anónimo disse...

adorei ver a aldeia onde nasci e vivi durante 17 anos é a aldeia dos meus pais e avos adorei aas fotos exelente trabalho

Anónimo disse...

Na rua do Vale conheci a NELIA DA ERREÇA GONÇALVES GREGORIO...saudade
se ler me escreve
leandrolreis@globo.com
Estou no Brasil.Gostaria de ver fotos de paramio

sergio goncalves disse...

ANIBAL GONCALVES QUERIA DESDE JA AGRADECER PELAS BELAS FOTOS AQUI PUBLICADAS DA ALDEIA DE CODECAIS DE ONDE SOU NATURAL E TAMBEM AGRADECER AS PESSOAS QUE AQUI DEIXARAM ESTES COMENTARIOS .ESTOU NO ESTRANGEIRO E AO VER AS FOTOS DO NOSSO CANTINHO E UMA SENSACAO INESPLICAVEL.OBRIGADO ANIBAL POR ESTE BELO TRABALHO.E DEUS TE DE MUITA SAUDE PARA CONTINUARES A FAZER ESTES BELOS TRABALHOS.SERGIO GONCALVES.

João Magalhães disse...

Aníbal, parabéns pelas belas fotos da aldeia onde vivi até aos 18 anos. Também gostei muito da forma como descreveste esta bela e tranquila aldeia. Foi bom ver a "minha aldeia" tão bem retratada na Internet! Mais uma vez parabéns e continua com estes belíssimos trabalhos.
João Magalhães

Anónimo disse...

Codeçais, visto da minha terra, Pereiros, parece um presépio.
É uma aldeia muito romântica e bela.
A minha primeira mala de escola foi comprada nesta aldeia no largo junto ao cruzeiro.
Da estação de Codeçais parti eu há 46 anos com destino a Lisboa.
Reino maravilhoso, para citar Miguel Torga.
Raúl Figueiredo

Anónimo disse...

E muito bom para a minha mulher ver estas fotos de Codecais de onde e natural saiu de la com 8 anos,mas nunca deixou de visitar a aldeia.Hoje para ela significa uma aldeia de profunda tristeza porque depois de tantos anos sente-se como uma estranha perante os habitantes.Para o autor deste trabalho que eu e ela nao conhecemos parabens esta um trabalho muito bom.
13 de junho de 2011

susana duarte disse...

Na rua da Barreira nasceu Laura da Graça Moreira filha de Joao da Cruz Moreira e Maria da Conçeiçao,eu sou filha da GRAÇA que Faleceu dia 25 julho 2012 ,podem contactar-me no Facebook Susana Duarte Torres Vedras ate breve.....

Maria Margarida disse...

Sou de Codeçais e quero deixar os parabéns ao Anibal Gonçalves, pelas fotos e alguma história do meu cantinho. Quero aproveitar para deixar um beijo e os meus pêsames à Susana Duarte de Torres Vedras e às irmãs pela morte da mãe, Laura da Graça que eu conhecia e à qual me ligava alguma amizade.

Anónimo disse...

Noémia Gonçalves disse...
Olá, sou natural de Codeçais.
Gostei de rever as fotos e descrição da minha aldeia.
Um muito obrigado ao autor Anibal Gonçalves pelo carinho dedicado a Codeçais.

TRÁS-OS-MONTES MINHA TERRA
RESUMO DO MUNDO INTEIRO
MUNDO INTEIRO E MUITO MAIS
TRAGO NOS OLHOS A SERRA
NO CORAÇÃO CODEÇAIS