A Junta de Freguesia de Carrazeda de Ansiães e a Liga Portuguesa Contra o Cancro organizaram no dia 19 de Maio, em Carrazeda de Ansiães, uma Caminhada Solidária. Dos 5€ da inscrição, 3 revertiam diretamente para a Liga e os participantes tiveram direito a um reforço, durante a manhã, a o almoço e ao seguro. A adesão foi maior do que o esperado, porque a prometida T-shirt não chegou para todos!
As caminhadas são um sucesso no concelho e, portanto, não seria de esperar outra coisa senão uma grande adesão. Para incentivar a participação havia ainda alguns atrativos extra: o termo de Carrazeda de Ansiães é bastante plano, pelo que seria de esperar uma caminhada fácil; ao almoço haveria porco no espeto, não é que tenha alguma coisa contra o dito animal, mas costuma atrair alguns apreciadores; tratava-se de uma caminhada solidária e por isso seria de esperar que atraísse pessoas que habitualmente não participam neste tipo de eventos. Isso verificou-se, havendo pessoas que se inscreveram e só participaram no almoço.
Como já disse a adesão foi grande, a rondar as 200 pessoas. A receção foi um pouco demorada, mas isso não veio a atrasar a caminhada porque o percurso era fácil e curto. A prevista subida à capelinha de Nossa Senhora da Graça, mesmo só para aqueles que o desejassem, acabou por ser retirada.
Para os mais assíduos o traçado não trouxe muita novidade, já era conhecido de caminhadas anteriores. Diria até que não houve a preocupação de inovar ou criar mais interesse no percurso. Isso verificou-se na vila, com uma rápida passagem junto à Fonte das Sereias e continuou com a visita já habitual às macieiras perto da Barragem de Fontelonga, com regresso ao Moinho do Vento.
Apreciei a parte do percurso entre o Moinho do Vento e Samorinha. Apesar de ser muito curto, não o conhecia. Pela negativa impressionou-me a passagem perto da zona industrial numa autêntica lixeira, coisa para envergonhar todos os fregueses. Ao que me disseram o local já está no termo do Amedo, mas não acredito que sejam os habitantes do Amedo que ali venham depositar todo aquele lixo.
Apesar do local ter sido limpo há pouco tempo, bastou menos de um ano para ficar num miserável estado. Não mostro as fotografias porque me envergonho. Se o problema não se consegue resolver a bem, pode ser resolvido a mal. A GNR tem um grupo que trata destes crimes e as coimas não são nada "amigáveis".
Chegámos ao final, o Parque de Escuteiros, muito cedo, ainda o porco estava a ganhar cor.
O tempo estava instável, e pouco agradável, mas a espera serviu para que mais gente se juntasse ao grupo, para fazermos um grande almoço.
Além do porco no espeto havia sardinha assada, pão, caldo verde, salada e fruta. Claro que a água e o vinho não faltaram (e também cerveja).
Já depois do almoço começar a ser servido começou a chover. Algumas pessoas procuraram abrigo na capela o que não deixou muito contentes alguns dirigentes dos escuteiros.
Apesar do final inesperado, por causa da chuva, foi muito agradável participar em mais esta caminhada.
Não houve lindas paisagens nem sítios arqueológicos, mas houve bonitos caminhos, ladeados de flores e boa companhia para conversar durante todo o caminho.
domingo, 9 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
De Brunheda ao Tua, a pé
Já decorreu algum tempo desde que fiz a última caminhada na Linda do Tua, embora por lá tenha passado por diversas vezes, nalgumas iniciativas. Mas percorrer a linha, focando toda a atenção no vale do Tua, na linha e no rio, é uma experiência que não me canso de repetir.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente.
A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S. Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimentos, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
Chegámos ao fim da nossa viagem satisfeitos. Tivemos pena que não houvesse mais gente para nos acompanhar, mas, se calhar, não podíamos ter feito o percurso como o fizemos.
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.
O desafio partiu de um amigo de longa data, defensor da Linha do Tua e entusiasta da fotografia. Foi alargado a um grupo de pessoas, mas por questões de agenda, de logística ou outras, acabámos por ser apenas 3 a aventurarmo-nos nesta caminhada de cerca de 20 km.
Caminhar foi uma das componentes, porque houve tempo para muita conversa, muita curiosidade sobre aspetos relacionados com a linha e outras estruturas por onde passámos e muitas fotografias, paixão comum aos três caminheiros.
A caminhada teve início junto à estação de Brunheda, ainda bastante cedo. O céu estava muito nublado com algumas abertas, muito pouco convidativo à fotografia, mas há sempre desafios que utilizar a pouca luz existente.
A primeira curiosidade, já por mim verificada na estação de Abreiro, é a de que alguma tipo de estrutura se tem deslocado sobre os carris. Tivemos alguma atenção e os carris são usados até muito próximo de S. Lourenço. Aí há um desvio há uma rocha na linha, originada numa queda, e o que quer que tenha circulado teve que voltar para trás.
A estação de S. Lourenço foi vandalizada. Já passei várias vezes por lá e estava sempre fechada, mas desta vez estava aberta. Este edifício é de construção recente e nunca despertou a mínima curiosidade. Desta vez entrámos, para ver os estragos. Foram roubados lavatórios, sanitas e portas, pouco mais havia para roubar.
Após S. Lourenço a paisagem é de puro maravilhamento (se é que a palavra existe). Perder-se a ligação com a "civilização", saber que não há hipótese de desistir e que o único caminho é seguir em frente, dá oportunidade de olhar todo o espaço em redor de uma forma única. A companhia do barulho das águas, a agressividade da escarpa rochosa, a beleza natural com que esta época do ano veste cada centímetro de terra onde as raízes se podem fixar.
Para completar esta paisagem poética surge a aldeia do Amieiro. Vista da outra margem, é difícil imaginá-la com ruas estreitas, íngremes, cheia de casas humildes e e de gente idosa. Vista da linha não é mais de que um aglomerado de casas carinhosamente colocados na encosta, tal qual como colocamos a cabana e os pastores no musgo do presépio. É isso que o Amieiro é, um presépio.
O rio percorre um caminho cada vez mais agreste, visível nas escarpas rochosas que limitam e orientam o seu caminho há milhares de anos.
Junto ao Castanheiro paramos para almoçarmos. Uma forte chuvada obrigou-nos a esperar alguns minutos (poucos), antes de descermos à bonita praia de areia branca que está próxima desta estação. Confesso que nunca tinha descido ao rio! Sempre que por ali passei a vontade de continuar foi mais forte do que a de descer ao rio e explorar a bonita praia e o conjunto de azenhas que ali deve ter existido. A companhia e o fato de estarmos sem qualquer necessidade de cumprirmos horários fez com que esta fosse um boa oportunidade de conhecer esta pequena praia.
Pude verificar que o mexilhão que habitualmente apanho rio Sabor também existe no Tua. As conchas bivalves que encontrámos indiciam que são de um tamanho considerável.
Pouco tempo depois chegámos a Tralhariz. A paisagem continua a ser magnífica não fosse o facto de já se avistar na outra margem o aterro retirado das obras da barragem. A magia perdeu-se, nem a doses laranjas roubada, num terreno abandonado têm o mesmo sabor. A atrocidade que estão a fazer com a construção da barragem é de uma crueldade que dói.
Ao quilómetro 3 somos obrigados a abandonar a linha. É perigoso e proibido continuar. A linha já não existe, o rio já não existe. Ambos foram dominados, humilhados, desviados do seu caminho.
Subir até à aldeia de Fiolhal, não é fácil. Apesar de ser uma pessoa habituada a andar e do dia não estar especialmente quente foram precisas algumas paragens para chegarmos perto da aldeia.
Aproveitámos para procurar alguns pontos estratégicos para observar as obras da barragem. O sentimento dominante não era de resignação, mas sim de revolta. É difícil aceitar os argumentos do desenvolvimentos, da reserva de água, da beleza que o vale pode vir a ter ou da energia que poderá produzir. Não somos "turistas", esta é a nossa terra, este é um património que nos estão a tirar sem hipótese de vislumbrarmos benefícios, além dos evidente para a EDP.
A destruição já é muita, mas nada que fosse impeditivo de parar definitivamente as obras. Aos defensores da teoria de que agora já não vale a pena parar as obras porque o mal já está feio, só me apetece perguntar: aceitariam casas uma filha com alguém que a violou? O mal já foi feito.
Já tínhamos um carro em Fiolhal, deixado lá às primeiras horas do dia. Gostaríamos de ter continuado pela linha até Foz-Tua, mas não nos restou outra alternativa senão a de descermos pela estrada.
Já em Foz-Tua fomos até à ponte rodoviária sobre o Tua. A paisagem em redor é desoladora. Muitos pescadores enfrentam o perigo e continuam a pescar na zona das obras.
Num restaurante da aldeia constatámos que os benefícios de ter muitos clientes das obras, sobretudo a mão de obra mais qualificada e com salários mais altos, não resulta num encaixe que permita a satisfação. Servir bem, produtos de qualidade, incluir entradas e vinho de marca, e cobrar 6€ por refeição, é caso para dizer, mais valia estar parado.
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| Esta fotografia já foi tirada há algum tempo atrás |
Estou com esperança que esta não seja a minha última viagem no vale do Tua. Não porque acredite que os responsáveis políticos deste país ganhem juízo, nem os autarcas aqui ao lado o têm (o capital domina a nossa existência), mas porque não aceito despedir-me tão rápido desta paisagem única, uma das maiores riqueza da nossa região.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Rota das Maias 2013
A Rota das Maias, passeio pedestre organizado pela Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães (ARCPA), teve lugar no dia 12 de Maio.
A já conhecida forma de receber desta Associação, da respetiva aldeia e os maravilhosos percursos possíveis nas encostas do rio Tua, levaram mais uma vez quase centena e meia de participantes a concentrarem-se junto à sede da Associação bem cedo ainda. Muitos dos participantes foram transportados de Carrazeda de Ansiães, de autocarro para Castanheiro. Foi necessário deslocar também para Castanheiro as pessoas que se encontravam em Pombal, uma vez que o início do percurso e o pequeno almoço estavam marcados para essa aldeia. Esta deslocação foi bastante demorada, uma vez que apenas só foi disponibilizado um autocarro, o que atrasou todo o evento.
O pequeno almoço foi servido na Junta de Freguesia de Castanheiro. Mesas bem recheadas esperavam os participantes já um pouco inquietos.
Há medida que o grupo de caminheiros tem vindo a aumentar, notam-se formas diferentes de encarar estas caminhadas ou passeios. Há pessoas que só pensam em chegar ao final! Para mim é a caminhada que conta e esta tem que ser aproveitada. Aproveitada para apreciar a paisagem, para ver e conversar sobre a fauna e a flora, monumentos e sítios de interesse, se ou houver, conhecer e conversar com outros participantes, já amigos ou desconhecidos. Julgo que esta Rota das Maias encheu bem as minhas "medidas", uma vez que não me preocupei nada com o caminho e cheguei ao final integrado no último grupo de pessoas.
A descida de Castanheiro até a estação da linha do Tua com o mesmo nome foi bastante acelerada. A paisagem é fantástica e as maias começaram a aparecer logo nos primeiros metros do percurso. Em cada curva do caminho se tem uma visão diferente do agreste vale e as touças de castanho dão um sombreado e uma frescura agradável a alguns troços do caminho. A descida é de grande declive e pode ser perigosa se não houver algum cuidado.
Atingida a linha não havia necessidade de mais marcações. O traçado seria pela linha até se atingir S. Lourenço, onde estaria mais uma vez o autocarro para nos transportar para a aldeia de Pombal.
Já tinha saudades da Linha, e foi com muita satisfação que pisei mais uma vez as travessas.
A paisagem é bem conhecida minha e sei de cor cada rocha, cada curva, cada canteiro de flores selvagens que crescem na escarpa rochosas.
Aprecio muito a passagem por Santa Luzia e pelo Amieiro. O isolamento da aldeia e a forma como que aninha na encosta surpreenderem sempre quem por ali passa pela primeira vez. Mas todos os que voltam a passar, nunca se cansam de fotografar aquele presépio que parece parado no tempo, onde não se ouvem nem pessoas nem animais, apenas as pareces e os telhados das casas estão a marcar a presença humana, uma vez que os terrenos de cultivo em redor não chamam à atenção de tão camuflados que se encontram na paisagem.
As pernas e os pés dos menos habituados nas caminhadas começaram a fraquejar. Fomos ficando para trás para incentivar e ajudar alguém que precisasse.
Os últimos quilómetros na linha foram feitos muito lentamente, já com bastante calor. Finalmente avistou-se a estação de S. Lourenço, onde já não havia ninguém, uma vez que o autocarro já tinha feito várias viagens à aldeia.
Aproveitei alguns momentos de espera para "provocar" um grupo de pescadores que se encontravam junto às termas a almoçar. Ganhei um copo de vinho e o privilégio de provar do seu almoço. Acreditem que a carne assada estava uma delícia! Obrigado, amigos. A pesca também é uma boa atividade para juntar pessoas e aquele grupo era um bom exemplo. Apesar de serem de vários lugares, até de concelhos diferentes, deslocam-se com frequência ao rio Tua para pescarem e para conviverem. Um deles dedicava-se exclusivamente ao almoço!
Chegou o autocarro e o último grupo tomou-o para Pombal.
Às duas da tarde começaram a entrar as primeiras pessoas para o salão da ARCPA. Para almoçar o grupo era ainda maior e o salão ficou cheio.
O prato principal foi arroz à Valenciana , acompanhado de salada e boa pinga (alguma da produção da terra, outra da zona dos vinhos verdes). O almoço com toda a gente sentada acaba por ter as suas vantagens, como o repouso e a calma para a conversa. Acaba por se conviver menos, porque estamos sempre juntos das mesmas pessoas. Há pessoas que desde há mais de um ano não perderam uma caminhada! Já devem ser perto de 20 caminhadas e passeios. Já se criou um verdadeiro espírito de grupo, sempre com boa disposição.
O evento terminou com um café no bar da Associação.
Foram pouco mais de 11 km percorridos, de forma agradável. O pequeno almoço e o almoço também estiveram ao nível que a Associação já nos habituou e é sempre agradável rever os amigos e voltar à aldeia de Pombal.
A já conhecida forma de receber desta Associação, da respetiva aldeia e os maravilhosos percursos possíveis nas encostas do rio Tua, levaram mais uma vez quase centena e meia de participantes a concentrarem-se junto à sede da Associação bem cedo ainda. Muitos dos participantes foram transportados de Carrazeda de Ansiães, de autocarro para Castanheiro. Foi necessário deslocar também para Castanheiro as pessoas que se encontravam em Pombal, uma vez que o início do percurso e o pequeno almoço estavam marcados para essa aldeia. Esta deslocação foi bastante demorada, uma vez que apenas só foi disponibilizado um autocarro, o que atrasou todo o evento.
O pequeno almoço foi servido na Junta de Freguesia de Castanheiro. Mesas bem recheadas esperavam os participantes já um pouco inquietos.
Há medida que o grupo de caminheiros tem vindo a aumentar, notam-se formas diferentes de encarar estas caminhadas ou passeios. Há pessoas que só pensam em chegar ao final! Para mim é a caminhada que conta e esta tem que ser aproveitada. Aproveitada para apreciar a paisagem, para ver e conversar sobre a fauna e a flora, monumentos e sítios de interesse, se ou houver, conhecer e conversar com outros participantes, já amigos ou desconhecidos. Julgo que esta Rota das Maias encheu bem as minhas "medidas", uma vez que não me preocupei nada com o caminho e cheguei ao final integrado no último grupo de pessoas.
A descida de Castanheiro até a estação da linha do Tua com o mesmo nome foi bastante acelerada. A paisagem é fantástica e as maias começaram a aparecer logo nos primeiros metros do percurso. Em cada curva do caminho se tem uma visão diferente do agreste vale e as touças de castanho dão um sombreado e uma frescura agradável a alguns troços do caminho. A descida é de grande declive e pode ser perigosa se não houver algum cuidado.
Atingida a linha não havia necessidade de mais marcações. O traçado seria pela linha até se atingir S. Lourenço, onde estaria mais uma vez o autocarro para nos transportar para a aldeia de Pombal.
Já tinha saudades da Linha, e foi com muita satisfação que pisei mais uma vez as travessas.
A paisagem é bem conhecida minha e sei de cor cada rocha, cada curva, cada canteiro de flores selvagens que crescem na escarpa rochosas.
Aprecio muito a passagem por Santa Luzia e pelo Amieiro. O isolamento da aldeia e a forma como que aninha na encosta surpreenderem sempre quem por ali passa pela primeira vez. Mas todos os que voltam a passar, nunca se cansam de fotografar aquele presépio que parece parado no tempo, onde não se ouvem nem pessoas nem animais, apenas as pareces e os telhados das casas estão a marcar a presença humana, uma vez que os terrenos de cultivo em redor não chamam à atenção de tão camuflados que se encontram na paisagem.
As pernas e os pés dos menos habituados nas caminhadas começaram a fraquejar. Fomos ficando para trás para incentivar e ajudar alguém que precisasse.
Os últimos quilómetros na linha foram feitos muito lentamente, já com bastante calor. Finalmente avistou-se a estação de S. Lourenço, onde já não havia ninguém, uma vez que o autocarro já tinha feito várias viagens à aldeia.
Aproveitei alguns momentos de espera para "provocar" um grupo de pescadores que se encontravam junto às termas a almoçar. Ganhei um copo de vinho e o privilégio de provar do seu almoço. Acreditem que a carne assada estava uma delícia! Obrigado, amigos. A pesca também é uma boa atividade para juntar pessoas e aquele grupo era um bom exemplo. Apesar de serem de vários lugares, até de concelhos diferentes, deslocam-se com frequência ao rio Tua para pescarem e para conviverem. Um deles dedicava-se exclusivamente ao almoço!
Chegou o autocarro e o último grupo tomou-o para Pombal.
Às duas da tarde começaram a entrar as primeiras pessoas para o salão da ARCPA. Para almoçar o grupo era ainda maior e o salão ficou cheio.
O prato principal foi arroz à Valenciana , acompanhado de salada e boa pinga (alguma da produção da terra, outra da zona dos vinhos verdes). O almoço com toda a gente sentada acaba por ter as suas vantagens, como o repouso e a calma para a conversa. Acaba por se conviver menos, porque estamos sempre juntos das mesmas pessoas. Há pessoas que desde há mais de um ano não perderam uma caminhada! Já devem ser perto de 20 caminhadas e passeios. Já se criou um verdadeiro espírito de grupo, sempre com boa disposição.
O evento terminou com um café no bar da Associação.
Foram pouco mais de 11 km percorridos, de forma agradável. O pequeno almoço e o almoço também estiveram ao nível que a Associação já nos habituou e é sempre agradável rever os amigos e voltar à aldeia de Pombal.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Trilho da Senhora da Ribeira
No dia 28 de abril realizou-se mais uma memorável caminhada, desta vez na zona do Douro, com início em Beira Grande. Ainda tinha bem presente a caminhada realizada em junho de 2012, que me agradou bastante, apesar do calor e não quis perder esta oportunidade de conhecer melhor as encostas do Douro.
Foram tantos os participantes que demorou algum tempo a transportar toda a gente para Beira Grande, onde as cornetas colocadas no campanário da igreja debitavam a mais animada música pimba. Ainda bem, porque se armou um baile para manter as pernas quentes. Apesar de estar um sol destapado, o ar estava fresco.
A igreja estava aberta e alguma pessoas aproveitaram para tirar algumas fotografias ou para fazer as algumas orações. Trata-se de um templo bastante interessante, não tanto na arquitetura mas mais na talha dourada e nas imagens.
A caminhada iniciou-se com a deslocação do grupo da Igreja Matriz à Junta de Freguesia, situada numa antiga escola.
O mata-bicho foi farto. As pessoas mal cabiam no salão, mas houve espaço e comida para todos. Fiquei com ideia de que ninguém tocou no vinho espumoso, mas o tratadinho era fantástico e aqueceu o corpo e a alma.
O destino era a Senhora da Ribeira e desde o início que o traçado do percurso seguiu nessa direção. A vegetação estava cheia de força, mostrando já o esplendor da primavera.
Como já vem sendo habitual, o grupo desfez-se ao fim de poucos quilómetros. Há pessoas com muita pressa de chegar ao final. Acabam por causar algum stress nos restantes que não se querem atrasar muito. Não me preocupei muito com o grupo, seguindo ao meu ritmo com paragens frequentes para tirar algumas fotografias. Cheguei mesmo a separar-me do grupo subindo ao cume de um monte procurando alargar os horizontes em direção ao Douro.
Ao fundo do vale há grandes quintas, que se avistam do caminho que seguimos: Quintas dos Canais, Quinta do Camparado, Quinta da Fonte Santa e Quinta da Senhora da Ribeira.
Tirando uma pequena subida, todo o percurso foi descendente, com uma descida acumulada de 550 metros.
Já em Senhora da Ribeira passámos junto à capela onde se venera a Senhora da Ribeira, que dá também nome à quinta. Foi pena a capela não estar aberta. Foi a primeira e a última oportunidade de muitas das pessoas que por lá passaram de a visitarem.
A localização deste pequeno lugar é idílica. O olhar estende-se pelo douro e vinhedos em redor inspirando calma, tranquilidade. O azul e o verde combinam-se tão completamente que tudo em redor parece ter saído de uma tela naturalista.
Apesar de ser dos últimos a chegar, ainda fui a tempo de fotografar e comer os peixes do rio com cebolada de escabeche, servidos como aperitivo. Seguiu-se uma sopa e como prato principal carnes assadas variadas servidas em inúmeras travessas. Seria mais de centena e meia de pessoas, com bastante fome, que foram ficando saciadas pouco a pouco.
A música popular fazia-se ouvir convidando ao baile. Poucos se sentiram motivados para dar uns passos de dança. Todos queriam regressar a casa mas o transporte foi bastante demorado. Apenas havia um mini-autocarro que fazia o transporte até Carrazeda. Como a distância ainda é muita e foi necessário fazer muitas viagens este transporte demorou bastante.
O percurso foi de aproximadamente 9 km. Foi fácil de fazer e com paisagens deslumbrantes. Foi dos melhores percursos que já fiz em caminhadas deste género. Também na alimentação os organizadores (Junta de Freguesia de Beira Grande) merecem os parabéns. Estava tudo 5 estrelas. Penso que terá sido o restaurante de Senhora da Ribeira a servir a refeição. Não é fácil servir tanta gente em simultâneo (e ainda com o próprio restaurante aberto) mas deram bem "conta do recado" e estão também de parabéns.
Como pontos menos positivos aponto a dispersão dos participantes, as explicação técnicas da arqueóloga que não se ouviram, a capela da Senhora da Ribeira estar fechada e a demora nos transportes. O ponto mais alto continua a ser a amizade entre os participantes.
Foram tantos os participantes que demorou algum tempo a transportar toda a gente para Beira Grande, onde as cornetas colocadas no campanário da igreja debitavam a mais animada música pimba. Ainda bem, porque se armou um baile para manter as pernas quentes. Apesar de estar um sol destapado, o ar estava fresco.
A igreja estava aberta e alguma pessoas aproveitaram para tirar algumas fotografias ou para fazer as algumas orações. Trata-se de um templo bastante interessante, não tanto na arquitetura mas mais na talha dourada e nas imagens.
A caminhada iniciou-se com a deslocação do grupo da Igreja Matriz à Junta de Freguesia, situada numa antiga escola.
O mata-bicho foi farto. As pessoas mal cabiam no salão, mas houve espaço e comida para todos. Fiquei com ideia de que ninguém tocou no vinho espumoso, mas o tratadinho era fantástico e aqueceu o corpo e a alma.
O destino era a Senhora da Ribeira e desde o início que o traçado do percurso seguiu nessa direção. A vegetação estava cheia de força, mostrando já o esplendor da primavera.
Como já vem sendo habitual, o grupo desfez-se ao fim de poucos quilómetros. Há pessoas com muita pressa de chegar ao final. Acabam por causar algum stress nos restantes que não se querem atrasar muito. Não me preocupei muito com o grupo, seguindo ao meu ritmo com paragens frequentes para tirar algumas fotografias. Cheguei mesmo a separar-me do grupo subindo ao cume de um monte procurando alargar os horizontes em direção ao Douro.
Ao fundo do vale há grandes quintas, que se avistam do caminho que seguimos: Quintas dos Canais, Quinta do Camparado, Quinta da Fonte Santa e Quinta da Senhora da Ribeira.
Tirando uma pequena subida, todo o percurso foi descendente, com uma descida acumulada de 550 metros.
Já em Senhora da Ribeira passámos junto à capela onde se venera a Senhora da Ribeira, que dá também nome à quinta. Foi pena a capela não estar aberta. Foi a primeira e a última oportunidade de muitas das pessoas que por lá passaram de a visitarem.
A localização deste pequeno lugar é idílica. O olhar estende-se pelo douro e vinhedos em redor inspirando calma, tranquilidade. O azul e o verde combinam-se tão completamente que tudo em redor parece ter saído de uma tela naturalista.
Apesar de ser dos últimos a chegar, ainda fui a tempo de fotografar e comer os peixes do rio com cebolada de escabeche, servidos como aperitivo. Seguiu-se uma sopa e como prato principal carnes assadas variadas servidas em inúmeras travessas. Seria mais de centena e meia de pessoas, com bastante fome, que foram ficando saciadas pouco a pouco.
A música popular fazia-se ouvir convidando ao baile. Poucos se sentiram motivados para dar uns passos de dança. Todos queriam regressar a casa mas o transporte foi bastante demorado. Apenas havia um mini-autocarro que fazia o transporte até Carrazeda. Como a distância ainda é muita e foi necessário fazer muitas viagens este transporte demorou bastante.
O percurso foi de aproximadamente 9 km. Foi fácil de fazer e com paisagens deslumbrantes. Foi dos melhores percursos que já fiz em caminhadas deste género. Também na alimentação os organizadores (Junta de Freguesia de Beira Grande) merecem os parabéns. Estava tudo 5 estrelas. Penso que terá sido o restaurante de Senhora da Ribeira a servir a refeição. Não é fácil servir tanta gente em simultâneo (e ainda com o próprio restaurante aberto) mas deram bem "conta do recado" e estão também de parabéns.
Como pontos menos positivos aponto a dispersão dos participantes, as explicação técnicas da arqueóloga que não se ouviram, a capela da Senhora da Ribeira estar fechada e a demora nos transportes. O ponto mais alto continua a ser a amizade entre os participantes.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Pinhal do Norte - Trilho do Vale do Tua
No dia 14 de abril, na aldeia de Pinhal do Norte, teve lugar mais uma caminhada "por terras de Carrazeda de Ansiães". Depois de ter estado ausente de algumas realizações do género, por incompatibilidade de agenda, foi com grande entusiasmo que voltei ao concelho, para percorrer a pé mais um cantinho.
O nome escolhido "Trilho do Vale do Tua" fez-me sonhar com o rio Tua, a linha do comboio, com o apeadeiro do Tralhão e a estação de Brunheda. O mês de abril é um mês de vegetação em explosão e qualquer que seja o percurso tem, de certeza, muitas paisagens bonitas, espécies vegetais floridas e rochas grotescas, isto para não falar da companhia dos companheiros de outras caminhadas, de quem já sentia saudades.
Como pretendia continuar a tarde de domingo em Pombal, na XIX Prova de Vinhos, fui em carro próprio até ao Pinhal do Norte, onde pensava chegar primeiro que o grosso das pessoas. Enganei-me. Quando cheguei ao largo do Terreiro já aí estava uma pequena multidão e a azáfama era enorme. Foi com satisfação que revi tanta gente amiga, que já não via há algum tempo (mas mantemo-nos mais ou menos próximos via Internet no Facebook).
As mesas encheram-se para o pequeno almoço. Estes "mata-bichos" bem servidos são já uma característica destas caminhadas. Alguns comem outros poupam-se, para se manterem mais leves. Estou em crer que a grande maioria das pessoas não se preocupa muito com a "linha"; com a saúde sim, mas com a "linha" não.
O "pelotão" partiu pela rua de S. Bartolomeu para a Igreja Matriz. Apressei-me para lá entrar, mas estava fechada. Subimos à estrada N314-1 e tomámos uma caminho em direção ao rio Tua. Esta parte do percurso já era nossa conhecida de III Rota das Maias - realizada em Maio de 2012. Pouco depois abandonámos esse trajeto e seguimos em direção à Quinta do Tralhão.
Estava convencido que desceríamos à linha do Tua e seguiríamos por ela até Brunheda, mas enganei-me. Mal vimos a linha e o rio também ficou a grande distância.
A vegetação espontânea estava em plena floração e abundavam cores e perfumes por todo o lado. Pela primeira vez nestas caminhadas "esqueci-me" das fotografias e fiz quase todo o percurso a conversar com outros caminhantes.
Passámos junto a uma formação rochosa onde era possível "ouvir" os sinos de Braga. A mesma "sinfonia" e o mesma tradição acontece em muitos outros locais. Não sei se houve alguém a cair na "esparrela". Se alguém mais inocente encosta a à rocha logo é empurra violentamente contra ela, fazendo "ouvir" sinos e outras campainhas, acompanhadas por alguma dor de cabeça.
Também vi de longe uma rocha de que já tinha ouvido falar. É conhecida pela Capela do Diabo. É uma formação natural que parece formar uma nave, ao estilo de uma capela-mor de uma igreja. Não a imaginava tão grande nem tão perfeita. A capela e os "Sinos de Braga" são referidos por Alexandre Parafita no seu livro Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2.
A extensa e promissora Quinta do Tralhão mostrava sinais do mais completo abandono. As vinhas em socalco, ainda jovens e cheias de força para produzirem uvas, não foram podadas! No coração das vinhas começámos a rota ascendente, encosta acima, num passo mais cadenciado e ofegante.
Atingimos o traçado do IC5 e avistámos a obra admirável que é a ponte sobre o rio. Lembro-me que há muitos anos atrás as pessoas iam a Brunheda só para verem a ponte altíssima que construiram sobre o rio Tua. Essa ponte comparada com a que a agora foi construida para o IC5 parece um brinquedo.
Avistámos as casas de Brunheda. Desviei-me um pouco do percurso seguindo com algumas pessoas por um caminho rural que nos pareceu mais bonito para acedermos à aldeia. Entrámos pela sua zona mais a poente, onde existe uma fonte antiga e uns bonitos tanques que já fotografei há alguns anos atrás.
Como sabia que havia muita gente para trás (e ainda nem sequer era meio dia) aproveitei para fazer um passeio por algumas ruas da aldeia. A igreja estava fechada. Tenho pena de não a ter podido ver porque é das poucas do concelho onde nunca entrei.
O almoço foi servido na antiga escola Primária. À distância já cheirava a carne assada e as mesas já nos esperavam quase prontas. A caminhada teve perto de 200 participantes e não foi fácil saciar tanta boca. Inicialmente cada travessa de carne assada colocada na mesa desaparecia num piscar de olhos, mas passado algum tempo já se viam tabuleiros cheios. A refeição iniciou-se com a sopa, continuou com carne assada (barriga, e fêveras de porco e frango no churrasco) e salada de alface. Havia bom pão, melhor vinho e fruta para o final.
Ainda houve tempo para um café no bar do Sport Brunheda Benfica, que funciona na escola. Pouco depois o autocarro partia para Pinhal do Norte. Apanhei a primeira viagem, porque queria estar no Pombal antes das portas do salão se abrirem para a Prova de Vinho.
Em termos de balanço, ocorrem-me os seguintes comentários:
O nome escolhido "Trilho do Vale do Tua" fez-me sonhar com o rio Tua, a linha do comboio, com o apeadeiro do Tralhão e a estação de Brunheda. O mês de abril é um mês de vegetação em explosão e qualquer que seja o percurso tem, de certeza, muitas paisagens bonitas, espécies vegetais floridas e rochas grotescas, isto para não falar da companhia dos companheiros de outras caminhadas, de quem já sentia saudades.
Como pretendia continuar a tarde de domingo em Pombal, na XIX Prova de Vinhos, fui em carro próprio até ao Pinhal do Norte, onde pensava chegar primeiro que o grosso das pessoas. Enganei-me. Quando cheguei ao largo do Terreiro já aí estava uma pequena multidão e a azáfama era enorme. Foi com satisfação que revi tanta gente amiga, que já não via há algum tempo (mas mantemo-nos mais ou menos próximos via Internet no Facebook).
As mesas encheram-se para o pequeno almoço. Estes "mata-bichos" bem servidos são já uma característica destas caminhadas. Alguns comem outros poupam-se, para se manterem mais leves. Estou em crer que a grande maioria das pessoas não se preocupa muito com a "linha"; com a saúde sim, mas com a "linha" não.
O "pelotão" partiu pela rua de S. Bartolomeu para a Igreja Matriz. Apressei-me para lá entrar, mas estava fechada. Subimos à estrada N314-1 e tomámos uma caminho em direção ao rio Tua. Esta parte do percurso já era nossa conhecida de III Rota das Maias - realizada em Maio de 2012. Pouco depois abandonámos esse trajeto e seguimos em direção à Quinta do Tralhão.
Estava convencido que desceríamos à linha do Tua e seguiríamos por ela até Brunheda, mas enganei-me. Mal vimos a linha e o rio também ficou a grande distância.
A vegetação espontânea estava em plena floração e abundavam cores e perfumes por todo o lado. Pela primeira vez nestas caminhadas "esqueci-me" das fotografias e fiz quase todo o percurso a conversar com outros caminhantes.
Passámos junto a uma formação rochosa onde era possível "ouvir" os sinos de Braga. A mesma "sinfonia" e o mesma tradição acontece em muitos outros locais. Não sei se houve alguém a cair na "esparrela". Se alguém mais inocente encosta a à rocha logo é empurra violentamente contra ela, fazendo "ouvir" sinos e outras campainhas, acompanhadas por alguma dor de cabeça.
Também vi de longe uma rocha de que já tinha ouvido falar. É conhecida pela Capela do Diabo. É uma formação natural que parece formar uma nave, ao estilo de uma capela-mor de uma igreja. Não a imaginava tão grande nem tão perfeita. A capela e os "Sinos de Braga" são referidos por Alexandre Parafita no seu livro Património Imaterial do Douro (Narrações Orais), Vol. 2.
A extensa e promissora Quinta do Tralhão mostrava sinais do mais completo abandono. As vinhas em socalco, ainda jovens e cheias de força para produzirem uvas, não foram podadas! No coração das vinhas começámos a rota ascendente, encosta acima, num passo mais cadenciado e ofegante.
Atingimos o traçado do IC5 e avistámos a obra admirável que é a ponte sobre o rio. Lembro-me que há muitos anos atrás as pessoas iam a Brunheda só para verem a ponte altíssima que construiram sobre o rio Tua. Essa ponte comparada com a que a agora foi construida para o IC5 parece um brinquedo.
Avistámos as casas de Brunheda. Desviei-me um pouco do percurso seguindo com algumas pessoas por um caminho rural que nos pareceu mais bonito para acedermos à aldeia. Entrámos pela sua zona mais a poente, onde existe uma fonte antiga e uns bonitos tanques que já fotografei há alguns anos atrás.
Como sabia que havia muita gente para trás (e ainda nem sequer era meio dia) aproveitei para fazer um passeio por algumas ruas da aldeia. A igreja estava fechada. Tenho pena de não a ter podido ver porque é das poucas do concelho onde nunca entrei.
O almoço foi servido na antiga escola Primária. À distância já cheirava a carne assada e as mesas já nos esperavam quase prontas. A caminhada teve perto de 200 participantes e não foi fácil saciar tanta boca. Inicialmente cada travessa de carne assada colocada na mesa desaparecia num piscar de olhos, mas passado algum tempo já se viam tabuleiros cheios. A refeição iniciou-se com a sopa, continuou com carne assada (barriga, e fêveras de porco e frango no churrasco) e salada de alface. Havia bom pão, melhor vinho e fruta para o final.
Ainda houve tempo para um café no bar do Sport Brunheda Benfica, que funciona na escola. Pouco depois o autocarro partia para Pinhal do Norte. Apanhei a primeira viagem, porque queria estar no Pombal antes das portas do salão se abrirem para a Prova de Vinho.
Em termos de balanço, ocorrem-me os seguintes comentários:
- Para mim a caminhada foi curta, à volta de 8,5 km, que foram percorridos em pouco tempo.
- O dia esteve bom para caminhar: um sol bonito mas um ar fresquito que ajudou a manter a boa disposição.
- Foi bom ver tanta gente a caminhar. Havia mesmo um grupo de caminheiros de Valpaços! É bom que estes eventos comecem a cativar gente de fora que queira conhecer o concelho.
- Gostaria de encontrar as capelas e as igrejas abertas; esta é uma oportunidade única de mostrar o património de cada aldeia.
- Parece-me que devia haver pontos intermédios, ao longo do percurso, onde o grupo se se reagrupava. Não acho que os participantes devam ir todos os monte, mas também não devem ir muito dispersos.
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